NovaCana

Resultados detalhados da Raízen – 59 gráficos com a evolução das últimas três safras

Os desempenhos agrícola, industrial e financeiro da sucroenergética entre as temporadas 2019/20 e 2021/22

NovaCana 14 min de leitura

No mesmo ano fiscal em que abriu capital – e levantou R$ 6,9 bilhões com sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) –, a Raízen registrou uma receita líquida total de R$ 196,2 bilhões, um montante 57% superior ante a temporada anterior. O número corresponde ao valor consolidado de todos os segmentos da companhia, o que inclui as usinas sucroenergéticas, a distribuição de combustíveis e outros investimentos.

No período, a companhia investiu na expansão do seu portfólio de renováveis, com a aplicação de R$ 7,7 bilhões, o que inclui a retomada da aposta no etanol de segunda geração (E2G). A Raízen também fechou parcerias para a comercialização de biometano, com toda a capacidade de uma nova usina já vendida em contratos de longo prazo. Além disso, ela concluiu a maior aquisição da história da empresa, incorporando os ativos da Biosev.

Estes movimentos são acompanhados por uma melhora nos resultados financeiros da companhia, que registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3 bilhões em 2021/22, um valor duas vezes superior ao obtido em 2020/21. Já o avanço do Ebitda ajustado foi de 20%, indo para R$ 10,7 bilhões – este resultado operacional é referente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização com a dedução de itens que as empresas julgam inadequados para medir seus desempenhos.

Além disso, os dados trimestrais da safra também chamam atenção.

Para uma melhor compreensão dos números da Raízen, o NovaCana criou 59 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela companhia no dia 16 de maio deste ano. Por meio deles, é possível observar os resultados financeiros, industriais e agrícolas até o quarto trimestre da temporada, além dos rendimentos das safras passadas.

Confira todos os 59 gráficos, mais as análises de indicadores financeiros, vendas, preços médios e indicadores agrícolas no texto exclusivo para assinantes.

No mesmo ano fiscal em que abriu capital – e levantou R$ 6,9 bilhões com sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) –, a Raízen registrou uma receita líquida total de R$ 196,2 bilhões, um montante 57% superior ante a temporada anterior. O número corresponde ao valor consolidado de todos os segmentos da companhia, o que inclui as usinas sucroenergéticas, a distribuição de combustíveis e outros investimentos.

No período, a companhia investiu na expansão do seu portfólio de renováveis, com a aplicação de R$ 7,7 bilhões, o que inclui a retomada da aposta no etanol de segunda geração (E2G). A Raízen também fechou parcerias para a comercialização de biometano, com toda a capacidade de uma nova usina já vendida em contratos de longo prazo. Além disso, ela concluiu a maior aquisição da história da empresa, incorporando os ativos da Biosev.

Estes movimentos são acompanhados por uma melhora nos resultados financeiros da companhia, que registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3 bilhões em 2021/22, um valor duas vezes superior ao obtido em 2020/21. Já o avanço do Ebitda ajustado foi de 20%, indo para R$ 10,7 bilhões – este resultado operacional é referente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização com a dedução de itens que as empresas julgam inadequados para medir seus desempenhos.

Para uma melhor compreensão dos números da Raízen, o NovaCana criou 59 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela companhia no dia 16 de maio deste ano. Por meio deles, é possível observar os resultados financeiros, industriais e agrícolas até o quarto trimestre da temporada, além dos rendimentos das safras passadas.

Moagem e produção

Mesmo com a quebra de safra no Centro-Sul, a Raízen apresentou uma maior moagem na temporada 2021/22 devido à incorporação das usinas da Biosev. No acumulado do período, a companhia contabilizou uma produção de 76,16 milhões de toneladas. No ano anterior, o valor era de 61,45 milhões de toneladas, caracterizando um avanço de 23,9%.

Caso a produção da Biosev seja considerada, a moagem total de 2020/21 passa a ser de 88 milhões de toneladas, o que representaria uma queda anual de 13,5% em 2021/22.

No primeiro trimestre da temporada, a Raízen conseguiu aumentar significativamente sua moagem, saltando de 21,84 milhões de toneladas na safra passada para 31,23 milhões de toneladas. A maior parte da sua produção, entretanto, aconteceu no segundo trimestre, quando a companhia registrou 37,31 milhões de toneladas – um aumento de quase 10 milhões de toneladas ante 2020/21.

