Desbancando a Copersucar, São Martinho ocupa a primeira colocação em análise que envolve oito critérios
Daqui a alguns anos, aquele que analisar o setor sucroenergético em 2019 e, em seguida, em 2020 possivelmente ficará surpreso com a virada que as usinas de açúcar e etanol tiveram que dar para se adaptar às mudanças no mercado.
Se, neste ano, o açúcar se fortaleceu de modo surpreendente, em 2019, o etanol teve produção e consumo recordes, além de preços favoráveis, o que indicava que ele seria a grande estrela de 2020 – o que não se efetivou.
Naquele cenário, a safra 2019/20 foi bastante favorável para as usinas, em especial as que usualmente já entregam bons resultados. Em agosto, o NovaCana compilou dados de 14 sucroenergéticas em 20 indicadores e diversas delas registraram melhorias nos dados envolvendo produção, receita líquida e lucro, por exemplo.
Por sua vez, a publicação Valor 1000, do Valor Econômico, compila anualmente o desempenho financeiro das mil maiores companhias brasileiras, ranqueadas por sua receita líquida. O levantamento também destaca as dez melhores empresas de diferentes setores com os melhores resultados consolidados de 2019 a partir de oito critérios avaliados, sendo que cada um deles tem peso diferente conforme sua relevância, chegando a uma nota final
Considerando os critérios adotados pela publicação, em 2019, a São Martinho figurou em primeiro lugar no ranking do setor de açúcar e álcool, com 47 pontos, repetindo a colocação vista em 2017. Em 2018, a companhia caiu uma posição, perdendo para a Copersucar.
Na publicação mais recente, a Copersucar ficou em quarto lugar, com 35 pontos. A empresa ainda é considerada a maior do setor por conta de sua receita líquida, que foi de R$ 29,9 bilhões no período analisado. Já considerando o ranking geral deste indicador, com todos os setores, a empresa caiu da 20ª para a 25ª posição entre 2018 e 2019.
Enquanto isso, no ranking setorial, a Adecoagro e a Jalles Machado subiram uma colocação, ficando em segundo e em oitavo lugares, respectivamente. Já a Tereos perdeu uma posição no ranking em relação ao publicado um ano antes, ficando em quinto.
Confira, na versão para assinantes, o desempenho das sucroenergéticas nos oito critérios analisados:
- Receita líquida (total vendido em milhões de reais)
- Margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida)
- Crescimento sustentável (variação da receita líquida sobre patrimônio ajustado)
- Rentabilidade (lucro líquido sobre patrimônio líquido)
- Margem da atividade (lucro sobre a receita líquida)
- Liquidez corrente (ativo circulante sobre passivo circulante)
- Giro do ativo (receita líquida sobre ativo total)
- Cobertura de juros (Ebitda sobre despesas financeiras)
Daqui a alguns anos, aquele que analisar o setor sucroenergético em 2019 e, em seguida, em 2020 possivelmente ficará surpreso com a virada que as usinas de açúcar e etanol tiveram que dar para se adaptar às mudanças no mercado.
Se, neste ano, o açúcar se fortaleceu de modo surpreendente, em 2019, o etanol teve produção e consumo recordes, além de preços favoráveis, o que indicava que ele seria a grande estrela de 2020 – o que não se efetivou.
Naquele cenário, a safra 2019/20 foi bastante favorável para as usinas, em especial as que usualmente já entregam bons resultados. Em agosto, o NovaCana compilou dados de 14 sucroenergéticas em 20 indicadores e diversas delas registraram melhorias nos dados envolvendo produção, receita líquida e lucro, por exemplo.
Por sua vez, a publicação Valor 1000, do Valor Econômico, compila anualmente o desempenho financeiro das mil maiores companhias brasileiras, ranqueadas por sua receita líquida. O levantamento também destaca as dez melhores empresas de diferentes setores com os melhores resultados consolidados de 2019 a partir de oito critérios avaliados, sendo que cada um deles tem peso diferente conforme sua relevância, chegando a uma nota final.
A receita líquida tem peso de 2,5 pontos, margem Ebitda, de 2 pontos e rentabilidade, de 1,5. Outros três critérios – margem da atividade, liquidez corrente e giro de ativo – contabilizam um ponto cada. Por fim, cobertura de juros e crescimento sustentável valem 0,5 ponto cada.
As melhores colocadas em cada critério recebem a melhor pontuação. Em um exemplo, no caso da receita líquida, que tem peso de 2,5, a primeira colocada ganha 25 pontos e a última, 2,5 pontos.
