Com os empreendimentos, a expectativa é que uma capacidade de produção diária de 14,16 milhões de litros de etanol seja acrescentada à oferta nacional nos próximos anos
Errata (17/03, às 10h30): Ao se referir à projeção de novas usinas feita pela EPE, este texto mencionava apenas as nove unidades de cana-de-açúcar. A informação foi corrigida para incluir as oito plantas flex e as 23 exclusivas de milho.
Em meio a preços elevados de açúcar e etanol e a um cenário de crescimento do etanol de milho, os investimentos em novas unidades cresceram. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) consultados em 2 de março, 23 usinas estão em processo de construção no momento.
Conforme a ANP, estes empreendimentos terão capacidade de acrescentar até 8,23 milhões de litros diários à oferta nacional de etanol hidratado e 5,93 milhões à de anidro. Assim, eles totalizam 14,16 milhões de litros ao dia.
No início de 2021, a projeção era de 17 novos empreendimentos – destes sete saíram do acompanhamento da agência, com uma autorização de operação, um adiamento, três arquivamentos e dois processos sem justificativas formais. Naquele momento, a previsão era que as unidades adicionariam até 4,47 milhões de litros à oferta de hidratado e 2,29 milhões à de anidro, alcançando 6,77 milhões de litros ao dia.
Assim, dez projetos ainda se mantêm em construção, integrando a contagem das 23 novas unidades esperadas pela ANP. Ou seja, no último ano, a agência adicionou 13 novas obras ao acompanhamento.
Em seu mais recente plano decenal, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que, até 2031, o Brasil terá 40 novas usinas de etanol de instaladas. Destas, nove utilizariam apenas cana-de-açúcar e 23 apenas milho, com oito usinas adotando ambas as matérias-primas.
O Brasil conta atualmente com uma capacidade de 244,95 milhões de litros diários de hidratado, o que representa um crescimento ante os 241,79 milhões de litros do mesmo período do ano anterior. Já de anidro, a produção máxima é de 131,57 milhões de litros ao dia, ante os 128,92 milhões de janeiro de 2021. No momento, 356 usinas estão autorizadas a produzir o biocombustível.
Somando a capacidade atual e as construções em andamento, o potencial brasileiro de produção de etanol pode chegar a 390,63 milhões de litros por dia nos próximos anos, sendo 253,13 milhões de hidratado e 137,5 milhões de anidro.
Das 23 unidades em construção, nove são processadoras de cana-de-açúcar; dez são de milho; três são de cereais não especificados; e apenas uma é de soja.
Veja o acompanhamento completo sobre as usinas de etanol em construção – incluindo localizações, empresas vinculadas, andamento das obras e capacidade projetada de cada uma delas – no texto exclusivo para assinantes NovaCana.
Errata (17/03, às 10h30): Ao se referir à projeção de novas usinas feita pela EPE, este texto mencionava apenas as nove unidades de cana-de-açúcar. A informação foi corrigida para incluir as oito plantas flex e as 23 exclusivas de milho.
Em meio a preços elevados de açúcar e etanol e a um cenário de crescimento do etanol de milho, os investimentos em novas unidades cresceram. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) consultados em 2 de março, 23 usinas estão em processo de construção no momento.
Conforme a ANP, estes empreendimentos terão capacidade de acrescentar até 8,23 milhões de litros diários à oferta nacional de etanol hidratado e 5,93 milhões à de anidro. Assim, eles totalizam 14,16 milhões de litros ao dia.
No início de 2021, a projeção era de 17 novos empreendimentos – destes sete saíram do acompanhamento da agência, com uma autorização de operação, um adiamento, três arquivamentos e dois processos sem justificativas formais. Naquele momento, a previsão era que as unidades adicionariam até 4,47 milhões de litros à oferta de hidratado e 2,29 milhões à de anidro, alcançando 6,77 milhões de litros ao dia.
Assim, dez projetos ainda se mantêm em construção, integrando a contagem das 23 novas unidades esperadas pela ANP. Ou seja, no último ano, a agência adicionou 13 novas obras ao acompanhamento.
Em seu mais recente plano decenal, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que, até 2031, o Brasil terá 40 novas usinas de etanol de instaladas. Destas, nove utilizariam apenas cana-de-açúcar e 23 apenas milho, com oito usinas adotando ambas as matérias-primas.
O Brasil conta atualmente com uma capacidade de 244,95 milhões de litros diários de hidratado, o que representa um crescimento ante os 241,79 milhões de litros do mesmo período do ano anterior. Já de anidro, a produção máxima é de 131,57 milhões de litros ao dia, ante os 128,92 milhões de janeiro de 2021. No momento, 356 usinas estão autorizadas a produzir o biocombustível.
Somando a capacidade atual e as construções em andamento, o potencial brasileiro de produção de etanol pode chegar a 390,63 milhões de litros por dia nos próximos anos, sendo 253,13 milhões de hidratado e 137,5 milhões de anidro.

Das 23 unidades em construção, nove são processadoras de cana-de-açúcar; dez são de milho; três são de cereais não especificados; e apenas uma é de soja.
Para esta reportagem, o NovaCana coletou informações sobre as usinas que estão em construção junto à ANP. Para tal, foram consultados os processos de autorização de produção de etanol em andamento, porém, nem todos os documentos estão disponíveis para acesso. Mesmo assim, com os dados abertos, é possível ter uma noção de como estão os novos empreendimentos.
Além disso, é factível deduzir que nem todo o volume apresentado neste conteúdo irá integrar a oferta nacional, uma vez que existem usinas que constam como em construção há anos, não tendo terminado suas obras e sem ter previsão para tal. Outro ponto importante é que as unidades não produzem todo o volume pelo qual são autorizadas, já que existem fatores externos, como questões de mercado, além da disponibilidade de matéria-prima e, como recentemente visto na última safra, questões climáticas.
Conclusão prevista para 2022
A próxima usina a ser autorizada, segundo os dados da ANP, deve ser a Boa Vista, em Carazinho (RS), com um investimento inicial calculado em R$ 35 milhões. Prevista para este mês, a unidade deve ter capacidade de até 50 mil litros diários de hidratado – para isso, está previsto um processamento de 122 toneladas de milho por dia. Contudo, além do milho, a unidade também poderá usar sorgo, trigo, triticale e batata-doce como matéria-prima.
Por sua vez, a Fermap vem enfrentando atrasos. De acordo com informações obtidas junto à assessoria de imprensa da ANP em 2020, a companhia de Ipiranga do Norte (MT) iniciou a construção da usina em fevereiro de 2020 e deveria ter concluído as obras em outubro de 2021, com uma capacidade projetada de 60 mil litros de etanol de milho ao dia. Entretanto, uma atualização no processo menciona que a finalização ganhou um novo prazo: dezembro de 2022. Conforme os documentos, o investimento inicial foi de R$ 65 milhões.
Já a Nova Geração Combustíveis, de Tabaporã (MT), deveria ter terminado suas obras até setembro de 2020. Assim como aconteceu com a Fermap, ela adiou sua finalização para dezembro de 2022. A unidade pretende fabricar até 40 mil litros de etanol hidratado ao dia a partir do processamento de cereais.
A unidade da Agropastoril Vale da Piragiba em Muquém de São Francisco (BA), que estava prevista para janeiro deste ano, ainda não obteve sua autorização para o início das atividades. Com uma capacidade de produção diária projetada em 400 mil litros de hidratado e 160 mil de anidro, a usina ainda precisa atualizar a ANP sobre o andamento da construção.
Segundo o grupo Paranhos, controlador da empresa, a expectativa é que a planta – que realizará o processamento de cana-de-açúcar e marcará o início das atividades no polo agroindustrial e bioenergético do Médio São Francisco – seja inaugurada neste semestre.
Além da Boa Vista, da Fermap e da Nova Geração – e, talvez, da Agropastoril Vale da Piragiba –, há outras três usinas previstas para 2022, todas de etanol de milho: a Santa Clara, em Vera (MT), prevista para fevereiro; a Inpasa, em Dourados (MS), para junho; e a FS Bioenergia, em Primavera do Leste (MT), para outubro.
A Inpasa já anunciou a aplicação de R$ 100 milhões vindos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) na primeira usina de etanol de milho do Mato Grosso do Sul. A empresa, que possui unidades no Paraguai e no Mato Grosso, prevê gerar 200 empregos diretos e outros 150 indiretos na fase inicial.
