São Francisco de Itabapoana (RJ) apresentou o canavial mais rentável do ano; média nacional subiu 12,2% na comparação anual
A safra 2020/21 foi de crescimento para os produtores de cana-de-açúcar no Brasil. Além de um aumento de moagem, que alcançou a marca de 605,46 milhões de toneladas no Centro-Sul, de acordo com dados da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), o setor também viu o crescimento da produtividade média, que chegou a 77,9 toneladas por hectare.
Entretanto, os custos de produção também aumentaram. Segundo o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), os custos da cana-de-açúcar alcançaram a marca de R$ 9.184,60 por hectare, aumento de 7,5% em relação ao ciclo anterior.
Ainda de acordo com o instituto, apesar de o começo da safra 2020/21 ter sido promissor, a pandemia de coronavírus e as medidas de restrição, que afetaram diretamente a mobilidade urbana, pressionaram o preço do etanol. Mesmo assim, foi possível aliviar o impacto nos custos de produção com os bons preços do açúcar e a receita extra da cogeração de energia.
Neste contexto, os canaviais também se valorizaram em 2020. A partir do valor pago pela tonelada de cana e do rendimento de cada município brasileiro – dados divulgados anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – o NovaCana calculou a movimentação gerada por cada hectare de cana.
No período de janeiro a dezembro, na média nacional, o setor pagou R$ 6.071,48 por hectare colhido, crescimento de 12,2% ante 2019. Este também é o maior valor registrado na série histórica começada em 2007, ano em que o país registrou o menor valor, com R$ 2.695/ha.
O preço pago por uma tonelada de cana, por sua vez, teve um aumento de 10,8%, totalizando R$ 80,31/t. Novamente, este é o maior valor da série histórica, que pelos últimos três anos se manteve estável em torno de R$ 70/t.
Dentre os quinze estados com canaviais mais rentáveis de 2020, apenas o Maranhão contabilizou queda entre os dois últimos anos. Já entre as cinco principais cidades produtoras de cana em 2020, todas registraram aumento – o maior, 19,9%, foi em Nova Alvorada do Sul (MS), que passou de R$ 5.831,81/ha para R$ 6.989,66/ha em 2020.

Confira na reportagem completa, exclusiva para assinantes, as cidades e os estados com os canaviais mais valiosos de 2020. O texto ainda inclui comparações com os resultados registrados em 2019.
A safra 2020/21 foi de crescimento para os produtores de cana-de-açúcar no Brasil. Além de um aumento de moagem, que alcançou a marca de 605,46 milhões de toneladas no Centro-Sul, de acordo com dados da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), o setor também viu o crescimento da produtividade média, que chegou a 77,9 toneladas por hectare.
Entretanto, os custos de produção também aumentaram. Segundo o Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), os custos da cana-de-açúcar alcançaram a marca de R$ 9.184,60 por hectare, aumento de 7,5% em relação ao ciclo anterior.
Ainda de acordo com o instituto, apesar de o começo da safra 2020/21 ter sido promissor, a pandemia de coronavírus e as medidas de restrição, que afetaram diretamente a mobilidade urbana, pressionaram o preço do etanol. Mesmo assim, foi possível aliviar o impacto nos custos de produção com os bons preços do açúcar e a receita extra da cogeração de energia.
Neste contexto, os canaviais também se valorizaram em 2020. A partir do valor pago pela tonelada de cana e do rendimento de cada município brasileiro – dados divulgados anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – o NovaCana calculou a movimentação gerada por cada hectare de cana.
No período de janeiro a dezembro, na média nacional, o setor pagou R$ 6.071,48 por hectare colhido, crescimento de 12,2% ante 2019. Este também é o maior valor registrado na série histórica começada em 2007, ano em que o país registrou o menor valor, com R$ 2.695/ha.
O preço pago por uma tonelada de cana, por sua vez, teve um aumento de 10,8%, totalizando R$ 80,31/t. Novamente, este é o maior valor da série histórica, que pelos últimos três anos se manteve estável em torno de R$ 70/t.
