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Raízen lucra R$ 285,2 milhões em 2018/19 – a safra da companhia detalhada em 35 gráficos

Gráficos exclusivos apresentam resultados financeiros, industriais e agrícolas da Raízen Energia – trimestre a trimestre – nas últimas cinco safras. Moagem, mix de produção, vendas, receitas, lucro e estoques estão entre os aspectos observados


novaCana.com - 23 mai 2019 - 10:18 - Última atualização em: 05 set 2019 - 14:57

A safra 2018/19 foi marcada por recuos nos resultados da Raízen Energia. Conforme dados apresentados pela Cosan, principal acionista e controladora da sucroenergética, a moagem no período foi de 59,72 milhões de toneladas – queda de 2,4% em relação às 61,22 milhões de toneladas vistas em 2017/18.

Financeiramente, a queda foi sentida com mais intensidade. Embora o resultado líquido da companhia na última safra tenha sido positivo em R$ 285,25 milhões, ele representa uma queda de 43,5% no comparativo anual. Esse também é o desempenho mais fraco da companhia desde a safra 2014/15.

De acordo com a Cosan, a queda na moagem foi causada principalmente por conta de uma diminuição no rendimento dos canaviais, provocado por influência do clima; ainda que esse fator tenha sido parcialmente compensado por conta de uma melhora na concentração de açúcar total recuperável (ATR) na cana.

Em relação aos resultados financeiros, a companhia justifica que eles acompanharam as flutuações nos preços. “As cotações internacionais de açúcar estiveram pressionadas durante todo o período, em razão do nível elevado dos estoques globais da commodity”, argumentam.

Como consequência, a Raízen optou por aumentar o direcionamento do mix de produção para o etanol. Na média da temporada 2018/19, 52% da matéria-prima foi destinada à fabricação do biocombustível, ante 45% na safra anterior. Apesar disso, o indicador foi inferior à média do Centro-Sul, que direcionou 64,8% da cana-de-açúcar para o etanol no período.

Indicadores financeiros

Ao longo da safra, a Raízen somou uma receita de R$ 22,41 bilhões – superando o resultado de 2017/18 em 51,9%. Entretanto, há algumas diferenças na contabilização desse valor em relação aos anos anteriores, como a consolidação dos resultados da comercializadora de energia elétrica WX, em agosto de 2018.

O valor mais significativo, entretanto, veio com a inclusão das operações de trading de derivados, que passaram a ser contabilizados no começo da safra 2018/19. “Estas operações podem impactar de forma relevante a receita e o custo, de acordo com as oportunidades de mercado, mas geram impacto limitado no lucro bruto”, afirma a Cosan.

Para efeito de comparação, a receita líquida nesta categoria saltou mais de 545%, indo de R$ 920,5 milhões em 2017/18 para R$ 5,94 bilhões na última temporada.

Além disso, no acumulado da safra, o Ebitda da Raízen foi de R$ 2,9 bilhões (-4,6%), com Ebitda ajustado de R$ 2,89 bilhões (-29,3%). De acordo com a Cosan, o resultado foi marcado pela “combinação atípica” da queda na produção de açúcar no Brasil, com preços depreciados da commodity, e a menor produtividade na safra, que impactou os custos de produção.

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Indicadores de vendas

Em relação aos principais produtos da Raízen Energia, a receita com açúcar totalizou R$ 3,9 bilhões – queda anual de 28,2% ante 2017/18. Segundo a empresa, isso aconteceu devido ao menor volume vendido da commodity, acompanhado por um preço médio 20% inferior.

Em relação ao etanol, a receita no ano-safra foi de R$ 9,09 bilhões – alta de 22,2%. “A receita líquida reflete a estratégia de maximização da produção do biocombustível, em função da expansão do volume vendido (+12%) com preço médio superior (R$ 1.874/m³)”, detalha a Cosan.

Por fim, a receita com cogeração cresceu em 263,7% na safra 2018/19, atingindo R$ 3,46 bilhões. “O aumento na receita reflete principalmente o maior volume vendido, impactado pela consolidação das operações da WX, nossa comercializadora de energia elétrica”, reforça a empresa.

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Indicadores de moagem e produção

Ao longo da safra 2018/19, a Raízen moeu 59,72 milhões de toneladas – queda anual de 2,4%. Além disso, no último trimestre da temporada, todas as 159 mil toneladas de cana-de-açúcar moídas tiveram origem em propriedades de terceiros.

Devido à estratégia de priorizar o etanol, a produção de açúcar da temporada teve uma diminuição anual ainda mais acentuada, de 14,5%, e somou 3,67 milhões de toneladas. Ao longo da safra, aproximadamente 48% da cana-de-açúcar da Raízen foi direcionada para o açúcar, ante 55% em 2017/18.

A fabricação de etanol, por sua vez, totalizou 2,6 bilhões de litros – aumento de 18,04%. Desse total, 929 milhões de litros foram de etanol anidro (+2,99%) e 1,67 bilhão de litros de etanol hidratado (+28,44%).

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Indicadores industriais e agrícolas

Conforme os números disponibilizados pela Cosan, em 2018/19, os canaviais da Raízen produziram, em média, 70,39 toneladas de cana por hectare. O resultado é 6,7% inferior às 75,43 t/ha registradas na safra anterior e estão mais de 20 t/ha abaixo do recorde da companhia, as 92,21 t/ha obtidas em 2016/17.

Ainda assim, o número foi parcialmente compensado pelo aumento na concentração de açúcar total recuperável (ATR) na cana. Na safra, a Raízen registrou um índice de 137,04 kg/t, um valor 7,9% acima do visto em 2017/18.

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Indicadores de estoques

Mesmo com a alta produção de etanol, a Raízen Energia encerrou a safra com estoques 18% menores que os vistos na temporada anterior. Eram 291 milhões de litros, ante os 355 milhões registrados um ano antes. Segundo a companhia, o volume era equivalente a R$ 361,7 milhões.

Já em relação ao açúcar, os estoques no encerramento da safra somavam 91,6 mil toneladas – alta de 45% no comparativo anual. Considerando um valor médio de quase R$ 1.000/t, a Cosan calcula que o volume equivale a, aproximadamente, R$ 91,6 milhões.

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Renata Bossle – novaCana.com


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