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Com mais cogeração, usinas poderiam aumentar Ebitda para R$ 74/t, diz consultoria

Segundo levantamento feito pela FG/A, sucroenergéticas poderiam ampliar eficiência na produção de eletricidade e melhorar geração de caixa

NovaCana 7 min de leitura

A energia elétrica, logo após o etanol e o açúcar, é o principal produto que as usinas de cana-de-açúcar comercializam. Com preços mais estáveis do que os outros, a produção de energia não representa a maior parte da renda das companhias, mas pode salvar muitas delas do aperto. Não é de hoje que ela vem sendo apontada pelos analistas como uma das esperanças para o setor.

Olhando para os custos de produção da temporada 2018/19, analisados pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), a cogeração foi quem salvou o caixa das usinas com despesas maiores que os lucros.

Além disso, profissionais como Manoel Pereira de Queiroz, do Rabobank, e Giovana Araújo, da MB Agro, já apostavam na geração de energia como um dos modos de diversificação dos fluxos de receita durante palestras na Conferência NovaCana.

Quem também examinou os números da cogeração foi a consultoria FG/A, a partir dos resultados financeiros completos de uma amostra de 34 sucroenergéticas. Após análises de performance agrícola e de indicadores econômico-financeiros, a geração foi o terceiro ponto examinado pela consultoria, que apontou uma grande dispersão entre o maior e o menor resultados.

Inicialmente, a FG/A coletou dados de 45 players do setor, que correspondem a 66% da biomassa produzida no Centro-Sul, durante a temporada 2018/19. Porém, especificamente para a cogeração, a amostra caiu para 34 empresas, já que 11 não produzem energia.

“Na nossa leitura, nas últimas três ou quatro safras, a exportação [de eletricidade] não aumentou, um pouco por conta da moagem menor e um pouco pela falta de investimento”, explicou o sócio-fundador da FG/A, Juliano Merlotto, durante a Conferência NovaCana 2019. Além disso, o analista afirma que 60% do potencial de cogeração não é aproveitado pelas usinas.

Confira, na versão completa, mais informações e gráficos sobre:

- Produção de eletricidade dos 34 grupos
- Produção de eletricidade dos 34 grupos e relação à moagem
- Performance de cogeração em relação à moagem
- Performance de cogeração em relação à alavancagem
- Performance de cogeração em relação à geração de caixa

A energia elétrica, logo após o etanol e o açúcar, é o principal produto que as usinas de cana-de-açúcar comercializam. Com preços mais estáveis do que os outros, a produção de energia não representa a maior parte da renda das companhias, mas pode salvar muitas delas do aperto. Não é de hoje que ela vem sendo apontada pelos analistas como uma das esperanças para o setor.

Olhando para os custos de produção da temporada 2018/19, analisados pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), a cogeração foi quem salvou o caixa das usinas com despesas maiores que os lucros.

Além disso, profissionais como Manoel Pereira de Queiroz, do Rabobank, e Giovana Araújo, da MB Agro, já apostavam na geração de energia como um dos modos de diversificação dos fluxos de receita durante palestras na Conferência NovaCana.

Quem também examinou os números da cogeração foi a consultoria FG/A, a partir dos resultados financeiros completos de uma amostra de 34 sucroenergéticas. Após análises de performance agrícola e de indicadores econômico-financeiros, a geração foi o terceiro ponto examinado pela consultoria, que apontou uma grande dispersão entre o maior e o menor resultados.

Inicialmente, a FG/A coletou dados de 45 players do setor, que correspondem a 66% da biomassa produzida no Centro-Sul, durante a temporada 2018/19. Porém, especificamente para a cogeração, a amostra caiu para 34 empresas, já que 11 não produzem energia.

“Na nossa leitura, nas últimas três ou quatro safras, a exportação [de eletricidade] não aumentou, um pouco por conta da moagem menor e um pouco pela falta de investimento”, explicou o sócio-fundador da FG/A, Juliano Merlotto, durante a Conferência NovaCana 2019. Além disso, o analista afirma que 60% do potencial de cogeração não é aproveitado pelas usinas.

Em 2018/19, a média da cogeração no Centro-Sul foi de 37,5 quilowatt-hora por tonelada de cana moída, enquanto a média da amostra foi de 40,9 kWh/t. Ou seja, a amostra selecionada pela consultoria demonstra um aproveitamento superior ao da região como um todo.

Ainda assim, a diferença entre a menor e a maior produções de energia por tonelada de cana da amostra foi de 1.067,32%. “Vemos maior dispersão do que em outros indicadores, como os agrícolas e industriais. Identificamos um potencial maior a ser explorado pelo setor e, talvez, o negócio em que as usinas deveriam investir um pouco mais”, opina Merlotto.

20202801 FGA indicadores cogeração moagem total

Olhando para números absolutos de produção de eletricidade, o resultado variou de 2.364 gigawatt-hora a 17,7 GWh. Da menor produção para a maior, a diferença é de 13.243,45% – um resultado afetado pela forma de contabilização dos dados, que reuniu usinas de um mesmo grupo.

20202801 FGA indicadores cogeração total

O incremento vem da energia

A fim de entender o quanto a cogeração pode impactar na geração de caixa, a FG/A fez um exercício simulando alguns resultados. Foram usados os números de menor e maior rendimento de cogeração da amostra – 8,2 kWh/t e 95,72 kWh/t – e o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) médio do setor, de R$ 56,4/t, além de um Ebitda incremental pela venda de energia. Para o cálculo, foi utilizado um preço médio de R$ 200/kWh.

De acordo com o exercício, a companhia com mais geração e exportação de energia teria R$ 73,7/t de Ebitda no total, pois somaria o Ebitda médio de R$ 56,4/t a um incremental de R$ 17,3/t, conferido pela venda de energia. Do outro lado, a companhia com a menor geração de energia teria somente R$ 57,8/t – além do mesmo Ebtida médio considerado, o incremental somaria somente R$ 1,4/t.

“Fizemos uma extrapolação dessa conta e esse diferencial de geração de caixa incremental equivaleria a um aumento de produtividade média agrícola de 12,7 toneladas de cana por hectare”, relata Merlotto. “Ou seja, se essa companhia que tem cogeração e explora ela da melhor forma possível tiver 80 t/ha de produtividade média, com a cogeração, isso equivaleria a 92 t/ha”.

20202801 FGA geraçãodecaixa incremental

Com isso, a consultoria acredita que focar na produção de energia é uma questão “técnica e de capacidade de investimento”. Conforme o analista, é mais fácil, se a usina tiver condições de fazer investimentos, obter a vantagem competitiva com cogeração do que buscar mais 12 ou 13 toneladas de cana por hectare no campo.

“[No rendimento agrícola] têm outros fatores e uma questão de gestão mais desafiadora. Ainda achamos que a cogeração deveria estar no radar como prioridade para o setor”, completa.

Conforme o cruzamento de dados feito pela FG/A, existe uma correlação forte entre a geração de energia por tonelada e a geração de caixa dos grupos: quanto maior a primeira, maior a segunda. Inclusive, o indicador apresenta uma correlação positiva de 32,3%.

20202801 FGA indicadores cogeração geracao de caixa

Por outro lado, estas empresas também tendem a possuir mais dívidas. “As empresas que têm cogeração têm um endividamento maior, devido ao investimento feito e que está sendo pago ao longo do tempo”, explica Merlotto.

Na comparação entre o aproveitamento da cogeração – em quilowatts-hora por tonelada de cana-moída – e a alavancagem das empresas – dada em vezes –, o resultado é negativo em 2,9%. Ou seja, empresas com melhor desempenho para a produção de energia elétrica tendem a ter maiores dívidas.

20202801 FGA indicadores cogeração alavancagem

Por sua vez, confrontando os dados de moagem e performance de cogeração, é possível notar que a usina que esmaga mais cana não necessariamente é a que gera mais energia. Neste caso, fica evidenciado o potencial inexplorado por algumas companhias, especialmente as de maior porte.

20202801 FGA indicadores cogeração moagem

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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