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De déficit a superávit: A apertada relação entre oferta e demanda na safra global de açúcar

Em levantamento exclusivo feito pelo NovaCana, expectativa das empresas é que a temporada atual encerrará com um pequeno déficit, seguido de um baixo superávit

NovaCana 23 min de leitura

Um maior aperto entre oferta e demanda. A frase que define, ainda que genericamente, o cenário do mercado global de açúcar na atual temporada pode também refletir a próxima, arriscam especialistas.

Na média do levantamento exclusivo realizado pelo NovaCana com 18 consultorias, espera-se um excedente de 1,35 milhão de toneladas de açúcar em 2021/22, considerando o ciclo de outubro a setembro. A distância entre os números, porém, é ampla e variam de um déficit de 6 milhões a um superávit de 5 milhões de toneladas.

Dentre as consultorias pesquisadas, Platts, Agroconsult, Abares e MB Agro possuem as expectativas mais neutras da safra, com números oscilando entre 500 mil toneladas deficitárias e 1 milhão superavitárias.

Quanto à temporada 2020/21, iniciada em outubro do ano passado, o cenário é de um pequeno déficit, de 1,83 milhão de toneladas, na média das empresas pesquisadas. Dentre elas, somente duas estimaram superávit, enquanto outras 15 esperam uma produção entre 5 milhões e 200 mil toneladas abaixo do consumo.

No primeiro levantamento feito pelo NovaCana sobre a temporada 2020/21, em fevereiro de 2020, todas as empresas apontavam para um déficit; à época, o valor médio era de 1,75 milhão de toneladas.

Já na sondagem realizada em agosto de 2020, o cenário se modificou, com as consultorias oscilando seus números entre déficits e superávits. A média esperada era que a produção ficaria 1,53 milhão de toneladas acima do consumo.

Confira, na reportagem completa, gráficos comparativos das projeções, evolução das médias, expectativas de preços e análises do mercado global de açúcar com dados e análises das seguintes empresas:

Abares
Agroconsult
Alvean
BTG Pactual
Canaplan
Citigroup
Czarnikow
Datagro
Green Pool
ISO
LMC
MB Agro
Platts
Rabobank
StoneX
Sucden
TRS
USDA

Um maior aperto entre oferta e demanda. A frase que define, ainda que genericamente, o cenário do mercado global de açúcar na atual temporada pode também refletir a próxima, arriscam especialistas.

Na média do levantamento exclusivo realizado pelo NovaCana com 18 consultorias, espera-se um excedente de 1,35 milhão de toneladas de açúcar em 2021/22, considerando o ciclo de outubro a setembro. A distância entre os números, porém, é ampla e variam de um déficit de 6 milhões a um superávit de 5 milhões de toneladas.

Quanto à temporada 2020/21, iniciada em outubro do ano passado, o cenário é de um pequeno déficit, de 1,83 milhão de toneladas, na média das empresas pesquisadas. Dentre elas, somente duas estimaram superávit, enquanto outras 15 esperam uma produção entre 5 milhões e 200 mil toneladas abaixo do consumo.

20210326 balanço mar médias

No primeiro levantamento feito pelo NovaCana sobre a temporada 2020/21, em fevereiro de 2020, todas as empresas apontavam para um déficit; à época, o valor médio era de 1,75 milhão de toneladas.

Já na sondagem realizada em agosto de 2020, o cenário se modificou, com as consultorias oscilando seus números entre déficits e superávits. A média esperada era que a produção ficaria 1,53 milhão de toneladas acima do consumo.

Um 2021/22 de provável retomada

Dentre as consultorias pesquisadas, Platts, Agroconsult, Abares e MB Agro possuem as expectativas mais neutras da safra, com números oscilando entre 500 mil toneladas deficitárias e 1 milhão superavitárias.

20210326 balanço mar gráfico 21 22

A Agroconsult, por exemplo, considera o superávit de somente 100 mil toneladas. Para isso, o Brasil deve produzir menos açúcar no comparativo com 2020/21, sendo compensado pelas fabricações europeia e tailandesa e pela expectativa de que a Índia manterá uma produção semelhante à da atual temporada.