Já a FS Bioenergia tem um investimento previsto de R$ 2,3 bilhões para a unidade em Primavera do Leste (MT), em um valor que já inclui verba para uma ampliação. Esta é também a unidade em construção com maior capacidade de produção diária, com 1,77 milhão de litros de hidratado e 1,7 milhão de anidro.
Inicialmente prevista para 2021, a unidade do grupo FS Bioenergia em Nova Mutum (MT) foi adiada devido a pandemia. A comunicação de construção da usina foi feita em novembro de 2019 e, embora a usina siga constando como um projeto no site da empresa, ela não aparece mais no acompanhamento de obras em andamento da ANP.
Obras em atraso e sem projeção de término
Conforme os dados coletados em fevereiro deste ano, duas novas unidades já deveriam ter sido concluídas em 2021, mas ainda não possuem nova data para início de suas operações: Adamantium, localizada em Bariri (SP); e Gem, em Acreúna (GO).
A Adamantium teve seu primeiro contato com a ANP em 2018, com o envio de alguns documentos. Depois, em dezembro de 2020, a companhia informou a conclusão das obras, que na verdade foram adaptações para a produção de etanol, uma vez que a instalação, no passado, era utilizada para outros segmentos produtivos.
Na época, a companhia detalhou que o empreendimento ainda dependia da adequação de procedimentos referentes às normas técnicas, além de licenciamentos junto aos órgãos municipais, estaduais e federais. Contudo, desde junho de 2021 não há atualizações.
Já a Gem continua com os processos em andamento, por mais que o prazo estipulado de finalização de obra fosse novembro de 2021.

Além disso, há atrasos que datam de 2020. A Etamil Bioenergia, em Campo Novo dos Parecis (MT), iniciou suas obras em 2018 e protocolou um ofício de prorrogação de término em janeiro de 2020. Após isso, a conclusão prevista pela ANP era em julho de 2020, porém, a data agora está indeterminada. A expectativa é que a usina produza 294 mil litros diários de etanol de milho.
Outra que também estava prevista para julho de 2020, era a TJ, localizada em Sorriso (MT) e que tem o objetivo de produzir 30 mil litros diários de etanol hidratado. A empresa havia comunicado a sua construção em novembro de 2019 e, em outubro de 2020, fez a solicitação da autorização para operar e de vistoria. O último laudo de vistoria foi publicado no dia 18 de janeiro deste ano.
Já a Caramuru Alimentos tinha previsão de conclusão da usina de etanol de soja em fevereiro de 2020. Segundo as últimas atualizações do processo, em 18 outubro, a construção já foi concluída, mas a unidade ainda consta no acompanhamento de obras da ANP, inclusive sem projeção para término.
Por fim, a Santo Antonio, localizada em Palmital (SP), solicitou vistoria da ANP em dezembro de 2019 e, depois, em junho de 2020 – entretanto, o procedimento não seria possível por conta da pandemia de coronavírus. O processo não recebe atualizações desde julho de 2020 e a unidade segue no acompanhamento da ANP, embora o milho tenha sido retirado como uma das matérias-primas da usina, permanecendo apenas a cana-de-açúcar.
Usinas finalizadas – bem ou mal – em 2021
A destilaria Ipanema, que havia informado à ANP o início da sua construção em janeiro de 2020 e estimado uma capacidade produtiva de 100 mil litros de hidratado ao dia, conseguiu a autorização para exercício de atividade em 18 de maio de 2021.
Além desta usina e da unidade da FS Bioenergia em Nova Mutum (MS), a ANP também deixou de acompanhar outras quatro usinas em construção no último ano. Destas, três tiveram seus processos arquivados – Rio Paraná, Energia da Terra e Cluster de Bioenergia – e uma não estão formalmente justificadas: Lida Nitro.
A Lida Nitro solicitou, em março de 2020, a exclusão da ficha de cadastro existente a fim de efetuar uma nova, com informações corretas sobre os responsáveis pelo projeto. A ANP retornou em abril do mesmo ano informando o procedimento e afirmando que avaliaria os dados para que a nova ficha fosse aprovada. Desde então, não houve nenhuma atualização no processo.
