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Usina da Abengoa recebe propostas da família Ometto, da Vale do Verdão e da Ferrari

Grupos interessados em comprar a unidade São Luiz ofereceram R$ 385 milhões, mas condições de pagamento são diferentes


novaCana.com - 04 set 2020 - 08:23

A venda da usina São Luiz, da Abengoa Bioenergia, está a um passo de se concretizar. O leilão judicial da unidade recebeu propostas até 31 de agosto e três grupos demonstraram interesse. Segundo reportagem do Valor Econômico, todos ofereceram o lance mínimo – R$ 385 milhões –, mas sob condições de pagamento distintas.

As propostas vieram de Mario e Adriano Dedini Ometto – antigos donos da unidade, vendida ao grupo espanhol em 2007 –, da Ferrari e da Vale do Verdão. Agora, os credores têm até 16 de setembro para avaliar as condições e tomar uma decisão.

A usina São Luiz tem capacidade para moer até 3 milhões de toneladas de cana por safra. Conforme as fontes ouvidas pelo Valor, contudo, a unidade tem operado com uma taxa de ociosidade de 35%.

Um ponto considerado atraente, por sua vez, é a localização. A usina está próxima do Terminal de Paulínia e do eixo Rio-São Paulo, o que seria uma vantagem na comparação com outras usinas à venda pelo país. Para completar, sua unidade de cogeração é considerada moderna.

Propostas

De acordo com as fontes consultadas, a melhor oferta apresentada seria a da Vale do Verdão. A companhia pretende pagar R$ 20 milhões em 30 dias, R$ 20 milhões em 60 dias e R$ 25 milhões em 90 dias. Depois, a partir de julho de 2021, seriam pagas 16 parcelas de R$ 20 milhões, corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Já a proposta da Ferrari envolve dividir a usina em duas empresas, uma agrícola e outra com ativos de cogeração. Um pagamento de R$ 20 milhões seria feito após a transferência da companhia agrícola, que emitiria novas dívidas aos credores não sujeitos aderentes, aos credores essenciais e aos quirografários.

Desta forma, as dívidas dos não aderentes e dos quirografários seriam pagas em parcelas corrigidas pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) para os créditos em reais ou pela Libor para os créditos em moeda estrangeira. Para os credores considerados essenciais, a correção seria pelo INPC.

O grupo já havia manifestado interesse na São Luiz e foi a única companhia habilitada para o leilão da unidade marcado para abril deste ano. O certame, entretanto, foi adiado devido às dificuldades trazidas pela pandemia de coronavírus. Atualmente, a Ferrari controla uma única usina, localizada em Pirassununga (SP), mesmo munício da São Luiz.

Mario Dedini Ometto e seu filho, Adriano Gianetti Dedini Ometto, por sua vez, são listados como possíveis interessados na unidade desde janeiro. Ambos faziam parte de uma briga judicial contra a Abengoa que se estendeu por mais de uma década, mas foi encerrada como parte das negociações para aprovação do novo plano judicial da companhia. Além disso, eles possuem 10 mil hectares nos arredores e são fornecedores de cana à unidade.

De acordo com a reportagem do Valor, a proposta dos Ometto também envolve o pagamento de R$ 20 milhões, a ocorrer 90 dias após o recebimento da usina. Na sequência, R$ 139 milhões seriam pagos em até 71 meses e, a partir do 72º mês, seria feito o pagamento de R$ 33,5 milhões.

Conforme a oferta realizada, os R$ 192,5 milhões restantes seriam pagos a partir do 84º mês, por meio de nove parcelas anuais. As parcelas mensais seriam corrigidas pelo INPC, enquanto a anual seria ajustada pela taxa referencial – hoje em 0%.

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Com informações do Valor Econômico