Mesmo com duas empresas a menos que no levantamento de 2016, lucro é o maior da série histórica. A soma dos lucros deste grupo de usinas aumentou em mais de 42%
O ano de 2017 apresentou inúmeras dificuldades para as empresas de açúcar e etanol. Em relação a outros 25 setores da economia, as sucroenergéticas ficaram abaixo da média em sete indicadores econômico-financeiros, conseguindo um resultado positivo apenas na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Por outro lado, comparando o setor com ele mesmo em anos anteriores, é possível verificar uma sensível melhora no lucro líquido ajustado e nas vendas líquidas, por exemplo. A afirmação se baseia nos dados divulgados anualmente pela revista Exame, que compila os resultados das 1.000 maiores empresas do país.
Os números do setor sucroenergético foram reunidos pelo NovaCana e mostram que, na publicação referente a 2017, 83 companhias entraram no ranking – seis a menos que em 2016. Destas, 57 apresentaram lucro, duas a menos no mesmo comparativo, e 24 apresentaram prejuízo. As duas restantes não tiveram seus dados de lucro líquido ajustado divulgados.
O ranking publicado pela Exame é feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e apresenta as 1.000 empresas brasileiras de maior receita líquida. Desta forma, a publicação contempla apenas uma fração do setor sucroenergético, dando um panorama com base nos resultados das maiores companhias, mas a realidade da maioria das empresas fica de fora.
Mesmo tendo reduzido a quantidade de empresas na comparação anual, esse foi o segundo maior resultado em número de unidades que fecharam as contas no azul. A soma dos lucros líquidos ajustados foi o grande destaque, além de ser o maior da série histórica: US$ 2,17 bilhões, um aumento de 42,34% ante 2016, quando os ganhos somaram US$ 1,52 bilhões.
Confira na versão completa:
- Ranking dos maiores do setor em 2017
- Maiores lucros por grupo em 2017
- Lucro médio e total do setor em 2017
- Indicadores de lucro, endividamento total e vendas líquidas dos 20 maiores lucros
- Histórico das cinco empresas que mais lucraram em 2017
O ano de 2017 apresentou inúmeras dificuldades para as empresas de açúcar e etanol. Em relação a outros 25 setores da economia, as sucroenergéticas ficaram abaixo da média em sete indicadores econômico-financeiros, conseguindo um resultado positivo apenas na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Por outro lado, comparando o setor com ele mesmo em anos anteriores, é possível verificar uma sensível melhora no lucro líquido ajustado e nas vendas líquidas, por exemplo. A afirmação se baseia nos dados divulgados anualmente pela revista Exame, que compila os resultados das 1.000 maiores empresas do país.
Os números do setor sucroenergético foram reunidos pelo NovaCana e mostram que, na publicação referente a 2017, 83 companhias entraram no ranking – seis a menos que em 2016. Destas, 57 apresentaram lucro, duas a menos no mesmo comparativo, e 24 apresentaram prejuízo. As duas restantes não tiveram seus dados de lucro líquido ajustado divulgados.

O ranking publicado pela Exame é feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e apresenta as 1.000 empresas brasileiras de maior receita líquida. Desta forma, a publicação contempla apenas uma fração do setor sucroenergético, dando um panorama com base nos resultados das maiores companhias, mas a realidade da maioria das empresas fica de fora.
Mesmo tendo reduzido a quantidade de empresas na comparação anual, esse foi o segundo maior resultado em número de unidades que fecharam as contas no azul. A soma dos lucros líquidos ajustados foi o grande destaque, além de ser o maior da série histórica: US$ 2,17 bilhões, um aumento de 42,34% ante 2016, quando os ganhos somaram US$ 1,52 bilhões.

Esse também havia sido um ponto de destaque em 2016, com as usinas apresentando sensível melhora frente aos anos anteriores, fato repetido e ampliado em 2017. Dessa forma, a média dos lucros ficou em US$ 38,1 milhões por empresa, número 47,09% superior ao ano anterior e também o maior da série histórica.

As 20 melhores do setor
Observando os 20 melhores resultados do setor sucroenergético em 2017 é possível analisar de perto os números favoráveis. O lucro líquido ajustado, que é apurado depois de considerados os efeitos da inflação nas demonstrações contábeis, foi de US$ 1,6 bilhão, um aumento de 47,75% frente ao US$ 1,13 bilhão do ano anterior. O terceiro montante mais elevado dos últimos anos foi em 2011: US$ 979,3 milhões.

Outro indicador pertinente é o de vendas líquidas, calculado pela diferença entre o valor das vendas brutas (deduzidas as devoluções e os abatimentos) e os impostos sobre vendas. Neste caso, as 20 mais lucrativas do setor venderam o total de US$ 11,2 bilhões, um aumento de 49,4% ante os US$ 7,49 bilhões de 2016 – o maior valor antes de 2017 foi em 2014, com US$ 9,31 bilhões.

Um terceiro indicador é a média do endividamento geral do setor, calculado pela soma do passivo circulante (dívidas e obrigações de curto prazo) com o passivo não circulante em relação ao ativo total ajustado. O resultado é mostrado em porcentagem e representa a participação de recursos financiados por terceiros na operação da empresa, medindo o nível de risco do negócio.
Neste quesito, não houve melhora como nos outros dois indicadores: o percentual da média de endividamento foi de 59,2% em 2017, frente aos 53,8% de 2016, o menor da série histórica.

Sobe e desce no ranking
Ao compilar os 57 lucros do setor é possível notar alguns nomes recorrentes no ranking, mas também há mudanças bem evidentes.
No cenário de manutenções, a Raízen Energia e a Alto Alegre permaneceram nas mesmas posições em relação a 2016: primeiro e terceiro, respectivamente, mas com montantes mais elevados.
Já na ala de empresas que se recuperaram está a do grupo Unialco, que obteve o segundo maior lucro, de US$ 207,3 milhões. A companhia havia sofrido um prejuízo de US$ 28,2 milhões em 2017.
Outra sensível recuperação foi a da Petrobras Biocombustível, que havia perdido US$ 287,2 milhões em 2016 e obteve um saldo positivo de US$ 40,6 milhões em 2017. A subsidiária da Petrobras somente havia registrado prejuízos desde sua criação. O lucro veio depois que a estatal se desfez da maior parte dos seus ativos no setor de biocombustíveis.
Já a Usina Delta, que ocupou a 13ª posição em 2016, subiu para a quarta em 2017, com US$ 102,8 milhões. Cenário semelhante da Alta Mogiana, que cresceu da 28ª posição para sexta no mesmo comparativo.
Por outro lado, a Jalles Machado não teve o mesmo desempenho: caiu da quinta para a 16ª posição no comparativo entre 2016 e 2017. Outro exemplo é a Usina São Manoel, que caiu da sétima para a 23ª colocação.

O NovaCana compilou os dados completos das usinas e elaborou gráficos e planilhas interativas que podem ser acessadas na plataforma NovaCana DATA.
Raízen Energia
A Raízen Energia ocupa, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking de lucro líquido ajustado. Com um ganho de US$ 408,9 milhões – 16,33% a mais que em 2016, quando foi de US$ 351,5 milhões –, a empresa atingiu também o maior resultado do setor na série histórica.

Por outro lado, as vendas líquidas da companhia foram menores, de US$ 1,92 bilhão em 2017, uma redução de 10,1%. Em contrapartida, o endividamento ficou em 48,3%, pouco menor que os 54,3% registrados em 2016.
A empresa, controlada pelo grupo Cosan, divulgou um lucro de R$ 504,53 milhões na safra 2017/18 – fatores como falta de chuva e vendas feitas em dólares colaboraram negativamente para os resultados da empresa. Os dados divulgados pela Exame se diferem por questões metodológicas ao considerarem o período de janeiro a dezembro em detrimento do ano-safra.
Unialco
Enquanto a Raízen repete o bom resultado, o Unialco surpreende.
O grupo passou por dificuldades e entrou em recuperação judicial em novembro de 2015. Em 2016, a companhia teve um prejuízo de US$ 28,2 milhões, que foi transformado em um lucro de US$ 207,3 milhões em 2017, cifra que garante o segundo lugar no ranking.

Em nove anos de análise pela Exame, a empresa registrou resultados no vermelho em sete. Inclusive, o lucro de 2017 reverte um quadro de prejuízos por seis anos consecutivos – o maior deles em 2014, com US$ 41,3 milhões.
Na comparação com 2016, as vendas líquidas da companhia tiveram um aumento de 15,5%, indo para US$ 93,9 milhões em 2017.
Entretanto, as dívidas seguem bastante elevadas. O indicador de endividamento utilizado pela publicação apontava uma relação entre passivos e ativos de 207% em 2016, valor que foi amenizado em 2017, caindo para 106,4%. Ainda assim, isso indica que mesmo uma venda integral das operações não conseguiria cobrir os débitos.
Alto Alegre
Em nove anos de publicação da Exame, a Alto Alegre teve prejuízos em dois – de US$14,7 milhões em 2015 e de US$ 2,8 milhões em 2009. Em 2017, a empresa teve o seu maior lucro na série histórica, com US$ 132 milhões, o que garantiu o terceiro lugar no ranking. O montante é 83,08% superior aos ganhos de 2016, que foram de US$ 72,1 milhões.

As vendas líquidas da Alto Alegre tiveram um pequeno decréscimo de 1,31%, caindo para US$ 542,8 milhões – por outro lado, o índice de endividamento geral também reduziu, indo de 69,1% para 62,8%.
A empresa integra o grupo Lincoln Junqueira, que também controla a Alta Mogiana. O grupo apresentou lucro de R$ 352,57 milhões na temporada 2017/18, sendo que a Alto Alegre foi responsável por R$ 231,10 milhões deste montante.
No ranking, a Alta Mogiana também apresenta um resultado bastante favorável e ocupa o sexto lugar, com lucro de US$ 80 milhões – uma elevação de 409,55% frente a 2016.
Usina Delta
A Usina Delta está presente na relação de maiores empresas desde 2012, com dados de lucro líquido divulgados a partir de 2014. Em 2016, o resultado da empresa foi positivo em US$ 32,2 milhões, número que cresceu para US$ 102,8 milhões no ano seguinte, uma ampliação de 219,25%.

Além disso, as vendas líquidas da empresa aumentaram em 7,5%, de US$ 446,6 milhões para US$ 479,9 milhões entre 2016 e 2017. Já o índice de endividamento caiu de 60% para 56,4% no mesmo comparativo.
Usina São Martinho
A Usina São Martinho, do grupo de mesmo nome, obteve um lucro de US$ 87,3 milhões em 2017 – um acréscimo de 32,67% ante 2016, quando obteve US$ 65,8 milhões –, seu recorde na série histórica. A companhia vem registrando lucros desde 2010.

No mesmo comparativo, as vendas cresceram 3%, chegando a US$ 770,2 milhões. Já o índice de endividamento reduziu, indo de 62,7% para 55,8%.
Além da São Martinho, outra empresa do grupo elenca o ranking: a Usina Boa Vista. Em 2017, o lucro da empresa foi de US$ 43,2 milhões, ficando em 13º no ranking – neste caso, porém, houve uma redução de 17,24% frente a 2016 no lucro.
Unindo as duas empresas do grupo, os ganhos foram de US$ 130,5 milhões, um aumento de 10,59% ante os US$ 118 milhões de 2016. Em julho de 2018, o grupo São Martinho participou da compra de canaviais junto da Raízen Energia, em uma transação no valor de R$ 118 milhões.
Metodologia
A avaliação da Exame referente a 2017 foi feita com mais de três mil empresas brasileiras e teve a coordenação da Fipecafi, compreendendo as demonstrações contábeis publicadas em Diário Oficial até 14 de maio de 2018. As companhias limitadas, que mandaram resultados para análise e responderam aos questionários, também foram incluídas.
O efeito da inflação foi considerado no resultado, sendo que também foram tomados como base os resultados individuais e não consolidados, a fim de medir o desempenho por empresa. A ideia é que nenhuma companhia saísse prejudicada na avaliação, além de padronizar os números para o caso de empresas que fecham o balanço antes ou depois da maioria. Os valores são divulgados em dólares, de acordo com a flutuação e o câmbio do último dia do ano analisado.
Dentre os critérios de seleção estão ser uma das 1.000 maiores empresas privadas ou estatais, com vendas líquidas anuais superiores a US$ 152,3 milhões, ser uma das 10 maiores ou 15 melhores do respectivo setor e ser uma das 100 maiores das regiões Centro-Oeste, Norte-Nordeste e Sul.
Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida é problemática, pois considera o ano civil de 2017 e não o ano fiscal das companhias, que envolve a temporada inteira – deixando de fora o último trimestre da safra, já que os resultados começam a ser divulgados em junho do ano posterior. Desta forma, os valores divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.
Outro porém é que a lista não agrupa o balanço dos mesmos grupos, permitindo uma separação entre as unidades do Grupo Virgolino de Oliveira e da Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial), por exemplo. Quanto às empresas de porte significativo que são bem conhecidas no mercado, mas preferem não divulgar seus números, os analistas da revista estimam seu faturamento para não as deixar de fora da lista.
NovaCana DATA
Dados financeiros completos das maiores empresas do setor sucroenergético
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana