Em análise envolvendo oito indicadores, trading desbanca a São Martinho e volta a ocupar a mesma posição de 2016; receita líquida é destaque
O setor sucroenergético já viu dias melhores. A produção de cana das safras mais recentes não tem ultrapassado as 600 milhões de toneladas, a produtividade está baixa e a área plantada não vê crescimento há anos. De acordo com o banco holandês Rabobank, isso indica uma estagnação do setor.
Porém, o banco também afirma, em relatório recente, que esses indicadores não deixam a situação do setor clara. Enquanto algumas empresas seguem com crescimento constante, recebendo boas ofertas de financiamento e mantendo um bom relacionamento com os fornecedores – o que resulta em custos competitivos e margens operacionais confortáveis –, também há companhias com altos níveis de alavancagem, cujas margens operacionais são frequentemente pressionadas e os investimentos quase não vêm.
Desta forma, um ranking das melhores empresas do setor pode trazer uma falsa sensação de avanço geral, que seria compartilhado por todas as companhias – pelo menos quando há melhorias nos indicadores individuais.
Os maiores destaques do setor sucroenergético figuram na lista Valor 1000, do Valor Econômico, que analisa o desempenho anual de empresas brasileiras. Na categoria açúcar e álcool, o ranking elenca as dez empresas do setor que tiveram os melhores resultados consolidados de 2018. São oito critérios avaliados, com diferentes pesos, e que configuram uma nota final.
A campeã do setor na edição mais recente voltou a ser a Copersucar, assim como em 2016 – ano passado, ela ocupou a segunda posição, atrás da São Martinho. Sua nota é maior do que a de 2017, porém, no ranking geral de receita líquida, que engloba todos os setores, a empresa caiu duas posições, passando da 18ª para a 20ª.
Além do ranking geral de excelência, conheça também as dez companhias com os melhores resultados em cada um dos oito critérios avaliados:
- Receita líquida (total vendido em milhões de reais)
- Margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida)
- Rentabilidade (lucro líquido sobre patrimônio líquido)
- Crescimento sustentável (variação da receita líquida sobre patrimônio ajustado)
- Margem da atividade (lucro sobre a receita líquida)
- Liquidez corrente (ativo circulante sobre passivo circulante)
- Giro do ativo (receita líquida sobre ativo total)
- Cobertura de juros (Ebitda sobre despesas financeiras)
O setor sucroenergético já viu dias melhores. A produção de cana das safras mais recentes não tem ultrapassado as 600 milhões de toneladas, a produtividade está baixa e a área plantada não vê crescimento há anos. De acordo com o banco holandês Rabobank, isso indica uma estagnação do setor.
Porém, o banco também afirma, em relatório recente, que esses indicadores não deixam a situação do setor clara. Enquanto algumas empresas seguem com crescimento constante, recebendo boas ofertas de financiamento e mantendo um bom relacionamento com os fornecedores – o que resulta em custos competitivos e margens operacionais confortáveis –, também há companhias com altos níveis de alavancagem, cujas margens operacionais são frequentemente pressionadas e os investimentos quase não vêm.
Desta forma, um ranking das melhores empresas do setor pode trazer uma falsa sensação de avanço geral, que seria compartilhado por todas as companhias – pelo menos quando há melhorias nos indicadores individuais.
Os maiores destaques do setor sucroenergético figuram na lista Valor 1000, do Valor Econômico, que analisa o desempenho anual de empresas brasileiras. Na categoria açúcar e álcool, o ranking elenca as dez empresas do setor que tiveram os melhores resultados consolidados de 2018. São oito critérios avaliados, com diferentes pesos, e que configuram uma nota final.
A campeã do setor na edição mais recente voltou a ser a Copersucar, assim como em 2016 – ano passado, ela ocupou a segunda posição, atrás da São Martinho. Sua nota é maior do que a de 2017, porém, no ranking geral de receita líquida, que engloba todos os setores, a empresa caiu duas posições, passando da 18ª para a 20ª.
No ranking das dez maiores do setor, a São Martinho caiu uma posição, ficando em segundo lugar. A Bunge, o grupo Maringá e a Jalles Machado também caíram entre os dois anos.
Por outro lado, a Biosev manteve a décima posição, enquanto a Tereos Internacional, o Grupo Lincoln Junqueira e a Goiasa entraram no ranking, tirando a Coprodia e as usinas Batatais e Bazan da lista.
Dentre todas as mil empresas que aparecem na publicação, o setor de açúcar e álcool está representado por 39 nomes, três a mais do que os 36 do ano anterior, e dez a mais do que os 29 de 2016.

A Copersucar se destaca também no ranking da receita líquida – que é inclusive, o que a coloca na 20ª posição dentre as mil empresas presentes na publicação. Com R$ 29,12 bilhões em 2018/19, ela teve uma receita 1,97% maior do que em 2017/18, quando foi de R$ 28,55 bilhões.
De acordo com a reportagem do Valor, em sete anos, o faturamento da empresa praticamente dobrou. “Esta também é sua quarta temporada seguida de lucro, que ficou em R$ 177 milhões”, completa.
No indicador da receita líquida, quase todas as usinas citadas na edição anterior da publicação se mantiveram entre as dez melhores do setor, e quase todas mantiveram a mesma posição. As alterações foram a entrada da Coruripe e da Delta Sucroenergia, graças à exclusão da Atvos e da Santa Terezinha. Isso ocorreu porque usinas que estão em recuperação judicial não são consideradas “campeãs” pela publicação, mesmo que tenham registrado receitas acima de R$ 2,15 bilhões em 2018/19, antes da entrada no pedido na justiça.
A Copersucar, trading que comercializa a produção de 35 usinas, também aparece dentre as dez melhores sucroenergéticas em crescimento sustentável, ocupando a sexta posição – no ano passado, a companhia não figurava neste indicador. Isso também ocorreu com a Cerradinho, que ocupa a primeira posição.
Em rentabilidade, a Copersucar aparece em sétimo lugar, subindo uma posição em relação ao ano anterior, com seu lucro líquido sobre patrimônio líquido passando de 19,5% para 20,2%. Neste indicador, o primeiro lugar foi ocupado pela Melhoramentos, que não aparecia no ranking em 2018 e apresentou quase o dobro de rentabilidade em relação à Maringá, que figura em segundo lugar.
A trading também está em primeiro lugar no giro do ativo, mantendo a posição de 2018, mas com a redução de 0,35 pontos no comparativo anual – passando de 3,46 para 3,11 pontos. Ainda assim, a companhia está com um resultado bastante superior ao do segundo lugar, o grupo Maringá, com 0,9 ponto.
Neste indicador, a média de todas as companhias do setor citadas pela publicação é superior ao resultado do sétimo lugar, tendo sido fortemente afetada pelo valor elevado registrado pela Copersucar.
Em relação aos outros indicadores, a Copersucar não é citada entre as 10 melhores do setor. Na margem Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a Jalles Machado se manteve em primeiro lugar, com um valor superior ao de 2018 – 70% contra 67,6%; já na margem da atividade, o grupo São Martinho se manteve na primeira posição com exatamente o mesmo valor do ano anterior, 23,1%.
O grupo Olho D’Água se manteve no primeiro lugar entre as dez empresas do setor com a melhor liquidez corrente, vendo uma melhora no indicador, e a Barralcool se manteve na primeira posição da cobertura de juros, porém, com uma redução de 12,8 pontos entre os dois anos.
O sucesso da logística e do etanol
Como a Copersucar foi a campeã de 2018 no setor de açúcar e álcool, a publicação do Valor Econômico traz dados mais aprofundados sobre a estratégia da empresa na safra 2018/19, com foco especial em entender como o resultado foi atingido.
De acordo com a reportagem, para melhorar seus números, a Copersucar está procurando realocar seu capital nas áreas mais promissoras em que atua: logística e vendas de etanol. Essa estratégia está sendo aplicada, pois, mesmo que o faturamento da empresa tenha crescido e ela esteja tendo lucro nos últimos anos, suas margens seguem apertadas – segundo a reportagem, uma “marca indelével de um negócio de commodities”. Nos últimos quatro períodos, a margem líquida da companhia sempre ficou abaixo de 1% e, no último exercício, ela foi de 0,6%, explica a publicação.
Assim, como detentora do Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), a trading direcionou seus esforços para a “operação de elevação de grãos para exportação”, conforme a reportagem, investindo em armazéns específicos. Essa foi uma saída para a baixa produção e exportação de açúcar na última safra.
Os serviços de logística corresponderam a um quinto do resultado bruto da Copersucar em 2018/19. O presidente da empresa, João Roberto Teixeira, reitera o dado: “O negócio de logística hoje é um dos principais da companhia, o que agrega mais valor”.
Além disso, Teixeira acredita que o bom momento do mercado de biocombustíveis – com os altos preços do petróleo favorecendo o etanol – reflete aspectos de uma mudança mais profunda. Para ele, “a demanda por etanol veio para ficar” e programas como o RenovaBio são um reflexo da demanda da sociedade por uma energia mais sustentável.
Para completar, o mercado de etanol nos Estados Unidos também tem se apresentado como um investimento promissor para a empresa, que é dona de uma das maiores comercializadoras do etanol americano, a Eco-Energy. A companhia já está investimento na ampliação da capacidade de armazenamento no país com o objetivo de absorver um eventual aumento na demanda por conta do incentivo a misturas maiores de etanol na gasolina, como o E15.
Desta forma, a reportagem conclui que “os próximos movimentos da Copersucar para ganhar capacidade de geração de valor devem seguir no rumo das parcerias e da diversificação geográfica”.
O caso Raízen
É sabido que a Raízen é a maior sucroenergética do país. Controladora de 26 usinas, a empresa sempre divulga resultados positivos e de destaque. Desta forma, seria esperado que ela estivesse entre as dez maiores do setor de açúcar e álcool.
Porém, todas as companhias do grupo foram agrupadas e classificadas dentro do setor de petróleo e gás, já que elas incluem a atuação no setor de distribuição de combustíveis. Com isso, a Raízen fica de fora do ranking das empresas do setor sucroenergético.
Com uma receita líquida de R$ 103,97 bilhões, o Grupo Raízen ocupa o nono lugar dentre as empresas de petróleo e gás – assim como no ano anterior –, com 24 pontos. Além disso, a companhia tem a quarta maior receita líquida dentre as mil empresas.
Considerando as dez maiores companhias do setor de açúcar e etanol, ela provavelmente figuraria no ranking, já que tem a mesma pontuação que as duas últimas colocadas, Jalles Machado e Biosev.
Rafaella Coury – NovaCana