Dentre os quinze estados com canaviais mais rentáveis de 2020, apenas o Maranhão contabilizou queda entre os dois últimos anos. Já entre as cinco principais cidades produtoras de cana em 2020, todas registraram aumento – o maior, 19,9%, foi em Nova Alvorada do Sul (MS), que passou de R$ 5.831,81/ha para R$ 6.989,66/ha em 2020.
As 100 cidades com canaviais mais valiosos
Assim, a relação das 100 cidades onde cada hectare de cana gerou mais receita inclui 25 municípios paulistas, 24 goianos, 23 sul-mato-grossenses, nove mineiros, cinco pernambucanos, cinco paranaenses e três potiguares. Os estados de Tocantins, Pará, Piauí, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro aparecem na lista com um representante cada.
Para o cálculo, o NovaCana considerou apenas municípios com produções acima de 300 mil toneladas.
Dentro do ranking, o valor da cana em relação à área colhida foi de R$ 6.989,66/ha a R$ 16.285,71/ha. Embora apenas 14 cidades tenham apresentado valores acima do custo de produção calculado pelo Pecege, de R$ 9.184,60/ha, isso não necessariamente implica em prejuízo, já que se trata de valores médios e obtidos com metodologias distintas. Por sua vez, o preço pago pela tonelada da cultura ficou entre R$ 72 e R$ 380.
Em 2020, São Francisco de Itabapoana (RJ) foi o município que registrou os maiores índices, tanto no valor da cana em relação à área, com R$ 16.285,71/ha, quanto pelo preço pago pela tonelada de cana, que chegou a R$ 380. No ano anterior, a cidade ficou na 98ª posição, com seu canavial valendo R$ 2.701,01/ha; entre os dois anos houve um aumento de 503%.
Em segundo lugar ficou a cidade de Juazeiro (BA), com canaviais valendo R$ 11.681,90/ha, um aumento de 35,7% em relação ao período anterior, quando ficou na nona posição com R$ 8.611,53/ha. O município, inclusive, foi campeão de produtividade em 2020, com um rendimento de 151,71 t/ha.
Em seguida, a cidade de Taquassu (MS) teve uma média de R$ 10.240,14/ha, crescimento de 59,5% em relação a 2019.
Jataí (GO) ficou em quarto lugar e foi uma das únicas cidades dentre as 20 maiores que registrou queda no valor de seus canaviais. Os R$ 10.200,00/ha vistos em 2020 representam uma queda de 32% ante os R$ 15.000,00 de 2019, quando a cidade ficou na segunda posição do ranking.
Na sequência, Batayporã (MS) aparece na quinta colocação com uma receita de média de R$ 10.135,75/ha, aumento de 58,5% entre os períodos analisados.
Na lista das 20 cidades com canaviais mais valiosos, 15 cidades mudaram de lugar no ranqueamento.
A paraense de Ulianópolis, que a princípio liderou o ranking do ano anterior com R$ 21.000/ha, teve seus valores foram corrigidos pelo IBGE para R$ 6.790/ha. Em 2020, o município aparece na 31ª posição do ranking, com seus canaviais valendo R$ 8.142/ha, aumento de 19,9% ante o total revisado de 2019.
Já Serranópolis (GO) teve seus canaviais desvalorizados em 25,3%, caindo da quarta colocação para a 29ª, com R$ 8.200/ha. Enquanto isso, Mineiros (GO) viu a receita de seus canaviais cair 29,9% em 2020, fechando em R$ 7.380/ha; com isso, o município passou da quinta colocação no ranking para a 67ª. Saíram da lista também a cidade goianiense Perolândia (83ª) e a piauiense União (23ª).
Por outro lado, as cidades que entraram na lista apresentaram uma alta valorização de seus canaviais. São Francisco de Itabapoana (RJ), nova líder do ranking, por exemplo, aumentou em mais de 500% a receita média da cultura por hectare plantado, totalizando R$ 16.286/ha – em 2019 o município contabilizou R$ 2.701/ha, ficando de fora da lista.
O segundo maior aumento, de 59,5%, foi registrado pelo município de Taquarussu (MS), que contabilizou uma receita média de R$ 10.240/ha em seus canaviais. Atualmente quinta colocada na lista, Batayporã (MS) estava em 74ª em 2019, apresentando um acréscimo de 58,5% entre os dois últimos anos.
Com um crescimento de 10% entre os dois últimos anos, Jaíba (MG) foi a única cidade que manteve a mesma posição, sendo a sétima colocada em ambas as listas e, atualmente, com R$ 9.912,01/ha.
Entre as maiores produtoras de cana-de-açúcar em 2020, Rio Brilhante (MS) foi a cidade que apresentou o canavial mais valioso, com R$ 7.919,05/ha, aumento de 36,2% na comparação anual. Na lista das maiores produções de cana-de-açúcar de 2020, o município aparece em terceiro lugar, com 6,51 milhões de toneladas.
Já Morro Agudo (SP), segunda colocada no ranking de produção, teve um aumento de 33,3% na receita de seus canaviais, registrando R$ 7.700/ha em 2020.
Os municípios de Quirinópolis (GO) e Nova Alvorada do Sul (MS), que ficaram em quarto e quinto lugares no ranking de produção, também apresentaram crescimento nas receitas de seus canaviais, fechando 2020 com R$ 7.004,85/ha e R$ 6.989,66/ha, respectivamente.
Uberaba (MG), a campeã de produção em 2020, não registrou uma alteração muito visível na valorização de seus canaviais, com R$ 6.199,20/ha – 2% acima do valor visto no ano anterior.

Mesmo com a alta produção, as cinco cidades têm pouco destaque no ranking dos canaviais mais valiosos. Rio Brilhante (MS) aparece na 42ª posição; Morro Agudo (SP), na 48ª; Quirinópolis (GO), na 95ª; e Nova Alvorada do Sul fecha o ranking em 100º lugar. Já Uberaba (MG) ocupa a 217ª posição.
A relação com todas as cidades brasileiras, incluindo dados como área colhida, produção, rendimento e valor pago por hectare colhido, está disponível no NovaCana DATA.
Tocantins tem os canaviais mais valiosos do Brasil
Dos 16 estados com produção acima de dois milhões de toneladas, oito apresentaram um resultado maior do que a média nacional, de R$ 6.071,48/ha. Em 2020, o primeiro lugar ficou com Tocantins, que registrou R$ 8.243,03/ha, aumento de 30,9% em relação ao ano anterior. O estado pagou uma média de R$ 104,09 por tonelada de cana-de-açúcar.
O Rio Grande do Norte aparece em segundo lugar, com seus canaviais valendo R$ 8.139,04/ha em 2020, crescimento de 23,2% na comparação anual. Ele é seguido por Mato Grosso do Sul, com uma receita média de R$ 7.546,96/ha.
O Rio de Janeiro subiu dez posições entre os dois últimos anos, estando agora em quarto lugar. Seus canaviais valeram R$ 7.403,86/ha, aumento de 125,4% – o mais expressivo do ranking. O estado carioca também pagou o mais alto valor por tonelada de cana em 2020, R$ 170,16.
Líder em 2019, Goiás agora aparece em quinto lugar, com uma receita média de R$ 6.897,46/ha em seus canaviais, elevação de 2,1% ante o ano anterior.
A única variação negativa entre os estados foi registrada pelo Maranhão, que em 2020 registrou R$ 5.203,05/ha, 1,5% a menos do que o total visto no ano anterior. Desta forma, o estado caiu da sétima para a 13ª colocação.
Campeão entre os estados que mais produziram cana-de-açúcar em 2020, São Paulo ficou em nono lugar na relação dos canaviais mais valiosos do Brasil, com R$ 5.899,14/ha, caindo uma posição ante o ano anterior.
Já Minas Gerais, o segundo maior estado produtor, ficou em sétimo lugar na lista, com uma receita média de R$ 6.171,50/ha. No ano anterior, o estado mineiro apareceu na quarta posição do ranking.

Mato Grosso do Sul, que produziu mais de 20 milhões de toneladas em 2020, aparece em terceiro na lista dos canaviais mais valiosos, com R$ 7.546,96/ha. Com o aumento de 26,97% na comparação anual, o estado subiu duas posições no ranking.
Por fim, o Paraná perdeu uma colocação, ficando em 12º lugar ao registrar uma receita média de R$ 5.338,56/ha em 2020, 14,72% acima do valor de um ano antes.
NovaCana DATA
Giully Regina – NovaCana