“A União Europeia pode apresentar um crescimento de área por conta dos bons preços, mas não será surpresa se ela for mantida por conta dos problemas enfrentados na safra passada”, completa a Agroconsult.

Já a demanda deve seguir aumentando, embora a pandemia de covid-19 ainda possa ter impactos. “Mas tudo indica que a vacinação e a adaptação social às novas formas de consumo sustentem este crescimento”, acredita a consultoria.

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Por sua vez, o Rabobank espera um excedente de 1,5 milhão de toneladas de açúcar, considerando que os aumentos produtivos mais do que compensarão a retomada da demanda. Tailândia, União Europeia e Austrália devem registrar uma recuperação na produção, enquanto Índia, China e Paquistão seguirão apresentando aumentos contínuos.

A Czarnikow estimou, conforme divulgado no final de março, um superávit de 2,7 milhões de toneladas. O valor representa uma redução ante a avaliação anterior, do início do mês, que previa uma produção 3 milhões de toneladas acima do consumo.

Na análise mais recente, a trading inglesa levou em conta as expectativas de recuperação da demanda graças à retomada do consumo de açúcar fora de casa.

A Green Pool, em fevereiro, indicou que espera o segundo maior superávit da análise, 4,08 milhões de toneladas, prevendo um forte aumento da produção após os crescimentos já demonstrados em 2020/21. Ao contrário das demais consultorias, sua análise foi baseada em valores anuais e não entre outubro e setembro.

Considerando o acréscimo de 13,78 milhões de toneladas de açúcar entre 2019/20 e 2020/21, e a expectativa de ampliação de mais 5,71 milhões para 2021/22, a produção deve atingir 192,43 milhões de toneladas. A consultoria crê que o Centro-Sul produzirá 35 milhões de toneladas na safra nacional, volume que pode aumentar caso a relação entre os preços do açúcar e do etanol continue favorecendo a commodity.

A Green Pool também estima que serão consumidas 187,35 milhões de toneladas em 2021/22, já considerando uma maior abertura de mercado com o aumento da vacinação.

Por fim, a Czarnikow projeta uma demanda de 175 milhões de toneladas. “Mesmo que o mundo esteja enfrentando excedente de açúcar na próxima safra, acreditamos que o consumo atingirá uma nova alta, conforme as restrições do combate à covid-19 (esperançosamente) comecem a diminuir em todo o mundo”, apontou.

Preços sustentados

Observando este cenário, o Rabobank acredita que os preços do açúcar negociados na ICE têm suporte contínuo entre 15 e 15,5 centavos de dólar por libra-peso, mantendo o fluxo de exportação ativo em 2021. No início do ano, houve uma forte alta nos valores mundiais, com a commodity chegando perto de 19 centavos de dólar por libra-peso em meados de fevereiro.

De acordo com o banco, preços abaixo de 15 centavos de dólar por libra-peso podem impactar no apetite da Índia em exportar. Além disso, as preocupações com a atual safra tailandesa e os gargalos logísticos asiáticos e brasileiros dão sustentação aos preços.

20210326 balanço global mar precos

Conforme o diretor comercial da BP Bunge, Ricardo Busato Carvalho, os valores internacionais devem continuar sustentados, principalmente considerando a conversão em reais, já que o mundo necessita que o Brasil maximize sua produção de açúcar. “Esta necessidade ainda é consequência das quebras de safra recentes, principalmente na Tailândia”, completa.

Além disso, com o encerramento da temporada indiana no primeiro trimestre de 2021, o açúcar deve acompanhar mais diretamente os preços de petróleo. “É a variável-chave para garantir o mix açucareiro no Brasil”, comenta Carvalho, embora também chame atenção para o escoamento nos portos: “O mercado de açúcar e uma exportação atrasada de soja podem tornar este escoamento mais congestionado do que o normal, suportando ainda mais os preços no curto prazo”.

Segundo a Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês), com a desvalorização do dólar entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, as moedas dos países exportadores analisadas pela organização se fortaleceram amplamente. Enquanto isso, por outro lado, o real se desvalorizou com a média de R$ 5,36 por dólar em janeiro.

“O real mais fraco continuou a apoiar a produção e as exportações de açúcar. Enquanto isso, a fraqueza do dólar viu a moeda chinesa se fortalecer para um nível próximo a meados de 2018, beneficiando os importadores de açúcar na China”, acrescenta o relatório.

Um pequeno déficit em 2020/21

Índia e Brasil são os países com o maior potencial produtivo na temporada atual, especialmente considerando resultados ruins na Tailândia e na União Europeia. Porém este aporte pode ser limitado, o que valida o aperto entre a oferta e demanda visualizado pelas consultorias.

O maior superávit do levantamento é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA): 8,11 milhões de toneladas. A entidade enxerga que serão produzidas 16 milhões de toneladas a mais no comparativo com 2019/20, com o Brasil responsável por 75% deste aumento.

No outro extremo, a perspectiva de maior déficit é da Alvean, 5 milhões de toneladas. O número é justificado pela retração da produção europeia, pela safra tailandesa ruim e até mesmo pela brasileira, uma vez que a seca prejudicou o desenvolvimento da cana. As expectativas são de janeiro deste ano.

Já a ISO teve a segunda maior expectativa de déficit, projetando 4,79 milhões de toneladas em fevereiro ante as 3,5 milhões de toneladas de dezembro. “Tanto a produção quanto o consumo foram revisados para baixo nesta avaliação do balanço global, mas com a perda na produção de açúcar de beterraba sendo o maior fator para a variação geral”, detalhou.

A ISO tem as menores expectativas de produção e consumo em 2020/21 dentre as empresas que disponibilizam tal informação. A entidade espera que sejam fabricadas 169,04 milhões de toneladas no período. Já o consumo deve ser de 173,82 milhões de toneladas, o que foi justificado pela maior proibição de viagens e pelas oportunidades de férias perdidas durante os próximos meses. “Os principais destinos de férias, como Tailândia e México, terão um impacto no consumo de açúcar devido à falta de visitantes”, pontua.

20210326 balanço global prodxcons

A Tropical Research Services (TRS) visualiza um déficit de 3,28 milhões de toneladas, tendo reduzido sua perspectiva anterior devido a uma maior produção de açúcar no Paquistão.

Enquanto isso, a StoneX espera uma falta de 3,2 milhões de toneladas, um decréscimo ante a estimativa anterior devido ao avanço na produção em alguns países com uma demanda firme. Este volume é 100 mil toneladas inferior à estimativa de janeiro e 700 mil toneladas acima da temporada 2019/20.

Considerando o cenário de déficit produtivo europeu e a menor fabricação na Índia – contrabalanceadas pelas indicações positivas de produção de outros países, em especial, o Brasil –, a StoneX estima uma produção de 183,7 milhões de toneladas em 2020/21.

Ao mesmo tempo, a consultoria afirma que a procura por açúcar se mantém resiliente e sustentada, por mais que os efeitos pandêmicos dificultem a retomada da economia global. Desta forma, espera um consumo de 186,9 milhões de toneladas, 0,7% acima de 2019/20. Com isso, deve haver certo alívio entre a oferta e a demanda global de açúcar.

Por sua vez, a expectativa do Rabobank é de um déficit de 2,8 milhões de toneladas de açúcar. Em dezembro, o banco havia estimado uma falta menor, de 300 mil toneladas. A alteração se deu por conta de uma redução na perspectiva produtiva, indicando ligeiro aperto nos estoques mundiais.

Quanto ao consumo mundial, o banco espera uma ampliação de 1,4% em 2020/21 no comparativo com o ciclo anterior, porém ainda é possível que a retomada precise ser revisada para baixo uma vez que a pandemia de coronavírus está longe de acabar.

20210326 balanço mar gráfico 20 21

Um déficit próximo ao do Rabobank, de 2,53 milhões de toneladas, é esperado pelo BTG Pactual, conforme relatório de janeiro deste ano.

O BTG considera “impressionante” que o déficit global ocorra enquanto o Brasil maximiza sua produção de açúcar. “Embora as oscilações na produção do Brasil tenham sido, historicamente, o principal fator para os preços do açúcar, desta vez não foi suficiente para compensar a queda na produção em outros lugares”, pontua.

Um déficit ainda menor é estimado pela Sucden, de 960 mil toneladas. Ao passo em que os países do hemisfério norte terão recuperação parcial, a trading acredita que o Brasil deva reduzir a produção devido ao menor volume de sacarose na temporada.

Conforme expresso pelo trader sênior Ulysses Carvalho em evento promovido pela Datagro no início de março, as temporadas da Índia, México, Estados Unidos e Paquistão devem se recuperar. Por outro lado, Tailândia e União Europeia tiveram uma queda adicional e a Rússia foi atingida por um fraco desempenho de safra depois de uma temporada anterior recorde.

Carvalho ainda destaca que as duas últimas safras, 2019/20 e 2020/21, tiveram maior aperto entre oferta e demanda e devem exigir o uso total da capacidade logística brasileira e indiana para equilibrar seus mercados regionais.

Já segundo a Fitch, a safra maior na Índia e a produção de açúcar estimada de pelo menos 37 milhões de toneladas no Brasil fará com que a oferta extra da commodity supere o aumento de demanda esperado para 2020/21, reduzindo a probabilidade de crescimento significativo dos preços do açúcar em 2021.

20210326 balanço global mar tabela 2020 21

A Green Pool ainda projeta uma produção de 186,72 milhões de toneladas, além de um consumo de 185,47 milhões, um aumento mínimo no comparativo com 2019/20 devido à pandemia de coronavírus.

20210326 balanço mar USDA prodxconsumo

Quanto aos estoques, a Green Pool estima que haja um ligeiro aumento no comparativo com o período anterior, atingindo 85,9 milhões de toneladas em 2020/21.

Enquanto isso, o USDA prevê que os estoques diminuam, apesar da recuperação da produção. A entidade espera que eles sejam de 42,80 milhões de toneladas ante os 46,24 milhões de toneladas de 2019/20 (-7,43%).

Já a StoneX espera estoques de 74,2 milhões de toneladas ao fim de 2020/21, levando a relação estoque-uso para 39,7%, a menor desde a safra 2016/17 e dois pontos percentuais abaixo da de 2019/20.

20210326 balanço mar USDA estoque

Brasil forte na exportação

A safra brasileira 2021/22 começou este mês e o clima segue sendo uma preocupação. Conforme o diretor comercial da BP Bunge, Ricardo Busato Carvalho, a expectativa é que sejam fabricadas 36,2 milhões de toneladas de açúcar no período.

“Apesar de as usinas maximizarem a produção do adoçante, o volume deverá ficar 2 milhões abaixo do produzido na safra 2020/21, por conta da maior quantidade de cana moída aliada ao ATR recorde registrado na última temporada”, comenta.

Já a StoneX estima 36 milhões de toneladas fabricadas no cinturão canavieiro, considerando o ciclo internacional (outubro a setembro). No Norte-Nordeste, também com base no ciclo internacional, são esperadas 3 milhões de toneladas.

Conforme alerta o Rabobank, as perspectivas robustas para os preços do petróleo e o real fraco sugerem que, se o mercado de etanol ficar apertado, a produção do biocombustível poderia se tornar vantajosa ante a de açúcar no segundo semestre de 2021.

Há muitas incertezas, porém, quanto à competitividade do biocombustível, já que, além destes motivos, a demanda local e até mesmo possíveis intervenções governamentais podem influenciá-la. Além disso, a maioria das exportações de açúcar do Brasil já foram precificadas em níveis atrativos de preços e de câmbio, o que deve manter o foco no mix de produção açucareiro.

O Rabobank ainda apontou um possível empecilho causado pelo atraso na colheita e exportação de soja, o que pode dificultar o fluxo de envios de açúcar para fora do país. Em 24 de março, exportadores dos dois produtos disputavam espaço nos terminais de carregamento do porto de Santos, levando a atrasos nas saídas dos navios.

Durante evento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), o economista Haroldo Torres comentou o avanço das exportações brasileiras em detrimento de outros grandes exportadores como Tailândia, Índia e Austrália.

De acordo com o economista, o Brasil deve exportar 32 milhões de toneladas na temporada global 2020/21, contra as 19,3 milhões de 2019/20. Conforme Torres, a desvalorização cambial trouxe eventos importantes: “O nosso açúcar chega no mercado internacional muito mais competitivo e isso alavanca a nossa exportação, maximizando a receita em real quando olhamos para o mercado doméstico”.

Neste cenário, o Brasil está recuperando o mercado internacional, enquanto a Índia está sob o efeito de subsídios e a Tailândia está tentando superar os problemas que enfrentou com condições climáticas na última safra. “O Brasil se beneficiou, surfou nessa onda positiva que vinha do mercado internacional em relação ao açúcar”, completa Torres.

A Green Pool também reforça que tem havido forte compra de açúcar bruto do Brasil, já que os atrasos nos embarques indianos têm causado desconfiança dos compradores quanto aos fornecimentos do país.

Índia produtiva, mas com problemas logísticos

Na Índia, a temporada 2020/21 vem progredindo favoravelmente. O Rabobank espera que a produção no país atinja 32,8 milhões de toneladas, um aumento anual de 10% ainda que um pouco abaixo do previsto anteriormente. A redução se deve a relatos de danos à cana no estado de Uttar Pradesh após chuvas fora de época.

Já a StoneX espera uma produção de 31 milhões de toneladas (valor branco), 13,3% acima de uma temporada antes, tendo reduzido a sua perspectiva anterior.

A consultoria acredita em um avanço significativo na produção, considerando que até o final da primeira quinzena de março, a partir de dados da Associação Indiana das Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês), a produção de açúcar em Maharashtra totalizou 9,4 milhões de toneladas, crescimento de 68,4% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Já em Karnataka, a fabricação da commodity alcançou 4,1 milhões de toneladas no acumulado da temporada até então, 24% acima de 2019/20. Portanto, no acumulado, 25,9 milhões de toneladas já foram produzidas, um crescimento anual de 19,7%.

O que pode estar beneficiando a temporada indiana é ter tido um 2020 mais úmido, o que contribui para irrigação dos canaviais nos períodos pré-monções, quando a estiagem predomina.

O Rabobank ainda aponta os subsídios confirmados para exportação de 6 milhões de toneladas de açúcar indiano a US$ 80 por tonelada, contra os US$ 144 por tonelada da temporada anterior. Segundo a Fitch, estes subsídios, maiores do que o esperado, podem ampliar ainda mais a oferta e afetar negativamente os preços internacionais.

De acordo com a Isma, 4,3 milhões de toneladas já estavam negociadas para exportação em 17 de março. A entidade também apontou que quase 2,2 milhões delas já haviam sido embarcadas.

Entretanto, segundo o Rabobank, uma escassez de contêineres tem dificultado o fluxo dos volumes restantes a serem enviados, em especial do açúcar branco, situação que pode durar de dois a três meses, embora haja embarques adicionais que podem ajudar na situação.

Conforme a StoneX, este cenário pode ser preocupante, uma vez que a janela de exportação indiana usualmente termina em junho devido ao impacto das chuvas de monções na logística portuária.

Além da falta de contêineres, a Green Pool aponta as dificuldades enfrentadas pelo comércio da Índia com logística interna e a redução da demanda do Irã, que fizeram as exportações do país avançarem muito lentamente no primeiro trimestre de 2021. A consultoria espera que a Índia produza 31,6 milhões de toneladas.

Por fim, ainda que o cenário seja positivo para os produtores, os canaviais de Uttar Pradesh deverão render menos na temporada corrente na análise de imagens de satélite feita pela Isma. A fabricação da commodity no estado, no acumulado da safra até a primeira quinzena de março, totalizou 8,4 milhões de toneladas, retração de 3,3% ante o período anterior.

“Tal retração pode ser ainda maior até o final de 2020/21 devido à ocorrência de pragas nos canaviais, reflexo da maior umidade nas áreas centrais e ao leste do estado”, detalha o relatório da StoneX.

A consultoria também aponta que o incentivo ao avanço na capacidade de produção de etanol pode retrair a de açúcar tanto em Uttar Pradesh quanto em outras localidades produtoras.

Já para 2021/22, o Rabobank espera 33,1 milhões de toneladas, um aumento marginal no comparativo com a safra atual respaldado em condições climáticas “não ameaçadoras” e no apoio contínuo do governo aos produtores locais.

