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Açúcar: Mercado

Seca na Índia e aumento de consumo de etanol no Brasil elevam preço do açúcar


Investing.com - 10 abr 2019 - 08:55

A natureza se uniu ao petróleo para elevar os preços do açúcar. A seca na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, fez com que a produção no estado de Maharashtra – que abriga a emblemática capital comercial do país, Mumbai, e a cidade cinematográfica Bollywood – quase atingisse as mínimas de três anos.

Isso animou a perspectiva para os preços do adoçante, principalmente por causa da restrição de oferta no Brasil, maior produtor, onde um maior volume de cana está sendo destinado à fabricação de etanol devido à disparada no petróleo.

As usinas de cana-de-açúcar locais estão focando mais na indústria energética do que nos alimentos, uma estratégia que está dando resultado graças ao poderoso rali do petróleo neste ano. Na atual safra, menos de 39% da cana triturada no Brasil deve ser destinada à fabricação de açúcar, pois o etanol continua atraindo a produção, segundo uma reportagem veiculada no mês passado pela Platts, agência de notícias de negócios do S&P Global.

A combinação destes fatores permitiu que o açúcar em bruto tivesse o melhor desempenho entre as commodities agrícolas. Os futuros de açúcar negociados em Nova York se valorizaram mais de 6% no acumulado do ano, contra um aumento de menos de 1% no cacau e uma desvalorização de quase 8% no café e 13% no suco de laranja.

Nos últimos dois anos, os futuros de açúcar em Nova York despencaram quase 40% por causa do excesso de oferta.

No fechamento de terça-feira, a 12,77 centavos por libra, os futuros de açúcar com vencimento em maio na ICE Futures, de Nova York, ainda recebiam recomendação de “Forte Compra” dos analistas técnicos do Investing.com. A resistência imediata para o contrato estava fixada a 13 centavos. Se chegar a esse nível, ele pode ter a chance de testar novamente a máxima de 2019 de 13,50 centavos, atingida em 17 de fevereiro.

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A Bloomberg informou que o prolongado clima seco em Maharashtra, na Índia, estava afetando os canaviais do estado, podendo provocar uma queda de 25% na produção em relação ao ano passado, a qual atingiria apenas 8 milhões de toneladas no ano iniciado em 1 de outubro. Essa seria a maior queda desde 2016/17, quando a produção despencou quase pela metade.

A perspectiva se baseia nas estimativas da Skymet Weather Services, que prevê uma monção mais seca do que o normal para o país neste ano, o que afetaria os cultivos. Isso pode trazer um pouco de alívio a países produtores como a Austrália e o Brasil, que reclamaram junto à Organização Mundial do Comércio que os subsídios e o excesso de exportação da Índia estavam comprimindo os preços globais.

Apesar dos aspectos técnicos e dos fundamentos na Índia e no Brasil, alguns analistas, como Jack Scoville, do Price Futures Group, em Chicago, pediram cautela na hora de comprar essa disparada do açúcar. “Os fundamentos ainda sugerem que as grandes ofertas e a elevada produção na Ásia também ajudarão a colocar em xeque os ralis”, afirmou Scoville, citando a maior produção na Tailândia e no Paquistão, entre outros aspectos.

Mas ele reconhece que o Brasil tem usado uma parcela maior das suas lavouras de cana para produzir etanol em vez de açúcar, e que o clima no maior país produtor ficou mais seco do que o ideal. Nos últimos cinco anos, o direcionamento da cana para o açúcar no Brasil foi, em média, equivalente a 44% da moagem.

Mas a disparada do petróleo neste ano, que fez o West Texas Intermediate, dos EUA, subir 41% e o Brent, referência global, 31%, inclinou a balança ainda mais para lado do etanol.

A Platts afirmou que os preços do etanol brasileiro mantiveram um prêmio maior em relação às cotações do açúcar doméstico, atraindo mais produção de cana para esse fim. O aumento no consumo de combustível acima do esperado no Brasil, por sua vez, estava impulsionando ainda mais a produção de etanol.

Barani Krishnan

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