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Duas usinas de cana-de-açúcar devem deixar de operar na safra 2019/20


RPA News - 22 jan 2019 - 08:20

Novas atualizações do levantamento realizado pela RPA Consultoria afirmam que a Usina Clealco, localizada em Clementina (SP), é uma das unidades que não operará em 2019. O grupo Clealco, que tem três unidades, já tinha parado a Campestre no ano passado e, neste ano, paralisará a matriz. Segundo a RPA Consultoria, a única usina do grupo que continuará operando é a Unidade Queiroz.

A Usina Ibéria, do Grupo Toledo, em Borá (SP), também não vai operar em 2019. “Já são as duas primeiras ‘baixas’ de 2019”, afirma o sócio-diretor da RPA Consultoria, Ricardo Pinto.

A Clealco comunicou que está buscando otimizar sua estrutura de operação e impulsionar a performance da companhia, considerando uma menor disponibilidade de cana-de-açúcar para a safra 2019/2020 se comparado ao ciclo atual. Por isso, foi prolongado o período de entressafra na unidade de Clementina.

“Com esta estratégia, o volume de cana disponível para a próxima safra será direcionado prioritariamente para a unidade de Queiroz, que retoma a moagem em março de 2019, operando em capacidade máxima”, afirmou a companhia via sua assessoria de comunicação. “Em decorrência, alguns funcionários de Clementina foram dispensados, enquanto outros foram remanejados para atuar na entressafra em Queiroz. Posteriormente, estes profissionais realocados irão participar de um programa de qualificação até que a safra em Clementina possa ser retomada", completa.

Para o início de 2019, a Clealco prevê o plantio de 11 mil hectares de cana na região e a concretização de negociações para compra de matéria-prima, com o objetivo de potencializar o volume de cana para a moagem em Clementina. “A companhia informa ainda que, no fim do atual ano safra irá consolidar as estratégias para o ciclo produtivo seguinte”, afirmou a Clealco.

Recuperação judicial

No dia 17 de julho de 2018, o Grupo Clealco comunicou oficialmente o pedido de recuperação judicial perante a Comarca de Birigui, após recomendação do Conselho de Administração. De acordo com a companhia, o pedido de recuperação foi protocolado com os objetivos de preservar a condição operacional da Companhia e readequar seu passivo de forma a sustentar um fluxo financeiro que garanta a capacidade de pagamento dos compromissos firmados, mantendo a continuidade de suas atividades e os empregos gerados em toda a região.

“Nos últimos meses, a Clealco empenhou significativos esforços na busca por superar seus desafios econômicos e operacionais, impulsionar sua performance, maximizar a produtividade e atenuar custos. Contudo, o cenário comercial de extrema adversidade, decorrente de uma contínua deterioração dos preços do açúcar VHP (principal produto comercializado) no mercado internacional, que reduziu ainda mais a rentabilidade do negócio, e a quebra de safra da cana-de-açúcar, ocasionada por intempéries climáticas, trouxeram impactos severos para a Companhia”, afirmou em nota direcionada à imprensa.

Para a Clealco, o pedido de recuperação judicial representava o início de uma nova etapa na direção de sua reestruturação financeira, permitindo uma negociação ampla e definitiva junto aos seus credores. A companhia chegou, em nota, a reafirmar a confiança em sua capacidade operacional.

Usinas fora de operação

Até setembro de 2018, o levantamento realizado pela consultoria RPA apontava que 93 usinas sucroenergéticas estavam de portas fechadas, o que correspondia a uma capacidade instalada de moagem de 98,9 milhões de toneladas de cana por safra.

Este número representava 21% das 443 unidades instaladas no país. São Paulo, que abriga o maior polo sucroalcooleiro do Brasil, é também onde se concentrava o maior número de usinas paradas, com 36 unidades. Alagoas e Minas Gerais empatavam em segundo lugar nesse ranking, com nove unidades cada.