Levantamento exclusivo traz déficit entre 10 milhões e 136 mil toneladas para temporada global que encerra em setembro

novaCana.com 03 set 2020 - 09:16

O mercado global de açúcar segue diversas variáveis. Uma delas é a produção de gigantes como Índia, Tailândia e Brasil, sendo que o último também possui a interferência do consumo de etanol, que compete pela matéria-prima junto com o adoçante. Além disso, por ser uma commodity, as negociações internacionais tanto refletem quanto impactam a fabricação.

Em 2020, um novo fator – a pandemia de coronavírus – entrou na lista de variáveis. Considerando isso, o déficit esperado para 2019/20 deverá ser menor do que o estimado anteriormente, justamente pela queda na demanda ocasionada pelas recomendações de isolamento.

Oficialmente, o ciclo 2019/20 termina em um mês. Todas as consultorias pesquisadas pelo novaCana seguem cravando um déficit para a temporada, assim como ocorreu nas duas últimas sondagens, em setembro de 2019 e fevereiro de 2020. O que muda é que, na média, o tamanho estimado para o déficit é menor, passando de 7,19 milhões para 3,42 milhões de toneladas.

Das 17 consultorias analisadas na pesquisa mais recente, a que aposta no maior déficit para 2019/20 é a Czarnikow, com 10 milhões de toneladas; na outra ponta, a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) estima que apenas 136 mil toneladas serão produzidas a menos em relação ao consumo.

A entidade que, no início de junho, havia previsto um déficit de 9,3 milhões, o maior nos últimos 11 anos, mudou totalmente a sua perspectiva em agosto, para um saldo neutro.

“Nossa visão fundamental da situação global de oferta e demanda mudou após a inclusão do impacto da covid-19 nos números de consumo nacional, uma redução no crescimento do consumo de açúcar subjacente e uma maior produção no Brasil nos últimos meses”, detalha o documento.

Além disso, com a aproximação da temporada 2020/21, as consultorias têm mais firmeza para arriscar números. No total, 14 companhias apresentaram dados para o ciclo que se inicia em outubro. No levantamento anterior, feito em fevereiro, apenas sete empresas haviam expressado suas estimativas, e todas elas traziam um déficit.

Porém as alterações no cenário global – não só de produção de açúcar – levaram a uma mudança nos números para a próxima temporada, que oscilam de um déficit de 3,6 milhões de toneladas, apontado pela Green Pool, a um superávit de 10,29 milhões de toneladas, estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Por sua vez, empresas como BP Bunge, StoneX e Agroconsult têm uma visão de equilíbrio entre oferta e demanda. Elas projetam, respectivamente, 700 mil toneladas de déficit, e 500 mil e 900 mil toneladas de superávit.

Com isso, a média das estimativas passou de um déficit de 1,75 milhão de toneladas para um superávit de 1,53 milhão de toneladas.

De acordo com a ISO, uma maior alocação da matéria-prima para a produção de açúcar no Brasil, juntamente com uma redução de 2,7 milhões de toneladas no consumo do adoçante em vários países, motivam uma visão de déficit menor do que a entidade esperava anteriormente.

Além isso, a quantia também é parte de uma grande revisão do histórico de crescimento do consumo nos últimos anos. O órgão reavaliou sua perspectiva de uma demanda de 6,9 milhões de toneladas abaixo da produção para apenas 724 mil toneladas deficitárias.

Já o diretor comercial da BP Bunge, Ricardo Busato Carvalho, pontua dois motivos possíveis para este cenário equilibrado das empresas entre o déficit e o superávit. Um deles é a estimativa das perdas no consumo global de açúcar devido aos impactos da pandemia e o outro é a estimativa de produção no Centro-Sul brasileiro, especialmente na primeira metade da safra 2021/22.

Além disso, como de costume, algumas empresas atualizaram seus dados referentes ao fechamento da temporada 2018/19, que terminou em outubro de 2019. Foram 12 números, que variam entre 1 tonelada de déficit (reafirmada pela MB Agro) e 7,04 milhões de toneladas de superávit, estimadas pelo USDA. Assim, a média subiu de 2,59 milhões para 3,12 milhões de toneladas.

Confira, na reportagem completa, gráficos comparativos das projeções, a evolução das médias, perspectivas de preços e análises do mercado global de açúcar feitas pelas seguintes empresas e consultorias:

- Abares
- Agroconsult
- BP Bunge
- BTG Pactual
- Cogo
- Czarnikow
- FG/A
- Green Pool
- ISO
- Itaú BBA
- LMC
- MB Agro
- Platts
- Rabobank
- StoneX
- TRS
- USDA


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