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Em comparativo de 25 setores, sucroenergéticas sofreram mais com a crise de 2017

Ranking traz o resultado financeiro dos 25 maiores setores da economia em 2017; setor de açúcar e etanol apresenta pouca recuperação

NovaCana 10 min de leitura

Enquanto 2016 foi um ano de apreensão para as empresas brasileiras em diversos setores da economia, 2017 se demonstrou um alento. Especificamente para o setor sucroenergético, porém, aconteceu o contrário.

Após anos de dificuldades financeiras, 2016 proporcionou bons preços do açúcar no mercado internacional e um aquecimento na demanda por etanol, permitindo que muitas das empresas do setor pudessem ter um ano mais tranquilo financeiramente, como realmente aconteceu.

Porém, 2017 trouxe desafios para as empresas sucroenergéticas, o que se refletiu nos resultados. A base dos dados para a análise é a publicação Valor 1000, que traz uma relação dos resultados financeiros das mil empresas de maior renda líquida do país.

A partir desses dados, o NovaCana reuniu os desempenhos médios dos 25 setores da economia contemplados. Por meio de oito indicadores, é possível comparar o resultado financeiro da elite do setor sucroenergético com as maiores companhias de outros ramos.

Na análise mais recente, referente a 2017, o setor de açúcar e etanol só conseguiu ficar acima da média nos indicadores de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), liquidez corrente e giro do ativo. Com esses números, é possível observar que há uma preocupação das usinas na melhora de seus resultados operacionais.

Por outro lado, o setor caiu de posição em rentabilidade e cobertura de juros, além de ficar entre as piores médias nesses e em outros indicadores.

Confira o resultado das 36 maiores companhias sucroenergéticas em oito indicadores. As empresas consideradas para os cálculos foram (em ordem alfabética): Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), Adecoagro, Barralcool, Bevap Bioenergia, Biosev, Bunge, CerradinhoBio, Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), Companhia Agrícola Colombo, Copersucar, Coprodia, Da Mata, Ferrari Agroindústria, Grupo Balbo, Grupo Maringá, Grupo Olho D'Água, Iaco Agrícola, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Melhoramentos, São Martinho, Usina Batatais, Usina Bazan, Usina Bela Vista, Usina Colombo, Usina Nardini, Usina Santa Adélia, Usina Santa Fé, Usina Santa Isabel, Usina Santa Terezinha, Usina São Manoel e Zilor.

Enquanto 2016 foi um ano de apreensão para as empresas brasileiras em diversos setores da economia, 2017 se demonstrou um alento. Especificamente para o setor sucroenergético, porém, aconteceu o contrário.

Após anos de dificuldades financeiras, 2016 proporcionou bons preços do açúcar no mercado internacional e um aquecimento na demanda por etanol, permitindo que muitas das empresas do setor pudessem ter um ano mais tranquilo financeiramente, como realmente aconteceu.

Porém, 2017 trouxe desafios para as empresas sucroenergéticas, o que se refletiu nos resultados. A base dos dados para a análise é a publicação Valor 1000, que traz uma relação dos resultados financeiros das mil empresas de maior renda líquida do país.

A partir desses dados, o NovaCana reuniu os desempenhos médios dos 25 setores da economia contemplados. Por meio de oito indicadores, é possível comparar o resultado financeiro da elite do setor sucroenergético com as maiores companhias de outros ramos.

Na análise mais recente, referente a 2017, o setor de açúcar e etanol só conseguiu ficar acima da média nos indicadores de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), liquidez corrente e giro do ativo. Com esses números, é possível observar que há uma preocupação das usinas na melhora de seus resultados operacionais.

Por outro lado, o setor caiu de posição em rentabilidade e cobertura de juros, além de ficar entre as piores médias nesses e em outros indicadores.

Confira o resultado das 36 maiores companhias sucroenergéticas em oito indicadores. As empresas consideradas para os cálculos foram (em ordem alfabética): Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), Adecoagro, Barralcool, Bevap Bioenergia, Biosev, Bunge, CerradinhoBio, Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), Companhia Agrícola Colombo, Copersucar, Coprodia, Da Mata, Ferrari Agroindústria, Grupo Balbo, Grupo Maringá, Grupo Olho D'Água, Iaco Agrícola, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Melhoramentos, São Martinho, Usina Batatais, Usina Bazan, Usina Bela Vista, Usina Colombo, Usina Nardini, Usina Santa Adélia, Usina Santa Fé, Usina Santa Isabel, Usina Santa Terezinha, Usina São Manoel e Zilor.

Receita líquida média

Mesmo em um ano de recessão econômica, o setor sucroenergético conseguiu melhorar em alguns indicadores. Um exemplo é o da receita líquida média, inclusive utilizado para selecionar as mil maiores empresas do país. Ele representa o resultado operacional das companhias, já com a dedução de impostos, descontos e devoluções.

A média das mil maiores empresas brasileiras cresceu 6,93% entre 2016 e 2017, passando de R$ 3,32 bilhões para R$ 3,55 bilhões. Isso se deveu a melhoras para os setores de petróleo e gás, alimentos e bebidas, TI e telecom, por exemplo.

25 setores variaçao receita liquida 221118

Para o setor sucroenergético, representado por 36 empresas, 2017 também foi melhor que o ano anterior, chegando à receita líquida média de R$ 2,39 bilhões, contra R$ 2,38 bilhões – um aumento de 0,35%.

O valor representa uma recuperação na comparação com os anos anteriores, pois houve uma queda de 0,4% em 2016. Ainda assim, o setor caiu uma posição na classificação geral, ficando atrás do setor farmacêutico e de cosméticos, que cresceu 4,14% entre os anos analisados.

25 setores receita liquida 221118

Liquidez corrente

Outro indicador em que o setor sucroenergético apresentou melhoria entre os dois últimos anos foi o de liquidez corrente. Seu valor é calculado pela divisão do ativo circulante (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo) sobre o passivo circulante (obrigações que devem ser pagas dentro de um ano como dívidas, empréstimos, impostos e outras contas).

No caso das empresas do setor de açúcar e álcool, a melhora foi de 58,65% entre 2016 e 2017, passando de 1,04 para 1,65 pontos na comparação. Assim, o setor ficou acima da média das mil maiores, de 1,29 pontos, após a queda de 4,44% entre os dois anos. Isso fez com que sua posição no ranking passasse da 22ª para a 10ª.

25 setores variaçao liquidez corrente 221118

Essa melhora para o setor também aconteceu em 2016 e significa que as companhias estão diminuindo seus endividamentos relativos de curto prazo, o que terá impactos futuros, como a diminuição das despesas financeiras e a possibilidade de melhores resultados.

25 setores liquidez corrente 221118

Giro do ativo

Já em relação ao giro do ativo, as maiores sucroenergéticas do país mantiveram a mesma pontuação observada em 2016: 0,77 pontos. Esse dado, obtido pela divisão da receita líquida pelo total do ativo, mostra o aproveitamento dos ativos no exercício.

A falta de mudança no resultado das empresas de açúcar e etanol, portanto, registra uma estabilidade na capacidade de geração de faturamento de acordo com o tamanho das companhias.

25 setores giro do ativo 221118

O valor do setor está acima da média das mil maiores, que terminou 2017 com 0,59 pontos, após uma queda de 1,66%. Ainda assim, sua posição no ranking caiu da 10ª para a 11ª graças ao melhor desempenho do setor de mecânica que, com 0,78 pontos, apresentou um aumento de 1,29% entre os dois anos.

25 setores variaçao giro do ativo 221118 V2

Cobertura de juros

Outro indicador em que o setor sucroenergético demonstrou melhora em relação a 2016 foi a cobertura de juros. Seu valor, obtido pela divisão do Ebitda pelas despesas financeiras, expressa a capacidade das empresas de lidar com o pagamento dos juros dos empréstimos e financiamentos.

Assim, em um setor que sofre com o alto endividamento, como é o caso do sucroenergético, esse índice se torna particularmente relevante. Em 2017, as maiores companhias de açúcar e etanol apresentaram uma melhora de 25,53% no indicador, crescendo de 1,41 para 1,77 pontos.

25 setores cobertura de juros 221118

Ainda assim, elas caíram na classificação entre os 25 setores da economia, passando da 13ª para a 18ª posição. Além disso, diferentemente de 2016, as sucroenergéticas terminaram o ano abaixo da média das mil maiores empresas do país.

Isso significa que, apesar da melhora no indicador, as usinas sucroenergéticas não se beneficiaram tanto quanto outros setores de um contexto econômico onde a cobertura de juros sofreu uma elevação de forma geral.

25 setores variação cobertura de juros 221118

Crescimento sustentável

Na comparação com 2016, o setor sucroenergético demonstrou queda nos outros indicadores analisados pela publicação.

Em relação ao crescimento sustentável, que é obtido pela divisão do percentual de aumento da receita líquida pelo percentual de aumento do patrimônio líquido ajustado (isento da reserva de reavaliação), as empresas de açúcar e etanol estão longe do ideal – que é o mais próximo de um ponto, uma vez que a equivalência entre os dados é considerada desejável.

25 setores crescimento sustentavel 221118

Em 2017, o setor ficou com 0,9060 pontos, 0,15% a menos que os 0,9074 de 2016. A pequena diferença fez sua posição no ranking se manter em 21º, um dos piores dentre os setores. O setor também está bem abaixo da média nacional – 0,9812, queda de 0,3% em relação aos 0,9842 de 2016 –, que está próxima do considerado ideal.

25 setores variaçao crescimento sustentavel 221118

Margem Ebitda

Já a margem Ebitda das maiores sucroenergéticas de 2017 caiu 2,51% entre 2016 e 2017, passando de 19,9% para 19,4%. O indicador compara empresas de diferentes portes em relação a sua capacidade de lucrar, desconsiderando fatores como a necessidade do pagamento de juros ou até mesmo taxações diferenciadas por setor.

25 setores variação margem ebitda 221118

A relação entre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e a receita líquida indicam o desempenho operacional das empresas. A queda observada para o setor indica uma diminuição na sua rentabilidade operacional.

Nesse caso, mesmo com a diminuição na margem e a queda de duas posições (da 8ª para a 10ª), o setor se destaca por estar acima da média das mil maiores empresas, que terminou 2017 com 17% – um pouco maior que os 16,6% de 2016.

25 setores margem ebitda 221118

Margem da atividade

A margem da atividade é obtida pela divisão do resultado operacional pelo total da receita líquida. Dessa maneira, o indicador demonstra a capacidade das empresas de efetivamente lucrar com seus produtos e serviços, considerando aspectos ignorados pela margem Ebitda.

Para o setor sucroenergético, esse valor vem diminuindo desde 2015, atingindo 5,4% em 2017 – em 2016 ele foi de 7,9%. A queda de 31,64% indica o alto comprometimento da indústria com o pagamento de dívidas e as taxas de depreciação dos ativos industriais e agrícolas.

25 setores variaçao margem da atividade 221118

Com esse resultado, o setor ficou novamente abaixo da média das mil maiores do país, de 8,9%, que subiu 3,49% em relação a 2016 como um reflexo da recuperação econômica após a crise do ano anterior.

25 setores margem da atividade 221118

Rentabilidade patrimonial

O pior índice para o setor sucroenergético na comparação entre os dois últimos anos é o da rentabilidade patrimonial. Calculado pela relação entre o resultado líquido e o patrimônio líquido no fim do exercício, ele representa a capacidade da empresa de lucrar em relação ao tamanho da companhia. É o indicador clássico de lucratividade.

Em 2017, as 36 maiores sucroenergéticas apresentaram uma queda de 60,43% no indicador, saindo de 13,9% para 5,5% – inclusive ficando abaixo da média das mil empresas, que alcançou 6,4% após subir 23% em relação a 2016.

25 setores variaçao rentabilidade patrimonial 221118

Com isso, o setor, que estava em 4º em 2016, ficou em 18ª posição no final de 2017, indicando que não compartilhou do alívio econômico demonstrado pelas companhias brasileiras em geral.

25 setores rentabilidade patrimonial 221118

NovaCana DATA

Rafaella Coury – NovaCana

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