Açúcar: Mercado

Real fraco sinaliza anos seguidos de mais açúcar no Brasil


Bloomberg - 31 jul 2020 - 07:42

Enquanto economias globais enfrentam desafios para a retomada diante do impacto da pandemia no consumo, usinas de açúcar no Brasil sinalizam que continuarão produzindo amplos volumes do adoçante nos próximos dois anos. A alta do dólar em relação ao real tem ajudado a manter a rentabilidade do setor.

Depois de registrar volumes recordes de hedge para a temporada que começou em abril e para a seguinte, as usinas do país já fixaram os preços para 2022/23 por meio da combinação de futuros em Nova York e hedge cambial, disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, em entrevista por telefone.

Com vendas antecipadas de açúcar de exportação para os próximos dois anos, as usinas podem ganhar de 2,3 centavos a 2,4 centavos de dólar por libra acima do preço esperado para o etanol, disse Nastari, acrescentando que a baixa liquidez no mercado futuro de etanol no Brasil não permite muita visibilidade para o biocombustível à frente.

Isso indica que o Brasil poderá produzir mais açúcar nos próximos anos. A Biosev, controlada pela Louis Dreyfus, já fez hedge dos preços para 432 mil toneladas da temporada 2021/22, acima das 172 mil toneladas que havia feito um ano antes para a safra seguinte, segundo dados da empresa.

“Vemos o Centro-Sul ainda produzindo muito açúcar em 2021/22, apesar de um pouco menos do que na safra deste ano”, disse a diretora comercial da Biosev, Dorothea Soule. “O etanol pode se recuperar até outubro, sustentado por maiores exportações”, afirmou em entrevista.

Fabiana Batista