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Adecoagro amplia moagem e reduz custos, mas não impede queda nos resultados [32 gráficos]

Em 2018, companhia melhorou resultados operacionais no setor de açúcar e etanol e direcionou 74% da matéria-prima para a produção do biocombustível

NovaCana 9 min de leitura

A multinacional agrícola Adecoagro – com sede em Luxemburgo e operações no Brasil, na Argentina e no Uruguai – divulgou um prejuízo de US$ 23,23 milhões no acumulado de 2018. Ainda assim, a empresa alega uma melhora de 13,9% no Ebitda ajustado, totalizando US$ 314,73 milhões. As perdas foram atribuídas à reavaliação da dívida em dólares da companhia e aos efeitos da variação cambial ao longo do ano, ou seja, a fatores externos ao desempenho operacional.

A maior parte desse Ebitda está concentrada nas operações de açúcar e etanol da Adecoagro, que controla duas usinas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais. A companhia afirma que o resultado ajustado do segmento foi de US$ 238,28 milhões em 2018. Contudo, neste caso, houve uma retração de 3,6% na comparação com o resultado de 2017.

Segundo a divulgação dos resultados financeiros da empresa, o Ebitda foi afetado pela queda no preço médio dos produtos vendidos e pela desvalorização da cana no campo. Ainda assim, o efeito poderia ter sido pior. “Nossos custos de produção mais baixos foram totalmente compensados por preços de venda mais baixos”, aponta o release de resultados.

O NovaCana reuniu os resultados da Adecoagro dos últimos cinco anos e elaborou 32 gráficos com os principais resultados da companhia.

- Evolução do Ebitda ajustado e da margem Ebitda da Adecoagro
- Histórico de moagem
- Volume de Açúcar Total Recuperável por ano
- Evolução do rendimento dos canaviais
- Indicadores de desempenho agrícola
- Histórico da área plantada total, da área colhida a da área de expansão ou renovação
- Produção de açúcar, etanol (total, anidro e hidratado) e energia
- Evolução das vendas líquidas (total e por produto): volume, receita e preço médio
- Posição dos estoques de açúcar e etanol: por volume e por valor
- Histórico do mix de produção
- Taxa de eficiência da cogeração de eletricidade
- Custos de produção por categoria
- Investimentos no setor de açúcar e etanol
- Perfil da dívida líquida da companhia

A multinacional agrícola Adecoagro – com sede em Luxemburgo e operações no Brasil, na Argentina e no Uruguai – divulgou um prejuízo de US$ 23,23 milhões no acumulado de 2018. Ainda assim, a empresa alega uma melhora de 13,9% no Ebitda ajustado, totalizando US$ 314,73 milhões. As perdas foram atribuídas à reavaliação da dívida em dólares da companhia e aos efeitos da variação cambial ao longo do ano, ou seja, a fatores externos ao desempenho operacional.

A maior parte desse Ebitda está concentrada nas operações de açúcar e etanol da Adecoagro, que controla duas usinas em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais. A companhia afirma que o resultado ajustado do segmento foi de US$ 238,28 milhões em 2018. Contudo, neste caso, houve uma retração de 3,6% na comparação com o resultado de 2017.

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Segundo a divulgação dos resultados financeiros da empresa, o Ebitda foi afetado pela queda no preço médio dos produtos vendidos e pela desvalorização da cana no campo. Ainda assim, o efeito poderia ter sido pior. “Nossos custos de produção mais baixos foram totalmente compensados por preços de venda mais baixos”, aponta o release de resultados.

De acordo com a companhia, diversos fatores impediram uma queda mais drástica. Entre eles estão: a maximização da produção de etanol, de forma a aproveitar a rentabilidade do biocombustível em relação ao açúcar; a redução de 22,8% nos custos fixos, causada por uma maior moagem; a diminuição de 21,7% no custo unitário, auxiliada pela desvalorização do real perante o dólar; e um ganho de US$ 12,9 milhões graças às posições de hedge estabelecidas previamente pela companhia.

Etanol valorizado

Segundo a Adecoagro, o etanol anidro rendeu 32% a mais que o açúcar em 2018, enquanto o hidratado teve um prêmio de 26,1%. Porém, ainda assim, o preço médio do biocombustível caiu 8,2% na comparação com o ano anterior, de US$ 493,47/m³ para US$ 452,88/m³.

Entretanto, com o aumento de 46,5% no volume vendido, que chegou a 644,2 milhões de litros em 2018, a receita com o produto subiu 34,46%, indo de US$ 216,98 para US$ 291,75 milhões. Conforme a Adecoagro, a companhia direcionou 73,8% de sua matéria-prima para a fabricação do biocombustível – um recorde, segundo a própria empresa.

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No ano, a produção de etanol da companhia somou 675 milhões de litros – um crescimento de 55,52% em relação aos 434,02 milhões de litros de 2017. Deste total, o volume de etanol hidratado foi de 470,45 milhões de litros (+79,2%) e o de anidro foi de 204,55 milhões de litros (+19,28%).

Já a produção de açúcar caiu 39,31% no mesmo comparativo, de 567,07 mil para 344,14 mil toneladas. “O alto grau de flexibilidade nos permite fazer um melhor uso de nossos ativos fixos e constitui uma de nossas principais vantagens competitivas”, comemora a empresa.

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Como consequência da queda na produção, também foi registrada uma diminuição de 58,04% na receita com a venda de açúcar, que atingiu US$ 127,88 milhões em 2018.

O número reflete um volume vendido 45,11% menor – 451 milhões de toneladas, ante 822,57 milhões de toneladas em 2017 –, acompanhado por uma queda de 23,56% no preço médio, que foi de US$ 370/t para US$ 283/t.

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Estoques elevados

Conforme os dados apresentados pela Adecoagro, em 31 de dezembro, os estoques de etanol da companhia somavam 100,57 milhões de litros – alta de 45,44% na comparação anual. Isso indica que a empresa foi além da tendência das demais sucroenergéticas do Centro-Sul brasileiro, que registraram alta de 20,41% no mesmo comparativo.

“Nossa estratégia estava alinhada com a que buscamos no ano passado. Os estoques de etanol foram mantidos até fevereiro de 2019, permitindo-nos capturar preços mais altos”, justifica a Adecoagro.

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Ligeira queda na cogeração

Já em relação à energia elétrica, a companhia alega que o melhor preço médio – US$ 65,88/MWh (+4,06%) – não foi suficiente para compensar a queda de 10,24% no volume vendido. Desta forma, a receita da companhia com o produto caiu em 6,59%, de US$ 54,5 milhões em 2017 para US$ 50,9 milhões em 2018.

Apesar do aumento na moagem, a Adecoagro apresentou uma queda anual de 0,97% na produção de energia elétrica, que foi de 705,54 gigawatts-hora em 2018. O resultado foi prejudicado principalmente pela diminuição na eficiência da cogeração, que caiu de 70 kWh/t para 62 kWh/t.

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“Essa ligeira redução foi explicada por nossa estratégia comercial de maximizar as exportações de energia durante o terceiro trimestre de 2018 para lucrar com preços mais altos”, afirma a companhia, que continua: “Como resultado, entramos no quarto trimestre sem excesso de bagaço em relação ao mesmo período do ano passado, quando queimamos não apenas o bagaço produzido no período, mas também o que retínhamos no estoque”.

Economia no campo

Ao longo de 2018 (período de janeiro a dezembro), a moagem da Adecoagro foi de 11,36 milhões de toneladas de cana – um aumento de 10,91% ante as 10,24 milhões de toneladas registradas um ano antes.

“A maior disponibilidade de cana, aliada ao clima adequado durante os meses de novembro e dezembro, explica o aumento na moagem. Ao mesmo tempo, uma maior eficiência agrícola e industrial contribuiu para o aumento das atividades de esmagamento”, relata o documento.

adecoagro 2018 1 moagem

Na divulgação de seus resultados, a Adecoagro afirmou que a maior moagem ajudou na diluição dos custos fixos. De acordo com a companhia, houve uma melhora anual de 2,8% no índice de moagem por hora.

Além disso, considerando a qualidade da cana-de-açúcar, medida a partir do Açúcar Total Recuperável (ATR), a quantidade de matéria-prima para uso industrial subiu ainda mais, 13%, indo de 1,33 milhões de toneladas em 2017 para 1,51 milhões de toneladas em 2018. “Vale destacar a contribuição positiva para a diluição de custos, considerando que a maior parte do custo de produção é fixa”, garante.

Para completar, o rendimento nos canaviais em 2018 foi de 89,3 t/ha, alta de 4,9% em relação às 85,1 t/ha vistas no ano anterior. Dessa forma, a companhia atingiu 11,39 toneladas de ATR por hectare – um crescimento anual de 5,36%.

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“Os maiores rendimentos foram principalmente explicados por melhorias na eficiência agrícola e por chuvas acima da média, o que favoreceu o desenvolvimento da cana”, justifica a empresa.

Crescer para reduzir custos

Ainda segundo a Adecoagro, os investimentos no setor sucroenergético em 2018 corresponderam a mais de 80% do Capex total da companhia, com US$ 176,61 milhões – 2,54% a mais que em 2017.

A maior parcela deste valor, US$ 59,92 milhões, foi destinada à manutenção de equipamentos industriais e agrícolas, um total 16,18% menor que o visto no ano anterior. Na sequência, US$ 59,34 milhões foram aplicados na expansão industrial e de plantio (+19,61%), enquanto os US$ 57,35 milhões restantes foram direcionados para a manutenção dos canaviais (+12,14%).

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Em 31 de dezembro, segundo a Adecoagro, a área plantada total da companhia era de 153,69 mil hectares – uma expansão de 7% em relação a 2017. “O plantio de cana-de-açúcar continua sendo uma estratégia fundamental para suprir nossas usinas com matéria-prima de qualidade a baixo custo”, alega.

Em 2018, a companhia cultivou 29,65 mil hectares de cana – 27,17% a mais que no ano anterior –, sendo que 10,7 mil hectares foram de expansão e 19,58 mil hectares foram de renovação dos canaviais.

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“Todos os nossos esforços são dedicados a aumentar ainda mais a eficiência para continuar reduzindo o custo total do caixa. Vale ressaltar que, à medida que aumentamos as operações em nosso cluster, o custo caixa continuará sua tendência de queda à medida que mais custos fixos forem diluídos”, promete a companhia.

Em 2018, os custos brutos da companhia com o setor sucroenergético totalizaram US$ 341,14 milhões – uma redução anual de 8,12%. Segundo a companhia, as maiores quedas relativas aconteceram justamente com a redução de 61,49% nos gastos com cana de terceiros (de US$ 34,16 mi para US$ 13,15 mi) e com a diminuição de 15,62% nos custos com parcerias agrícolas (de US$ 41,08 mi para US$ 34,67 mi).

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Posição das dívidas

Ao mesmo tempo, as dívidas líquidas da Adecoagro também cresceram. Em 31 de dezembro, a companhia acumulava débitos de US$ 698,53 milhões com o setor sucroenergético – equivalente a 81,03% do total da companhia.

Deste montante, US$ 635,99 milhões são referentes a dívidas com vencimento em médio e longo prazo, enquanto R$ 62,54 milhões tem vencimento ao longo de 2019.

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Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a dívida total cresceu em 2,45%. Esse aumento se deu pela posição dos débitos de longo prazo, que aumentou em 3,08%. Em contrapartida, o montante com vencimento em até 12 meses caiu 3,54%.

Renata Bossle – NovaCana

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