A seca persistente e as consequências da pandemia de coronavírus tiveram fortes impactos na produção dos canaviais brasileiros, e provavelmente influenciarão a próxima temporada
A safra 2020/21 de cana-de-açúcar, iniciada oficialmente em 1º de abril, já completou seis meses. Este também é o tempo em que o Brasil está vivendo um cenário completamente atípico: a pandemia de coronavírus e suas consequências para a população e para a economia.
O andamento da temporada e a pandemia estão intimamente ligados. Inicialmente, houve especulações sobre um possível atraso do início da safra devido à redução da mão de obra, causada pelas recomendações de isolamento. Mesmo que isso não tenha ocorrido, a menor circulação de pessoas teve grande influência no mercado de combustíveis e, consequentemente, na produção das sucroenergéticas.
Desde março, analistas do setor já apontam para um mix de produção mais focado no açúcar em 2020/21. Da pandemia de coronavírus à guerra do petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia, o etanol se desfavoreceu, o consumo caiu e os retornos para as usinas, também. A fixação de açúcar para exportação, ainda mais considerando o esperado déficit da commodity a nível mundial, significou um alento para o setor, que, em geral, pode facilmente oscilar entre os dois produtos derivados da cana-de-açúcar.
Em seis meses de safra, essas primeiras estimativas sobre o mix se reforçaram. No último levantamento do NovaCana, realizado em maio com 18 empresas e companhias especializadas, a expectativa média era de que 44,99% da matéria-prima seria destinada ao açúcar – o que representava um crescimento de mais de 10 pontos percentuais em relação aos 34,3% de 2019/20, conforme números da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
Já neste levantamento, encerrado em 18 de setembro, 16 empresas acreditam que o mix médio ficará em 46,4% para o açúcar, um crescimento de 1,4 ponto percentual em relação a maio e de 12,1 pontos na comparação com 2019/20.
Ao mesmo tempo em que este cenário apenas se reforçou ao longo de um semestre de safra, o mesmo não aconteceu com as projeções para a moagem. Em maio, a expectativa média dos analistas do setor era que a temporada finalizaria com 597,55 milhões de toneladas moídas, um aumento de 1,22% em relação às 590,36 milhões de toneladas finais de 2019/20.
Agora, as empresas consultadas pelo NovaCana estimam uma moagem média de 591,84 milhões de toneladas até o final da safra, um aumento de apenas 0,25% em relação a 2019/20 e uma queda de 0,95% em relação ao levantamento anterior. E o motivo é justamente um fator que era considerado positivo no início do ano: o clima.
Confira, na versão completa (restrita para assinantes), os comentários das consultorias sobre suas reduções para a safra 2020/21 e as previsões detalhadas para:
- Moagem de cana-de-açúcar
- Mix de produção
- Produção de açúcar
- Etanol de cana e de milho
- Evolução do ATR
- Palpites para a safra 2021/22
A safra 2020/21 de cana-de-açúcar, iniciada oficialmente em 1º de abril, já completou seis meses. Este também é o tempo em que o Brasil está vivendo um cenário completamente atípico: a pandemia de coronavírus e suas consequências para a população e para a economia.
O andamento da temporada e a pandemia estão intimamente ligados. Inicialmente, houve especulações sobre um possível atraso do início da safra devido à redução da mão de obra, causada pelas recomendações de isolamento. Mesmo que isso não tenha ocorrido, a menor circulação de pessoas teve grande influência no mercado de combustíveis e, consequentemente, na produção das sucroenergéticas.
Desde março, analistas do setor já apontam para um mix de produção mais focado no açúcar em 2020/21. Da pandemia de coronavírus à guerra do petróleo entre a Arábia Saudita e a Rússia, o etanol se desfavoreceu, o consumo caiu e os retornos para as usinas, também. A fixação de açúcar para exportação, ainda mais considerando o esperado déficit da commodity a nível mundial, significou um alento para o setor, que, em geral, pode facilmente oscilar entre os dois produtos derivados da cana-de-açúcar.
Em seis meses de safra, essas primeiras estimativas sobre o mix se reforçaram. No último levantamento do NovaCana, realizado em maio com 18 empresas e companhias especializadas, a expectativa média era de que 44,99% da matéria-prima seria destinada ao açúcar – o que representava um crescimento de mais de 10 pontos percentuais em relação aos 34,3% de 2019/20, conforme números da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
Já neste levantamento, encerrado em 18 de setembro, 16 empresas acreditam que o mix médio ficará em 46,4% para o açúcar, um crescimento de 1,4 ponto percentual em relação a maio e de 12,1 pontos na comparação com 2019/20.
Ao mesmo tempo em que este cenário apenas se reforçou ao longo de um semestre de safra, o mesmo não aconteceu com as projeções para a moagem. Em maio, a expectativa média dos analistas do setor era que a temporada finalizaria com 597,55 milhões de toneladas moídas, um aumento de 1,22% em relação às 590,36 milhões de toneladas finais de 2019/20.
Agora, as empresas consultadas pelo NovaCana estimam uma moagem média de 591,84 milhões de toneladas até o final da safra, um aumento de apenas 0,25% em relação a 2019/20 e uma queda de 0,95% em relação ao levantamento anterior. E o motivo é justamente um fator que era considerado positivo no início do ano: o clima.

Conforme o meteorologista da Somar Celso Oliveira, em entrevista à Bloomberg, grandes áreas canavieiras do Centro-Sul registraram apenas metade da chuva esperada entre março e julho e não houve grandes melhorias em agosto e setembro. “Chuvas intensas nos canaviais são esperadas apenas em outubro”, conclui.
Ainda que o tempo quente do início do ano tenha sido benéfico para acelerar a colheita e concentrar mais açúcares na cana, as previsões para os próximos meses são de seca prolongada, reduzindo a oferta da plantação e até sinalizando que a safra possa encerrar mais cedo, e com uma moagem menor.
O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, afirmou que este tempo seco pode inclusive afetar a colheita de 2021/22, graças à expectativa de que o plantio em julho e agosto de 2020 possa ter caído 30% em relação ao do ano anterior.
Essa é a mesma justificativa dada pelo analista da Canaplan, Nilceu Cardozo, para o baixo volume de cana moída esperado até o fim da safra, 582,3 milhões de toneladas, o menor do levantamento.

Em webinar realizado pela companhia, ele comentou que o desenho desta safra está bem similar ao de 2018/19, com uma colheita mais intensa logo no início. “Sobrará pouca cana a ser colhida na segunda metade da temporada, reduzindo os números”, justifica.
O Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) reduziu suas expectativas para a moagem final da safra em 15 milhões de toneladas entre maio e setembro, chegando ao segundo menor número do levantamento, 585 milhões.
Conforme o gerente de projetos Haroldo Torres, isso se deve a um canavial seco e estressado, em especial nos meses de março a maio de 2020, devido às péssimas condições do clima neste período. “Essa seca começou a se refletir em uma queda dos níveis de biomassa, os quais passaram a cair muito rápido nos últimos meses”, afirma.
Ele ainda explica que, atualmente, as usinas estão operando em ritmo normal, mas a safra está de fato adiantada pela seca – o que permite um maior aproveitamento do tempo agroindustrial – e seu final pode ser antecipado. Na sua opinião, muitas unidades devem terminar a moagem entre outubro e novembro.
O Itaú BBA também veio reduzindo suas expectativas de moagem ao longo da temporada por questões climáticas. Conforme o analista sênior de agronegócios do banco, Guilherme Bellotti de Melo, essa queda se deu “justamente pelo problema da seca” e pode afetar a parte final da colheita. “Esta é uma cana mais velha, de maneira geral, e tem chovido menos, fazendo com que nossa revisão de moagem seja para baixo”, completa.

Atualmente, o Itaú BBA espera um resultado praticamente similar à média do levantamento e pouco acima do observado em 2019/20, com 592 milhões de toneladas. Em maio, a expectativa da empresa era superar o resultado passado em mais de 10 milhões de toneladas.
Já o coordenador de inteligência de mercado da SCA, Renan de Castro Santos, cuja previsão também ficou um pouco acima da média do levantamento, afirma que o número menos otimista de moagem seria similar ao da safra 2019/20, enquanto o mais otimista ficaria em torno de 605 milhões de toneladas, “dada a área de colheita disponível”.
“A quantidade de ATR por tonelada acumulada até agosto está bastante superior ao do ano anterior e o clima continua bastante seco, então, sem dúvidas, o valor registrado será superior ao do último ciclo”, afirma Santos.
“Em muitas das principais regiões produtoras do Centro-Sul, a menor umidade ante a normalidade continuou pesando sobre as perspectivas de produtividade dos canaviais que serão colhidos no fim da temporada atual”, Rafaela Souza e Matheus Costa (StoneX)
O segundo maior número do levantamento ficou com a StoneX (antiga INTL FCStone), com 595,3 milhões de toneladas. Em relatório, a companhia afirma que também revisou suas projeções para baixo. Trata-se de uma queda de 0,4% no comparativo com a estimativa anterior, mas, ainda assim, superando em 0,8% o patamar observado em 2019/20.
Pouco atrás está a FG/A, que estima um resultado de 595 milhões de toneladas no final da safra 2020/21. “A moagem pode inclusive superar este patamar, mesmo com o estresse climático”, afirma o sócio da companhia, João Henrique Rissi.

Fim de safra atípico para o mix
Enquanto a expectativa de moagem reduziu ao longo dos meses, a do mix de açúcar aumentou, chegando ao número médio de 46,4%. O gerente de projetos do Pecege, Haroldo Torres, que é responsável por uma das maiores estimativas (46,9%), afirma que este movimento vai contra o padrão.
“Tradicionalmente, o segundo semestre de cada ano é marcado por um aumento da produção de etanol em detrimento do açúcar. Em 2020, porém, espera-se um comportamento muito mais ‘flat’ do mix de produção devido à alta rentabilidade do açúcar frente ao etanol”, explica.
O analista sênior de agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Bellotti de Melo, concorda que o mix não deve mais mudar até o fim da safra, mantendo-se próximo aos 46,5% para o açúcar. Ele ressalta que o indicador foi uma das grandes variáveis desta temporada, dada a atratividade da commodity em relação ao etanol.

A StoneX, responsável pela terceira maior previsão do mix do levantamento, 47,2% para o açúcar, afirma o mesmo: “Embora o mix acumulado de 2020/21 até a primeira metade de julho não esteja tão elevado em relação à safra 2017/18, por exemplo, espera-se que a reversão para o etanol – tendência que é característica dos últimos meses do ciclo – seja menos acentuada”.
Açúcar segue – e seguirá – em alta
Com um mix açucareiro muito acima do registrado em 2019/20 – que terminou em 34,33% –, as perspectivas para a produção da commodity também estão bem acima do que foi visto nos últimos anos. Conforme reportagem da Bloomberg, as sucroenergéticas inclusive sinalizaram que continuarão produzindo amplos volumes do adoçante nos próximos dois anos.
Para 2020/21, a expectativa é de uma produção média de 36,6 milhões de toneladas, 36,76% acima das 26,71 milhões de toneladas finais de 2019/20. Este volume também está acima do esperado em maio, 34,56 milhões.

O presidente da Datagro, Plinio Nastari, observa: “Depois de registrar volumes recordes de hedge para a temporada que começou em abril e para a seguinte, as usinas do país já fixaram os preços para 2022/23 por meio da combinação de futuros em Nova York e hedge cambial”.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu relatório, destacou as exportações brasileiras de açúcar. Números atualizados mostram que o acumulado de janeiro a agosto de 2020 está 64% maior em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 17,89 milhões de toneladas.
Desta forma, a aposta das usinas consultadas pela Conab é em um aumento da produção da commodity a fim de intensificar suas vendas no mercado internacional. Para a companhia, a produção deve ficar um pouco abaixo da média, com 35,66 milhões de toneladas.
Já a StoneX, que possui uma das maiores previsões para a temporada – 37,3 milhões de toneladas –, afirma que a esperada redução na moagem no final da safra “deve ter impacto limitado sobre a produção de açúcar”. O volume previsto supera o nível de 2019/20 em 39,5% e, segundo os analistas, é o novo recorde para a região.
O sócio diretor da MB Agro, Alexandre Figliolino, concorda: “É um crescimento espetacular da produção de açúcar”. A consultoria estima uma produção total de 36,4 milhões de toneladas do adoçante.
Etanol em baixa
Indo no sentido contrário do observado nas últimas safras, a perspectiva para a produção do etanol é baixista, com todas as previsões ficando abaixo do resultado de 2019/20. A média esperada para 2020/21 ficou em 25,74 bilhões de litros neste levantamento, 18,63% menor que os 33,26 bilhões de litros da temporada anterior.
A menor estimativa de produção de etanol é da Safras & Mercado, com 23 bilhões de litros. O analista Mauricio Muruci comenta: “A gente vê uma fragilidade no mercado de petróleo, em função do cenário internacional frágil. Aqui no Brasil, a demanda ainda está se recuperando, em função do pior momento de queda no consumo em abril. De lá para cá, ela tem melhorado, mas, ainda assim, se mostra 20% abaixo no comparativo anual”.
No ano passado, a expectativa da companhia era que 2020 tivesse um consumo recorde mensal sólido, em torno de 2 bilhões de litros. “Por isso, mesmo se recuperando frente ao pior momento deste ano, a gente ainda está, no melhor dos cenários, 20% atrás do que a gente estava em função do ano passado”, justifica Muruci.
“Contrariando o que ocorreu na temporada 2019/20, quando a safra foi marcada por um recorde na produção de biocombustíveis, observa-se uma forte inversão, com queda na demanda por combustíveis e condições favoráveis à venda de açúcar, que provocaram a redução na produção de etanol no ciclo 2020/21” (Conab)
Depois do número da Safras & Mercado, as previsões para a produção total de etanol em 2020/21 variam em torno de 3,7 bilhões de litros, entre os 25,2 bilhões da Czarnikow e os 28,91 bilhões da FG/A.

Neste caso, as principais diferenças provavelmente se devem ao acréscimo do renovável de milho nas estimativas de muitas consultorias. Conforme o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, as perspectivas de produção do etanol com o grão são boas, mesmo em um período de incerteza.
“A mudança de perspectiva na demanda por etanol no mercado interno e a melhora nos indicadores internacionais do barril de petróleo em relação ao início da pandemia do coronavírus deixaram mais otimista a indústria de etanol de milho no Brasil”, afirma Nolasco.
Para ele, é possível chegar a um aumento de 61,1% na produção de 2020/21 em relação à temporada anterior. “Há um ambiente propício para o aumento da produção do etanol de milho”, relata o presidente, que completa: “Mesmo no cenário de incerteza, nós [o setor do etanol de milho] crescemos 85% este ano”.
A Conab corrobora com essa visão e afirma que está ocorrendo um aumento na capacidade de produção do etanol de milho. “A ampliação deste cenário deve se estender para outros estados nas próximas safras”, acrescenta.
Na divisão entre os tipos de etanol, o consumo de combustíveis intensificou a redução na produção. Em relação ao hidratado, o analista da Safras & Mercado, Mauricio Muruci, afirma que as perspectivas de demanda não vão “muito além de uma breve recuperação” em comparação com o pior momento da pandemia.

“Essa recuperação segue [com um consumo] entre 20% a 40% abaixo do ano anterior”, afirma e completa: “Então, ainda estamos muito longe do ano passado, da condição normal”.
Cana inicialmente de qualidade
A previsão média para o açúcar total recuperável (ATR) final da safra 2020/21 ficou em 139,05 quilogramas por toneladas, 0,34% acima dos 138,57 kg/t de 2019/20. Porém, o que chama atenção neste dado é a variação entre os dados, de mais de 10 kg/t.
A Safras & Mercado é responsável pela menor estimativa: 133 kg/t. O analista da empresa explica que isso se deve aos efeitos de geada e à queda na qualidade de cana em função da seca.

Ele ainda afirma que a estimativa da companhia é uma média, pois, entre o início e o final da safra, a concentração de ATR pode oscilar entre 15% a 20%. “Em um primeiro momento, a seca até concentra o ATR, que foi o que vimos há uns dois meses; mas quando ela se prolonga, ela acaba prejudicando a planta e reduz o nível médio”, conclui Muruci.
Do outro lado do espectro está o Pecege, que prevê uma concentração de ATR de 143,23 kg/t. O gerente de projetos, Haroldo Torres, comenta que espera uma alta na comparação com a safra passada em todos os cenários, já que mesmo o quadro pessimista ficaria em 140,57 kg/t.

“Dada uma safra ‘max sugar’, as usinas fizeram uso mais intenso de maturador. A aplicação de maturador foi utilizada como uma ferramenta para aumento da qualidade da matéria-prima, visando um caldo mais rico para a produção do adoçante”, explica o gerente. Para ele, este manejo, somado ao clima seco, contribuiu para o acúmulo de sacarose, “por conseguinte, elevando os níveis de ATR”.
“A seca e um manejo com maior aplicação de maturador explicam uma safra – ao menos na nossa visão – com maiores níveis de ATR/t”, Haroldo Torres (Pecege)
A Conab, cuja estimativa está bem próxima da média, com 139,1 kg/t, concorda: “As boas condições climáticas e os investimentos feitos nas lavouras refletiram em um aumento da qualidade da matéria-prima”.
A FG/A também acredita que o clima seco favoreceu a elevação do ATR, chegando a possíveis 141 kg/t. A Agroconsult, por sua vez, não espera grandes variações no indicador na comparação com a safra anterior.
Consequências para a próxima safra
Mesmo que o início da safra 2021/22 seja apenas em abril de 2021, algumas empresas já arriscaram comentários sobre o que o setor pode esperar após um ano controverso, com influências tanto da demanda quanto do clima.
A Agroconsult, por exemplo, espera uma elevação na moagem, chegando a 610 milhões de toneladas. O analista de mercado da consultoria, André Petry, afirma, porém, que esta é apenas uma primeira leitura: “Precisamos analisar mais de perto e mensurar o tamanho da disponibilidade de cana para a próxima safra”.
“As condições climáticas estão inferiores à normalidade, podendo impactar no desenvolvimento vegetativo das lavouras, refletindo no tamanho da moagem da safra 2021/22, mas ainda é cedo para mensurar tudo isso”, André Petry (Agroconsult)
A SCA, por outro lado, não enxerga um incremento na matéria-prima na próxima temporada. Na mesma linha, a FG/A acredita que os impactos da seca poderão “gerar reflexos mais fortes na safra 2021/22”, dependendo das chuvas do início do próximo ano.
Já em relação aos produtos, o coordenador de inteligência de mercado da SCA, Renan de Castro Santos, espera que o açúcar continue sendo a prioridade, mas com “leve redução”. “O petróleo deve ser melhor precificado – mas ainda em níveis baixos em relação ao período pré-pandemia – favorecendo pequena migração para a produção de etanol”, afirma. Ele ainda acredita em um novo incremento no biocombustível do milho, que deve chegar a 3 bilhões de litros.
O Pecege também espera uma recuperação nos preços do renovável, o que deve elevar a sua participação no mix – ainda assim, o volume do biocombustível deve “ficar distante” do ocorrido nas safras 2018/19 e 2019/20. Segundo o gerente de projetos, Haroldo Torres, o mix para o açúcar deve cair para 43,09%.
“Para a próxima safra, o resultado mais importante é uma nova mudança no mix de produção, em que o etanol deve recuperar parte do espaço perdido para o açúcar na safra corrente”, afirma e complementa: “Essa projeção está embasada na perspectiva de continuidade de recuperação do mercado internacional de energia, o que deve manter a gasolina encarecida e favorecer a competitividade do biocombustível nas bombas”.
Para o analista sênior de agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Bellotti de Melo, o desenho desta safra está super claro e a maior incerteza diz respeito à próxima. Ainda assim, ele acredita que o setor, de maneira geral, “deve seguir bastante positivo”: “Mas a gente começa a ter provavelmente uma redução [da moagem]”.
Ele concorda que o mix deve seguir bastante açucareiro, mas espera por um índice menor do que o visto este ano. “Isso é muito puxado por uma expectativa do aumento do consumo de combustíveis que, por sua vez, vai puxar a demanda de etanol, tanto de anidro e provavelmente hidratado”, conclui.
Rafaella Coury – NovaCana