Consultoria FG/A apresenta desempenho financeiro e operacional de grupos que representaram 60% da moagem do Centro-Sul durante a temporada 2018/19
Analisar o setor sob a ótica de indicadores – como alavancagem, liquidez e margem Ebitda – torna mais clara a disparidade e as dificuldades financeiras enfrentadas pelas sucroenergéticas. Afinal, ser maior não significa ser melhor: é preciso produzir mais a cada hectare de canavial, obter mais receita a cada litro de etanol ou saca de açúcar, além de ter um endividamento menor em relação à moagem.
Para observar estes e outros aspectos, a consultoria FG/A realizou um levantamento com 45 companhias do setor, apresentando diferentes indicadores agrícolas e industriais durante a temporada 2018/19.
Com 345,73 milhões de toneladas, a amostra corresponde a 60% da moagem do Centro-Sul; segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2018/19, foram moídas 572,7 milhões de toneladas na região.
Durante a NovaCana Ethanol Conference 2019, o sócio-fundador da FG/A, Juliano Merlotto, expressou alguns comentários sobre os dados. Segundo ele, a performance financeira do setor foi bastante parecida com a de 2017/18, especialmente na receita líquida por tonelada; mesmo que as usinas tenham sofrido com a depreciação nos preços do açúcar, elas conseguiram migrar seu mix de produção para o etanol e balancear os resultados. Além disso, margem Ebitda e Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) tiveram poucas mudanças entre as duas últimas safras.
Por outro lado, a despesa financeira das companhias destoou devido especialmente à variação cambial. “Tivemos um pouco mais de desembolso com juros, com uma alavancagem maior”, explicou Merlotto. Outro aumento foi na dívida por tonelada de cana, que passou de R$ 140/t para R$ 160/t. “Apesar da variação, na média, ser de R$ 20/t, alguns players alavancaram muito o seu balanço, principalmente por conta do câmbio e da performance operacional. Também vemos players com boa performance que reduziram o endividamento ano contra ano. Há uma variabilidade muito grande”, expressa.
A dívida líquida por Ebitda, um indicador um pouco mais sensível às mudanças, saiu de 2,4 vezes para 3,1 vezes, um aumento anual de 29,1%, conforme o analista da FG/A. Parte da “culpa” por esse aumento vem do campo. Merlotto explicou que o clima ruim fez com que as usinas tivessem que investir um pouco mais em cana – por vezes, as companhias precisaram até mesmo dar suporte aos fornecedores que tiveram problemas financeiros.
Além disso, devido ao mercado atrativo, empresas em boa situação financeira passaram a investir mais na produção de etanol e na cogeração. Com isso, elas também ampliaram seus endividamentos.
Confira, na versão completa, 14 gráficos com os indicadores econômico financeiros de 45 players analisados pela FG/A:
- Faturamento líquido sobre moagem
- Ebitda sobre moagem
- Margem Ebitda
- Dívida líquida sobre moagem
- Variação da dívida líquida sobre moagem
- Alavancagem
- Liquidez corrente
- Caixa sobre dívida de curto prazo
- Custo-caixa sobre moagem
- Despesas administrativas sobre moagem
- Despesa financeira líquida sobre moagem
- Ebitda sobre soma da dívida de curto prazo e da despesa financeira líquida
- Ebitda sobre despesa financeira líquida
- Dívida líquida sobre rendimento operacional
Analisar o setor sob a ótica de indicadores – como alavancagem, liquidez e margem Ebitda – torna mais clara a disparidade e as dificuldades financeiras enfrentadas pelas sucroenergéticas. Afinal, ser maior não significa ser melhor: é preciso produzir mais a cada hectare de canavial, obter mais receita a cada litro de etanol ou saca de açúcar, além de ter um endividamento menor em relação à moagem.
Para observar estes e outros aspectos, a consultoria FG/A realizou um levantamento com 45 companhias do setor, apresentando diferentes indicadores agrícolas e industriais durante a temporada 2018/19.
Com 345,73 milhões de toneladas, a amostra corresponde a 60% da moagem do Centro-Sul; segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2018/19, foram moídas 572,7 milhões de toneladas na região.
Durante a NovaCana Ethanol Conference 2019, o sócio-fundador da FG/A, Juliano Merlotto, expressou alguns comentários sobre os dados. Segundo ele, a performance financeira do setor foi bastante parecida com a de 2017/18, especialmente na receita líquida por tonelada; mesmo que as usinas tenham sofrido com a depreciação nos preços do açúcar, elas conseguiram migrar seu mix de produção para o etanol e balancear os resultados. Além disso, margem Ebitda e Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) tiveram poucas mudanças entre as duas últimas safras.
Por outro lado, a despesa financeira das companhias destoou devido especialmente à variação cambial. “Tivemos um pouco mais de desembolso com juros, com uma alavancagem maior”, explicou Merlotto. Outro aumento foi na dívida por tonelada de cana, que passou de R$ 140/t para R$ 160/t. “Apesar da variação, na média, ser de R$ 20/t, alguns players alavancaram muito o seu balanço, principalmente por conta do câmbio e da performance operacional. Também vemos players com boa performance que reduziram o endividamento ano contra ano. Há uma variabilidade muito grande”, expressa.
A dívida líquida por Ebitda, um indicador um pouco mais sensível às mudanças, saiu de 2,4 vezes para 3,1 vezes, um aumento anual de 29,1%, conforme o analista da FG/A. Parte da “culpa” por esse aumento vem do campo. Merlotto explicou que o clima ruim fez com que as usinas tivessem que investir um pouco mais em cana – por vezes, as companhias precisaram até mesmo dar suporte aos fornecedores que tiveram problemas financeiros.
Além disso, devido ao mercado atrativo, empresas em boa situação financeira passaram a investir mais na produção de etanol e na cogeração. Com isso, elas também ampliaram seus endividamentos.
1. Faturamento líquido sobre moagem
O indicador analisa a receita das empresas, com valores a receber já considerados, desde que a nota fiscal tenha sido emitida dentro do período analisado. Na amostra avaliada pela FG/A, o grupo com melhor desempenho faturou R$ 204,76 por tonelada de cana e o pior, R$ 118,11/t. A única com faturamento por moagem acima dos R$ 200/t foi a com melhor desempenho.
Conforme Merlotto, a média da amostra em 2018/19 foi de R$ 156,9/t e, em 2017/18, R$ 165,5/t. Assim, houve uma redução de 5,2% no indicador, ano contra ano.

2. Ebitda sobre moagem
O número indica a capacidade das sucroenergéticas de lucrar a cada tonelada de cana moída. A sucroenergética com melhor desempenho lucrou R$ 115,30/t, enquanto a com pior, R$ 25,70/t. Na média, o resultado foi de R$ 56,4/t, o que representa uma piora no desempenho ante a safra anterior, que foi de R$ 58,5/t (-3,59%).
Como foi utilizado o Ebitda para o cálculo, este resultado desconsidera o pagamento de juros e impostos, além da depreciação dos ativos e de eventuais amortizações.

3. Margem Ebitda
Por sua vez, a margem Ebitda, que faz uma relação percentual entre o Ebitda e a receita líquida, também teve uma queda ano contra ano. Na média, o resultado foi de 36%, enquanto em 2017/18 era de 35,5%.
Quanto maior for este indicador, melhor a eficiência operacional da empresa. No caso, o resultado mais favorável foi uma margem de 65%; já o pior foi de 15%.

4. Dívida líquida sobre moagem
Na média de 2018/19, a dívida líquida das usinas foi de R$ 160 por tonelada de cana, R$ 20/t a mais que em 2017/18. A menor dívida registada na amostra foi de R$ 14,34/t e a maior, de R$ 425,36/t.
Este indicador representa o perfil de risco das companhias, utilizando valores que amenizam fatores estratégicos. Ele é significativo porque as despesas tendem a ser maiores para as empresas que têm dívidas mais altas.
Além disso, as companhias com dívidas muito elevadas tendem a ter bastantes dificuldades de reduzi-las – normalmente, isso só ocorre com a venda de ativos ou a liquidação de passivo via diminuição da dívida.

5. Variação da dívida líquida sobre moagem
O indicador relaciona a mudança no endividamento da companhia com seu desempenho na safra. Na média, de acordo com a FG/A, as usinas ampliaram seus endividamentos em R$ 20/t na amostra de 45 players.
Ainda segundo a consultoria, o melhor desempenho foi uma variação negativa de R$ 9,7/t. Já o pior foi uma variação positiva de R$ 86,2/t.

6. Alavancagem
Conforme Merlotto, algumas companhias alavancaram muito o seu balanço financeiro, principalmente por conta do câmbio e de perdas na performance operacional. Isso significa que a relação entre as dívidas e o patrimônio líquido total aumentou.
Quanto menor é a alavancagem de uma empresa, melhor para a sua saúde financeira. Isso acontece porque o indicador demonstra a estabilidade econômica – a alavancagem, portanto, sugere aos investidores onde é melhor investir.
Dentro da amostra de 45 players do setor, o resultado mais favorável foi de 0,06 vez e o mais desfavorável, de 49,74 vezes. Além disso, uma empresa teve resultado negativo – neste caso, o indicador é distorcido, já que o patrimônio líquido é negativo.
Conforme o Itaú BBA, no setor sucroenergético, é considerada saudável financeiramente uma empresa com alavancagem de até 3,5 vezes.

7. Liquidez corrente
Este é um dos indicadores mais analisados pelos investidores, pois demostra a capacidade da empresa em arcar com pagamentos de curto prazo, com vencimento em até 12 meses. O dado é obtido pela divisão entre o ativo e o passivo circulantes do grupo.
Assim, valores abaixo de uma vez demonstram ausência de aptidão imediata de arcar com os compromissos financeiros a curto prazo. Na amostra analisada, 14 grupos apresentaram essa condição, sendo que o mais baixo foi de 0,26 vez, demostrando uma situação financeira bastante crítica.
Na outra ponta, o índice mais elevado foi de 5,74 vezes.

8. Caixa sobre dívida de curto prazo
O indicador de caixa sobre a dívida de curto prazo das usinas apresenta quantos reais em caixa o grupo tem para cada real devido neste período. Desta forma, quanto mais elevado o índice, melhor é para a empresa.
No caso da amostra selecionada pela FG/A, o melhor valor foi de 13,97 vezes e o pior, de 0,001 vez.

9. Custo-caixa sobre moagem
Este indicador demonstra o peso do custo de fabricação dos produtos vendidos pelas usinas em relação à matéria-prima disponível.
O custo mais baixo da amostra foi de R$ 51,59/t, enquanto R$ 154,22/t foi o mais elevado. Ou seja, houve uma variação de quase três vezes entre as empresas de melhor e pior desempenho na safra 2018/19.

10. Despesas administrativas sobre moagem
Nos dados apresentados pela FG/A, as menores despesas administrativas sobre a moagem foram de R$ 4,12/t e as maiores de R$ 42,82/t – uma disparidade superior a 10 vezes. Os números representam os custos indiretos na produção de açúcar e etanol para cada grupo.
A média da amostra, por sua vez, foi de R$ 10,41/t.

11. Despesa financeira líquida sobre moagem
Este valor considera, em relação à moagem, as despesas com pagamentos de juros referentes a todas as obrigações da companhia, mas desconta a receita de juros vinda com aplicações financeiras.
Na amostra estudada, uma companhia teve o indicador negativo em R$ 11,61/t. No outro extremo, a despesa mais elevada na temporada 2018/19 foi de R$ 63,73/t.

12. Ebitda sobre despesa financeira líquida
O Ebitda em relação à despesa financeira líquida demostra quanto o Ebitda representa dos juros a serem pagos. Quanto maior o indicador, mais tranquilidade a usina tem para quitar os juros.
Em 2018/19, o melhor desempenho registrado pela FG/A foi de 156,38 vezes e o pior foi de 0,78 vez. Entretanto, um grupo teve seu indicador distorcido, ficando negativo.

13. Ebitda sobre a soma da dívida de curto prazo e da despesa financeira líquida
Quando o Ebitda é colocado em relação à soma das dívidas de curto prazo e das despesas financeiras líquidas, o resultado representa a proporção entre a geração de caixa e o serviço da dívida, ou seja, o total de juros pagos e de capital reembolsado. Assim, quanto maior o indicador, melhor a usina consegue quitar as suas pendências financeiras.
Na amostra, o índice mais favorável foi de 8,23 vezes, enquanto o mais desfavorável foi de 0,13 vez.

14. Dívida líquida sobre rendimento operacional
A comparação da dívida com o Ebitda é uma das formas de mensurar a saúde financeira do grupo, considerando o desempenho operacional durante a safra. Em 2018/19, o indicador mais baixo entre as companhias da amostra foi de 0,17 vez, já o mais elevado foi de 7,08 vezes.
Vale lembrar que índices relacionados à dívida se referem à posição dos débitos do grupo na data do fechamento do balanço financeiro e podem mudar em pouco tempo caso sejam realizados pagamentos ou contratados novos financiamentos.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana