Ainda que com menores perdas do que em 2019, as dívidas aumentaram no mesmo comparativo
A Abengoa Bioenergia, que possui uma usina em São João da Boa Vista (SP) e é subsidiária da espanhola Abengoa, vem passando por diversas situações complicadas ao longo dos últimos anos.
Em 2020, pela 11ª vez consecutiva, a companhia registrou resultado líquido negativo: entre janeiro e dezembro, as perdas foram de R$ 134,61 milhões. Ainda assim, em comparação com o mesmo período de 2019, o prejuízo caiu 44,1%, uma vez que o resultado anterior foi de R$ 240,79 milhões negativos.
Inclusive, mesmo com a soma desfavorável, este foi o menor prejuízo desde 2012; a empresa chegou a reportar perdas de R$ 345,16 milhões em 2016. Assim, desde 2010, a Abengoa Bioenergia acumula um total de R$ 2,01 bilhões negativos.
Com este histórico, as dívidas da companhia chegaram ao ponto mais alto desde o início da série histórica, em 2009, atingindo R$ 1,08 bilhão em 31 de dezembro de 2020.
No texto completo, apenas para assinantes, saiba mais sobre o desempenho financeiro da companhia. Além disso, leia mais sobre:
- Resumo dos acontecimentos de 2020
- Venda da unidade São Luiz
- Resultado líquido da companhia
- Evolução do endividamento
- Relação entre receitas e custos
- Histórico de resultados dos últimos 12 anos
A Abengoa Bioenergia, que possui uma usina em São João da Boa Vista (SP) e é subsidiária da espanhola Abengoa, vem passando por diversas situações complicadas ao longo dos últimos anos.
Em 2020, pela 11ª vez consecutiva, a companhia registrou resultado líquido negativo: entre janeiro e dezembro, as perdas foram de R$ 134,61 milhões. Ainda assim, em comparação com o mesmo período de 2019, o prejuízo caiu 44,1%, uma vez que o resultado anterior foi de R$ 240,79 milhões negativos.
Inclusive, mesmo com a soma desfavorável, este foi o menor prejuízo desde 2012; a empresa chegou a reportar perdas de R$ 345,16 milhões em 2016. Assim, desde 2010, a Abengoa Bioenergia acumula um total de R$ 2,01 bilhões negativos.

Com este histórico, as dívidas da companhia chegaram ao ponto mais alto desde o início da série histórica, em 2009, atingindo R$ 1,08 bilhão em 31 de dezembro de 2020. Na mesma data do ano anterior, elas eram de R$ 1,02 bilhão, portanto, houve um aumento anual de 5,6% nos débitos.
Desde 2015, a companhia contabiliza todas as dívidas como de curto prazo, ou seja, com vencimentos em até um ano.

Melhoria operacional
Mesmo com a manutenção do prejuízo líquido, a Abengoa obteve um lucro bruto positivo no ano passado, assim como ocorreu em 2018. O resultado foi de R$ 86,99 milhões em 2020; no ano anterior, a companhia teve um prejuízo bruto de R$ 17,93 milhões.

Essa soma foi consequência de um maior aumento na receita líquida das vendas em comparação com o dos custos dos produtos vendidos. Com isso, a relação entre os dois valores caiu dos 102,9% de 2019 para 88,46% em 2020 – o desempenho mais favorável desde 2011.
Enquanto as receitas somaram R$ 754,09 milhões, passando por um aumento de 22,1% no comparativo com os R$ 617,81 milhões de 2019, os custos aumentaram 4,9% entre os últimos dois anos, saindo de R$ 635,74 milhões para R$ 667,10 milhões.

Venda de usina
A Abengoa, que está em recuperação judicial desde 2017, teve um novo plano apresentado e aprovado em agosto de 2019. Entre os novos processos previstos, estava a venda de uma unidade do grupo, que foi realizada no ano passado.
Em setembro, o grupo Vale do Verdão adquiriu a São Luiz, localizada em Pirassununga (SP), por R$ 385 milhões. A Abengoa recebeu o aval de três bancos credores, que representam 64% da sua dívida, para a venda.
Mas foi apenas em janeiro deste ano que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições tanto a Vale do Verdão quanto a Ferrari Agroindústria – que havia realizado uma proposta de compra anteriormente – para a aquisição dos ativos de produção de açúcar, etanol e cogeração de energia da Abengoa em São Paulo.
Com isso, a Ferrari se uniu à Vale do Verdão na compra da usina São Luís e da São Luís Cogeração, que produz energia a partir de biomassa.
Para completar, em novembro do ano passado, a justiça espanhola condenou seis ex-executivos da multinacional que atuavam no Brasil a penas de até dois anos de prisão por apropriação indébita. Eles fizeram pagamentos a si mesmos de quantias superiores a 3 milhões de euros entre 2011 e 2013. Um ano antes, a empresa havia sido acusada de crime de favorecimento.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana