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Abengoa Bioenergia apresenta lucro pela primeira vez em 12 anos

Em processo de recuperação judicial desde 2017, empresa recebeu deságio de credores em 2021

NovaCana 5 min de leitura

Pela primeira vez em mais de uma década, a Abengoa Bioenergia, subsidiária da multinacional espanhola, apresentou um resultado financeiro positivo ao fim de 2021. A companhia teve lucro líquido de R$ 716,24 milhões, de acordo com as demonstrações financeiras publicadas no Diário Oficial de São Paulo.

O resultado representa uma melhora em comparação com o prejuízo de R$ 133,81 milhões do ano anterior; no acumulado, os 11 anos no vermelho representam uma perda de R$ 2,01 bilhões. A sucroenergética, que está em processo de recuperação judicial há cinco anos, não apresentava lucro desde 2009.

Parte do rendimento contabilizado pela empresa no período, entretanto, veio de um deságio de R$ 1,09 bilhão, previsto no plano de recuperação. Ou seja, os credores receberam apenas uma fração da dívida por parte da companhia e o restante foi registrado como renda no período. Caso esse valor não tivesse entrado na conta, o prejuízo seria de R$ 373,4 milhões – a maior perda da série histórica.

O NovaCana entrou em contato com os advogados que representam a companhia e, também, com o contador da usina. Os advogados preferiram não dar declarações sobre o processo, enquanto o contador não respondeu ao pedido de entrevista até a publicação desta reportagem.

Em 2021, a Abengoa ainda registrou uma queda de 59,3% em seus resultados brutos, com R$ 35,42 milhões. No ano anterior, o resultado foi de R$ 86,99 milhões. Além disso, a empresa teve um decréscimo de 53,3% em sua receita líquida.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, mais detalhes sobre os resultados financeiros da Abengoa e seu processo de recuperação judicial. Leia também sobre:

- Resultado líquido da companhia
- Relação entre receitas e custos
- Evolução do endividamento
- Histórico de resultados

Pela primeira vez em mais de uma década, a Abengoa Bioenergia, subsidiária da multinacional espanhola, apresentou um resultado financeiro positivo ao fim de 2021. A companhia teve um lucro líquido de R$ 716,24 milhões, de acordo com as demonstrações financeiras publicadas no Diário Oficial de São Paulo.

O resultado representa uma melhora em comparação com o prejuízo de R$ 133,81 milhões do ano anterior; no acumulado, os 11 anos no vermelho representam uma perda de R$ 2,01 bilhões. A sucroenergética, que está em processo de recuperação judicial há cinco anos, não apresentava lucro desde 2009.

Parte do rendimento contabilizado pela empresa no período, entretanto, veio de um deságio de R$ 1,09 bilhão, previsto no plano de recuperação. Ou seja, os credores receberam apenas uma fração da dívida por parte da companhia e o restante foi registrado como renda no período. Caso esse valor não tivesse entrado na conta, o prejuízo seria de R$ 373,4 milhões – a maior perda da série histórica.

Além disso, em seu endividamento referente a 31 de dezembro de 2021, a companhia declarou que quase zerou suas pendências com empréstimos e financiamentos. Naquela data, os débitos com vencimento acima de doze meses somavam R$ 1 mil. Além disso, não havia dívidas a serem paga em 2022.

Entre 2015 e 2020, contudo, a sucroenergética registrou dívidas de curto prazo próximas de R$ 1 bilhão.

O NovaCana entrou em contato com os advogados que representam a companhia e, também, com o contador da usina. Os advogados preferiram não dar declarações sobre o processo; já o contador não respondeu ao pedido de entrevista até a publicação desta reportagem.

Desempenho operacional

Em 2021, a Abengoa Bioenergia registrou uma queda de 59,3% em seus resultados brutos. A companhia somou R$ 35,42 milhões na fase operacional, ante os R$ 86,99 milhões do ano anterior.

Ainda assim, este é um dos melhores resultados da sucroenergética, que chegou a apresentar um prejuízo de R$ 169,73 milhões em 2017.

A depreciação no lucro bruto da empresa pode ser justificada pela perda em sua receita líquida, que totalizou R$ 351,93 milhões no ano passado, 53,3% a menos que os 754,09 milhões vistos no período anterior. Ainda assim, os custos com os produtos vendidos também caíram, diminuindo 52,6%, para R$ 316,51 milhões.

Entre as possíveis causas para a queda está a conclusão da venda da usina São Luiz, localizada em Pirassununga (SP), que foi leiloada em setembro de 2020.

Desta forma, a relação entre receitas e custos ficou em 89,9%, 1,5 ponto percentual acima do observado no ano anterior. Ainda assim, o desempenho está entre os cinco melhores da série histórica. O índice chegou a 120,3% em 2017 – isso significa que, naquele ano, os prejuízos da Abengoa começaram já na fase operacional.

Recuperação judicial e venda de usina

A matriz espanhola Abengoa entrou com o pedido de recuperação judicial para suas filiais no Brasil ainda em 2017. Segundo a companhia, a crise econômica e política que o país enfrentava na época foi um dos fatores que contribuíram para a dificuldade financeira.

Em 2019, um novo plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores. O documento incluía a utilização de precatórios do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) para o pagamento de credores, assim como o leilão judicial da usina São Luiz.

A unidade foi comprada pela companhia Vale do Verdão por R$ 385 milhões. O montante foi dividido em R$ 65 milhões no ano da aquisição e o restante em 16 parcelas de R$ 20 milhões, a serem corrigidas pelo Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC).

Em janeiro de 2020, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, que as companhias Vale do Verdão e Ferrari Agroindústria – que havia feito uma proposta de compra anteriormente – adquirissem os ativos referentes à usina e à unidade de cogeração.

Desta forma, apenas a usina em São João da Boa Vista (SP) permanece sob controle da Abengoa.

Giully Regina – NovaCana

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