Raízen seguiu em primeiro lugar com envios de 3,6 milhões de toneladas – 13,2% do total exportado pelo país
A produção brasileira de açúcar atingiu níveis históricos em 2020. O recorde de 41,53 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foi motivado pela valorização do preço internacional da commodity, que incentivou uma mudança a seu favor no mix de produção das usinas brasileiras.
Com a demanda do mercado externo, a elevada produção também gerou uma exportação recorde. A agência marítima Williams computou um volume de 27,37 milhões de toneladas exportadas em 2020 originado de 134 empresas, 67,68% acima do enviado em 2019, 16,32 milhões. Os dois últimos anos inclusive representam extremos da série histórica da agência, iniciada em 2011, com os despachos passando do menor para o maior montante.
Como ocorre desde 2013, a Raízen ficou em primeiro no ranking das maiores exportadoras de açúcar, seguida pela Copersucar.
A vencedora exportou 3,61 milhões de toneladas em 2020, volume 69,59% superior a um ano antes, quando vendeu 2,13 milhões. A quantia ainda equivale a 13,2% do total despachado pelas empresas brasileiras. A maior parte do açúcar foi comercializada no segundo semestre de 2020, visto que, no comparativo entre os primeiros seis meses dos dois últimos anos, o volume reduziu 0,02%.
Esta também foi a maior quantidade negociada pela Raízen desde o início da série histórica e, consequentemente, o maior montante individual exportado por uma companhia no período.
Confira, na versão completa:
- Volumes totais exportados em 2020
- As 30 maiores exportadoras de açúcar e a variação em relação a 2019
- Histórico e detalhamento das exportações das cinco maiores empresas
- Principais destinos do açúcar brasileiro
- Exportação do adoçante por porto
A produção brasileira de açúcar atingiu níveis históricos em 2020. O recorde de 41,53 milhões de toneladas, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foi motivado pela valorização do preço internacional da commodity, que incentivou uma mudança a seu favor no mix de produção das usinas brasileiras.
Com a demanda do mercado externo, a elevada produção brasileira também gerou uma exportação recorde. De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Economia, 30,79 milhões de toneladas de açúcar foram despachadas pelos portos brasileiros no ano passado.
Os dados diferem dos expostos pela agência marítima Williams, que computou um volume de 27,37 milhões de toneladas exportadas em 2020 originado de 134 empresas. Essa diferença ocorre porque as entidades seguem metodologias diferentes, já que a agência marítima contabiliza apenas as exportações por porão de navio e considera os valores declarados nos portos.
Considerando os dados da Williams, a quantidade exportada em 2020 ficou 67,68% acima da enviada em 2019, 16,32 milhões. Os dois últimos anos inclusive representam extremos da série histórica da agência, iniciada em 2011, com os despachos passando do menor para o maior montante.
Nos primeiros seis meses de 2020, os embarques tinham sido de 9,89 milhões de toneladas, o que corresponde a 36,16% do total. Portanto, a maior parte do volume exportado foi despachada no segundo semestre do ano, com destaque para outubro, com 3,32 milhões de toneladas.

Como ocorre desde 2013, a Raízen ficou em primeiro no ranking das maiores exportadoras de açúcar, seguida pela Copersucar.
A vencedora exportou 3,61 milhões de toneladas em 2020, volume 69,59% superior a um ano antes, quando vendeu 2,13 milhões. A quantia ainda equivale a 13,2% do total despachado pelas empresas brasileiras. A maior parte do açúcar foi comercializada no segundo semestre de 2020, visto que, no comparativo entre os primeiros seis meses dos dois últimos anos, o volume reduziu 0,02%.
Esta também foi a maior quantidade negociada pela Raízen desde o início da série histórica e, consequentemente, o maior montante individual exportado por uma companhia no período.
Conforme seus resultados financeiros divulgados em fevereiro, até o terceiro trimestre da safra 2020/21 (que corresponde a nove meses de 2020), a Raízen já havia produzido 4,35 milhões de toneladas de açúcar, sendo que 2,92 milhões eram do produto bruto, destinado para exportação, 25,5% a mais que um ano antes.
Com a recente aquisição da Biosev, que acrescentou uma capacidade de moagem de 32 milhões de toneladas, é possível que a companhia se destaque ainda mais na produção e na exportação de açúcar em 2021.
Já a Copersucar foi responsável por vender 2,56 milhões de toneladas da commodity em 2020, 81,08% a mais que um ano antes, quando o volume foi de 1,42 milhão de toneladas. Com isso, a empresa segue na segunda colocação, como ocorre desde 2013.
Na sequência, a Biosev manteve a terceira posição ao exportar 90,23% a mais no comparativo anual, já que a quantia subiu de 945,24 mil em 2019 para 1,8 milhão de toneladas em 2020.
No período, a sucroenergética realizou dez transações entre partes relacionadas com a Louis Dreyfus, de quem é subsidiária. Os contratos de compra e venda de mercadoria para entrega futura, com fim específico para exportação, tinham valores que variaram de US$ 19 milhões a US$ 85 milhões, totalizando US$ 397,5 milhões.
Além disso, outro contrato, de junho de 2019, firmou a compra e venda de açúcar VHP entre as companhias para as temporadas 2020/21, 2021/22 e 2022/23 em volume suficiente para atingir US$ 32,5 milhões. O contrato de compra e venda foi feito para instrumentalizar outro acordo existente entre as duas empresas, de 30 de julho de 2013, por meio do qual a Biosev se compromete a vender entre 700 mil e 900 mil toneladas de açúcar VHP para a Louis Dreyfus por safra.
Enquanto isso, a Cofco ascendeu três colocações, ficando em quarto lugar no levantamento mais recente. A empresa teve o maior aumento percentual entre os dois anos dentre as oito primeiras colocações: 114,18%. Em 2019, a companhia negociou 670,69 mil toneladas e, em 2020, 1,44 milhão de toneladas.
Com isso, a São Martinho perdeu uma posição, terminando 2020 em quinto lugar. Ainda assim, a companhia ampliou seu volume exportado em 56,30%, indo de 882,09 mil para 1,38 milhão de toneladas.
As cinco maiores exportadoras foram responsáveis por quase 40% do açúcar enviado para fora do país. Vale destacar que os aumentos anuais também foram consideráveis porque 2019 foi um ano marcado por poucos envios da commodity para o mercado externo, gerando maior contraste.