Por sua vez, a Czarnikow enxergou uma produção um pouco menor em 2021/22, 30,3 milhões de toneladas contra as 32,5 milhões estimadas anteriormente. “Isso é explicado pelo maior esforço do governo para incentivar as usinas a desviarem mais cana para a produção de etanol”, destacou a trading.

Dificuldades na Tailândia

Na Tailândia, o Rabobank prevê uma produção de 7,65 milhões de toneladas em 2020/21. O ritmo de moagem tailandês declinou 12% no primeiro trimestre de 2021, atingindo 65,5 milhões de toneladas até 11 de março. É provável que o processamento se encerre em abril, uma vez que 44% das usinas já paralisaram as atividades em meados de março.

Ainda assim, a StoneX enxerga que a melhora climática contribuiu para recuperação da produção tailandesa no final do ciclo corrente o que, conforme a consultoria, surpreendeu as expectativas de mercado. Com isso, as estimativas apontam uma produção de 7,6 milhões de toneladas, 10,7% abaixo do volume registrado em 2019/20.

Conforme o USDA, a demanda no país deverá aumentar com o maior consumo de açúcar e serviços de alimentação. As exportações devem crescer ligeiramente, enquanto os estoques deverão cair pelo segundo ano consecutivo, segundo a instituição.

Aperto no mercado chinês

A StoneX aponta que as perspectivas para a fabricação chinesa são consoantes com o aperto no balanço global de oferta e demanda, uma vez que ela tem ficado abaixo dos patamares de 2019/20, contribuindo para o aumento da necessidade de importar açúcar. Assim, a consultoria estima uma produção de 10,5 milhões de toneladas (valor branco) no país, avanço de 0,8% no comparativo com a última temporada.

Segundo dados da Rede de Informações Agrícolas da China (Casde), no acumulado de safra até fevereiro deste ano, a produção do país estava em 8,7 milhões de toneladas, retração de 1,7% no comparativo anual. De todo modo, a produção segue em linha com o esperado, devendo exceder ligeiramente o ciclo 2019/20.

De acordo com o Rabobank, a moagem no país deve durar até o começo de abril. Enquanto isso, a demanda está em um período de baixa, mas provavelmente haverá aumentos após junho. Por conta de elevados volumes importados, os estoques internos estão altos, o que pesa sobre os preços locais.

Deste modo, a redução do diferencial dos valores internacional e interno está deteriorando as margens de importação, em especial as fora da cota, segundo o banco. Se, em 2020, as importações foram recordes de 5,27 milhões, uma alta atual de 55,4% ao ano, neste ano, elas devem diminuir.

As importações dentro da cota (com tarifas de 15%) devem se manter, enquanto as extracota (com tarifas de 50%) reduzirão caso os preços altos se mantiverem.

Produção europeia em baixa

Na União Europeia e no Reino Unido, segundo o Rabobank, a atual temporada foi uma das piores dos últimos anos devido às más condições climáticas e ao vírus amarelo, doença transmitida por pulgões. Por isso, houve uma redução de 9,2% no volume de açúcar produzido em relação ao ano anterior, atingindo 16,5 milhões de toneladas em 2020/21.

A estimativa da StoneX para a produção do bloco é ainda menor: 15,4 milhões de toneladas (valor branco), redução de 1,6% ante a avaliação anterior. Conforme divulgado pela Comissão Europeia, a França deve perder o posto de liderança na produção de açúcar para a Alemanha; em seguida, deve vir o Reino Unido.

A Green Pool ainda afirma que este é o pior resultado desde a safra 2015/16, com a produção estimada em 14,67 milhões de toneladas, também considerando o combinado entre União Europeia e Reino Unido.

De acordo com o Rabobank, a Comissão Europeia revisou as estimativas de demanda para baixo e as de estoques, para cima. Além disso, o equilíbrio do mercado de açúcar europeu deve ser favorável aos preços.

O banco ainda aponta que, com as plantações de primavera já iniciadas, é possível estimar uma produção de 17 milhões de toneladas de açúcar na União Europeia e Reino Unido em 2021/22, em especial por conta do aumento de produtividade. A área de plantio deve ser a mesma ou brevemente maior, embora haja indicações de redução no comparativo anual em países como Holanda e França.

