Autorização ocorre em meio ao crescimento das exportações do produto, que já alcançaram 25 mercados; China e Turquia lideram as compras em 2026
A Argélia autorizou a importação de grãos secos de destilaria (DDG) produzidos no Brasil, abrindo mais um mercado externo para um dos principais produtos da indústria brasileira de etanol de milho. A autorização foi comunicada na última terça-feira, 29, pelas autoridades sanitárias argelinas ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).
O DDG é obtido após a fermentação e a destilação do milho para produção de etanol. Como o processo utiliza principalmente o amido do grão, proteínas, fibras, gordura e minerais permanecem concentrados no coproduto, que pode ser incorporado às dietas de animais.
No DDG convencional, o teor de proteína bruta costuma ficar na faixa de 28% a 32%, embora a composição varie conforme a tecnologia empregada pela indústria.
Na alimentação animal, o ingrediente é utilizado principalmente em dietas de bovinos e também pode compor formulações para aves e suínos. Sua utilização está relacionada à oferta de proteína, energia e fibra, permitindo substituir parcialmente ingredientes tradicionais das rações, como milho e farelo de soja, de acordo com a formulação e as exigências nutricionais de cada espécie.
Exportações ganham escala
A abertura da Argélia ocorre enquanto as exportações brasileiras de DDG e DDGS ganham escala. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem) mostram que o Brasil embarcou 879,4 mil toneladas em 2025, aumento de 9,77% em relação às 801,1 mil toneladas de 2024. No ano passado, o produto chegou a 25 mercados internacionais.
A expansão da indústria de etanol de milho ajuda a explicar o aumento da disponibilidade do coproduto. Para a safra 2025/26, a moagem de milho destinada à produção de etanol é estimada em 22,2 milhões de toneladas, com produção de aproximadamente 9,97 bilhões de litros de etanol e 4,83 milhões de toneladas de DDG e DDGS, segundo compilação de dados públicos do setor.
China e outros mercados
O mercado externo também ganhou um novo comprador de grande escala. A China, que autorizou a entrada do DDG brasileiro em 2025, iniciou as compras em fevereiro de 2026 e havia importado 262,1 mil toneladas até junho. No mesmo período, a Turquia comprou 192,6 mil toneladas e ocupava a segunda posição entre os destinos.
A entrada da Argélia amplia essa rede comercial em um mercado relevante para o agronegócio brasileiro. O país é o maior parceiro comercial do Brasil na África e o terceiro maior no mundo árabe. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 2,3 bilhões para a Argélia, sendo US$ 953 milhões em açúcar de cana, US$ 407 milhões em milho, US$ 336 milhões em soja e US$ 206 milhões em carnes.
O novo mercado também se soma à abertura obtida pelo Brasil no Marrocos em setembro de 2024. Relatório do Mapa sobre o comércio bilateral aponta que os grãos secos de destilaria passaram a ganhar relevância na pauta de exportações brasileiras para o país, ao lado de bovinos vivos e carne bovina.
Autorização não garante embarques
A autorização argelina foi anunciada juntamente com outras quatro aberturas de mercado comunicadas pelas autoridades de Antígua e Barbuda, Chile, China e Paraguai. Para a Argélia, o produto autorizado é especificamente o DDG de milho brasileiro.
A abertura não significa, por si só, a existência imediata de embarques em grande escala. Ela estabelece as condições sanitárias para que o produto brasileiro possa ser comercializado no mercado argelino, enquanto empresas e compradores precisam concretizar as operações comerciais