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Produção em queda: 22 perspectivas para a safra 2021/22 de cana-de-açúcar [atualizado]

O contexto observado ao longo de 2020 será bastante sentido pelos canaviais brasileiros. Além disto, a restrição hídrica da entressafra não melhorou as possibilidades

NovaCana 18 min de leitura

Atualização (25/05, às 10h): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para atualizar as estimativas de MB Agro, Agroconsult e Datagro.

A safra 2021/22, que começou oficialmente em 1º de abril, tem um cardápio repleto de riscos e oportunidades para o setor sucroenergético. Na opinião do economista sócio da Datagro, Bruno Freitas, durante o evento Abertura de Safra, é a reação das usinas a este cenário que vai definir os resultados da nova temporada.

Os fatores, altistas e baixistas, são consequência de 2020: as variações na demanda por combustíveis e por açúcar a nível mundial; as incertezas sobre a pandemia de coronavírus; as irregularidades climáticas; a alta, e depois queda, do preço do petróleo; o câmbio alto; a retomada econômica; os incentivos governamentais; e muitos outros.

Estas variáveis estão sendo amplamente consideradas pelas consultorias e empresas especializadas que arriscam números para a safra 2021/22 de cana-de-açúcar. As 21 companhias com projeções nesta categoria até o início de maio afirmam que o Centro-Sul chegará a 575,47 milhões de toneladas de cana, em média, 4,57% abaixo do resultado de 2020/21, de 605,46 milhões conforme a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Com menos cana, as previsões para os produtos tampouco são altistas, mesmo que, no caso do açúcar, as exportações ajudem e, no do etanol, uma retomada na demanda possa trazer um alívio. O renovável do milho, por outro lado, segue uma tendência de crescimento.

Confira, na versão completa, restrita para assinantes, justificativas e gráficos para as previsões de produção de 22 companhias para a safra 2021/22.

Atualização (18/05, às 10h): O texto e os gráficos abaixo foram alterados para atualizar as estimativas de MB Agro e Agroconsult.

A safra 2021/22, que começou oficialmente em 1º de abril, tem um cardápio repleto de riscos e oportunidades para o setor sucroenergético. Na opinião do economista sócio da Datagro, Bruno Freitas, durante o evento Abertura de Safra, é a reação das usinas a este cenário que vai definir os resultados da nova temporada.

Os fatores, altistas e baixistas, são consequência de 2020: as variações na demanda por combustíveis e por açúcar a nível mundial; as incertezas sobre a pandemia de coronavírus; as irregularidades climáticas; a alta, e depois queda, do preço do petróleo; o câmbio alto; a retomada econômica; os incentivos governamentais; e muitos outros.

Estas variáveis estão sendo amplamente consideradas pelas consultorias e empresas especializadas que arriscam números para a safra 2021/22 de cana-de-açúcar. Em dezembro, primeiro levantamento sobre o período realizado pelo NovaCana, este cenário já estava posto, mas ainda faltava analisar a entressafra e os resultados de 2020/21.

À época, as 15 companhias participantes indicavam que seriam moídas 584,61 milhões de toneladas de cana-de-açúcar ao longo de 2021/22. A principal justificativa era a menor disponibilidade de matéria-prima devido às secas e suas consequências, como os incêndios observados ao longo do ano.

Agora, no novo levantamento, esta possibilidade se reforçou, especialmente após uma entressafra com menos umidade do que a média histórica do país. As 21 consultorias com projeções nesta categoria até o início de maio afirmam que o Centro-Sul chegará a 575,47 milhões de toneladas de cana, em média. Esta quantia está 1,56% abaixo da primeira pesquisa e é 4,95% menor que o resultado de 2020/21, de 605,46 milhões conforme a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Empresas como BP Bunge, Safras & Mercado e ED&F Man, além do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), estão com números bem próximos, entre 579,8 milhões e 580 milhões de toneladas, mas um pouco acima da média do setor.

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A chefe de pesquisa de açúcar da ED&F Man, Raissa Silva, afirma que o clima continua bastante preocupante no Centro-Sul, e que não esperava grandes melhoras ao longo de abril. “O cenário de clima e disponibilidade hídrica já não estava bom. Temos nosso número, mas continuamos de olho nas previsões, pois as chuvas podem não vir, deixando muitas regiões sem umidade por um período muito longo”, comenta.

O USDA acrescenta que a questão climática combinada com as altas temperaturas do verão brasileiro favoreceram a incidência de incêndios nos canaviais, prejudicando a plantação. Além disso, os competitivos preços dos grãos apresentaram uma forte concorrência com a cana, encorajando uma migração dos produtores para outras culturas, especialmente soja e milho.

São estes mesmos motivos que fizeram com que o Pecege estimasse 580 milhões de toneladas para 2021/22. As outras culturas estão mais rentáveis, reduzindo a área destinada à cana, e o economista Haroldo Torres reitera que a seca e os incêndios tiveram impactos na brotação e no desenvolvimento dos canaviais, refletindo em um elevado número de falhas.

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A Safras & Mercado foi uma das consultorias que reduziu bastante seus números após o início da temporada. Quando perguntado sobre a moagem, em março, o analista Mauricio Muruci afirmou que esperava 605 milhões de toneladas de cana, pois não concordava com o argumento do impacto da seca e acreditava em uma reversão deste cenário baixista.

Agora, porém, alterou seus números para 580 milhões, bem próximo da média. “Nós estamos considerando uma quebra de safra em função de a Somar [empresa de meteorologia] ter indicado que as chuvas da entressafra não foram suficientes para manter a umidade dentro dos padrões necessários para o desenvolvimento da cana”, explica o analista.

A Fitch Ratings, cuja estimativa de 582 milhões de toneladas está acima da média, ainda faz um paralelo entre a safra “mais fraca”, devido à queda na produtividade, e a habilidade das usinas em manter uma capacidade operacional adequada, o que pode levar a um fluxo de caixa mais baixo do que o observado na temporada anterior.

Para o diretor da agência Claudio Miori, há chances de uma limitação no potencial de aumentos na geração de caixa operacional. Ele afirma que as usinas que estão passando por dificuldades financeiras terão momentos delicados nesta temporada, já que será mais complicado investir adequadamente em ativos biológicos.

“Empresas com baixos custos de caixa e estratégias de hedge eficientes poderão renovar seus canaviais e garantir uma eficiência operacional, enquanto aquelas com fraco acesso à liquidez não poderão renovar seus campos de forma adequada, aumentando a discrepância do setor”, Claudio Miori (Fitch Ratings)

Enquanto muitas companhias forneceram números próximos à média da pesquisa, os extremos estão distantes, com uma diferença de 43,5 milhões de toneladas entre eles. Esta é a maior discrepância desde a observada na pesquisa feita em abril de 2017, referente ao ciclo 2017/18, de 45 milhões.

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Em uma ponta está a Canaplan, com um cenário médio de 546,5 milhões de toneladas moídas até o final da safra. O presidente da consultoria, Luiz Carlos Carvalho, afirma que esta quantia é consequência do “tropeço climático” registrado ao longo de 2020 e no início de 2021. “A produtividade sofrerá uma grande quebra, o que se refletirá na moagem”, afirma.

Quando questionado sobre a média das consultorias, o engenheiro da Canaplan Nilceu Cardoso ainda comentou que estes valores próximos a 580 milhões de toneladas precisam ser repensados, pois não há variáveis que os sustentem.

“Haverá perda de potencial produtivo na temporada corrente, mas o tamanho desta diminuição ainda é incerto, sendo que as condições climáticas nos próximos meses precisarão ser acompanhadas de perto”, Marina Malzoni, Rafaela Souza e Natalia Silva (StoneX)

A Czarnikow atualizou seus números entre março e abril e chegou à segunda menor perspectiva para a moagem da pesquisa, 558,2 milhões de toneladas – antes, ela estava mais perto da média, com 580 milhões. “A situação nos canaviais do Centro-Sul é crítica – nossos analistas de campo viram muitas áreas onde a cana parece não ter se desenvolvido”, explica a analista da companhia, Ana Zancaner, em relatório.

A SCA também é responsável por uma das menores perspectivas de moagem na safra, 574,5 milhões de toneladas, o que o coordenador de inteligência de mercado, Renan de Castro, considera um reflexo direto da queda na produtividade.

Do outro lado está a S&P Global Platts, com 590 milhões de toneladas. Ainda assim, o analista Claudiu Covrig comentou sobre a possibilidade de queda neste número, chegando inclusive às 580 milhões, devido à seca.

Na observação de Covrig, as previsões do tempo para abril poderiam tanto encorajar as usinas a iniciarem logo sua colheita, maximizando a moagem, quanto adiar a retomada da produção para que o desenvolvimento da cana possa se recuperar um pouco, situações que poderão influenciar os números. “O fenômeno La Niña pode trazer ainda mais secura na região, suportando um maior ritmo de moagem, mas prejudicando ainda mais a produtividade agrícola da cana em crescimento”, afirma.

“A produção pode ser antecipada à medida em que a moagem da cana pode ser maximizada, enquanto o impacto será visto na segunda metade da safra com uma possível morte súbita”, Claudiu Covrig (Platts)

Efetivamente, no acompanhamento de safra feito pela Unica, o ritmo da moagem na primeira quinzena de 2021/22 foi 30,27% mais lento do que no período anterior – consequência direta do menor número de unidades operando.

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Qualidade abaixo do recorde

Além da influência na moagem, a situação climática registrada nos últimos 12 meses afetou bastante a produtividade e a qualidade da cana. Antes de qualquer comparativo, é importante reiterar que o resultado deste indicador em 2020/21 foi bastante positivo, chegando a 144,72 kg de açúcares totais recuperáveis (ATR) por tonelada de cana.

A expectativa média para a nova safra é de 139,54 kg/t de cana, uma redução de 3,58% no comparativo anual. “No ano passado, o clima bastante seco acabou contribuindo para a concentração de ATR na cana, mas voltaremos a ter um nível menor este ano”, comenta o gerente do Itaú BBA, Guilherme Bellotti. Na perspectiva do banco, este valor ficará em 139 kg/t.

O analista da Agroconsult André Petry reforça a certeza de que o ATR de 2021/22 será menor do que o de 2020/21, que foi recorde justamente pelo clima mais seco. Na visão da consultoria, que estima um dos maiores valores do levantamento, 141 kg/t, este é o início de um retorno à tendência das safras anteriores.

A Datagro também apresentou um número acima da média, 141,2 kg/t, e o economista sócio Bruno Freitas comentou que, embora o valor não seja tão favorável quanto o passado, ainda é uma previsão alta considerando o histórico da região. O diretor comercial da BP Bunge, Ricardo Carvalho, concorda que o indicador deverá ficar acima da média histórica, em 138,80 kg/t.

“O período seco atrasou o desenvolvimento da cana e o volume de chuvas foi abaixo da média histórica, ou seja, se a cana for colhida antes de completar seu ciclo de desenvolvimento, ela apresentará quebra na produtividade”, Guilherme Bellotti, Itaú BBA

A Green Pool, que tem uma previsão bem próxima da média, de 139,5 kg/t, afirma que este número será mantido considerando um clima normal nos primeiros meses da safra. Caso os índices de umidade se mantenham baixos, é possível que haja uma queda maior.

Para o analista de commodities sênior Eder Vieito, esta previsão fará com que a moagem chegue às 588 milhões de toneladas de cana. “Não estamos aplicando uma grande penalização na moagem porque temos visto fatores positivos, como melhorias no perfil varietal e nos tratos culturais – ainda que o impacto destes seja mais difícil de quantificar”, explica.

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Para a StoneX, que tem uma perspectiva para o ATR bem próxima da média, 139,7 kg/t, ao mesmo tempo em que o clima pode pesar no resultado de 2021/22, foram feitos investimentos na reforma dos canaviais, o que poderia contribuir para melhores níveis de qualidade da cana e produtividade.

A Czarnikow também destaca que os tratos culturais têm sido melhores nos últimos dois anos – graças à melhor geração de caixa das usinas – o que pode limitar as perdas no rendimento da cana. Esperando um ATR um pouco abaixo da média, de 139 kg/t, os analistas acreditam que a concentração de sacarose deve ajudar a compensar, em parte, a redução na moagem.

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O Pecege é responsável por uma das maiores estimativas para o ATR, 141,22 kg/t. O economista Haroldo Torres explica que a redução é consequência do atraso no desenvolvimento dos canaviais e no maior potencial de danos com a isoporização dos colmos da cana.

Este dano, inclusive, também acarreta aumento nos gastos com corte, transporte e transbordo e na dificuldade de extração de açúcar pela indústria – complicações que farão com que o custo de produção da safra seja maior do que o da anterior.

O tema dos custos relacionados à produtividade também é trazido pela Canaplan, que estimou uma concentração de ATR em 139 kg/t. O analista Ciro Sitta comenta o aumento no preço dos insumos e a concorrência com o mercado de grãos como fatores altistas para o custo de produção da cana.

“No contexto atual, o foco precisa ir além da redução dos custos de produção; precisamos reduzi-los, mas sem penalizar a produtividade”, Nilceu Cardoso (Canaplan)

Uma safra doce

As equipes da Canaplan e do Pecege reforçam que uma forma de compensar maiores gastos com a produção da cana é obter um maior preço de venda dos produtos. Para 2021, o açúcar é a grande esperança, especialmente porque o consumo global da commodity depende da produção do Brasil.

Grande parte do açúcar que será produzido na safra brasileira 2021/22 já está com preços fixados para venda, e bastante positivos, o que aumenta sua prioridade em relação ao etanol – que teve diversas quedas de rentabilidade recentes devido à redução na demanda.

Esta dinâmica, defende a analista da StoneX Rafaela Souza, é o primeiro fator a indicar que o açúcar será priorizado na nova temporada. Assim, a expectativa média das consultorias é que 46,5% do mix de produção das usinas seja direcionado para o adoçante, uma relação ligeiramente maior do que a do final da safra 2020/21, 46,1%.

“Há indicativos de que as unidades produtoras pretendem alongar a safra, moendo um volume diário de cana abaixo da capacidade máxima, o que pode acabar sustentando o direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar”, Marina Malzoni, Rafaela Souza e Natalia Silva (StoneX)

Bruno Freitas, da Datagro, reforça que não vê grandes mudanças no direcionamento da matéria-prima neste ciclo, especialmente devido às precificações dos produtos. “Mas é bom manter uma ‘gordurinha’ do ATR disponível para flexibilização, considerando que o mercado de combustíveis não deve sofrer uma queda tão grande como a do ano passado”, sugere.

Na perspectiva da consultoria, o mix de produção de açúcar deverá ser de 47,2%, acima da média, porém ele poderá ser ainda maior dependendo do consumo de ambos os produtos da cana ao longo do ano.

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O Itaú BBA, em relatório, afirma que a virada do mix de produção não é muito viável economicamente para as usinas, mas parte do ATR que ainda não está contratado pode ser direcionado para o etanol se sua rentabilidade aumentar.

Souza, da StoneX, reitera esta posição: “Caso algumas usinas optem por tornar o mix mais etanoleiro, é preciso lembrar que existem gastos envolvidos nesta mudança, com diferencial de prêmio e custos de fretes, que também é um fator limitante a qualquer alteração drástica”.

A questão dos fretes e da logística de exportação do açúcar foi citada como ponto de atenção por diversas empresas. Ricardo Carvalho, da Bunge, comentou que o escoamento de soja pelos portos brasileiros teve um atraso, o que pode causar congestionamentos e suportar ainda mais os preços do açúcar no curto prazo. Já o Rabobank considera que o atraso da soja, que é consequência da demora na colheita, pode prejudicar as exportações iniciais do adoçante, assim como ocorreu ano passado.

Mesmo com desafios, as perspectivas para a produção de açúcar em 2021/22 são altas. “A nossa expectativa é que a oferta de açúcar continue elevada”, afirma Rafaela Souza. Para a StoneX, serão produzidas 35,1 milhões de toneladas da commodity na temporada, um pouco abaixo da média das consultorias, de 35,74 milhões.

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A esperada redução no comparativo safra a safra se deve tanto às quedas de moagem e ATR previstas, quanto à pequena diminuição no prêmio do açúcar frente ao etanol, opina a analista. “No entanto, apesar da alta recente do biocombustível, a produção da commodity tende a se manter mais atrativa, ao menos na primeira metade da temporada”, completa Souza.

“O mercado de açúcar está vendido, muito comprometido com exportações, então as usinas têm que cumprir estes contratos. Não interessa se a safra vai quebrar ou não, as usinas devem cumprir o contrato de venda”, Mauricio Muruci (Safras & Mercado)

A Canaplan é a responsável pela menor estimativa para a commodity, de 33,45 milhões de toneladas, consequência direta da baixa perspectiva de moagem para a safra. Já a FG/A está no outro extremo, com 37,4 milhões, sugerindo o maior número da pesquisa como diversas vezes na safra passada.

“Mesmo com a menor moagem e ATR, o volume de açúcar deve ter retração de apenas 2,3% por acreditarmos que o setor maximizará a produção no cenário atual, de elevado nível de fixação e perspectiva de prêmio médio a favor da commodity”, defende o sócio da companhia, João Henrique Rissi.

A Job Economia é a responsável pela segunda maior estimativa de produção de açúcar em 2021/22, com 37,2 milhões de toneladas. A justificativa, mesmo com a queda de 4,8% na moagem prevista, está nas opções das usinas, que devem reduzir ainda mais a produção do biocombustível. “A quebra de safra prevista para o Centro-Sul deverá se concentrar no etanol”, afirma o sócio-diretor da empresa, Julio Borges.

Cana em baixa, milho em alta

A analista da Czarnikow, Ana Zancaner, acredita que os preços do etanol virão fortes neste início de safra. Mesmo assim, completa, ele não pagará mais do que o açúcar, “que segue oferecendo retornos sem precedentes”.

Na visão dela, o valor do adoçante precisaria cair bastante para que o renovável compensasse para as usinas. “E hoje sabemos que tem mais fatores baixistas pesando no mercado de etanol do que fundamentos que suportem os preços nos níveis atuais”, defende. Desta forma, a consultoria espera que sejam produzidos 24,3 bilhões de litros do biocombustível de cana em 2021/22.

Esta quantia está um pouco abaixo da média esperada pelas consultorias para a produção total de etanol de cana, de 25,66 bilhões de litros. No comparativo safra a safra, a queda seria de 7,71%. Quando entra o milho, com 3,31 bilhões, a perspectiva média total sobe para 28,97 bilhões de litros.

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O número, o menor dos últimos anos, é consequência da pandemia de coronavírus, que acarretou queda na demanda, e dos preços praticados nos postos. O Itaú BBA, por exemplo, prevê um aumento no consumo de combustíveis do ciclo Otto em 2021, mas não acredita que o etanol será comercializado a preços competitivos nas bombas.

Para a SCA, por outro lado, é justamente a substancial redução da produção do renovável que pode causar um aumento de preços para o consumidor. Um maior direcionamento do biocombustível brasileiro para os Estados Unidos, explica a StoneX, também pode ajudar nesta valorização.

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Por sua vez, a Safras & Mercado reduziu sua estimativa para a produção de etanol em 4 bilhões de litros entre março e abril. “O ajuste negativo que colocamos foi bem maior no etanol, tanto anidro quanto hidratado. Ele será a válvula de escape do setor nesta safra: as usinas vão tirar mais cana do etanol do que do açúcar”, comenta Muruci.

Enquanto o etanol de cana deve apresentar queda no comparativo safra a safra, o de milho vai crescer. Conforme o presidente da Unem, Guilherme Nolasco, e o analista da Safras & Mercado, o aumento anual de quase 30% é orgânico, graças às novas usinas que estão produzindo com o grão.

Nas estimativas da StoneX, o potencial de produção de etanol de milho, considerando unidades em operação e projetos de construção e expansão, deve ficar 4,4 bilhões de litros em 2021/22, o que possibilita uma produção maior nesta safra.

Ameaças como o preço da matéria-prima, como cita a chefe do departamento de açúcar da ED&F, Raissa Silva, não devem ser sentidas, reforça Nolasco, considerando a estratégia das produtoras de adquirir o grão com bastante antecedência.

Para Muruci, da Safras & Mercado, a própria quebra da safra de cana vai acabar elevando os preços do etanol, porém as usinas estarão focadas no açúcar devido aos seus contratos. “Então, vai ter menos oferta de etanol e o preço vai ficar atrativo, e as usinas que processam milho vão aproveitar esta situação para fabricar mais biocombustível”, conclui.

Rafaella Coury – NovaCana

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