A Conferência NovaCana reúne mais de 250 pessoas no hotel Tivoli Mofarrej
Presente no calendário do setor sucroenergético desde 2016, a Conferência NovaCana irá realizar sua edição de 2025 em breve, nos dias 15 e 16 de setembro. O evento acontece no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo (SP).
Neste ano, a conferência terá seis painéis, abrangendo mais de 30 subtemas essenciais para o atual momento da cadeia sucroenergética. Entre os palestrantes e debatedores estarão representantes de usinas, tradings, investidores, sindicatos, consultorias, bancos e governo.
Além disso, a programação inclui coffee breaks e outros momentos pensados para networking. Ao final do primeiro dia, haverá um coquetel entre os participantes e, no segundo dia, a organização oferecerá um almoço especial.
Mais informações estão disponíveis no site do evento. A seguir, veja o que esperar da programação e dos palestrantes confirmados.
O primeiro dia do evento, 15 de setembro, começa às 13h com uma recepção aos convidados. A abertura oficial ocorre às 13h40, com o início do primeiro painel às 14h.
Neste primeiro momento acontecerá um debate sobre o impacto das políticas públicas no setor de açúcar e etanol, detalhando riscos, oportunidades e próximos passos. Alguns dos temas abordados serão: os programas Combustível do Futuro e RenovaBio, a adoção do E30 e o mercado de híbridos e elétricos.
Entre os nomes confirmados está o do diretor de inteligência setorial da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), Luciano Rodrigues. Defensor do E30 e dos programas de incentivo ao uso de biocombustíveis, ele já é conhecido dos frequentadores do evento, tendo participado na edição de 2024.
Também representando as usinas está o presidente executivo da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mario Campos Filho, em sua estreia na Conferência NovaCana.
Por sua vez, a diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Symone Araújo, e o diretor do departamento de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marlon Arraes, irão trazer um ponto de vista governamental e técnico sobre os temas em debate.
Após um coffee break, o segundo painel será dedicado ao RenovaBio, com moderação do sócio sênior da Mapa Capital, Manoel Pereira de Queiroz. As temáticas principais incluem mercado de CBios, inadimplência das distribuidoras, efetividade do programa e efeitos das novas penalidades para a parte obrigada.
Neste contexto, a voz das produtoras de biocombustíveis será representada pelo diretor comercial da Alta Mogiana, Luiz Gustavo Junqueira. Já a líder sênior da rede agro corporate do Santander, Caroline Perestrelo, trará uma perspectiva dos bancos envolvidos com o programa.
“Um dos questionamentos que sempre temos em relação ao RenovaBio é se, de fato, teremos oferta suficiente para cumprir a meta”, disse ela, em entrevista ao NovaCana. “O que nós demonstramos, em termos de números, é que tem oferta suficiente de CBios e que isso não é um risco para o cumprimento pela parte obrigada”, completa.
Além disso, o presidente da Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), Abel Leitão, deve abordar a perspectiva das distribuidoras. Ao NovaCana, ele já revelou que é a favor do programa, embora defenda mudanças amplas.
“A intenção é muito positiva, ninguém tira isso, mas ele não está atendendo ao objetivo na prática e é por isso que nós estamos reivindicando uma revisão urgente. O RenovaBio se transformou em um programa simples de transferência de renda, privilegiando um setor econômico”, argumenta.
Por sua vez, o terceiro painel da Conferência NovaCana abordará novos nichos de mercado e a inovação no setor sucroenergético, com foco em soluções sustentáveis. Desta forma, o evento trará visões para combustível sustentável de aviação (SAF), biometano, biogás e outras possibilidades.
Entre os presentes, o estrategista global de açúcar do Rabobank, Andy Duff, promete trazer uma perspectiva analítica sobre a questão, abordando os potenciais dos novos mercados. “O pano de fundo geopolítico mudou”, aponta, em uma comparação com o quadro de um ano antes. “Para qualquer projeto que cogita o mercado de exportação, há mais dúvidas”, completa.