Estados Unidos, México e Austrália em alta

Nos Estados Unidos, a estimativa do Rabobank é de que 8,5 milhões de toneladas de açúcar sejam fabricadas em 2020/21, volume recorde e 15% acima de um ano antes; já o consumo deve cair 2% após uma “recuperação contraintuitiva” do período anterior. O banco destaca, entretanto, que qualquer queda adicional pode pressionar os preços domésticos.

O número da StoneX é o mesmo do Rabobank, o que indica um pequeno aumento ante a estimativa anterior e de 16,8% na comparação com a temporada passada. Conforme a companhia, a taxa de extração de açúcar tem aumentado em importantes estados produtores.

Já o USDA visualiza 8,2 milhões de toneladas para o país, especialmente devido à maior área colhida e aos rendimentos da beterraba e da cana-de-açúcar. “Com a maior produção, as importações previstas estão mais de 25% inferiores, caindo para 2,7 milhões de toneladas”, detalha.

Para 2021/22, o Rabobank espera uma produção de 8,3 milhões de toneladas de açúcar nos Estados Unidos, e de 6,1 milhões no México.

“Com uma recuperação de 1% no consumo, a demanda dos EUA vinda do México deve atingir níveis semelhantes à deste ano, de 845 mil toneladas, enquanto o excedente exportável do México para o mundo seria de 755 mil toneladas”, completa o documento.

Para a atual temporada, o México tem uma produção estimada em 6,2 milhões de toneladas, com excedente exportável de 737 mil toneladas do produto, podendo atingir até 850 mil para manter os estoques equilibrados.

Já a StoneX projeta 5,9 milhões de toneladas produzidas para a nação, o que representa um crescimento de 9,2% na safra, porém um decréscimo de 3,3% no comparativo com a expectativa anterior da consultoria.

Uma relativa perda de potencial de produção nos canaviais país motivou o recuo. “Ainda assim, o contexto parece continuar mais positivo em relação à última safra e a expectativa é que a produção apresente aumento no comparativo com 2019/20, ciclo marcado por intenso déficit hídrico”, detalha o documento.

Outro polo importante de produção de açúcar é a Austrália. A StoneX avalia que 4,4 milhões de toneladas sejam produzidas na safra 2020/21, 2,7% acima da anterior.

O país teve bom ritmo produtivo por conta de chuvas significativas especialmente na região de Queensland, a principal área produtora. Entre junho a dezembro do ano passado, 4,2 milhões de toneladas de açúcar foram fabricadas, somente 0,7% abaixo de 2019/20.

De acordo com o USDA, o consumo aumentou ligeiramente na Austrália, enquanto as exportações diminuíram devido à menor oferta disponível.

Déficit menor em 2019/20

Encerrada em setembro do ano passado, a safra global 2019/20 dividiu as empresas consultadas pelo NovaCana entre perspectivas de déficit e superávit. Na média, a estimativa é que tenham sido produzidas 1,23 mil toneladas abaixo do consumo.

A noção de produção menor que a demanda já foi maior considerando a média dos levantamentos anteriores – em fevereiro de 2020, eram esperadas 7,19 milhões de toneladas deficitárias, quantia que caiu para 3,42 milhões em agosto de 2020.

Ainda que a Green Pool tenha a maior perspectiva de déficit na temporada, chegando a 12,03 milhões de toneladas, o número se refere ao período anual e não à base de outubro a setembro.

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Tendo estimado 2,5 milhões de toneladas de déficit, a StoneX apresentou reajustes de avaliações em relatório de janeiro deste ano.

Por sua vez, o Rabobank estima que a safra 2019/20 encerrou com um saldo de 445 mil toneladas excedentes.

Já a Sucden visualiza um superávit de 2,5 milhões de toneladas devido à temporada recorde no Centro-Sul brasileiro, que compensa a quebra nas safras da Índia, Tailândia, México e Estados Unidos.

O BTG Pactual foi a empresa com a maior perspectiva de superávit para o ciclo, 4,04 milhões de toneladas.

NovaCana DATA

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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