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S&P reavalia Adecoagro, Cerradinho, Cocal, CMAA e Jalles Machado; eleva perspectivas

Seis meses após comunicar ações de rating negativas, agência de classificação de risco reavaliou saúde financeira das sucroenergéticas

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O impacto da pandemia de coronavírus no setor sucroenergético ainda está sendo calculado por usinas e empresas especializadas. Em abril, em meio a uma drástica queda no consumo de etanol e a projeções econômicas desfavoráveis para o país, a S&P Global Ratings alterou a perspectiva de crédito de seis das oito empresas do setor avaliadas, passando a indicar a possibilidade de um rebaixamento em suas classificações.

Agora, a agência de classificação de risco afirma que já reviu a situação de cinco delas – Adecoagro, Cerradinho, Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) e Jalles Machado –, optando por remover a perspectiva negativa em todos os casos. A exceção é a Coruripe, que solicitou a retirada de seus ratings em setembro. São Martinho e Raízen, por sua vez, não foram afetadas pela revisão realizada em abril.

Desta forma, todas as companhias sucroenergéticas avaliadas pela S&P possuem, neste momento, perspectiva de crédito estável. Isso significa que a agência não espera um rebaixamento ou uma elevação na próxima avaliação anual.

Segundo a S&P, um dos principais motivos para a mudança foi a projeção de melhora no mercado doméstico de etanol. “Esperamos que o balanço relativamente apertado entre oferta e demanda do biocombustível no mercado nacional suporte os preços na entressafra, visto que muitas usinas otimizaram a produção de açúcar”, afirma e completa: “Isso resultará em uma queda de em torno de 5% nos preços médios de venda para a safra corrente, de acordo com nosso cenário de caso-base”.

Juntamente com a alteração nas perspectivas, a agência também divulgou relatórios específicos sobre a saúde financeira de três das companhias analisadas: Adecoagro, Cerradinho e Jalles Machado.

Saiba o que dizem estes documentos no texto completo (exclusivo para assinantes).

O impacto da pandemia de coronavírus no setor sucroenergético ainda está sendo calculado por usinas e empresas especializadas. Em abril, em meio a uma drástica queda no consumo de etanol e a projeções econômicas desfavoráveis para o país, a S&P Global Ratings alterou a perspectiva de crédito de seis das oito empresas do setor avaliadas, passando a indicar a possibilidade de um rebaixamento em suas classificações.

Agora, a agência de classificação de risco afirma que já reviu a situação de cinco delas – Adecoagro, Cerradinho, Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) e Jalles Machado –, optando por remover a perspectiva negativa em todos os casos. A exceção é a Coruripe, que solicitou a retirada de seus ratings em setembro. São Martinho e Raízen, por sua vez, não foram afetadas pela revisão realizada em abril.

Desta forma, todas as companhias sucroenergéticas avaliadas pela S&P possuem, neste momento, perspectiva de crédito estável. Isso significa que a agência não espera um rebaixamento ou uma elevação na próxima avaliação anual.

ratings sp nacional global 11.2020

Segundo a S&P, um dos principais motivos para a mudança foi a projeção de melhora no mercado doméstico de etanol. “Esperamos que o balanço relativamente apertado entre oferta e demanda do biocombustível no mercado nacional suporte os preços na entressafra, visto que muitas usinas otimizaram a produção de açúcar”, afirma e completa: “Isso resultará em uma queda de em torno de 5% nos preços médios de venda para a safra corrente, de acordo com nosso cenário de caso-base”.

Juntamente com a alteração nas perspectivas, a agência também divulgou relatórios específicos sobre a saúde financeira de três das companhias analisadas: Adecoagro, Cerradinho e Jalles Machado.

Adecoagro: dívida sob controle

Segundo a S&P, a recuperação nos preços do etanol de forma “mais rápida do que o esperado” e os bons resultados no campo devem levar a Adecoagro a gerar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) maior do que o previsto anteriormente. A avaliação considera também os negócios da companhia na Argentina, beneficiados por elevações nos preços do arroz e de grãos, além da expansão nas operações com laticínios.

A empresa, que recebeu a classificação BB na escala nacional, teve sua perspectiva alterada para estável devido à expectativa de “métricas de crédito resilientes”. Além disso, a S&P também acredita que a Adecoagro deve manter um colchão de liquidez adequado nos próximos 12 meses, apesar do impacto da covid-19.

“A Adecoagro mudou seu mix para otimizar a produção de açúcar, que deve chegar a 48% ao final da safra, versus 15% no ano anterior”, aponta o relatório.

Desta forma, a perspectiva é que a companhia mantenha uma alavancagem entre 2 e 2,5 vezes em 2020/21; além disso, o índice deve ficar em torno de 2 vezes em 2021/22. O valor é calculado pela relação entre o Ebitda e a dívida líquida da empresa.

“Além da melhor geração de fluxo de caixa, o recente empréstimo de longo prazo concedido pela International Finance Corporation (IFC) proporcionará um colchão de liquidez suficiente para a empresa nos próximos 12 a 18 meses”, afirma.

Conforme o documento, os vencimentos de dívida mais relevantes ocorrerão em 2025 e 2026, com a amortização de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Já em 2027, a empresa terá o vencimento de notas no valor de US$ 500 milhões. “Acreditamos que os riscos de piora nas métricas de crédito e a pressão de liquidez diminuíram, o que respalda a perspectiva estável dos ratings”, completa.

Cerradinho: estratégia de estocagem

De acordo com a S&P, uma segunda onda de covid-19 poderia impactar novamente o mercado de etanol, mas os reflexos sobre a Cerradinho – que não possui estrutura para a produção de açúcar – poderiam ser minimizados. “Acreditamos que a Cerradinho tem um colchão de liquidez confortável para carregar estoques por alguns meses, caso necessário, mitigando quedas pontuais na demanda”, assegura.

Atualmente, a sucroenergética possui a classificação AA- na escala nacional, além da perspectiva de crédito estável. Segundo o relatório, a alteração na perspectiva foi motivada pela crença, por parte da S&P, de que a Cerradinho deva sustentar uma geração de fluxo de caixa operacional livre positiva, com investimentos mais perto do nível de manutenção após a inauguração da usina de etanol de milho.

“Embora os preços do milho tenham subido sobremaneira nos últimos meses, a empresa já adquiriu suas necessidades de matéria-prima para a safra corrente e parte da seguinte no período da safrinha (findo em agosto), o que resulta em preços médios do milho muito mais baixos do que a curva de mercado”, traz o relatório.

O documento ainda aponta que, além da estratégia para a compra de milho, a “elevada produtividade agrícola” dos canaviais da Cerradinho, os preços baixos do frete ferroviário e a queda nos investimentos em expansão devem resultar em uma geração positiva de fluxo de caixa na safra corrente e nas próximas. Assim, embora haja a perspectiva de um leve aumento na alavancagem, o índice deve se manter abaixo de 3 vezes.

“A alavancagem contida, junto com uma liquidez confortável, mitiga sua exposição maior que a de outros pares à volatilidade intrínseca do setor por não ter flexibilidade na produção de açúcar”, assegura.

O relatório também aponta que a Cerradinho estendeu prazos de vencimento de suas dívidas e melhorou sua liquidez, além de ter prosseguido com a comercialização de etanol, embora ainda carregue um volume significativo para vender na entressafra.

Jalles Machado: diversificação traz segurança

Segundo o relatório da S&P, a Jalles Machado tem conseguido manter uma eficiência operacional “sólida”. A expectativa é que este fator, somado à flexibilidade da companhia para alterar o mix de produção, resultará em uma maior geração de caixa, permitindo a manutenção de uma alavancagem baixa.

“A Jalles Machado tem melhorado sua posição de liquidez, o que lhe proporciona um colchão caso uma segunda onda da covid-19 prejudique a demanda e os preços do etanol”, complementa o documento, que também reafirma a nota da sucroenergética em BB- na escala global e AA+ na nacional.

Entre os aspectos que favoreceram a empresa durante a pandemia, a S&P cita a captação de recursos no mercado de capitais e o empréstimo de US$ 27,5 milhões (aproximadamente R$ 150 milhões) obtido com a IFC. Segundo a agência, estes valores devem funcionar como um colchão em caso de uma desaceleração no mercado.

Além disso, o relatório coloca que a perspectiva foi alterada para estável porque, em 2020/21, a Jalles Machado deve manter um índice de alavancagem abaixo de 2 vezes, além de ter uma liquidez “confortável” mesmo diante da volatilidade nos preços de açúcar e da menor demanda por etanol.

“Os investimentos em anos anteriores e as condições climáticas adequadas, sustentadas por uma maior capacidade de irrigação, devem permitir à Jalles Machado moer aproximadamente 5,3 milhões de tonelada de cana-de-açúcar – capacidade máxima da empresa – na atual safra, nível que esperamos que se mantenha nos próximos anos”, declara.

Desta forma, a sucroenergética deve registrar uma diluição de seus custos fixos e uma melhora na rentabilidade.

Além disso, agência também estima que 50% da matéria-prima será direcionada para a produção de açúcar, ante menos de 40% na safra 2019/20. “A empresa também se beneficia da diversificação de produtos em açúcar orgânico, etanol anidro e saneantes”, complementa.

Renata Bossle – NovaCana

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