O incremento na cana moída se refletiu na fabricação de açúcar e etanol. O adoçante foi de 4,35 milhões de toneladas em 2020/21 para 5,18 milhões de toneladas em 2021/22. Enquanto a produção de etanol saltou de 2,46 bilhões de litros para 3,1 bilhões. Quando os números da Biosev na safra 2020/21 são considerados, entretanto, há uma queda de 17,1% na produção de açúcar e de 11,5% na de etanol.

A maior parte do açúcar foi produzida no segundo trimestre, com 2,74 milhões de toneladas, 31,1% a mais ante o ciclo anterior. O etanol também teve sua maior produção no segundo trimestre, saltando de 1,1 bilhão de litros no mesmo período de 2020/21 para 1,54 bilhão de litros (+40,3%).

Com isso, o adoçante perdeu preferência no mix de produção da Raízen quando comparado às safras anteriores. Ao longo dos três primeiros trimestres – períodos de moagem mais intensiva –, o indicador variou de 46% a 53% contra 47% a 54% em 2020/21.

raizen resultado 01 260522

raizen resultado 02 260522

raizen resultado 03 260522

raizen resultado 04 260522

raizen resultado 07 260522

Indicadores agrícolas

Mesmo com a maior produção, o relatório disponibilizado pela Raízen traz o reflexo do clima desfavorável para o rendimento dos canaviais. Embora o rendimento agrícola da cana de primeiro corte tenha crescido 2% na safra, o resultado geral foi uma queda de 10,2%, indo de 73,7 t/ha para 66,2 t/ha.

A qualidade da cana, medida em quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada, também sofreu uma retração no período, indo de 139,8 kg/t em 2020/21 para 137 kg/t em 2021/22.

Combinando estes dois indicadores, a companhia atingiu a média de 9,1 toneladas de ATR por hectare, uma queda de 11,7% na comparação anual. Em 2020/21, este resultado foi de 10,3 t/ha.

raizen resultado 05 260522

raizen resultado 06 260522

Vendas de produtos sucroenergéticos

No total, a Raízen comercializou 5,15 bilhões de litros de etanol ao longo dos quatro trimestres da safra, alta de 8,4% na comparação anual – ou queda de 13% se forem consideradas as vendas da Biosev. O maior volume foi registrado no último trimestre, com 1,66 bilhão de litros.

De maneira geral, grande parte do biocombustível foi vendida para o mercado doméstico, com a maior porcentagem de comercialização interna sendo observada no primeiro trimestre, quando 72,7% do etanol ficou em território nacional (662,9 mi L). Já o segundo trimestre teve o maior índice de exportações, com 39,9% (515,2 mi L).

O primeiro trimestre também foi o período com maior participação de produto próprio nas vendas, com 76,7%, ou 699,3 milhões de litros. Enquanto o quarto trimestre obteve o maior percentual vindo de revenda e trading, chegando a 54,9% (910,9 mi L).

Já as vendas de açúcar totalizaram 8,08 milhões de toneladas ao longo dos quatro trimestres. O volume caracteriza uma alta de 10,1% ante o resultado de 2020/21, mas uma queda de 17% quando a Biosev é contabilizada.

O maior volume foi comercializado no terceiro trimestre, com 2,27 milhões de toneladas. No geral, a comercialização de açúcar foi mais forte no mercado externo, chegando a 88% do volume no terceiro trimestre (2 mi t).

Além disso, a Raízen declarou que a maior parte do adoçante é de origem própria. No segundo trimestre, 71% do total comercializado foi produzido pelas unidades do grupo, o equivalente a 1,34 milhão de toneladas.

Por fim, a companhia também apontou um aumento de 22,3% no volume de vendas de energia elétrica no ano-safra, com 22,7 mil GWh. Entretanto, a maior parte desse crescimento veio do segmento de revenda e trading, que contabilizou 20,33 mil GWh, enquanto a cogeração própria foi responsável por 2,37 mil GWh. Desta forma, houve um crescimento mesmo com a inclusão dos dados da Biosev, de 4,4%.

raizen resultado 08 260522

raizen resultado 10 260522

raizen resultado 09 260522

Preço médio

De acordo com o relatório, o preço médio do etanol da Raízen nos últimos 12 meses foi 58% superior ao mesmo período do ano passado, “evidenciando o cenário mais favorável ao biocombustível ao longo do ano e os ganhos com comercialização”. Ainda segundo o documento, uma parcela das negociações do biocombustível neste período estava protegida com instrumentos derivativos, com concentração no período da entressafra (janeiro a março).