Outras usinas em construção
Além das seis usinas atrasadas e sem previsão de conclusão e das sete unidades que devem começar a operar este ano, a relação da ANP ainda conta com dez outros empreendimentos. As empresas envolvidas são: Jatai; Três Irmãos; Aliança e Penápolis; Goias Bioenergia; São Simão Bioenergia; Louis Dreyfus Company Brasil; Campânia Energia Renovável (Cern); Nardini; Cristais; e Neomille.
Esta última é a segunda usina de etanol de milho da CerradinhoBio, em Maracajú (MS), que recentemente recebeu autorização do governo estadual para iniciar as obras. A unidade possui a segunda maior capacidade de produção diária prevista, com 1,6 milhão de litros de hidratado e o mesmo de anidro. A previsão de término da instalação é de setembro de 2023.
Já a Goias Bioenergia, em Porteirão (GO), possui uma projeção de produção de 600 mil litros de etanol hidratado e 600 mil de anidro por dia, mas feitos de cana-de-açúcar. A obras ainda não possuem previsão para finalização.
Por sua vez, a Cern, em Paranaíba (MS), tem prazo de conclusão para 2024, com capacidade projetada de 580 mil litros de etanol hidratados por dia e 310 mil litros de anidro. A usina – que inicialmente se chamaria Orbi, mas foi rebatizada para Cedro – foi adquirida pela Pedra Agroindustrial em janeiro deste ano e também deve utilizar a cana-de-açúcar como matéria-prima.
A nova unidade da Louis Dreyfus, em São Sebastião do Cai (RS), irá produtor etanol a partir de cereais. Ainda que não haja previsão para o término das obras, elas já se iniciaram, conforme documentos disponibilizados pela ANP. Segundo atualização datada de 15 de fevereiro deste ano, a capela de exaustão já está apta para funcionamento.

A Aliança e Penápolis, em Penápolis (SP), pretende obter uma autorização para produção diária de 120 mil litros de etanol hidratado. Contudo, ela está com seus trâmites travados desde julho do ano passado. A última atualização, feita pela própria ANP, é justamente um requerimento a fim de acelerar o processo.
A Jatai teve seu processo iniciado em 18 de maio de 2020, não tendo mais atualizações desde o dia 25 do mesmo mês. Segundo a ANP, a capacidade da unidade localizada em Goiás será de 400 mil litros de etanol hidratado por dia, mas não há previsão para o início ou o término das obras.
Já o investimento da Nardini, localizado em Aporé (GO) contará com uma produção de até 435 mil litros de hidratado por dia. Entretanto, as movimentações do processo estão paradas desde junho de 2018, não existindo previsão para começar e nem terminar a construção.
A Cristais, no município mineiro homônimo, terá uma capacidade prevista de 37 mil litros de hidratado por dia. Contudo, a unidade também segue sem previsão para o fim de suas obras.
Por fim, as usinas São Simão Bioenergia, em São Simão (SP), e Três Irmãos, em Ipiranga do Norte (MT), não possuem informações na ANP sobre suas capacidades projetadas, nem sequer data para finalização das obras.
Regras para novas construções
A ANP passou a adotar novas regras em relação à construção de usinas em julho de 2018. Até aquele momento, as companhias deveriam enviar uma série de documentos para a agência, que poderia autorizar as obras ou não. A partir de um marco regulatório, a ANP acabou por simplificar as exigências, não havendo mais a necessidade de solicitação para os novos empreendimentos.
Atualmente, as companhias devem apenas informar ao órgão regulador sobre o local, a capacidade de produção por tipo de produto, o investimento a ser feito e, por fim, o cronograma das obras. Além disso, a agência pode vistoriar a construção em qualquer etapa.
Conforme a ANP, os regulamentos não exigem que as usinas enviem a atualização de seus cronogramas. Para esta reportagem, os processos foram consultados individualmente, com a identificação de usinas que enviaram informações das suas etapas de construção.
Para que uma nova unidade possa iniciar a operação, no entanto, a ANP exige a entrega de seis documentos, além do cumprimento de normas não só da agência, mas também da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), da prefeitura, do Corpo de Bombeiros e dos órgãos ambientais competentes.
É apenas após a análise destes documentos por parte da agência que as unidades adquirem a Autorização para o Exercício da Atividade (AEA) – necessária apenas para a primeira usina de um grupo – e a Autorização de Operação (AO), requisito para todas as unidades.
Lucas Vasconcelos – NovaCana
Com reportagem adicional de Gabrielle Rumor Koster