Renato Junqueira (Adecoagro):

“Troca do diesel por biometano contribui para a segurança energética nacional”

NovaCana
Continue lendochevron-down
Etanol: Mercado

Renato Junqueira (Adecoagro):

“Troca do diesel por biometano contribui para a segurança energética nacional”

O NovaCana conversou com o vice-presidente de açúcar, etanol e energia da Adecoagro no Brasil sobre as perspectivas da empresa, considerando visões para SAF e E30


NovaCana - Publicado: 09 Set 2025 - 11:59 | Atualizado: 09 Set 2025 - 14:37

Algumas empresas visam produzir biometano para substituir o diesel na frota de operação, enquanto outras apostam em contratos de longo prazo para venda do produto. Além disso, há as que estão olhando para o mercado de biocombustível marítimo como alternativa de escoamento do etanol.

Outra frente de investimento está nas certificações para o etanol a ser utilizado na fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF). É o caso da Adecoagro, que já certificou todas as suas unidades no ISCC Corsia Plus, principal sistema de certificação de sustentabilidade para SAF.

Para completar, a empresa já produz 6 mil normais metros cúbicos (Nm3) de biometano por dia, ou seja, cerca de 2,5 milhões de Nm³ ao ano, usado no abastecimento dos veículos operacionais das plantas. A intenção da companhia é quintuplicar a sua produção de biometano.

Considerando a relevância e diversidade dos novos mercados, a Conferência NovaCana terá um painel dedicado às inovações no setor sucroenergético, incluindo os biocombustíveis do futuro e outras soluções sustentáveis. Um dos palestrantes será o vice-presidente de açúcar, etanol e energia da Adecoagro no Brasil, Renato Junqueira Santos Pereira.

Ao lado dele estarão o estrategista global de açúcar do Rabobank, Andy Duff, e o diretor da Abiogás, Tiago Santovito.

cnc25 painel3 080725 50V2

A programação completa da Conferência NovaCana 2025 já está disponível.

Junqueira é formado em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), e já foi diretor financeiro da usina Moema. Atua na Adecoagro desde 2010, tendo ocupado o cargo de gerente corporativo de açúcar e etanol. Desde 2013, é o vice-presidente de açúcar, etanol e energia da companhia.

O NovaCana conversou com o profissional sobre os planos da Adecoagro, especialmente considerando as produções de biogás, biometano e etanol para SAF.

A seguir, confira a entrevista completa.

Uma das mais recentes certificações da Adecoagro foi para produção de SAF. A comercialização do etanol usado como matéria-prima já começou? Quais mercados vocês estão mirando?
Nossa cultura está marcada pelo espírito empreendedor e a preparação de nossas unidades para esta evolução faz parte do nosso DNA de inovação. Acreditamos no potencial do SAF e vemos este novo combustível como uma oportunidade para desenvolver novos mercados para o etanol; estamos acompanhando e avaliando a consolidação deste mercado, além de parcerias de compra e venda. Tão breve iniciemos esta produção, comunicaremos ao mercado. Já nos preparamos internamente certificando todas as nossas unidades com o Corsia Plus. Vemos uma grande oportunidade e estamos acompanhando o segmento.

Nesta mesma linha, a Adecoagro busca também outros mercados, como de biogás, biometano e até de biocombustíveis marítimos?
Somos uma empresa produtora de energia renovável e desenvolvida a partir de um modelo sustentável. Buscamos nos posicionar em cada um dos pilares da transição energética – entre eles, o mercado de biogás e biometano. Temos uma tecnologia própria, que começamos a desenvolver em 2010. Ela é diferente das demais por ser modular, ou seja, pode crescer modularmente. Atualmente, já produzimos entre 5 e 6 mil normais metros cúbicos (Nm3) de biometano por dia, o que é aproximadamente 2,5 milhões de Nm³ por ano, equivalente a quase 2,5 milhões de litros de diesel por ano. Nossa frota de veículos leves movidos a biometano conta com mais de 130 veículos, além de também termos 22 caminhões híbridos que estão rodando com 40% de biometano e 60% de diesel. Temos ainda oito motobombas que fazem a ligação à água residuária também com motor a biometano, três tratores e três caminhões 100% a biometano.

“Nosso projeto está em expansão. Hoje, utilizamos menos de 5% da vinhaça produzida no cluster do Mato Grosso do Sul e a expansão já está em andamento para aumentar em cinco vezes a nossa produção”, Renato Junqueira (Adecoagro)

Como a empresa visualiza o E30? Há uma oportunidade de aumento de mercado para a Adecoagro?
A cana-de-açúcar detém cerca de 18% da matriz energética brasileira e da matriz elétrica, em razão da bioeletricidade, ao redor de 7% e 8%. Com a lei do Combustível do Futuro, existe um potencial real de aumentar a participação da cadeia da cana, ainda mais considerando o contexto da transição energética. A Adecoagro busca se posicionar em cada um dos pilares da transição energética e, consequentemente, da lei do Combustível do Futuro. Todas as nossas unidades possuem uma alta flexibilidade de produção e detêm peneiras moleculares, nos tornando aptos a produzir o etanol anidro. Nossa estrutura nos permite desidratar até 100% da nossa produção, inclusive para exportação ao mercado Europeu, pois contamos com a certificação Bonsucro. O E30 representa uma grande oportunidade não apenas para a Adecoagro, mas para todo o mercado sucroenergético e, principalmente, para o meio ambiente, que deixará de receber toneladas de CO2 por ano.

No ano passado, a empresa anunciou a expansão da produção de biogás e biometano no Mato Grosso do Sul. Como um dos primeiros a apostarem nestes produtos e com as metas que entram em vigor no próximo ano, quais são as expectativas para este mercado?
A expansão da nossa planta de biometano contempla muitos aspectos positivos e comprova a capacidade da Adecoagro de criar, desenvolver e inovar. O biogás extraído permite várias aplicações e possibilidades, mas teremos como prioridade abastecer nossa frota de forma crescente. A atuação da Adecoagro no setor de biogás começou há 15 anos, fruto de muita pesquisa e aprendizado para dominar o processo e a estabilidade da produção, o que é ambientalmente arrojado, tecnologicamente avançado e economicamente equilibrado. A tecnologia é pioneira e proprietária, com alto potencial de replicação em outras regiões e cadeias produtivas. Além dos ganhos operacionais e econômicos, com a redução anual CO2, colaborando com o cumprimento das metas brasileiras de emissões, a substituição do diesel por biometano contribui para a segurança energética nacional por meio da redução da dependência brasileira de combustíveis importados, impulsionando o desenvolvimento de cadeias agroindustriais mais sustentáveis.

Neste ano, a Adecoagro também fez a venda das suas ações para a Tether, que passou a obter 70% das ações da companhia. Como essa aquisição foi recebida e quais foram os reflexos no dia a dia da Adecoagro até o momento?
O envolvimento da Tether com a Adecoagro começou em setembro de 2024, com um investimento de US$ 100 milhões por uma participação de 9,8%, sinalizando sua intenção de apoiar e escalar a produção sustentável de ativos reais. A aquisição, que totalizou em 70%, parte de um compromisso com a construção de infraestrutura sustentável, complementa a nossa missão e abre novas e promissoras possibilidades, com a aceleração do crescimento da Adecoagro a partir de uma visão de futuro focada em energia renovável, uso eficiente de recursos e desenvolvimento regional.


Estas e outras análises a respeito do mercado de combustíveis estarão na Conferência NovaCana 2025. Confira a programação completa.


Gabrielle Rumor Koster – NovaCana