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Raízen fecha com Yara sua primeira venda de biometano a longo prazo


Reuters - 21 set 2021 - 07:28 - Última atualização em: 21 set 2021 - 09:43

A Raízen anunciou sua primeira venda de longo prazo para gás natural renovável, ou biometano, com a Yara Brasil Fertilizantes, em um contrato de cinco anos, conforme comunicado divulgado nesta segunda-feira.

O volume envolvido na transação é de 20 mil metros cúbicos por dia, acrescentou a companhia que é controlada pela Cosan. O início da entrega está previsto para 2023. Os valores acertados não foram divulgados.

“O fornecimento do biometano será efetuado por meio do portfólio da Raízen, utilizando os resíduos do processo de produção de etanol, vinhaça e torta de filtro, nos parques de bioenergia do grupo”, disse a empresa em nota.

Embora a Raízen possua uma planta de biogás em Guariba (SP), fontes consultadas pelo Valor Econômico apontaram que ela é dedicada à geração de eletricidade e que a produção do biometano para atender a Yara deverá vir de outra unidade.

A instalação de novas plantas de biogás e biometano faz parte do plano de expansão da empresa divulgado em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O prospecto envolve a instalação de ao menos 39 unidades até a safra 2030/31.

Amônia verde

O produto será utilizado pela Yara para a produção de hidrogênio e amônia verde em seus parques industriais. Para isso, o biometano deve ser injetado nos dutos da Comgás (também da Cosan) até a planta de amônia da Yara em Cubatão (SP).

Segundo a Yara, em comunicado enviado à imprensa, o volume adquirido – 20 mil m³ diários – representa 3% do montante consumido pela unidade fabril.

A empresa ainda relata que já desenvolve outros projetos de amônia verde pelo mundo, porém, esta é a primeira iniciativa utilizando o biometano. “A incorporação dessa matéria-prima no processo produtivo é uma manifestação concreta dos esforços da Yara no Brasil em promover a descarbonização das suas plantas”, afirma o vice-presidente de soluções industriais Daniel Hubner.

Segundo o executivo, uma das principais vantagens do biometano é o potencial que o Brasil apresenta. O país está entre as maiores potências agropecuárias do mundo, o que resulta na produção de uma enorme quantidade de resíduos orgânicos com potencial de geração de valor.

Ainda de acordo com ele, a aquisição deste volume de biometano dará à empresa a possibilidade de iniciar a produção de amônia verde no Brasil e substituir gradativamente o uso de gás natural, reduzindo assim cerca de 80% das emissões.

“A Yara tem dedicado seus esforços e investimentos em descarbonizar a cadeia global de produção de alimentos e de setores industriais, e a amônia verde é fundamental para esse objetivo. O biometano é uma alternativa promissora e um dos caminhos que podem nos levar a uma nova realidade em muitas indústrias”, disse Hubner.

Nayara Figueiredo
Com informações adicionais do Valor Econômico e da Yara; edição NovaCana

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