Assim, os preços de venda realizados pela Raízen foram travados no início da safra, garantindo retorno acima dos níveis históricos. Em contrapartida, os valores ficaram abaixo da média de mercado, que refletiu a alta do preço do barril de petróleo no cenário global.

No terceiro trimestre, o preço médio do etanol chegou a R$ 5.050 por metro cúbico; no ano anterior, o valor era de R$ 3.042/m³.

O preço médio do adoçante também esteve em alta, chegando a R$ 2.279 por tonelada no terceiro trimestre de 2021/22. Mesmo o valor mais baixo – os R$ 1.742/t vistos no primeiro trimestre – ficou acima do maior preço médio do ano anterior, que havia sido de R$ 1.684/t no quarto trimestre.

A Raízen aponta que o preço médio de energia elétrica própria no ano foi R$ 264,02 por megawatt-hora, aumento anual de 6,7% devido a venda de energia em leilões com preços superiores e a ampliação do portfólio de fontes renováveis de energia.

raizen resultado 15 260522

raizen resultado 16 260522

Receitas e custos

Como um reflexo do maior volume de vendas e do aumento do preço médio, a receita operacional líquida da Raízen atingiu seu pico no terceiro trimestre da safra, chegando a R$ 55,39 bilhões. O valor é 62,2% superior ao visto no mesmo período do ciclo anterior.

No acumulado da temporada, por sua vez, a receita operacional chegou a R$ 196,2 bilhões, crescimento anual de 71,3%. O valor considera a aquisição da Biosev, consolidada a partir de agosto – sem a companhia, a receita seria de R$ 191,27 bilhões.

Do total da receita líquida obtida na safra, R$ 19,8 bilhões são referentes a comercialização de etanol (+59,2%), R$ 16,16 bilhões à de açúcar (+42%), R$ 4,3 bilhões à de energia elétrica (+103,8%) e R$ 146,58 bilhões englobam a distribuição de combustíveis (+73,6%). Neste caso, a Raízen não apresentou o desempenho sem a consolidação.

Ao mesmo tempo, os gastos para a produção também subiram. De acordo com a Raízen, houve uma menor diluição dos custos fixos no ano devido à piora dos resultados no campo e ao aumento nos preços de insumos agrícolas, diesel e matérias-primas.

Ainda segundo a companhia, o custo consolidado dos produtos vendidos – o que inclui todos os segmentos da empresa – foi de R$ 183,6 milhões, alta anual de 72,2%. Especificamente, o custo da área de renováveis (o que inclui etanol, energia e outros produtos) foi de R$ 20,32 bilhões (+53,2%), enquanto o de açúcar (incluindo tanto o produto próprio quanto revenda e trading) foi de R$ 16,86 bilhões (+75,2%).

A Raízen ainda divulgou que o custo médio trimestral do etanol de fabricação própria foi de R$ 1,89 mil por tonelada de cana-de-açúcar ao longo de 2021/22. Já o açúcar próprio demandou gastos de R$ 1,21 mil por tonelada.

raizen resultado 12 260522

raizen resultado 17 260522

raizen resultado 18 260522

Resultados financeiros

Com isso, o lucro bruto consolidado da Raízen chegou a R$ 12,69 bilhões na safra 2021/22, sendo 58,7% superior ao da safra passada, quando a empresa havia registrado R$ 7,99 bilhões. Dentro deste valor, R$ 4,49 bilhões vieram da área de renováveis (+137%), R$ 2,14 bilhões da de açúcar (+22,2%), e R$ 4,19 bilhões da distribuição de combustíveis (+28,2%).

Além disso, o Ebitda passou de R$ 8,35 bilhões para R$ 14,37 bilhões (+72,1%). Também houve avanço de 62,3% no Ebitda ajustado, que chegou a R$ 10,70 milhões.

Em sua divulgação de resultados, entretanto, a Raízen destaca a queda no Ebitda ajustado da área de açúcar. Apesar do aparente aumento de 16,2% no resultado anual – que foi de R$ 1,96 bilhão em 2021/22 – houve um decréscimo de 29,3% quando os números da Biosev são considerados em todo o histórico.

Segundo a empresa, a redução é explicada pela queda de 20% do volume próprio vendido e pela estratégia de comercialização, que deslocou parte dos estoques para venda nos meses seguintes, visando maximizar a rentabilidade.

“Os preços de açúcar evoluíram na comparação com a safra passada, positivamente impactado pela maior participação da Raízen na cadeia de valor”, afirma e detalha: “Com as projeções favoráveis das curvas futuras, avançamos com a estratégia de hedge, buscando maximizar a proteção para as próximas safras, com preços até 37% acima do praticado na safra atual (R$ 0,75/libra-peso safra 2021/22 versus R$ 1,03/libra-peso na safra 2023/24), indicando uma maximização do retorno”.

Na área de renováveis, que engloba etanol e energia elétrica, o Ebitda ajustado foi de R$ 4,6 bilhões. O valor representa uma alta de 122,5% considerando apenas os números da Raízen ou de 32,8% com a contabilização da Biosev.

raizen resultado 11 260522

raizen resultado 13 260522

raizen resultado 14 260522

Investimentos e endividamento

Já em relação aos débitos, a Raízen encerrou a temporada com uma dívida líquida de R$ 13,83 bilhões, uma queda de 2,4% em relação à posição de um ano antes. Por sua vez, a dívida bruta era de R$ 22,27 bilhões na mesma data (-8,9%), sendo o equivalente a R$ 13,65 bilhões do valor em moedas estrangeiras (-10,4%) e os R$ 8,62 bilhões restantes em moeda local (-6,3%).

Com isso, a alavancagem da empresa ficou em 1,3 vez ao final da safra, uma melhora frente às 2,1 vezes vistas no encerramento de 2020/21. Segundo a Raízen, isso se deve a melhores operacionais, aos resultados da Biosev e da Raízen Paraguai e à entrada dos recursos do IPO. Entretanto, o bom desempenho foi minimizado pelo uso de recursos para a compra da Biosev e aos estoques elevados no encerramento da safra.

Ainda de acordo com a companhia, os investimentos com a manutenção dos canaviais somaram R$ 4,04 bilhões ao longo da temporada (+97,6%). Por sua vez, as aplicações para melhorias na área operacional subiram 85,1%, para R$ 930,5 milhões. Quando os valores da Biosev entram na conta, entretanto, os aumentos passam a ser de 27,2% e 29,5%, respectivamente.

“O maior dispêndio reflete a antecipação do encerramento do período da moagem, na comparação com anos anteriores, e o aumento dos preços de insumos agrícolas, industriais e do diesel que impactaram os valores unitários de plantio, trato e custos de manutenção industrial”, justifica a Raízen.

Além disso, a companhia declarou investimentos de R$ 701,3 milhões em novos projetos, alta de 99,6% ante o valor aplicado na temporada anterior – ou de 88,5% com a contabilização da Biosev. Dentro deste montante, R$ 201,3 milhões foram direcionados para o etanol celulósico ou de segunda geração (E2G).

“Os demais projetos incluem os investimentos na construção das plantas de biogás (R$ 14 milhões) e em projetos para captura de eficiência e produtividade nos parques de bioenergia, aumento da infraestrutura de armazenagem e logística, bem como investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação”, complementa a empresa.

raizen resultado 21 260522

raizen resultado 22 260522

Distribuição de combustíveis

Devido à nova organização empresarial da Raízen, os dados divulgados incluem o setor de distribuição de combustíveis. Em 2021/22, foram comercializados 27,79 bilhões de litros no Brasil, um aumento de 13,6% na comparação com os 24,47 bilhões da temporada anterior.

O etanol, por sua vez, representou 11,6% o volume vendido pela companhia no mercado interno, com 3,24 bilhões de litros – queda de 12,2% na comparação com o ciclo anterior.

O combustível com maior participação foi o diesel, que representou 54,3% do total, com 15,1 bilhão de litros, valor que também marca uma alta de 15,2% na comparação anual.

Por sua vez, as vendas de gasolina alcançaram 8,5 bilhões de litros (+22,5%), enquanto combustíveis de aviação representaram 764,7 milhões de litros (+28,5%) e outros combustíveis somaram 192,1 milhões (+37,2%).

“A retomada da demanda com melhora do ambiente de negócios gerou boas oportunidades para
recompor o retorno da operação e, mesmo num cenário desafiador, reforçamos nosso compromisso de sempre garantir o abastecimento dos nossos clientes e da nossa rede de distribuição”, divulga a empresa.

raizen resultado 20 260522

raizen resultado 19 260522

Lucas Vasconcelos e Renata Bossle – NovaCana

Compartilhar: