Etanol: Mercado

Pandemia causa queda de 30% no consumo de combustíveis em abril [30 gráficos]

Medidas de isolamento tiveram influência direta na demanda por gasolina e etanol hidratado


novaCana.com - 02 jun 2020 - 10:57

Normalmente, abril é um mês de consumo aquecido dos combustíveis do Ciclo Otto. No caso do setor sucroenergético, a data marca também o início da safra, quando aumenta a oferta do biocombustível e os preços tendem a cair, aumentando a competitividade do biocombustível nos postos.

Em 2020, o cenário era animador – em janeiro e fevereiro, o país registrou uma tendência de crescimento no consumo em relação a anos anteriores. A pandemia de coronavírus, entretanto, trouxe um impacto expressivo nas vendas de combustíveis devido às recomendações de isolamento.

Desta forma, março já registrou uma queda no consumo, com uma redução de 14% no comparativo anual. Mas foi em abril, primeiro mês integralmente sujeito à quarentena, que a redução chegou a patamares não vistos há anos, de acordo com os dados divulgados ontem (1º) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Em abril de 2020, o consumo de etanol hidratado totalizou 1,2 bilhões de litros, uma retração de 33,63% em relação ao mesmo mês de 2019 e o menor valor observado para o período desde 2017 – quando foram consumidos apenas 985 milhões de litros. Em relação a março, que já havia registrado queda devido ao coronavírus, a redução foi de 18,25%.

Ainda assim, a especialista sênior de preços da S&P Global Platts, Nicolle Monteiro de Castro, afirmou que a queda na demanda registrada em abril não foi tão grande quanto a esperada pelo mercado. De acordo com ela, no início da medida de isolamento social, as pesquisas apontavam para uma redução de quase 50% nas vendas de etanol hidratado.

Competindo com a gasolina pela preferência do consumidor, o etanol hidratado também registrou uma queda em sua participação de mercado, que foi de 27,27% em abril. O indicar está menos de um ponto percentual abaixo do registrado em março, mas este é o menor valor para o mês desde 2018, quando foi de 21,24%.

Por outro lado, em São Paulo, maior produtor e consumidor de etanol do país, a preferência pelo renovável chegou a 51,44%, registrando um aumento tanto na comparação com março (50,82%), quanto com o mesmo mês do ano passado (49,85%).

No estado, a demanda por hidratado ficou em 653 milhões de litros, 17,8% abaixo do registrado em março (794 milhões) e 31,1% aquém do mesmo mês em 2019, quando chegou a 947 milhões de litros, um recorde para o período.

Em nota, o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, afirma que os dados da ANP estão alinhados com as vendas de etanol informadas pelas unidades produtoras e reportadas pela Unica.

“A comprovação da forte retração na demanda sentida pelas unidades produtoras evidencia a necessidade de soluções estruturadas para o enfrentamento da crise”, argumenta e completa: “A criação de uma linha de financiamento usando os estoques como garantia é uma solução de mercado que pode evitar o agravamento da situação financeira do setor”.

Como um todo, o consumo dos combustíveis do ciclo Otto apresentou uma queda de 16,17% na comparação entre março e abril, ao registrar 3,127 bilhões contra 3,73 bilhões de litros.

Já na comparação com o mesmo mês de 2019 – quando a demanda foi de 4,481 bilhões de litros –, a queda foi de quase o dobro, de 30,21%. Este é o menor consumo dos combustíveis do ciclo Otto registrado desde janeiro de 2010, quando chegou a 3,13 bilhões de litros.

Castro, da Platts, afirma que “no primeiro mês completo com medidas de distância social impostas no território brasileiro, a queda na taxa de consumo de combustível foi um bom termômetro para medir os impactos da pandemia de coronavírus na economia regional”.

Consumo de janeiro a abril

No acumulado até abril, o consumo de etanol hidratado chegou a 6,35 bilhões de litros, uma queda de 11,28% em relação aos 7,16 bilhões registrados no mesmo período de 2019. Mesmo com a redução na demanda, este é o segundo maior registro desde 2000.

O mesmo ocorre em São Paulo. Com 3,36 bilhões de litros, o volume acumulado até abril ficou 9,58% abaixo do observado em 2019, porém é o segundo maior valor da série histórica.

Considerando o consumo de combustíveis do ciclo Otto, por outro lado, a demanda registrada – 15,71 bilhões de litros – é a menor desde 2013 (15,56 bilhões). A queda em relação a 2019 foi de 10,03%, e é a segunda maior redução desde 2003.

Especificamente, a queda no consumo acumulado de gasolina entre janeiro e abril de 2020 foi 9,52% no comparativo anual, indo de 12,39 bilhões para 11,21 bilhões de litros.

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Rafaella Coury – novaCana.com


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