A companhia, que controla a usina Jacarezinho, teve um resultado líquido de R$ 182,88 milhões
Entre as companhias que aproveitaram o bom momento dos preços de produtos sucroenergéticos em 2021/22 está o grupo Maringá. Os negócios voltados ao setor de açúcar e etanol da empresa viram um aumento não só em seus índices financeiros como também nos produtivos.
Os dados levam em conta os resultados da usina Jacarezinho, a Canavieira Jacarezinho e, agora, também Maringá Energia – braço da empresa com foco na cogeração a partir do bagaço de cana resultante da produção de açúcar e etanol. Além do setor sucroenergético, o grupo também controla empresas na área siderúrgica, com a Maringá Ferro-Liga.
No setor de açúcar e etanol, o diretor corporativo da companhia, Eduardo Lambiasi, aponta que o ano foi desafiador, mas que alguns fatores contribuíram para o crescimento da companhia. Além das chuvas pontuais na região da usina Jacarezinho, no norte pioneiro do estado do Paraná, ele também registra “um comportamento bastante ativo no sentido de replantio e boas práticas agrícolas”.
Durante a safra 2021/22, a moagem do grupo foi de 2,43 milhões de toneladas e a expectativa é de crescimento. De acordo com Lambiasi, é possível que a próxima temporada tenha uma produção de até 2,6 milhões de toneladas.
Com essa moagem, a Maringá também registrou uma produção de 167,89 mil toneladas de açúcar e 94,7 milhões de litros de etanol.
Lambiasi aponta que uma das estratégias de crescimento da empresa é justamente a diversificação de produtos, com o início da fabricação de açúcar refinado e etanol anidro, assim como a flexibilização do mix de produção. Da mesma forma, o início da comercialização de energia a partir da cogeração foi um complemento para os resultados.
No âmbito financeiro, a companhia também registrou ganhos. Considerando o período entre janeiro e dezembro e o desempenho das três empresas, o grupo somou um resultado líquido de R$ 182,88 milhões ao final de 2021. Ou seja, a Maringá mais que dobrou seu lucro, que no ano anterior foi de R$ 86,52 milhões.
Confira no texto completo, exclusivo para assinantes, gráficos e mais detalhes acerca do crescimento da Maringá, perfil das dívidas e, também, uma projeção para o futuro da companhia.
Entre as companhias que aproveitaram o bom momento dos preços de produtos sucroenergéticos em 2021/22 está o grupo Maringá. Os negócios voltados ao setor de açúcar e etanol da empresa viram um aumento não só em seus índices financeiros como também nos produtivos.
Os dados levam em conta os resultados da usina Jacarezinho, a Canavieira Jacarezinho e, agora, também Maringá Energia – braço da empresa com foco na cogeração a partir do bagaço de cana resultante da produção de açúcar e etanol. Além do setor sucroenergético, o grupo também controla empresas na área siderúrgica, com a Maringá Ferro-Liga.
No setor de açúcar e etanol, o diretor corporativo da companhia, Eduardo Lambiasi, aponta que o ano foi desafiador, mas que alguns fatores contribuíram para o crescimento da companhia. Além das chuvas pontuais na região da usina Jacarezinho, no norte pioneiro do estado do Paraná, ele também registra “um comportamento bastante ativo no sentido de replantio e boas práticas agrícolas”.
O executivo ainda explica que a produtividade – tantos dos próprios canaviais da empresa como de terceiro –, chegou a uma média de 85 toneladas de cana por hectare. Por sua vez, a concentração de açúcar total recuperável (ATR) ficou em 135 quilogramas por tonelada.
Assim, depois de uma moagem de 2,43 milhões de toneladas na safra 2021/22, a expectativa da usina é de crescimento. Lambiasi explica que houve um aumento da área de plantio próximo de 1,5 mil hectares e, apenas com essa estratégia, é possível que a próxima temporada conte com uma produção de até 2,6 milhões de toneladas – mesmo resultado atingido em 2019/20, o maior volume da série histórica iniciada em 2016.

A Maringá também registrou uma produção de 167,89 mil toneladas de açúcar, sendo divididos em 132,81 mil toneladas do produto bruto e 35,08 mil toneladas do branco. Além disso, a companhia fabricou 94,7 milhões de litros de etanol, fracionados em 65,1 milhões de anidro e 29,6 milhões de hidratado.
Lambiasi aponta que uma das estratégias de crescimento da empresa é justamente a diversificação de produtos, com o início da fabricação de açúcar refinado e etanol anidro, assim como a flexibilização do mix de produção. Da mesma forma, o início da comercialização de energia a partir da cogeração foi um complemento para os resultados.
“Foi um ano interessante para a energia e foi nossa estreia neste mercado, mas foi um período bastante positivo. Além dos contratos regulares, também tivemos o leilão emergencial”, afirma o executivo.
Lucro recorde
No âmbito financeiro, a companhia também registrou ganhos. Considerando o período entre janeiro e dezembro e o desempenho das três empresas, o grupo somou um resultado líquido de R$ 182,88 milhões ao final de 2021. Ou seja, a Maringá mais que dobrou seu lucro, que no ano anterior foi de R$ 86,52 milhões.
Este é o maior lucro registrado pelo grupo, que vem de uma série de bons resultados líquidos, quase dobrando seus ganhos desde 2019.

Levando em conta os dados individuais, as empresas do setor sucroenergético do grupo Maringá também bateram recordes em 2021. A usina Jacarezinho teve um lucro de R$ 158,54 milhões, aumento de 88,2% na comparação anual. Já a Canavieira Jacarezinho obteve R$ 40,43 milhões, 178,7% acima do seu resultado anterior.
No ano-safra (entre abril de 2021 e março de 2022), o resultado líquido dos negócios sucroenergéticos da Maringá chegou a R$ 159,67 milhões. Destes, R$ 156,89 milhões se referiam apenas à usina Jacarezinho.
Resultado bruto
Já o resultado bruto da companhia foi de R$ 643,77 milhões, um aumento de 44% ante os R$ 447,17 milhões vistos no ano anterior e mais um valor recorde na série histórica.
O diretor executivo da companhia aponta que, parte deste resultado positivo, deve-se à comercialização dos créditos de carbono (CBios), relacionados ao programa RenovaBio. De acordo com suas demonstrações financeiras, em 2021, foram comercializados 75,54 mil CBios, que acrescentaram R$ 3,13 milhões à sua receita líquida.
Considerando o lucro bruto do grupo, R$ 617,62 milhões foram contabilizados pela usina, o que representou um crescimento de 38% na comparação entre temporadas. Enquanto isso, a Jacarezinho teve um custo de R$ 487,45 milhões com os produtos vendidos.

Desta forma, a relação entre os dois valores ficou em 79%, um acréscimo de oito pontos percentuais ante o ano anterior. Apesar de não ser o pior desempenho no índice, o valor está distante do resultado de 2016, quando foi de 70,7%.
No ano, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do grupo ficou em R$ 353,36 milhões, aumento anual de quase 70%. Enquanto a margem do Ebitda ajustado foi de 55%.
Perfil da dívida
Segundo o diretor corporativo da Maringá, a companhia teve uma alavancagem de 0,7 vez no setor sucroenergético, o que leva o grupo a uma situação “relativamente confortável”. Ele explica que a diretoria da empresa possui uma postura bastante conservadora em relação à administração das dívidas, que atualmente estão voltadas para vencimentos a longo prazo.

Em 31 de dezembro de 2021, o grupo contabilizou uma dívida líquida de R$ 296,05 milhões, uma queda de quase 10% em comparação com os débitos de 2020.
Considerando apenas a usina Jacarezinho, as despesas com empréstimos e financiamentos com vencimento no decorrer da safra foram zeradas. Um ano antes, elas totalizavam R$ 82,65 milhões.
Por sua vez, os débitos de longo prazo caíram 42,1% na comparação anual, chegando a R$ 193,32 milhões em 31 de dezembro de 2021.

De acordo com Lambiasi, a dívida da companhia foi alongada com os recursos obtidos por meio da emissão de debêntures lastreada por Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Ao todo foram ofertados R$ 70 milhões de títulos ao mercado.
“O movimento não foi feito apenas para alongar a dívida, mas também como um reforço do caixa, afinal, nós temos um caixa mínimo bastante robusto”, explica o executivo.
O diretor executivo da Maringá afirma, inclusive, que novas debêntures estão nos planos da empresa, mas que ainda é necessário “sentir o mercado” antes de dar continuidade nas emissões.
Futuro da companhia
As estratégias de expansão da Maringá ainda vão além. Lambiasi afirma que, uma das vertentes de crescimento da companhia é a diversificação de produtos, garantindo outras fontes de receita.
Desde o começo da produção do açúcar branco e do etanol anidro, há mais de cinco anos, houve a comercialização da cogeração de energia, que teve início nesta última safra, a flexibilização do mix e a entrada no mercado de leveduras, prevista para ocorrer até o fim da temporada 2022/23.
O executivo afirma que, para o futuro, o grupo Maringá procura alternativas para se manter em um constante crescimento: “Estamos olhando com bastante cuidado a questão do biogás, entendemos que é um produto interessante. A recuperação de CO2 também é uma questão, é outro produto que poderá ser incorporado ao nosso portfólio”.
Já em relação aos planos de investimento, Lambiasi aponta que existem questões de área agrícola, como complemento nutricional para o canavial – voltado para a produtividade –, além de um reforço para o corte, transporte e transbordo (CTT).
Em relação aos fertilizantes, impactados pela atual guerra no leste europeu, o executivo explica que o grupo tem intensificado as práticas organominerais, como aplicação localizada da vinhaça, compostagem com torta de filtro e uso de cama aviária. “Esses são os aspectos importantes que norteiam nossa estratégia”, resume.
Giully Regina – NovaCana
Com reportagem adicional de Renata Bossle