Já o vice-presidente de açúcar etanol e energia da Adecoagro, Renato Junqueira Santos Pereira, reforça a importância da ampliação da presença da cana-de-açúcar na matriz energética nacional. “Com a lei do Combustível do Futuro, existe um potencial real de aumentar a participação da cadeia da cana, ainda mais considerando o contexto da transição energética”, defende.
Além disso, o painel terá a participação do diretor da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), Tiago Santovito, que irá se dedicar a uma das principais rotas de investimento sendo adotadas pelas usinas. “Das 127 plantas mapeadas [para 2030], 58% são do setor sucroenergético. Vemos um salto muito grande”, comemora.
Em 16 de setembro, o segundo dia de evento terá início às 8h30, com a recepção dos inscritos. No primeiro painel, às 9h, o tema principal será a resiliência dos canaviais, abordando investimentos em irrigação e em novas tecnologias frente às mudanças climáticas.
O momento será dedicado a desafios para o avanço da produtividade da cana-de-açúcar, mitigação de danos com incêndios, entre outras temáticas. Para isso, entre os nomes confirmados estão o analista de mercado do Pecege Consultoria e Projetos, Raphael Delloiagono, e o diretor da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (CanaOeste), Almir Torcato.
Além disso, o diretor de pesquisa e desenvolvimento do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Suleiman Hassuani, deve falar sobre os avanços em melhoramento genético para a cana-de-açúcar. Em maio, o NovaCana visitou o CTC e conferiu o início das obras da primeira fábrica de sementes sintéticas de cana-de-açúcar.
Para completar, o gerente agrícola da usina São Manoel, Murilo Gasparoto, promete trazer detalhes de quem convive diariamente com os canaviais. “Nós estamos em busca de longevidade para podermos colher vários cortes. É isso que vai dar uma contribuição relevante ao otimizar o maior investimento agrícola de hoje, que é o plantio”, disse ele, em entrevista ao NovaCana.
Depois de um coffee break, o segundo painel do dia envolverá o mercado do etanol no Brasil, tratando de desafios, oportunidades e, também, da ascensão do etanol de cereais. Neste momento, a moderação ficará sob a responsabilidade da diretora executiva do Movimento Mato Grosso Competitivo, Vanessa Gasch.
Os palestrantes trarão ao palco assuntos como: logística e estratégias de comercialização, novos polos produtivos e expansão da capacidade, abertura de mercados, entre outros. Entre eles estarão o CEO da Evolua Etanol, Pedro Paranhos, e o diretor executivo da Bioind MT, Giuseppe Lobo.
Além disso, o analista de mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifácio Filho, pretende explorar o mercado de forma ampla. “A partir do ano que vem, devemos ter discussões crescentes de um mix de produção mais voltado para o etanol – ou, pelo menos, não tão açucareiro”, disse ele, em entrevista.
Já o chefe de pesquisa de ações no Brasil do banco BTG Pactual, Thiago Duarte, deve ficar de olho nos números das empresas, com destaque para os investimentos em etanol de milho. “Olhando os últimos projetos anunciados – alguns em implementação, outros em via de serem implementados –, os retornos ainda são muito bons”, argumenta.
Após o almoço, o último painel do evento trará abordagens para o mercado de açúcar, com perspectivas de preços, balanço global e planejamento frente a desafios. Ele também deve incluir tópicos como a logística de exportação e perspectivas para o mercado internacional.
Para isso, a equipe do NovaCana convidou a gerente sênior de inteligência de mercado da BP Bioenergy, Luciana Torrezan, e três representantes de tradings: o trader sênior da Sucden, Ulysses Carvalho; o líder de açúcar para as Américas ED&F Man, Rodrigo Ostanello; e o diretor da Czarnikow, Pedro Mizutani.
“Quando as usinas investiram em novas fábricas de açúcar, a maioria delas já fez hedge de entre dois e três anos para frente, para ter uma receita garantida. Mas, agora, uma fábrica de açúcar não é mais viável”, observa Mizutani.
Em entrevista ao NovaCana, ele revelou que espera por um preço entre 16 e 19 centavos de dólar por libra-peso na safra. “Para a temporada 2025/26, podemos esperar um superávit de 4 milhões de toneladas. Agora, para 2024/25, contamos que houve um déficit de 1,5 milhão de toneladas”, projeta.
NovaCana