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Grupo Colombo lucra R$ 318,94 milhões em 2021/22, queda de 24,5% na comparação anual

Entre as estratégias adotadas pelo grupo na temporada está a compra de açúcar bruto de outras companhias para refino e comercialização no mercado interno

NovaCana 13 min de leitura

Atualização (01/09, às 9h30): O texto completo foi alterado para incluir informações enviadas pela Colombo sobre sua emissão de títulos verdes, esclarecendo que a companhia foi pioneira na distribuição destes papéis para o mercado brasileiro.

Enquanto a Colombo Agroindústria teve um lucro líquido de R$ 251,59 milhões em 2021/22, o grupo do qual a empresa faz parte alcançou R$ 318,94 milhões no mesmo período. O resultado – que representa uma queda de 24,5% ante os R$ 422,66 milhões de um ano antes – engloba as empresas Colombo Agroindústria, João Colombo Agrícola e as quatro termelétricas da Colombo Bioenergia.

Por sua vez, o Ebitda Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) foi de R$ 1,18 bilhão, alta de 1,2% em relação ao R$ 1,16 bilhão da safra anterior.

De acordo com o gerente financeiro da Colombo, Aydrean de Carvalho, isso acontece porque o Ebitda reflete o desempenho da operação. “O lucro reduziu por causa de despesas que vieram na conta – tanto pela quebra da moagem quanto pelo aumento de custos –, mas o Ebitda cresceu porque a Colombo agregou resultados maiores; tivemos uma produção menor, mas com preços maiores”, justifica.

Seguindo o mesmo caminho, a mensagem da administração publicada em conjunto com a divulgação de resultados e assinada pelo CEO da companhia, Anderson Travagini, afirma que a temporada foi composta por acontecimentos bons e ruins. “Por um lado, a seca e as geadas impactaram a moagem do grupo na ordem de 23,6%, fazendo com que o processamento atingisse 7,57 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Por outro, registramos recordes nos preços líquidos dos produtos”, diz.

Travagini também apontou na ocasião que a perspectiva da companhia para a safra 2022/23 era “extremamente positiva”. Para ele, mesmo com as projeções de custos elevados, o atual cenário geopolítico e os desafios da retomada da produtividade, a Colombo previa um crescimento na moagem de cana-de-açúcar acima da média do setor.

“Nossa recuperação deve ser mais acentuada pelas estratégias adotadas e pelos investimentos realizados no canavial”, afirma e completa: “Também esperamos que os preços continuem em patamares bastante remuneradores e, dessa forma, estamos diante da oportunidade de superarmos mais uma vez nossa expectativa de rentabilidade e entregar excelentes resultados”.

Agora, com o segundo trimestre da temporada prestes a ser concluído, Travagini assegura que os resultados têm sido satisfatórios. “A safra está superando a nossa perspectiva em termos de rendimento dos canaviais e de qualidade da cana”, afirma, em entrevista ao NovaCana. “Para a moagem, temos um compromisso de retomada depois de termos passado por um estresse hídrico, por incêndios criminosos, por geadas”.

No texto completo – exclusivo para assinantes NovaCana –, saiba mais sobre os resultados da Colombo, a visão da companhia para 2022/23, além de suas perspectivas para novos investimentos e captação de recursos.

Atualização (01/09, às 9h30): O texto abaixo foi alterado para incluir informações enviadas pela Colombo sobre sua emissão de títulos verdes, esclarecendo que a companhia foi pioneira na distribuição destes papéis para o mercado brasileiro.

Enquanto a Colombo Agroindústria teve um lucro líquido de R$ 251,59 milhões em 2021/22, o grupo do qual a empresa faz parte alcançou R$ 318,94 milhões no mesmo período. O resultado – que representa uma queda de 24,5% ante os R$ 422,66 milhões de um ano antes – engloba as empresas Colombo Agroindústria, João Colombo Agrícola e as quatro termelétricas da Colombo Bioenergia.

Por sua vez, o Ebitda Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa) foi de R$ 1,18 bilhão, alta de 1,2% em relação ao R$ 1,16 bilhão da safra anterior.

De acordo com o gerente financeiro da Colombo, Aydrean de Carvalho, isso acontece porque o Ebitda reflete o desempenho da operação. “O lucro reduziu por causa de despesas que vieram na conta – tanto pela quebra da moagem quanto pelo aumento de custos –, mas o Ebitda cresceu porque a Colombo agregou resultados maiores; tivemos uma produção menor, mas com preços maiores”, justifica.

Seguindo o mesmo caminho, a mensagem da administração publicada em conjunto com a divulgação de resultados e assinada pelo CEO da companhia, Anderson Travagini, afirma que a temporada foi composta por acontecimentos bons e ruins. “Por um lado, a seca e as geadas impactaram a moagem do grupo na ordem de 23,6%, fazendo com que o processamento atingisse 7,57 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Por outro, registramos recordes nos preços líquidos dos produtos”, diz.

Travagini também apontou na ocasião que a perspectiva da companhia para a safra 2022/23 era “extremamente positiva”. Para ele, mesmo com as projeções de custos elevados, o atual cenário geopolítico e os desafios da retomada da produtividade, a Colombo previa um crescimento na moagem de cana-de-açúcar acima da média do setor.

“Nossa recuperação deve ser mais acentuada pelas estratégias adotadas e pelos investimentos realizados no canavial”, afirma e completa: “Também esperamos que os preços continuem em patamares bastante remuneradores e, dessa forma, estamos diante da oportunidade de superarmos mais uma vez nossa expectativa de rentabilidade e entregar excelentes resultados”.

Agora, com o segundo trimestre da temporada prestes a ser concluído, Travagini assegura que os resultados têm sido satisfatórios. “A safra está superando a nossa perspectiva em termos de rendimento dos canaviais e de qualidade da cana”, afirma, em entrevista ao NovaCana. “Para a moagem, temos um compromisso de retomada depois de termos passado por um estresse hídrico, por incêndios criminosos, por geadas”.

De acordo com Carvalho, em 2022/23, a Colombo deve ter uma moagem de, pelo menos, 8,3 milhões de toneladas. “É um aumento de 10% ante o ano passado, podendo chegar até 8,5 milhões”, detalha. Para as próximas safras, por sua vez, a companhia espera novos crescimentos anuais de 10%, até atingir 10 milhões de toneladas.

Ainda segundo ele, embora a concentração de açúcar total recuperável (ATR) siga similar à vista na safra passada, o rendimento dos canaviais está maior, atingindo uma média de 90 toneladas por hectare. “É uma safra muito maior e melhor do que a do ano passado, em grande parte em função da renovação de canavial que fizemos nas últimas duas safras. A gente já começa a colher os frutos, mas o peso maior deve vir em 2023/24”, promete.

Estratégia voltada para o varejo

Em relação à queda na moagem em 2021/22, a divulgação de resultados da Colombo aponta que a região de São José do Rio Preto (SP), onde estão localizadas as três usinas do grupo, foi uma das mais afetadas pelas intempéries climáticas. Por conta disso, a produtividade dos canaviais caiu de 82,9 toneladas por hectare em 2020/21 para 62,6 t/ha em 2021/22, o menor nível em quatro anos.

No período, a Colombo produziu, aproximadamente, 433 mil toneladas de açúcar (-33,4%) e 368 milhões de litros de etanol (-21,9%). Segundo Travagini, o mix de produção da companhia foi mais direcionado para o biocombustível no período – com o produto recebendo 59% da matéria-prima –, para aproveitar o bom momento dos preços.

O CEO ainda afirma que, diferente de outras sucroenergéticas, a Colombo pôde aproveitar a alta dos preços do açúcar enquanto a maioria das usinas já estavam com preços fixados. “Grande parte do nosso açúcar (62%) foi destinada ao mercado interno”, detalha, referindo-se à safra 2021/22, e completa: “Outra estratégia comercial vencedora que implementamos nessa safra foi a de comprar açúcar bruto no mercado para refiná-lo e distribuí-lo no mercado doméstico, utilizando da capacidade ociosa e mitigando os efeitos da quebra de safra”.

Conforme a divulgação de resultados, a Colombo adquiriu cerca de 121,11 mil toneladas de açúcar, o que seria equivalente a 921 mil toneladas de cana. “Entendemos que este é um grande diferencial competitivo da Colombo, já que poucos players do setor possuem a estrutura necessária para produzir e distribuir açúcar no mercado interno”, segue Travagini.

Aydrean de Carvalho, por sua vez, explica que a estratégia de comprar o adoçante de outras unidades e refinar para atender o mercado doméstico é mais cara, mas têm margem positiva. “Nós nos reinventamos. A Colombo não deixou de abastecer o varejo, mas fizemos isso em um cenário adverso. Meu custo subiu porque eu reduzi a margem ao comprar açúcar VHP e refinar internamente. Entregamos a mesma produção, mesmo não tendo cana”, relata.

O gerente ainda conta que a Colombo comercializou a commodity para outras marcas que atuam no varejo, como a líder de mercado Camil.

Para 2022/23, de acordo com Travagini, a Colombo pretende manter a estratégia de comprar açúcar bruto e revender no mercado interno. Segundo Carvalho, a negociação doméstica tem apresentado uma margem de lucro em torno de 30%.

O gerente complementa que muitas unidades de perfil açucareiro se voltam para a exportação, mas que isto não tem sido uma prioridade para a Colombo. “A força dessa companhia sempre foi o varejo. Esse ano, a gente vai fazer exportação de 10% da produção de açúcar, com o restante ficando no mercado interno”, afirma.

Em relação ao etanol, por sua vez, a companhia aposta em uma produção menor, mantendo volumes em estoque. A expectativa é que ocorra uma retomada dos preços a partir de 2023, quando acabar a isenção de impostos federais sobre os combustíveis.

Desempenho operacional

Em 2021/22, a receita operacional líquida da companhia subiu 25,1%, de R$ 2 bilhões para R$ 2,51 bilhões. De acordo com a companhia, isso foi possível principalmente por conta do maior preço líquido de comercialização dos produtos: o valor médio do crédito de descarbonização (CBio) subiu 34,3%; o do açúcar, 34,9%; o da energia elétrica, 44,4%; e o do etanol, 62,8%.

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Mas a Colombo também afirma que o ano de 2021 foi “consideravelmente desafiador para o setor do ponto de vista dos custos”. Os gastos com os produtos vendidos subiram mais que a receita e atingiram uma variação anual de 72,2%, saindo de R$ 1,12 bilhão em 2020/21 para R$ 1,93 bilhão em 2021/22.

“Tal aumento pode ser explicado pelo crescimento dos preços como um todo na economia e por valores recordes de venda dos produtos”, afirma a companhia, que detalha: “O preço do ATR – principal componente dos custos dos arrendamentos e parcerias e na compra de cana de fornecedores –, saiu de R$ 0,78/kg em março de 2021 para R$ 1,18/kg em março de 22, representando uma alta de 51,3%”.

“Empacotamos açúcar de grandes marcas e de grandes redes atacadistas. Isso trouxe uma margem positiva, mas também elevou o custo. Se eu expurgar esse efeito e falar só da produção da Colombo, o aumento anual [nos custos] é menor”, Adryen de Carvalho (Colombo)

Com isso, o lucro bruto da companhia na temporada foi de R$ 767,18 milhões, retração de 26,5% ante o R$ 1,04 bilhão da safra anterior.

Perfil da dívida e novas captações “verdes”

Ao final da safra 2021/22, a dívida bruta da Colombo com empréstimos e financiamentos somava R$ 1,86 bilhão, elevação de 13,4% em relação à posição de um ano antes, de R$ 1,64 bilhão. Deste volume, R$ 444,23 milhões eram referentes a débitos com vencimento ao longo de 2022/23 – assim, a posição das dívidas de curto prazo caiu 2,2% na comparação anual.

Por sua vez, a dívida líquida do grupo Colombo em 31 de março de 2022 era de R$ 944,25 milhões, alta de 12% na comparação com a posição de um ano antes, de 843,11 milhões.

Segundo a empresa, a elevação pode ser explicada pela estratégia de armazenar mais produtos acabados. “Em março de 2022, o estoque de açúcar e etanol a preço de custo era de R$ 123 milhões, contra R$ 47 milhões em março de 2021 – representando uma alta de 160,4%”, detalha.

De acordo com gerente financeiro da sucroenergética, esse plano foi adotado para garantir o cumprimento de contratos já firmados em um contexto de início de safra tardio. Afinal, a companhia já previa uma retomada mais lenta das operações em 2022/23 após os impactos climáticos vistos na temporada anterior e a necessidade de maturação da cana-de-açúcar após investimentos adicionais em renovação de canavial.

“Olhamos para dentro de casa, para o que estaríamos produzindo. Não é o mesmo contexto ano passado, então, nós escalonamos o início da safra entre as três unidades para que a gente tivesse uma condição melhor de canavial para moagem”, relata Carvalho, que segue: “A gente passou [a virada do ano fiscal] com um estoque maior justamente para não sofrer com falta de produto. Foi pensado, foi estratégico”.

A Colombo ainda destaca que 43,2% do endividamento está concentrado no mercado de capitais. “Em apenas duas emissões, a companhia construiu uma alternativa que se mostrou muito atrativa do ponto de vista de custos e prazo, trabalhando ainda mais sua bancabilidade e o aging do seu endividamento, já que foram operações muito longas”, afirma, referindo-se a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) gerados em março de 2021 e a debêntures incentivadas emitidas em julho do mesmo ano.

No texto que abre a divulgação dos resultados, o CEO da companhia, Anderson Travagini, também menciona os papéis, afirmando que ambos são “verdes”, ou seja, estão vinculadas a metas sociais e de sustentabilidade. “A Colombo foi primeira companhia do setor sucroenergético a emitir uma operação com rotulagem verde, ratificando nosso compromisso socioambiental e validando toda nossa transformação em governança nos últimos anos”, afirma.

De acordo com levantamento da Climate Bonds Initiative (CBI), no entanto, a primeira emissão verde do setor de açúcar e etanol foi da Tereos, em junho de 2020.

Em nota ao NovaCana, a Colombo esclareceu que foi pioneira na emissão local, por meio de CRA com rotulagem verde. “Fomos a primeira companhia a emitir dívida com rotulagem verde no mercado local, cujo público-alvo eram investidores brasileiros”, relata.

Segundo Carvalho, a Colombo tem interesse em fazer novas captações de recursos vinculadas a metas da agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e de governança). “Estamos com algumas consultorias e passamos por um processo de auditoria interna. A companhia tem avançado bastante em governança e socioambiental”, relata.

Ele ainda conta que, embora a sucroenergética mantenha contato com bancos, ela não acredita que o atual momento seja propício, não devendo fazer novas emissões antes das eleições deste ano. “Mas estamos monitorando o cenário e devemos voltar ao mercado”, assegura.

Carvalho também observa que a empresa considera investir em biometano e biogás. “Temos estudos acontecendo internamente, mas não conseguimos dar uma previsão de quando isso sairá”, afirma e reforça: “A prioridade é voltar à moagem de 10 milhões de toneladas, então, os investimentos são voltados para isso. Temos investido muito no campo”.

Renata Bossle – NovaCana

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