Ranking de excelência
Considerando os critérios adotados pela publicação, em 2019, a São Martinho figurou em primeiro lugar no ranking do setor de açúcar e álcool, com 47 pontos, repetindo a colocação vista em 2017. Em 2018, a companhia caiu uma posição, perdendo para a Copersucar.
Na publicação mais recente, a Copersucar ficou em quarto lugar, com 35 pontos. A empresa ainda é considerada a maior do setor por conta de sua receita líquida, que foi de R$ 29,9 bilhões no período analisado. Já considerando o ranking geral deste indicador, com todos os setores, a empresa caiu da 20ª para a 25ª posição entre 2018 e 2019.
Enquanto isso, no ranking setorial, a Adecoagro e a Jalles Machado subiram uma colocação, ficando em segundo e em oitavo lugares, respectivamente. Já a Tereos perdeu uma posição no ranking em relação ao publicado um ano antes, ficando em quinto.
A única empresa que permaneceu na mesma posição entre 2018 e 2019 foi a Lincoln Junqueira. Outras quatro companhias – Santa Isabel, Barralcool, Olho D’Água e Santa Adélia – entraram no ranking das dez melhores do setor, enquanto Bunge (atual BP Bunge), Biosev, Maringá e Goiasa saíram.
Além disso, no ranking que agrega todos os setores, a Biosev colecionou resultados negativos: a oitava colocação entre os maiores prejuízos líquidos, com R$ 1,55 bilhão; também a oitava entre os menores patrimônios líquidos; a 14ª dentre as empresas com menores margens líquidas; e a 17ª entre os menores índices de liquidez.

No quesito da receita líquida – o de maior peso na classificação das maiores do setor, bem como o critério de ranqueamento das mil maiores empresas – quem teve o melhor desempenho foi a Copersucar. Foram R$ 29,9 bilhões em 2019/20, um aumento de 2,71% no comparativo anual. Vale destacar que a Copersucar é uma trading que comercializa a produção de 35 usinas, mas não detém fabricação própria.
Por sua vez, a São Martinho ficou em quarto lugar, com receita líquida de R$ 3,7 bilhões em 2019/20, tendo ganhado uma colocação no comparativo com a publicação anterior. O aumento no indicador foi de 7,52% em relação ao divulgado no ano passado.
Além da receita líquida, a São Martinho marcou presença entre as dez melhores do setor nos quesitos margem Ebitda, rentabilidade, margem da atividade e cobertura de juros.
A Adecoagro também figura entre as dez maiores do setor em cinco dos oito critérios adotados: receita líquida, margem Ebitda, crescimento sustentável, margem da atividade e liquidez corrente.
Segundo a publicação do Valor, um aspecto que evitou a interrupção da moagem da Adecoagro durante a pandemia foi a ampliação da capacidade de estocagem. O investimento foi feito em 2019, acrescentando quatro tanques de 80 milhões de litros na unidade de Ivinhema (MS).
Ainda de acordo com o Valor 1000, a receita do grupo em 2019 foi de R$ 1,8 bilhão e o lucro líquido foi de R$ 233 milhões.
Além disso, a margem Ebitda da Adecoagro, calculada pela relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e a receita líquida, ficou em primeiro lugar no setor, com 66,4%; no ano anterior, a empresa obteve a quarta colocação. Por sua vez, a Jalles Machado, que estava em primeiro no ranking passado, ficou em terceiro na publicação mais recente, com margem Ebitda de 65,6%.
Já no crescimento sustentável, indicador dado pela relação entre a variação da receita líquida e o patrimônio ajustado, a Santa Adélia foi a sucroenergética de melhor desempenho. Um ano antes, na publicação referente aos resultados de 2018, a companhia sequer aparecia entre as dez melhores neste critério. Por outro lado, a Cerradinho – que foi a primeira colocada em 2018 – não consta no ranking mais recente.
O indicador de rentabilidade, calculado pelo lucro sobre o patrimônio líquidos, teve a sucroenergética Santa Isabel na dianteira, com desempenho de 29,1%. A empresa, que não apareceu no ranking de um ano antes, também obteve a primeira colocação em margem da atividade, dada pela relação entre o lucro da atividade e a receita líquida. Em 2018, o primeiro lugar era da São Martinho.
No quesito liquidez corrente, dado pelo ativo sobre o passivo circulantes, a Lincoln Junqueira e a Olho d’Água ficaram na primeira e segunda colocações, respectivamente, tendo as posições invertidas um ano antes.
No giro de ativo, que compara a receita líquida com o ativo total, a Copersucar manteve a dianteira. Já no critério de cobertura de juros, expresso pelo Ebitda sobre despesas financeiras, foi a Barralcool que manteve a primeira colocação entre o ranqueamento anterior e o mais recente.
São Martinho: disciplina financeira
Considerada a melhor empresa do setor sucroenergético em 2019, a São Martinho ficou na 195ª posição no ranking das mil maiores do Brasil, que observa o quesito da receita líquida. Com isso, a companhia ganhou uma posição no comparativo com o ranking de 2018.
Além disso, ela também foi escolhida “Empresa de Valor” pela publicação. Esta categoria coloca lado a lado as campeãs setoriais, considerando critérios de avaliação além dos contábeis, como governança corporativa, envolvimento social e respeito ao consumidor e ao meio ambiente.
Segundo a reportagem do Valor Econômico, a temporada 2019/20 foi a melhor para o grupo. Em dez anos, a sucroenergética triplicou de tamanho e multiplicou seu lucro líquido por seis. Outros números favoráveis foram o crescimento de 10% na receita líquida no comparativo com a safra anterior e o lucro líquido, que mais do que dobrou, chegando a R$ 639 milhões.
Ainda conforme a publicação, no período de oito safras, a companhia só teve uma queda na receita e redução no lucro apenas duas vezes. Neste mesmo intervalo, o volume de cana moída pela empresa aumentou 75%, com 22,6 milhões de toneladas na temporada 2019/20 e, segundo a publicação, o resultado de 2020/21 deve se aproximar ainda mais da capacidade instalada, de 24 milhões.
Outro aumento no período foi o da geração de valor por tonelada de cana moída, medido pelo Ebitda ajustado, que passou de R$ 51/t em 2012/13 para R$ 82/t em 2019/20. Já a alavancagem ficou em 1,55 vez e a liquidez corrente, em 2 vezes na última temporada.
As receitas do grupo também aumentaram em 2019/20. As vendas de etanol cresceram 6,9%, para R$ 2,1 bilhões, e as de açúcar ampliaram 12,1%, para R$ 1,2 bilhão. No final do primeiro trimestre de safra, de acordo com o Valor, a empresa já havia travado o preço de 872 mil toneladas de açúcar, garantindo uma receita de R$ 1,2 bilhão em 2020/21.
A publicação ainda cita que um “passo relevante” no crescimento horizontal da São Martinho foi a compra da participação da Petrobras na Nova Fronteira, joint venture que a sucroenergética tinha com a petroleira para a gestão da usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO). O movimento foi uma decisão da Petrobras como estratégia para obter recursos.
Além disso, a empresa também tem investido em automação agrícola, com uso de rede própria de internet e big data, e técnicas de plantio que integram adoção de mudas pré-brotadas e Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente (meiosi).
Quanto aos efeitos da pandemia para a companhia, a publicação cita a decisão de reavaliar o projeto de uma usina de etanol de milho e a retomada nos investimentos de ampliação da capacidade de cogeração em Pradópolis (SP). Além disso, há gastos com tecnologia 5G e adoção de drones para aplicação localizada de agrotóxicos.
Raízen: destaque no setor de petróleo e gás
Embora a Raízen Energia seja a maior sucroenergética do país, controlando 26 usinas, a empresa não figura no ranking dos dez melhores desempenhos do setor de açúcar e álcool. Os motivos não são números negativos – muito pelo contrário, já que a companhia possui bons resultados. Por conta da metodologia adotada pelo Valor 1000, as empresas do grupo foram reunidas e classificadas no setor de petróleo e gás, pois atuam com a distribuição de combustíveis.
Em 2019, a Raízen teve uma receita líquida de R$ 120,58 bilhões, ficando em quarto lugar no ranking geral por receita líquida, mesma colocação de um ano antes.
Este resultado fez com que o grupo obtivesse a nona colocação dentre as dez melhores do setor de petróleo e gás, com 22,5 pontos. Ainda assim, a Raízen só esteve presente entre as dez maiores em um dos oito critérios de análise – o de receita líquida, justamente o que rende maior pontuação.
Outro bom resultado foi a 16ª posição dentre os maiores lucros líquidos de todos os setores e empresas analisados pelo Valor 1000, com R$ 2,40 bilhões. A Raízen também ficou em 11º lugar entre os maiores Ebitdas, com resultado de R$ 9,03 bilhões, bem como em 19º dentre os maiores lucros líquidos, com R$ 3,4 bilhões.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana