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As 52 maiores e mais lucrativas empresas do setor de açúcar e etanol em 2018

Entre as maiores sucroenergéticas, quantidade de empresas lucrativas caiu em 2018. Além disso, redução no lucro médio foi de 21,7%

NovaCana 13 min de leitura

Não é de hoje que o setor sucroenergético enfrenta dificuldades financeiras. Porém algumas empresas ainda apresentam resultados favoráveis e que se destacam nos números expressos em seus balanços financeiros. Esse grupo, mais seleto e capitalizado, pode até ser restrito, mas há algumas surpresas no sobe e desce do ranking.

Isso é o que revela a publicação anual da revista Exame, que reúne os resultados financeiros das 1.000 maiores empresas do país. Os números do setor sucroenergético foram compilados pelo NovaCana e demonstram que, na publicação referente a 2018, 52 empresas do setor apresentaram lucro – cinco a menos do que em 2017.

O número aparece entre as 82 companhias entraram no ranking, que trouxe uma companhia a menos do que na publicação anterior. Destas, 24 apresentaram prejuízo, mesmo número de 2017, enquanto outras seis não tiveram seus dados de lucro líquido ajustado divulgados.

Considerando apenas as empresas que fecharam 2018 com lucro, a soma dos resultados é menos favorável do que em 2017 – uma diminuição obviamente influenciada pela menor presença do setor no ranking, mas também por um desempenho financeiro mais fraco.

Mesmo assim, este foi o segundo maior valor da série histórica iniciada em 2009. A soma dos lucros líquidos foi de US$ 1,55 bilhões em 2018, uma redução de 28,57% frente ao montante de US$ 2,17 bilhões visto em 2017.

Ainda entre as empresas que registraram resultados positivos, o lucro médio foi de US$ 29,81 milhões. Já em 2017, o lucro médio foi de US$ 38,10 milhões, recorde da série histórica. Assim, houve uma queda de 21,75% entre as duas análises mais recentes. As sucroenergéticas lucrativas vinham em uma tendência crescente desde 2015, e sofreram uma quebra em 2018; mas, mesmo assim, o resultado ficou acima do de 2016.

O ranking publicado – feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – apresenta as 1.000 empresas brasileiras de maior receita líquida. Com isso, contempla apenas uma parte do setor sucroenergético e apresenta um panorama baseado apenas nos resultados das maiores companhias.

Confira na versão completa:

- Lucro médio e total do setor em 2018
- Ranking das maiores e mais lucrativas do setor em 2018
- Histórico das empresas que mais lucraram em 2018
- Indicadores de lucro, endividamento total e vendas líquidas dos 20 maiores lucros

Não é de hoje que o setor sucroenergético enfrenta dificuldades financeiras. Porém algumas empresas ainda apresentam resultados favoráveis e que se destacam nos números expressos em seus balanços financeiros. Esse grupo, mais seleto e capitalizado, pode até ser restrito, mas há algumas surpresas no sobe e desce do ranking.

Isso é o que revela a publicação anual da revista Exame, que reúne os resultados financeiros das 1.000 maiores empresas do país. Os números do setor sucroenergético foram compilados pelo NovaCana e demonstram que, na publicação referente a 2018, 52 empresas do setor apresentaram lucro – cinco a menos do que em 2017.

O número aparece entre as 82 companhias entraram no ranking, que trouxe uma companhia a menos do que na publicação anterior. Destas, 24 apresentaram prejuízo, mesmo número de 2017, enquanto outras seis não tiveram seus dados de lucro líquido ajustado divulgados.

exame lucros unidades 21.11.19

Considerando apenas as empresas que fecharam 2018 com lucro, a soma dos resultados é menos favorável do que em 2017 – uma diminuição obviamente influenciada pela menor presença do setor no ranking, mas também por um desempenho financeiro mais fraco.

Mesmo assim, este foi o segundo maior valor da série histórica iniciada em 2009. A soma dos lucros líquidos foi de US$ 1,55 bilhões em 2018, uma redução de 28,57% frente ao montante de US$ 2,17 bilhões visto em 2017.

exame lucros unidades lucro 21.11.19

Ainda entre as empresas que registraram resultados positivos, o lucro médio foi de US$ 29,81 milhões. Já em 2017, o lucro médio foi de US$ 38,10 milhões, recorde da série histórica. Assim, houve uma queda de 21,75% entre as duas análises mais recentes. As sucroenergéticas lucrativas vinham em uma tendência crescente desde 2015, e sofreram uma quebra em 2018; mas, mesmo assim, o resultado ficou acima do de 2016.

exame lucros media 21.11.19

O ranking publicado – feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – apresenta as 1.000 empresas brasileiras de maior receita líquida. Com isso, contempla apenas uma parte do setor sucroenergético e apresenta um panorama baseado apenas nos resultados das maiores companhias.

Os 52 lucros entre as grandes do setor

Após dois anos consecutivos apresentando o melhor resultado entre as maiores sucroenergéticas, a Raízen perdeu a dianteira do ranking de lucro líquido ajustado, que é apurado depois de considerados os efeitos da inflação nas demonstrações contábeis.

A posição foi assumida pela Brenco, do grupo Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), graças a um lucro líquido de US$ 159,2 milhões – uma guinada ante o prejuízo de US$ 143,6 milhões visto em 2017. Inclusive, a empresa só havia apresentado prejuízos desde o início da série histórica, não tendo aparecido no ranking da Exame em 2009 e 2010.

Com isso, a Raízen ficou em segundo lugar, apresentando lucro líquido de US$ 154,4 milhões, uma queda de 62,23%, ou US$ 254,5 milhões, ante 2017. O terceiro lugar foi da São Martinho, com lucro líquido de US$ 129,2 milhões. A empresa apresentou uma melhora no seu resultado, que era de US$ 87,3 milhões de 2017, fazendo-a subir uma posição no ranking.

exame lucros ranking

O quarto lugar foi da Atvos Agroindustrial, que não havia aparecido no ranking até então. Além disso, a Unialco, que estava em segundo lugar em 2017, não entrou na listagem feita pela Exame para o exercício fiscal de 2018.

Já a Alto Alegre, terceiro lugar em 2017, caiu para sexto, com lucro líquido de US$ 63,5 milhões. As usinas Batatais e Alta Mogiana, que ocupavam os sexto e sétimo lugares em 2017, caíram para décimo e 14º, respectivamente.

E a Copersucar, que em 2017 figurava no oitavo lugar, desceu para a 13º posição em 2018, com lucro líquido de U$$ 36,6 milhões.

O NovaCana compilou os dados completos das usinas e elaborou gráficos e planilhas interativas que podem ser acessadas na plataforma NovaCana DATA.

Brenco: resultado puxado por investimentos

A guinada da Brenco foi considerável em 2018. A empresa foi a segunda sucroenergética de pior resultado líquido em 2017, com um prejuízo de US$ 143,3 milhões. Mas, em 2018, a usina apresentou lucro líquido de R$ 159,2 milhões.

Entretanto, suas vendas líquidas foram menores do que em 2017, passando de US$ 467,4 milhões para US$ 452 milhões. Já seu endividamento médio reduziu de 92,7% para 84,9% entre 2017 e 2018.

Conforme a publicação da Exame, a usina também figura entre as 100 que mais receberam investimentos em 2018, dentre todas as analisadas. Além disso, ela aparece entre os 20 maiores lucros de empresas que tiveram prejuízo no ano anterior.

exame lucros brenco 21.11.19

Além da Brenco, outras cinco empresas da Atvos aparecem entre as 1.000 maiores companhias do Brasil: Conquista do Pontal, Rio Claro, Atvos Agroindustrial, Agro Energia Santa Luzia e Eldorado. Destas, as duas últimas apresentaram prejuízos; já as demais tiveram lucro.

No acumulado do grupo que considera apenas as companhias listadas, o resultado foi um lucro líquido de US$ 281,4 milhões – uma virada frente ao prejuízo de US$ 274,6 milhões visto em 2017. Vale ressaltar que, em 2017, figurava uma usina a menos no grupo, a Atvos Agroindustrial.

Vinculada à Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial), a Brenco inclui as usinas Morro Vermelho (GO), Água Emendada (GO), Alto Taquari (MT) e Costa Rica (MS).

Raízen: sem liderança, mas com mais receita

A Raízen Energia, que em 2017 ficou no primeiro lugar do setor, caiu para segundo em 2018. Seu lucro líquido teve uma redução de 62,23% entre os dois anos, passando de US$ 408,9 milhões para US$ 154,4 milhões.

Ainda assim, a companhia teve um crescimento em suas vendas líquidas, que passaram de US$ 1,7 bilhão para US$ 1,8 bilhão entre 2017 e 2018. Já o endividamento geral teve um leve aumento, de 48,8% para 51,1%, no mesmo comparativo.

exame lucros raizen 21.11.19

O desempenho condiz com os recuos do grupo na safra 2018/19, que abarca boa parte dos resultados do ano civil de 2018, considerado na publicação. A moagem, por exemplo, foi de 59,72 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 2,4% em relação às 61,22 milhões de toneladas moídas em 2017/18. Influências climáticas foram o principal ponto de redução.

Os dados foram divulgados em maio pela Cosan, principal acionista e controladora da Raízen.

No período, o Ebitda da empresa também caiu – o indicador mede o desempenho operacional da companhia, trazendo os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No acumulado da safra, ele foi de R$ 2,9 bilhões, uma redução de 4,6% ante a temporada anterior.

Conforme o relatório da Cosan, o resultado foi uma “combinação atípica” da queda na produção de açúcar no Brasil com os preços baixos da commodity internacionalmente, além da redução da produtividade, que impactou os custos de produção.

São Martinho: melhores resultados e melhor posição no ranking

A usina São Martinho, do grupo de mesmo nome, teve uma melhora em seu desempenho ante 2017 e, consequentemente, subiu para a terceira posição no ranking do setor. Seu lucro líquido foi de US$ 129,2 milhões, uma melhora de 48% frente aos US$ 87,4 milhões de 2017.

Já as vendas líquidas somaram US$ 674,2 milhões, uma redução de 1,2% ante os US$ 682,4 milhões de 2017. O endividamento geral teve um pequeno aumento, de 55,8% para 59,2%.

exame lucros saomartinho 21.11.19

Porém, olhando para o grupo como um todo, o cenário muda de figura. Conforme dados divulgados em junho pela empresa, a moagem da companhia em 2018/19 foi de 20,45 milhões, 7,92% menor que a da temporada anterior. Vale destacar que, neste caso, os valores são referentes às quatro usinas do grupo e não apenas à usina São Martinho, que figura no ranking da Exame.

No acumulado do grupo, em 2019/18, o lucro líquido foi de R$ 314,05 milhões, 36,1% menor do que os R$ 491,71 milhões da temporada anterior. Assim como a Raízen, o CEO da São Martinho, Fábio Venturelli, afirma que a safra foi impactada pelo clima adverso. Ainda assim, ele destacou que este foi o segundo melhor desempenho da empresa.

Adecoagro: bons números, mas com ressalvas

O quinto lugar no ranking em 2018 ficou com a Adecoagro Vale do Ivinhema, do grupo Adecoagro. No ano, a usina teve um lucro líquido de US$ 76,9 milhões – 159,8% acima dos US$ 29,6 milhões de 2017. Este também foi o melhor desempenho da empresa na série histórica.

As vendas líquidas da companhia subiram de US$ 373,1 milhões para US$ 378,3 milhões na comparação entre 2017 e 2018. Por outro lado, o endividamento subiu de 58,2% para 64,4% no mesmo comparativo.

exame lucros valedoivinhema 21.11.19

Porém, analisando todas as usinas do grupo, que incluem ainda usina Angélica e Monte Alegre, o resultado foi de prejuízo. Apenas a Adecoagro Vale do Ivinhema aparece no ranking da Exame.

Em 2018, o grupo teve uma perda líquida de US$ 23,23 milhões. Em relatório divulgado em março, a empresa declarou que houve uma melhora de 13,9% no Ebitda ajustado, ficando em US$ 314,73 milhões. As perdas foram vinculadas à reavaliação da dívida em dólares da companhia e à variação cambial ao longo do ano.

O Ebitda do Adecoagro ainda foi afetado pela queda no preço médio dos produtos vendidos e pela desvalorização da cana no campo.

Comparativo entre as 20 melhores de cada ano

Olhando apenas para o resultado das 20 empresas com melhor desempenho em 2018, a soma do lucro líquido ajustado foi de US$ 1,19 bilhão – um montante 28,67% inferior aos US$ 1,67 bilhão de 2017.

Apesar da redução, o valor foi o segundo mais elevado da série histórica, acompanhando os demais resultados, como a soma do lucro líquido e a soma das vendas líquidas.

exame lucros 20 soma 21.11.19

O indicador de vendas líquidas é calculado pela diferença entre o valor das vendas brutas (deduzidas as devoluções e os abatimentos) e os impostos sobre vendas. Vale destacar que o NovaCana recalculou os dados das empresas para que sejam coerentes com o percentual de crescimento de vendas que é divulgado pela publicação.

Dentre as 20 maiores empresas, a soma deste índice em 2018 foi de US$ 9,84 bilhões, número 12,20% inferior ao de 2017, quando as vendas somaram U$$ 11,2 bilhões.

exame lucros 20 venda liquida 21.11.19

Apesar dos desempenhos em lucro e venda terem sido inferiores em relação ao ano anterior, o endividamento geral médio das 20 empresas com melhor desempenho caiu em 2018.

O índice é calculado pela soma do passivo circulante (dívidas e obrigações de curto prazo) com o passivo não circulante em relação ao ativo total ajustado. O resultado é mostrado em porcentagem e representa a participação de recursos financiados por terceiros na operação da empresa, medindo o nível de risco do negócio.

Em 2018, o indicador médio das 20 empresas mais lucrativas foi de 61,8%. Este resultado só foi menor em 2011, com 60,7%. Em 2017, o endividamento médio ficou em 64,5%.

exame lucros 20 endividamento 21.11.19

Metodologia da análise

A avaliação da Exame referente a 2018 foi feita com mais de 3.000 empresas brasileiras e teve a coordenação da Fipecafi, compreendendo as demonstrações contábeis publicadas em Diário Oficial até 15 de maio de 2019. As companhias limitadas, que mandaram seus resultados para análise e responderam aos questionários, também foram incluídas.

O efeito da inflação foi considerado nos números, sendo que também foram tomados como base os resultados individuais e não consolidados, a fim de medir o desempenho por empresa. De acordo com a publicação, o objetivo é que nenhuma companhia saia prejudicada na avaliação, além de padronizar os números para o caso de empresas que fecham o balanço antes ou depois da maioria. Os valores são divulgados em dólares, de acordo com a flutuação e o câmbio do último dia do ano analisado.

Dentre os critérios de seleção estão ser uma das 1.000 maiores empresas privadas ou estatais, com vendas líquidas anuais superiores a US$ 140 milhões, e ser uma das dez maiores ou 15 melhores do respectivo setor.

Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida não é a mais recomendada, pois considera o ano civil de 2018 e não o ano fiscal das companhias, geralmente contabilizado de abril a março. Desta forma, os valores divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.

Outra questão é que a lista não agrupa o balanço dos grupos, permitindo uma separação entre as unidades e as empresas vinculadas. Quanto às empresas de porte significativo que são bem conhecidas no mercado, mas preferem não divulgar seus números, os analistas da revista estimam seu faturamento para não as deixar de fora da lista.

NovaCana DATA

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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