Valores dos projetos não foram divulgados; o foco é em renovação e manutenção dos canaviais das sucroenergéticas
O Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou como prioritários os projetos de investimentos de três companhias sucroenergéticas: São Manoel, localizada em São Manuel (SP), Cerradão, de Frutal (MG), e São Martinho, situada em Pradópolis (SP).
Isso significa que as empresas estão autorizadas a emitir debêntures incentivadas, que oferecem vantagens para seus investidores em comparação com papéis sem esta aprovação.
Ainda que as portarias tenham sido publicadas no Diário Oficial da União nos dias 25 e 26 de outubro, elas datam de 14 de setembro, 4 de outubro e 18 de outubro. Não há referência de valores das debêntures nos documentos publicados.
Saiba sobre a destinação dos recursos, os prazos para investimento e outros detalhes dos projetos no texto completo (exclusivo para assinantes).
O Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou como prioritários os projetos de investimentos de três companhias sucroenergéticas: São Manoel, localizada em São Manuel (SP), Cerradão, de Frutal (MG), e São Martinho, situada em Pradópolis (SP).
Isso significa que as empresas estão autorizadas a emitir debêntures incentivadas, que oferecem vantagens para seus investidores em comparação com papéis sem esta aprovação.
Ainda que as portarias tenham sido publicadas no Diário Oficial da União nos dias 25 e 26 de outubro, elas datam de 14 de setembro, 4 de outubro e 18 de outubro. Não há referência de valores das debêntures nos documentos publicados.
São Manoel
O projeto da São Manoel visa investimentos em ampliação, manutenção e recuperação da produção de biomassa de cana-de-açúcar entre os ciclos 2019/20 e 2022/23. As áreas onde ocorrerão os plantios, tratos culturais e atividades de corte, transbordo e transporte (CTT) serão nos municípios paulistas de São Manuel, Botucatu, Pratânia, Areiópolis, Lençóis Paulista, Igaraçu, Barra Bonita e Avaré.
Além disso, conforme o documento, estão previstos investimentos na área industrial, com foco na transformação da matéria-prima. O prazo de conclusão previsto é 31 de março de 2023.
Atualmente, a usina São Manoel pode produzir diariamente até 1,2 milhões de litros de hidratado e 750 mil litros de anidro. Ela também tem capacidade de moagem de 4,1 milhões de toneladas de cana por safra, podendo fabricar até 230 mil toneladas de açúcar a cada ciclo.
Recentemente, a empresa fez a captação de R$ 100 milhões em seu primeiro Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) qualificado como título verde. Os recursos também serão usados para renovação de canaviais.
Para completar, a empresa vem apresentando bons números. Em 2020/21, a São Manoel reportou um lucro de R$ 85 milhões, valor que representou um aumento anual de R$ 324%, ainda que a moagem tenha ficado abaixo do esperado.
Cerradão
Já o projeto da Cerradão tem prazo de encerramento em 31 de março de 2025. Ele também é focado em plantio, manutenção e melhoria de canavial, mas é referente às safras de 2020/21 a 2024/25.
De acordo com a portaria do MME, em 2020/21 e 2021/22, a companhia fará renovação em 7,03 mil hectares e expansão em 27,15 mil hectares. Já nos ciclos 2022/23, 2023/24 e 2024/25, a expansão será em canaviais localizados nas cidades mineiras de Frutal, Itapagipe, Fronteira, Comendador Gomes, Campina Verde e Prata, a fim de suportar o plano de crescimento de moagem da empresa.
O grupo também detém apenas uma unidade, com capacidade produtiva de 600 mil litros de etanol hidratado ao dia e outros 400 mil litros de anidro. Já a moagem pode chegar a 1,5 milhões de toneladas por ciclo.
Além disso, a Cerradão foi a quarta usina com maior cogeração de energia em 2020, com 353,05 gigawatts-hora, representando aumento anual de 23,6%.
São Martinho
O terceiro projeto aprovado, da São Martinho, foi denominado “Capex de manutenção para produção de biocombustível na usina São Martinho, usina Santa Cruz e usina lracema”. Desta forma, ele é referente a três das quatro usinas do grupo.
Com conclusão prevista para março de 2023, ele visa investimentos na manutenção dos canaviais e das indústrias, com foco no plantio, nos tratos culturais da cana-de-açúcar e na manutenção agroindustrial.
“O investimento se destina à produção de etanol considerando a proporcionalidade exigida devido à concomitância da produção de açúcar e energia, ao longo das safras 2020/21, 2021/22 e 2022/23 em três usinas da companhia”, destaca o documento.
As três unidades incluídas no projeto têm, juntas, uma capacidade produtiva diária de 4,39 milhões de litros de etanol hidratado e 3,3 milhões de litros de anidro. Já a unidade Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO), possui potencial para 2,4 milhões de litros de hidratado e 500 mil litros de anidro por dia. Juntas, as quatro unidades podem processar até 24,1 milhões de toneladas de cana por temporada.
Recentemente, a empresa emitiu R$ 500 milhões em debêntures verdes, conforme documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 30 de junho. O valor será destinado para financiar a produção de etanol de milho da empresa.
Em 2020/21, a São Martinho apresentou um lucro de R$ 927,12 milhões, 45,1% acima do valor contabilizado um ano antes.
Debêntures incentivadas
A emissão de debêntures incentivadas pelo setor de biocombustíveis foi aprovada pelo governo federal em junho de 2019. Os valores podem ser utilizados em atividades como renovação dos canaviais, manutenção das usinas e ampliação da capacidade de estocagem.
Entre as companhias que receberam em 2021 o aval do MME para a emissão destes títulos estão: a própria São Martinho, a Jalles Machado, a Ipiranga, a Zilor, a Batatais, a Sonora Estância, a Agrovale e a Aroeira.
Conforme as regras estabelecidas, um projeto prioritário não será considerado implantado se houver um atraso superior a 50% em relação à data de conclusão do empreendimento. O acompanhamento e a comunicação dos prazos não cumpridos, por sua vez, estão a cargo da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Além disso, na emissão pública das debêntures, as empresas devem destacar a data de publicação da portaria do MME e o compromisso de alocar os recursos obtidos de acordo com o projeto prioritário aprovado.
Por fim, as companhias devem guardar a documentação relativa ao uso destes recursos por até cinco anos após o vencimento dos papéis.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana