Financeiro

Resultados de 14 sucroenergéticas em análise: 20 indicadores detalham a safra 2019/20

Levantamento do novaCana compara os resultados operacionais e financeiros de grupos na temporada encerrada em março deste ano; dados envolvem resultados líquidos, receitas, despesas, estoques, dívidas e outros pontos


novaCana.com - 25 ago 2020 - 10:33 - Última atualização em: 30 set 2020 - 14:53

A safra de cana-de-açúcar 2019/20 no Centro-Sul alcançou uma moagem de 590,36 milhões de toneladas conforme números da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). A temporada foi marcada por um crescimento anual de 3% na moagem e teve um grande volume direcionado para a produção de etanol, aproveitando um momento de mercado aquecido.

Os resultados financeiros das usinas refletem este cenário, com diversas companhias registrando aumentos de produção, de receita líquida e de lucro. O novaCana reuniu dados operacionais e financeiros de 14 grupos sucroenergéticos de diferentes portes, que somaram um processamento de 224,96 milhões de toneladas de cana na safra 2019/20 – montante equivalente a 38,1% da moagem da região Centro-Sul.

Para comparar estes desempenhos, foram utilizados 20 diferentes indicadores que colocam os resultados das empresas em uma mesma perspectiva, seja em relação à tonelada de cana, à capacidade de lucrar – vista por meio do Ebitda ajustado (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com a dedução de itens que as empresas julgam inadequados para medir seus desempenhos) –, às dívidas, ao tamanho da empresa (ativo ou patrimônio líquido) e a outros aspectos.

A capacidade de lucrar

Uma das métricas mais tradicionais do setor sucroenergético é a relação entre o Ebitda e a moagem. A partir deste número, é possível saber o quanto as empresas podem lucrar em um determinado período em relação à quantidade de cana colhida.

Na safra 2019/20, o melhor resultado neste sentido foi obtido pela SJC Bioenergia, com R$ 108,54/t. O valor também representa um crescimento de 31,5% ante o Ebitda ajustado de R$ 82,55/t visto na temporada anterior. Entretanto, é preciso considerar que a companhia também atua na fabricação de etanol de milho, tendo processado 392 mil toneladas do grão na safra 2019/20.

Na sequência estão a Adecoagro e a São Martinho, que obtiveram Ebitda ajustado de R$ 85,87/t e R$ 82,03/t, respectivamente. Estas foram as únicas companhias com resultado acima de R$ 80/t.

Em contrapartida, a Clealco apresentou o resultado mais baixo da amostra, com R$ 35,97/t – 66,9% abaixo do indicador da SJC Bioenergia. A companhia ainda registrou uma queda de 50,2% ante o resultado de 2018/19, quando obteve um Ebitda ajustado de R$ 72,20/t.

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Por sua vez, a Adecoagro ficou em primeiro lugar na análise da margem do Ebitda ajustado, que analisa a capacidade das empresas lucrarem em relação a suas receitas líquidas, com 51,65%. Na sequência, o melhor desempenho foi o da São Martinho, com 50,28%. Já SJC Bioenergia e Coruripe obtiveram 49,49% e 42%, respectivamente.

Do outro lado do ranking, a Raízen Energia apresentou a menor margem da amostra, com 11,19%. Na safra 2019/20, a sucroenergética teve um aumento de 37,1% em sua receita líquida; seu Ebitda ajustado, entretanto, não acompanhou esta elevação, tendo um crescimento anual de apenas 17,8%.

indicadores 201920 ebitda receita 060820

Além disso, em um setor que sofre com o alto endividamento, como é o caso do sucroenergético, é relevante analisar a cobertura de juros de uma empresa. Este cálculo considera o Ebitda ajustado das companhias e seus gastos com despesas financeiras – ou seja, ele mede o quanto as empresas lucram em relação a seus gastos com o pagamento de juros.

Mais uma vez, a Adecoagro é a companhia com o melhor resultado na safra 2019/20, com 4,73 pontos. Este desempenho ficou bastante próximo ao da São Martinho, 4,46 pontos, mas ficou 86,1% acima do resultado da Raízen Energia, 2,54 pontos, ficando em terceiro lugar. Nas quarta e quinta posições, Biosev e SJC Bioenergia também obtiveram mais de 2 pontos.

Para este indicador, o resultado mais baixo foi o da Coruripe, 0,78 ponto. A empresa também foi a única da amostra a ficar abaixo de 1 ponto, o que significa que suas despesas com o pagamento de juros durante a safra 2019/20 ficaram acima de seu Ebitda ajustado.

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Os grupos Balbo, Batatais, Cerradinho e Colombo, embora façam parte da amostra, não divulgaram seu Ebitda ajustado referente à safra 2019/20.

As receitas e os bons negócios

Entre os 14 grupos sucroenergéticos analisados pelo novaCana, 13 registraram uma elevação na receita líquida durante a safra 2019/20. Em grande parte, o resultado foi motivado por maiores moagens e um crescimento nas vendas de etanol.

A única exceção foi a Clealco, que apresentou uma queda anual de 25,7% em sua receita líquida, indo de R$ 778,41 milhões para R$ 619,46 milhões. Em recuperação judicial desde julho de 2018, o grupo optou por manter apenas uma de suas três unidades em operação na temporada e também apresentou queda no volume de cana-de-açúcar processada.

Observando a relação entre a receita líquida e a moagem, a Clealco obteve o pior resultado da amostra, com R$ 150,54/t. A companhia ficou à frente de empresas como a Coruripe, com R$ 159/t, e a Batatais – em seu primeiro resultado após a cisão entre a usina de mesmo nome e a unidade Lins –, com R$ 159,98/t.

Na outra ponta, o melhor desempenho foi o da Raízen Energia, com R$ 515,06/t. Entretanto, 26,5% da receita da companhia na safra 2019/20 foi contabilizada dentro da categoria “outros produtos e serviços”. Segundo a Cosan, ela é composta pela importação de derivados de petróleo e outros produtos e serviços não identificados.

Em segundo lugar, o grupo Balbo obteve uma receita líquida de R$ 327,73/t. O valor representa uma leve elevação de 0,38% ante o resultado de 2018/19, quando a companhia registrou uma receita líquida de R$ 326,49/t.

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Outro indicador que compara a receita das companhias é o giro do ativo. Neste caso, os rendimentos são colocados em relação ao tamanho da empresa, contabilizado no ativo total. Assim, resultados mais altos significam que houve mais vendas em uma mesma base de ativos.

Aqui, a Raízen Energia volta a apresentar o melhor resultado da amostra, com 0,68 ponto. Além dela, Colombo e Balbo também ficaram acima de 0,6 ponto. Em contrapartida, Coruripe, São Martinho e Atvos tiveram os piores resultados, com 0,32, 0,3 e 0,27 pontos, respectivamente.

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Por fim, a comparação entre a receita líquida e o Ebitda ajustado traz a disparidade entre o quanto a empresa recebeu por seus produtos e sua capacidade de lucrar com eles – uma forma diferente de observar os mesmos dados já utilizados para calcular a margem do Ebitda ajustado. Aqui, quanto maior o resultado, maior a necessidade de receita para a obtenção do mesmo lucro.

Desta forma, ao contrário do que foi observado nos dois comparativos anteriores, a Raízen Energia registrou o pior resultado da amostra, com 8,94 vezes. O valor é mais que o dobro do registrado pela Biosev: com 4,21 vezes, a companhia teve o segundo resultado mais fraco entre as empresas analisadas.

Isto aconteceu porque, embora a receita da companhia seja bastante elevada – tanto em comparação com a moagem quanto em relação ao tamanho da empresa –, ela não gerou lucro com a mesma eficiência das demais sucroenergéticas. Entre os principais fatores para isto estão custos elevados de produção e outras despesas.

Já o melhor resultado neste indicador para a safra 2019/20 foi registrado pela Adecoagro, com uma relação de 1,94 vez. Além dela, apenas a São Martinho obteve um indicador abaixo de 2 vezes, com 1,99 vez.

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Os grupos Balbo, Batatais, Cerradinho e Colombo não divulgaram seus Ebitdas ajustados.

O impacto dos custos de produção

Os elevados custos de produção da Raízen Energia em relação à receita obtida com a venda dos produtos, aliás, podem ser observados no indicador que compara justamente estes dois resultados. Na safra 2019/20, os custos representaram 92,22% das receitas da companhia.

Vale observar que, além de contabilizar receitas com a importação de derivados de petróleo e outros produtos e serviços, a Raízen Energia coloca em seus custos de produção o resultado de operações de revenda de açúcar, revenda e trading offshore de etanol e trading de energia elétrica, incluindo os volumes comercializados pela WX Energy, comercializadora de energia que é controlada pela empresa desde 2018.

Do outro lado do espectro, a Colombo registrou custos de produção equivalentes a 65,69% da sua receita líquida.

Além disso, em comparação com a safra anterior, 12 das 14 companhias analisadas registraram melhora neste indicador. As exceções foram a Balbo – que subiu de 68,99% para 71,21% – e a Clealco, que passou de 78,66% para 88,94%.

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Quando os custos são comparados à moagem, porém, um número maior de usinas contabilizou um aumento nas despesas. São elas: Adecoagro, Clealco, SJC Bioenergia, Atvos, Cerradinho, Biosev, Balbo e Raízen.

Por sua vez, Batatais, São Martinho, Coruripe, Zilor e Tereos tiveram redução na comparação anual. Já o resultado da Colombo referente à safra 2018/19 não pôde ser calculado por falta de dados.

Neste caso, o melhor resultado foi o da Coruripe, com custos de R$ 107,82/t. Em contrapartida, a Raízen registrou gastos 533,4% maiores na comparação anual, com R$ 475,01/t.

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Outra maneira de olhar para os custos de produção é comparando com o Ebitda ajustado da companhia – ou seja, as despesas em relação à capacidade de lucrar.

Neste caso, o resultado mais baixo da amostra foi o da São Martinho, com 1,36 vez. Além dela, Adecoagro, SJC Bioenergia e Coruripe também registraram custos inferiores a 2 vezes o tamanho do Ebitda ajustado.

Para completar, estas três empresas e a Zilor – que ocupa a sexta posição – foram as únicas a registrar uma redução neste indicador em comparação com a safra anterior. Entretanto, os grupos Balbo, Batatais, Cerradinho e Colombo não divulgaram seus Ebitdas ajustados.

Novamente, o resultado mais elevado foi o da Raízen Energia, com 8,24 vezes. Caso a empresa fosse desconsiderada, os valores mais altos seriam os da Biosev e da Clealco, ambas com custos equivalentes a 3,72 vezes o Ebitda.

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Outro parâmetro calculado a partir dos custos de produção é o giro dos estoques. Este indicador compara os gastos realizados ao longo de toda a temporada com o valor dos produtos mantidos em estoque no momento do encerramento da safra.

No caso da Biosev, isto significa que os custos totais da temporada equivalem a 1,96 vez o valor dos estoques – a companhia foi a única a registrar um resultado abaixo de 2 vezes. Para a Raízen, no entanto, este resultado chega a 21,33 vezes.

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Como a posição dos estoques ao final da safra é bastante variável, indo de acordo com as estratégias adotadas pelas empresas a cada ciclo, este indicador deve ser observado caso a caso.

Em comparação com o resultado visto ao final da safra 2018/19, por exemplo, cinco grupos da amostra apresentaram um aumento no indicador. São elas: Coruripe, Batatais, Adecoagro, SJC Bioenergia e Clealco. Mesmo com a elevação, a Coruripe segue com alguns dos resultados mais baixos da amostra, enquanto SJC Bioenergia e Clealco estão entre os mais altos.

Resultado na prática

Além de analisar o Ebitda ajustado, também é possível considerar o resultado líquido das empresas. Ou seja, passam a entrar na conta os gastos com juros e impostos, além de depreciações, amortizações e os demais itens que as empresas julgam inadequados para medir seus desempenhos operacionais.

No setor sucroenergético, uma das principais comparações neste sentido é a relação entre o resultado líquido e a moagem. Em 2019/20, o setor registrou um crescimento no volume de cana colhida, mas isso não se refletiu proporcionalmente nos resultados.

Em comparação com 2018/19, Balbo, São Martinho, SJC Bioenergia, Cerradinho, Zilor, Batatais, Tereos e Atvos apresentaram uma melhora neste indicador – ainda que as duas últimas tenham permanecido com prejuízo líquido. Já Adecoagro, Coruripe, Raízen, Biosev e Clealco contabilizaram queda. O resultado da Colombo em 2018/19 não pôde ser calculado.

Em 2019/20, a sucroenergética com o maior lucro em relação à moagem foi a Balbo, com R$ 40,94/t. O resultado é 12,1% maior que os R$ 36,51/t vistos na safra anterior, além de estar 45,1% acima do desempenho da segunda colocada; a São Martinho apresentou um lucro de R$ 28,22/t.

Já a Clealco teve um prejuízo de R$ 69,66/t – 335,8% maior que as perdas de R$ 15,98/t contabilizadas em 2018/19. Além dela, Tereos, Atvos e Biosev também registraram prejuízo na última temporada.

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Já em comparação com o patrimônio líquido de cada empresa – ou seja, seu tamanho (já desconsiderando passivos) –, os resultados trazem um indicador chamado rentabilidade ou Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês).

Neste caso, o melhor resultado foi o da Zilor, com 24,38%. A companhia foi seguida de perto pela SJC Bioenergia, com 24,18%. Além delas, apenas a Balbo registrou resultados acima de 20%. Isso significa que, a cada real investido pelos acionistas, cada uma dessas empresas lucrou ao menos R$ 0,20.

Em contrapartida, Tereos e Atvos tiveram rentabilidades negativas. A primeira registrou uma perda de 5,53% após um prejuízo de R$ 121 milhões na safra 2019/20. Ainda assim, o resultado foi melhor que o de 2018/19, quando a rentabilidade foi negativa em 20,13%, após uma perda líquida de R$ 401 milhões na temporada.

Já a Atvos teve um indicador negativo em 135,10%. Isso aconteceu porque a companhia teve um prejuízo de R$ 1,44 bilhão na última temporada, um valor superior ao patrimônio líquido da empresa, R$ 1,06 bilhão. Em 2018/19, aliás, o resultado também havia sido negativo, mas em 46,33%.

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Embora façam parte da amostra, Biosev e Clealco não estão no comparativo por terem declarado patrimônio líquido negativo em 2019/20, o que distorce o indicador. Um patrimônio líquido negativo acontece quando os valores das obrigações superam a soma de todos os ativos de uma empresa.

Saúde financeira das empresas

Quando o assunto é a obtenção de crédito e a análise do risco das sucroenergéticas, um dos principais indicadores a ser observado é a liquidez corrente. Este valor é calculado pela relação entre o ativo circulante (recursos que podem ser convertidos em finanças no curto prazo) e o passivo circulante (contas que precisam ser pagas nos próximos 12 meses). Em outras palavras, este indicador mede a capacidade da empresa em arcar com suas obrigações.

No momento do fechamento da safra 2019/20, 11 das 14 companhias analisadas apresentaram resultados inferiores aos vistos exatamente um ano antes, indicando uma piora na liquidez do setor. As exceções foram Balbo, Zilor e Clealco – ainda assim, esta última obteve um dos menores resultados, com 0,58 ponto.

Além da Clealco, Coruripe, Biosev e Atvos também tiveram resultados inferiores a 1 ponto, com 0,75, 0,46 e 0,23 ponto, respectivamente. Isso significa que as quatro empresas têm mais contas a pagar do que dinheiro disponível em caixa.

Por sua vez, Batatais, Adecoagro, Balbo e São Martinho registraram liquidez acima de 2 pontos. Ou seja, o dinheiro disponível seria mais que o dobro do necessário para arcar com todas as despesas.

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Outra forma de olhar para a saúde financeira das usinas é por meio do grau de endividamento. Neste caso, o passivo total – curto, médio e longo prazos – é colocado em relação ao total dos ativos.

Novamente, o quadro geral trouxe uma piora nos resultados, com 13 empresas da amostra apresentando um aumento no indicador. A exceção foi a SJC Bioenergia, que passou de 71,59% em 2018/19 para 71,33% em 2019/20.

Ainda assim, o desempenho mais favorável na última temporada foi o da Balbo, com 61,97%. Em contrapartida, a Biosev registrou 107,49% e a Clealco obteve 206,73% – ou seja, ambas possuem despesas superiores ao tamanho total da empresa.

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O peso da dívida

Bastante usada por investidores, a alavancagem das empresas mede o risco das operações, pois compara sua dívida líquida com seus patrimônios líquidos. É importante, porém, observar que uma alavancagem alta não necessariamente implica em um indicador ruim – afinal, altos riscos podem implicar em ganhos mais elevados no futuro.

No entanto, devido aos altos endividamentos registrados nos últimos anos, diminuir a alavancagem se tornou um objetivo comum entre as sucroenergéticas.

Ao mesmo tempo, em sua palestra na Conferência NovaCana 2019, o analista sênior de agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Bellotti de Melo, afirmou que uma alavancagem de até 3,5 vezes é considerada saudável dentro dos parâmetros do banco para o setor. De acordo com ele, isso significa que muitas empresas têm capacidade para investir – e arriscar – mais.

De fato, das 14 companhias analisadas, apenas duas registraram índices acima de 3,5 vezes na safra 2019/20: a Batatais, com 4,05 vezes, e a Atvos, com 10,70 vezes. Além disso, Biosev e Clealco foram retiradas do comparativo por terem declarado patrimônio líquido negativo em 2019/20, o que distorce o indicador.

Por sua vez, Adecoagro, Balbo, Cerradinho, São Martinho e Colombo apresentaram alavancagens inferiores a 1 vez. Isso significa que a dívida líquida destes grupos é menor que seu patrimônio líquido.

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Já em relação à moagem registrada na safra 2019/20, a disparidade na posição da dívida líquida das sucroenergéticas fica ainda mais evidente. Enquanto a Adecoagro registrou um débito de R$ 24,73/t, a Atvos apresentou um valor 1.625,1% maior, R$ 426,66/t.

Além disso, apesar da maior moagem na temporada, nem todas as companhias tiveram uma redução neste índice em comparação com o resultado de 2018/19. Entre as 14 empresas da amostra, apenas Cerradinho, Zilor, Batatais, Balbo e SJC Bioenergia diminuíram o endividamento líquido ante a moagem.

O resultado da Colombo na safra passada, porém, não pôde ser calculado.

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Por fim, outra maneira de comparar a dívida das sucroenergéticas é comparando este valor ao Ebitda ajustado.

Novamente, o melhor desempenho foi o da Adecoagro, com um endividamento de 0,29 vez – o único desempenho abaixo de 1 vez. Na sequência, a SJC Bioenergia registrou 1,1 vez e a São Martinho obteve 1,55 vez.

Em contrapartida, Clealco e Atvos apresentaram os endividamentos mais altos da amostra, com 7,36 vezes e 7,47 vezes, respectivamente. Isto significa que, para lucrar o suficiente para liquidar suas dívidas atuais, estas companhias teriam que apresentar o resultado de mais de sete safras.

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Os grupos Balbo, Batatais, Cerradinho e Colombo não fazem parte deste comparativo porque não divulgaram seus Ebitdas ajustados referentes à safra 2019/20.

Juros, impostos, câmbio e gastos administrativos

Os resultados financeiros divulgados pelas sucroenergéticas também permitem que sejam feitos comparativos entre gastos que vão além dos custos de produção de açúcar, etanol e energia elétrica.

Em relação às despesas gerais e administrativas, por exemplo, a SJC Bioenergia apresentou a estrutura mais enxuta em relação à moagem, com gastos de R$ 5,19/t. Na sequência, estão a Clealco, com R$ 8,17/t, e a Colombo, com R$ 8,24/t. Já Tereos, Biosev e Balbo apresentaram as despesas mais elevadas da amostra, com gastos administrativos equivalentes a R$ 17,13/t, R$ 17,19/t e R$ 19,31/t, respectivamente.

Entre as 14 empresas analisadas, apenas Coruripe e Zilor registraram uma queda neste indicador. A primeira passou de R$ 9,73/t em 2018/19 para R$ 8,71/t em 2019/20, enquanto a segunda foi de R$ 12,94/t para R$ 11,72/t. Os resultados da Colombo referentes a 2018/19 não puderam ser calculados.

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Já em relação às despesas financeiras, apenas a Clealco divulgou uma redução nos valores despendidos com o pagamento de juros em relação à moagem, que passaram de R$ 23,31/t em 2018/19 para R$ 22,84/t na temporada mais recente. Isto aconteceu porque, embora a companhia tenha registrado uma queda de 29,1% na moagem entre as duas safras, a redução nas despesas financeiras foi ainda maior, chegando a 30,5%.

De qualquer forma, a sucroenergética com os menores gastos para o pagamento de juros em 2019/20 foi a Adecoagro, com R$ 18,17/t. Além dela, apenas a São Martinho ficou abaixo da marca de R$ 20/t, com R$ 18,37/t.

Em contrapartida, a Coruripe apresentou o valor mais alto da amostra, com despesas de R$ 85,53/t. Recentemente, a companhia anunciou um acordo com os bancos Itaú e Rabobank para reestruturar uma dívida de R$ 1,7 bilhão e ampliar prazos de pagamento.

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É preciso considerar, entretanto, que as despesas financeiras podem ser contrabalanceadas pelas receitas. Este valor pode ser obtido por meio de juros recebidos, restituições de impostos, correções monetárias e desempenho de derivativos. Além disso, o impacto cambial também tem uma influência relevante no desempenho das sucroenergéticas, uma vez que o açúcar é precificado em dólar e muitas usinas possuem dívidas em moeda estrangeira.

Em 2019/20, a única companhia da amostra a registrar um resultado financeiro positivo foi a Colombo, com R$ 7,57 milhões. Quando colocado em relação à moagem, este resultado registra uma receita de R$ 0,84/t.

Entre as empresas que tiveram prejuízo em seu resultado financeiro, o menor impacto por tonelada de cana-de-açúcar foi o da Tereos, com perdas de R$ 14,68/t. Por sua vez, Atvos, Coruripe e Biosev apresentaram resultados negativos em R$ 50/t, R$ 52,30/t e R$ 87,92/t, respectivamente.

Segundo a Biosev, porém, este valor foi parcialmente compensado pelo aumento da receita líquida na safra. “Os resultados foram impactados principalmente pela variação cambial, por menores ganhos na liquidação e marcação a mercado de posições em derivativos e por menores rendimentos de aplicações financeiras no período”, justifica.

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Entre as 14 companhias analisadas, apenas Balbo e SJC Bioenergia registraram uma melhora no indicador entre as duas últimas safras. A primeira reduziu as perdas por tonelada em 3,2%, enquanto a segunda teve uma diminuição de 23,7%.

Assim como nos dois indicadores anteriores, não foi possível realizar o comparativo anual entre os dados da Colombo.

Renata Bossle – novaCana.com


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