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Número de usinas em recuperação judicial e falidas aumenta 18% e 8% em um ano

O cenário é preocupante: setor sucroenergético segue endividado e 12 usinas entraram em recuperação judicial em um ano

NovaCana 16 min de leitura

A safra 2019/20, aparentemente, possui ares que recuperação que devolveriam o vagão do setor sucroenergético aos trilhos. O etanol segue com consumo aquecido e preços competitivos em relação à gasolina, enquanto o açúcar reage à perspectiva de déficit global. Na ala dos investimentos, o BNDES financiou 2,76 bilhões para as usinas em 2018, 181% a mais que no ano anterior.

Ao mesmo tempo, parece que essas boas notícias só atingem os grupos que estão em melhores condições financeiras. Dada a disparidade evidente, ainda há muitas companhias descapitalizadas, e os sinais positivos não são suficientes para oferecer uma folga no já bastante apertado fluxo de caixa. São empresas que enfrentam dificuldades há muitos anos e, em alguns casos, estão próximas do fim da linha.

Piorando este cenário, os custos de produção da cana-de-açúcar se elevaram em 2,8% na safra 2018/19. No comparativo anual, o valor passou de R$ 9.109,17/ha para R$ 9.364,64/há, o que representa um desafio extra para muitos grupos.

Os dados da RPA Consultoria expressam o problema em números: houve um aumento de 17,6% na quantidade de usinas que entraram em recuperação judicial entre abril de 2018 e de 2019. Em relação às usinas falidas, o acréscimo foi de 8%. Enquanto isso, o número de unidades sem problemas caiu 3,7%.

Assim, em 2019, das 444 usinas brasileiras, 79 (18% do total) estão em recuperação judicial, 12 a mais que em 2018. Destas, 49 permanecem operando enquanto outras 31 estão paradas. Já das 27 usinas falidas (6% do total) – duas a mais que em 2018 –, quatro ainda operam enquanto outras 23 estão paradas.

Ainda partindo do total, 343 usinas (77%) devem operar em 2019 e 101 unidades (23%) estarão paradas, quatro a mais que no ano anterior.

Confira, na versão completa:

- Entrevistas exclusivas com Unica, MBAgro e Archer Consulting sobre o tema
- Detalhes da situação das usinas que entraram em recuperação judicial no último ano e análise caso a caso
- Comparativo das usinas em recuperação judicial e falidas entre 2018 e 2019
- Comparativo das usinas operando e paradas entre 2018 e 2019
- Número das usinas em recuperação judicial por estado
- Perspectivas para o futuro do setor sucroenergético em relação a crédito, consolidação e endividamento

A safra 2019/20, aparentemente, possui ares que recuperação que devolveriam o vagão do setor sucroenergético aos trilhos. O etanol segue com consumo aquecido e preços competitivos em relação à gasolina, enquanto o açúcar reage à perspectiva de déficit global. Na ala dos investimentos, o BNDES financiou 2,76 bilhões para as usinas em 2018, 181% a mais que no ano anterior.

Ao mesmo tempo, parece que essas boas notícias só atingem os grupos que estão em melhores condições financeiras. Dada a disparidade evidente, ainda há muitas companhias descapitalizadas, e os sinais positivos não são suficientes para oferecer uma folga no já bastante apertado fluxo de caixa. São empresas que enfrentam dificuldades há muitos anos e, em alguns casos, estão próximas do fim da linha.

Piorando este cenário, os custos de produção da cana-de-açúcar se elevaram em 2,8% na safra 2018/19. No comparativo anual, o valor passou de R$ 9.109,17/ha para R$ 9.364,64/há, o que representa um desafio extra para muitos grupos.

Os dados da RPA Consultoria expressam o problema em números: houve um aumento de 17,6% na quantidade de usinas que entraram em recuperação judicial entre abril de 2018 e de 2019. Em relação às usinas falidas, o acréscimo foi de 8%. Enquanto isso, o número de unidades sem problemas caiu 3,7%.

Assim, em 2019, das 444 usinas brasileiras, 79 (18% do total) estão em recuperação judicial, 12 a mais que em 2018. Destas, 49 permanecem operando enquanto outras 31 estão paradas.

Já das 27 usinas falidas (6% do total) – duas a mais que em 2018 –, quatro ainda operam enquanto outras 23 estão paradas. Segundo o consultor Alexandre Figliolino, da MBAgro, a continuidade de operação pode ocorrer pelo interesse de parte dos agentes envolvidos, como funcionários, fornecedores e outros credores.

Outra perspectiva vem do diretor da Archer Consulting, Arnaldo Corrêa. De acordo com ele, algumas usinas falidas que ainda operam podem fazer a moagem de cana para terceiros, tentando obter alguma rentabilidade.

Ainda partindo do total de 444 unidades – uma a mais que no ano anterior –, 343 usinas (77%) devem operar em 2019 e 101 (23%) estarão paradas, quatro a mais que em 2018.

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Quanto às unidades que não estão em recuperação judicial nem falidas, mas estão fora de operação, Figliolino expressa que isso pode ocorrer por razões econômicas: “Em um cenário de preços apertados, muito próximos ao custo de produção, o foco em redução de despesas e aumento de eficiência operacional é total”.

Para abaixar o custo, uma das opções encontradas por grupos é atuar dentro de um cluster. Assim, a matéria-prima pode ser concentrada em menos unidades que atuam mais próximas à capacidade instalada total. Ao mesmo tempo, outras podem ser desativadas temporariamente enquanto aguardam um aumento da disponibilidade de matéria-prima, por exemplo.

Um futuro incerto

Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, ainda é difícil estimar como está a atual situação de endividamento do setor. A justificativa é que os balanços financeiros das usinas são por ano-safra, ou seja, de março a abril; assim, somente a partir de junho será possível traçar um cenário atualizado.

De qualquer modo, segundo o profissional, o panorama é de unidades em recuperação judicial em 13 estados brasileiros, o que denota que o problema não está na produtividade inerente a questões geográficas. “O setor alcooleiro não é homogêneo, tem situações muito díspares”, diz.

Figliolino, da MBAgro, expressa posição semelhante, mencionando que os grupos de excelência do setor conseguem atuar com margens razoáveis mesmo com cenário negativo, enquanto os com dívida elevada e custos de produção altos não tiveram a mesma sorte: “Eles vão se afundando cada vez mais, pois os preços praticados no mercado não possibilitam sua recuperação”.

Ainda assim, de acordo com ele, o “ciclo de ajustes” está terminando. Mesmo que ainda aconteçam alguns pedidos de recuperação judicial, o fim dos preços baixos do açúcar e as perspectivas positivas para o etanol em curto e médio prazos dão esperanças para o futuro. “Após seguidos anos de crise, os casos mais agudos já vieram à tona”, afirma.

Em contrapartida, Corrêa, da Archer Consulting, enxerga que provavelmente haverá um aumento das usinas em recuperação judicial. Segundo ele, há unidades “em situação muito delicada”, fator que pode causar um “efeito dominó”. Além disso, novos pedidos na justiça podem atrapalhar o andamento de eventuais negociações de dívida.

Inclusive, um dos pontos que influencia no endividamento do setor é a desvalorização do real. Do total, 40% das dívidas das usinas são fixadas em dólar. A taxa de câmbio em março do ano passado era de R$ 3,31 por dólar, passando para R$ 3,92 em 2019. “A dívida cresceu 18% por conta da desvalorização da moeda nacional. O endividamento forte, em dólar, causou impacto nas suas contas”, detalha Padua.

Além disso, conforme Padua, têm vantagem os grupos com uma maior flexibilidade industrial, que podem alternar mais facilmente entre açúcar e etanol. “Aquele produtor que teve um mix mais alcooleiro sem dúvida está em uma situação melhor do que as empresas que venderam açúcar a um preço muito inferior ao do etanol”, comenta.

Padua ainda reitera que o faturamento por tonelada de cana não teve uma grande variação entre as duas últimas safras. Porém, o faturamento global acabou sendo afetado “em alguns milhões de reais”, por conta da menor moagem em 2018/19. Conforme números da Unica, a safra foi encerrada com o processamento de 573,1 milhões de toneladas no Centro-Sul, uma queda anual de 3,9%.

Usina Itajobi: dentro da média de endividamento do setor

O mais recente pedido de recuperação judicial do setor foi feito em 10 de abril, pela Usina Itajobi Açúcar e Álcool, localizada em Marapoama (SP). Com dívidas de R$ 230 milhões, a companhia possui um faturamento anual de R$ 270 milhões, o que a impediria de honrar com seus compromissos financeiros. Agora, a meta é reestruturar a empresa, mas também há possibilidade de venda da usina.

Em entrevista ao Valor Econômico, o advogado Julio Mandel, responsável pela solicitação de recuperação judicial, adiantou que o pedido ocorreu porque o banco BTG Pactual não aceitou alongar a dívida e parou as negociações com a usina. A instituição é uma das principais credoras da usina, com um endividamento de R$ 23 milhões. Outros credores são os bancos Santander e BBM, com R$ 50 milhões e R$ 26 milhões, respectivamente.

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Segundo Corrêa, a Usina Itajobi teria uma dívida de aproximadamente R$ 168 por tonelada de cana, um valor próximo à média do setor, que, segundo a própria consultoria, é de R$ 160/t. De acordo com um levantamento da FG/A com 44 companhias do Centro-Sul, o valor médio da amostra ao final da safra 2017/18 foi de R$ 131/t.

Em uma outra perspectiva, Padua pondera que este indicador não dita os problemas enfrentados pelas usinas. De acordo com ele, a questão está no desempenho operacional, sendo necessário observar se a unidade está moendo menos do que na safra anterior, mas mantém a mesma dívida. Neste caso, o endividamento por tonelada será maior.

“É preciso avaliar não apenas a dívida por tonelada, mas também o potencial dessa usina crescer e pagar o endividamento”, Antonio de Padua Rodrigues (Unica)

Ele exemplifica: “Se eu tenho uma usina que deve R$ 160 milhões por tonelada, mas que tem 30% de capacidade ociosa e uma condição de crescer para atingir a capacidade instalada, ela vai gerar dinheiro para pagar essa dívida. Isso está dentro das análises do sistema financeiro. Não é porque está devendo mais do que a receita por tonelada de cana que essa empresa não tem condições de mitigar esse endividamento”.

Figliolino pondera que fatores muito específicos podem desencadear uma recuperação e eles não podem ser generalizados, já que uma situação particular com o credor tem potencial para gerar impasses e a consequente judicialização. “O tamanho da dívida é uma referência importante, mas a qualidade dela também é fundamental”, analisa.

A raiz do problema

A situação atual de endividamento das usinas é o produto de uma soma de fatores: um dos principais, de acordo com Padua, foi a política de congelamento de preços da gasolina, praticada de 2008 a 2014. Durante esses anos, o preço do etanol hidratado ficou quase sem alterações nas bombas, mas o setor teve aumentos nos custos de produção, acompanhados por uma menor produtividade agrícola.

“Foi um momento em que tivemos que mudar todo o nosso processo produtivo. Saímos de um cenário de muitos anos da colheita da cana manual para a mecanizada sem ter um canavial preparado e empresas preparadas”, relembra.

Segundo Figliolino, também é possível incluir na soma um ciclo de grandes investimentos, mas com baixo nível de qualidade. Os juros elevados ampliaram o endividamento de muitos grupos, que acabaram perdendo eficiência e competitividade em um cenário no qual os preços do açúcar e do etanol estavam próximos aos custos de produção.

“Costumo dizer que dívida é que nem colesterol, tem a boa e a ruim, sendo boa a longa e barata, e ruim a curta e cara”, Alexandre Figliolino (MBAgro)

A situação alimentou a heterogeneidade do setor, gerando resultados díspares entre as empresas – algo que deve seguir pelos próximos anos: “Temos um grupo de empresas altamente positivos, um altamente negativo e um intermediário, que pode ir para o lado positivo ou negativo”, divide o consultor.

Para ele, a recuperação do setor de etanol depende de um programa de previsibilidade, da manutenção da política de precificação dos combustíveis atrelada ao mercado internacional e dos diferenciais tributários entre ele e a gasolina. “Nós acreditamos que essa manutenção deve manter a previsibilidade e que o RenovaBio deve, de fato, trazer este grande grupo que está em situação difícil para o lado positivo”, espera.

Santa Terezinha: surpresa com os bancos

Outro caso recente de recuperação judicial é da paranaense Santa Terezinha, com dívidas de R$ 4,6 bilhões. O grupo pediu recuperação após um dos bancos credores, o Votorantim, entrar com três pedidos de execução na justiça. A dívida com ele é de R$ 150 milhões sendo que, em uma das ações, foi solicitada a execução de R$ 40 milhões. A situação foi um fator surpresa para o grupo, que estava prestes a assinar um acordo de renegociação das dívidas com 18 bancos.

Com a solicitação de recuperação em andamento, a Santa Terezinha conseguiu obter uma liminar para suspender as ações do banco, pois a juíza do caso entendeu que isso evitaria que a crise financeira se agravasse. Na sequência, a empresa teve o seu pedido de recuperação aceito.

Do total da dívida do grupo, US$ 900 milhões estão fixados em dólar. Segundo divulgado pelo Valor Econômico, os compromissos são basicamente com bancos, sem atrasos com funcionários, fornecedores e impostos.

A Santa Terezinha possui dez usinas no noroeste paranaense, empregando 11 mil funcionários e com folha de pagamento de R$ 24 milhões. Uma das unidades, a Usina Goioerê, em Moreira Sales (PR), ficará parada para a safra 2019/20.

Setor concentrado x expansão

Durante o NovaCana Ethanol Conference de 2018, o diretor de agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes, afirmou que o setor de açúcar e etanol teria que diminuir antes de voltar a crescer. O analista Thiago Duarte, do BTG Pactual, reiterou a ideia: “Tem um grupo de empresas que não consegue gerar valor e elas precisam sair do mercado”.

Corrêa corrobora com a visão dos dois consultores. “As empresas que, de certa maneira, pela situação financeira, acabam prejudicando a saúde de outras usinas por contaminação precisam sair do mercado”, considera e completa: “Essa cana pode ir para os que têm mais condição, com uma gestão e uma governança melhores”.

Assim, ele acredita que as consolidações devem ocorrer com as usinas mais rentáveis incorporando as que estão à venda, principalmente em regiões próximas. Também podem ocorrer aquisições que melhorem o desempenho geral do grupo, agregando valor para os acionistas.

Para Padua, um setor mais concentrado, sadio e capitalizado pode ser uma saída. Por outro lado, ele aponta que o caminho deve ser outro se o fechamento de unidades comprometer o cumprimento das metas do RenovaBio.

“É preciso recuperar a ociosidade das usinas que estão paradas, melhorar a produtividade agrícola em 20 toneladas de cana por hectare e implementar 30 ou 40 usinas para chegar aos 47 bilhões de litros etanol carburante no mercado interno. Ou seja, não é só com o processo de concentração, mas sim com um processo de expansão”, argumenta.

Figliolino também crê que não há a necessidade de encolhimento do setor, pois aposta que os níveis de produção atuais podem voltar a ter preços remuneradores. “Mas, com certeza, um movimento positivo de preços pode acelerar o processo de consolidação silenciosa e lenta que já vem acontecendo”, pondera.

Outros casos do setor

Em julho de 2018, com mais de R$ 1 bilhão em dívidas, o grupo Clealco entrou com pedido de recuperação judicial. Segundo informações da Reuters, 75% do valor é devido para os bancos Santander, Rabobank e Itaú Unibanco. O restante seria formado por débitos com fornecedores de cana, insumos, compras e equipamentos.

O grupo tem capacidade instalada para moer cerca de 10 milhões de toneladas de cana por safra, porém, conforme a RPA, entre as usinas que vão deixar de operar na safra 2019/20 está a matriz do grupo, localizada em Clementina (SP). Assim, das três unidades da Clealco, apenas uma seguirá em operação. O objetivo seria otimizar a produção, dada a menor disponibilidade de cana na temporada.

Por sua vez, a Usina Santa Clotilde, de Rio Largo (AL), entrou com pedido de recuperação judicial em março de 2018, principalmente por conta de situações de mercado e acontecimentos naturais – uma inundação na fábrica deteriorou equipamentos e instalações laboratoriais, entre outros espaços essenciais para o funcionamento da unidade.

Já a Usina Rio Pardo, de Avaré (SP) entrou com pedido de recuperação judicial em agosto de 2018, alegando dívidas acima dos R$ 500 milhões. Um mês antes, a Raízen teria iniciado conversas para a compra da unidade, mas as negociações não foram adiante.

Apesar de muito diferentes, estes três casos convergem em vários pontos, como alto endividamento, incapacidade de investir na indústria e no canavial – o que poderia auxiliar na retomada de competitividade – e baixo acesso a novos financiamentos.

O crédito ainda é possível

Em meio a altas taxas de juros e exigências de garantias complexas para o setor, Corrêa entende que as usinas menos capitalizadas precisarão buscar soluções criativas para adquirir mais crédito. De acordo com ele, o interesse dos bancos privados segue baixo, principalmente quando há mais recuperações judiciais ocorrendo, o que “acende uma luz amarela para os que estão atuando no mercado”.

Figliolino concorda. Para ele, o apetite de crédito dos bancos privados se mantém seletivo. “No grupo de empresas mais saudáveis, notamos uma competição enorme pelas operações, o que tem propiciado redução de spreads de risco e alongamento de prazos que podem chegar, em alguns casos, a até oito anos”, relata.

Já Padua, da Unica, acredita que as usinas menos capitalizadas dificilmente conseguirão crédito, justamente por não oferecerem garantias. “Elas vão se segurando no mercado com a receita do que produzem. Não tem crédito”, diz. Ele ainda reitera que as linhas de crédito do BNDES para plantio de cana são destinadas apenas para empresas com sistema financeiro funcional.

Ao mesmo tempo, Corrêa instiga a esperança da entrada de instituições financeiras estrangeiras, que podem suprir a necessidade do setor em termos de financiamento e investimentos nos próximos anos. “Lá fora, vemos lentamente os bancos que estavam querendo sair do negócio de commodities, ou já saíram, mudando um pouco dessa visão”, afirma.

Em relação a títulos como debêntures e Certificados Recebíveis do Agronegócio (CRAs), Corrêa relata que é preciso considerar a disponibilidade de lançamento no mercado: “Não é barato e o custo de captação pode não ser o mais competitivo, mas acaba dando uma folga no fluxo de caixa extremamente apertado”.

Figliolino, por sua vez, vê os mercados de captação como ainda novos e em processo de consolidação. “Já tivemos várias empresas do setor que acessaram com grande sucesso. Mas é um mercado ainda muito seletivo e para empresas com bom rating de crédito”, diz e complementa: “Para que ele cresça e tenhamos cada vez mais investidores interessados em comprar papéis de dívida do setor é importante que não tenhamos nenhum default nesta fase jovem do mercado”.

Deste modo, para as empresas menos capitalizadas, o profissional visualiza um mercado de dívida baseado em garantias de ativos como terras, alienação fiduciária de ativo biológico e precatórios, com credores altamente especializados em operações de risco.

Gabrielle Rumor Koster - NovaCana

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