Inclusive, dentre os 30 melhores resultados, somente três tiveram variação negativa no volume enviado: a Bunge, que reduziu 4,43%; a Santo Antônio, com retração de 20,38%; e a Batatais – que deixou de incluir a usina Lins em 1º de março após um processo de cisão –, com diminuição de 31,32%.
As outras 27 companhias tiveram ampliações nas suas exportações entre 9,35% e 1.051,64%, sendo que sete cresceram mais de 100%. A campeã de aumento foi a Aroeira, que negociou 18,93 mil toneladas em 2019 e 218,01 mil em 2020, saltando da 75ª para a 25ª posição.
Já a Da Mata ampliou suas negociações em 552,77%, saindo de 62,76 mil para 409,66 mil no mesmo comparativo, consequentemente subindo da 49ª colocação para a 16ª. Outros aumentos consideráveis foram os da Conquista do Pontal, da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustral), com 308,3%; Adecoagro (289,02%); Sucden (175,51%); Cofco (114,19%); e Enerfo (111,62%).

Para quem as usinas venderam?
A Raízen enviou açúcar para 29 países por meio de 19 tradings. Os embarques se dividiram entre três portos, sendo que o maior volume, 3,44 milhões de toneladas, foi mandado por Santos (SP). Quantias menores, que somam menos de 200 mil toneladas, foram despachadas pelos portos de Paranaguá (PR) e São Sebastião (SP).
O país que recebeu o maior volume da Raízen foi a Índia (806,04 mil), seguido da China (691,80 mil) e de Bangladesh (320,08 mil). Em 2019, Nigéria e Irã foram os principais destinos, embora mais da metade da quantia exportada não tivesse informação de destino.
A trading que comprou o maior volume da Raízen foi a Wilmar; juntas, as duas companhias formam a joint venture RaW. Neste caso, 1,66 milhão de toneladas foram negociadas tendo 12 países como destino, sendo que Índia e China receberam os maiores volumes.
Em junho de 2020, quatro fontes não identificadas, mas próximas das empresas, haviam confirmado a dissolução da joint venture iniciada em 2016. O NovaCana entrou em contato com a Raízen para confirmar a situação da RaW, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Por sua vez, a Louis Dreyfus adquiriu 491,93 mil toneladas da Raízen, que foram enviadas para 12 diferentes destinos sendo a China o principal. Já a Sucden comprou 322,86 mil toneladas da commodity, despachando para cinco países. Nolis, Alvean, Redpath e Cofco são algumas das outras tradings presentes na lista de compradoras do açúcar da sucroenergética.
A Copersucar, segunda maior exportadora de açúcar em 2020, embarcou 2,23 milhões de toneladas do produto pelo porto de Santos e outras 322,27 mil toneladas pelo de Paranaguá.
Entre os principais destinos, os Emirados Árabes Unidos receberam 490,53 mil toneladas por meio de oito diferentes embarques. Um ano antes, o país não constava no mapa do açúcar da cooperativa. Em seguida, vem a Arábia Saudita, que obteve 385,52 mil toneladas.
O produto da Copersucar foi negociado por meio de 21 diferentes tradings, com a Alvean sendo a responsável pelo maior volume: 1,19 milhão de toneladas. A companhia é uma joint venture formada pela própria cooperativa com a Cargill. Por meio dela, 327,03 mil toneladas da commodity chegaram à Arábia Saudita e 261,33 mil, ao Iraque, além de outras 17 nações.
Em 2021, é provável que o controle da Alvean seja realizado apenas pela Copersucar. Em janeiro, a cooperativa anunciou que está em negociação com a Cargill para assumir integralmente o controle da trading.
“A Alvean continua líder nos mercados globais de açúcar e não há mudanças em sua estrutura ou na forma como atende seus clientes. Os dois acionistas discutem um acordo em que a Copersucar se tornará a única proprietária, adquirindo as ações da Cargill na Alvean. Assim que o acordo for concluído, nós comunicaremos de maneira apropriada”, afirmou a Copersucar em nota.
Outra importante compradora, a Copa Shipping adquiriu 472,57 mil toneladas da Copersucar e enviou o volume integralmente aos Emirados Árabes Unidos. Já as 137,34 mil toneladas adquiridas pela Louis Dreyfus foram repartidas entre sete diferentes destinos.

Algumas das outras compradoras do produto da Copersucar foram Non Uk, Sucden, Sostar e Wilmar.
Responsável pela exportação de 1,8 milhão de toneladas, a Biosev realizou 69 embarques pelo porto de Santos, totalizando 1,61 milhão de toneladas; as 186,34 mil toneladas restantes foram enviadas pelo porto de Paranaguá por meio de 31 embarques.
A Louis Dreyfus, de quem a Biosev é subsidiária, foi a principal compradora, totalizando 494,32 mil toneladas. Além disso, a Arábia Saudita foi o principal destino (171,61 mil), seguida pelo Egito (91,44 mil). A trading ainda comercializou o açúcar da Biosev com outros 12 países. Um ano antes, a maior parte do volume transacionado entre a produtora e a trading não tinha informação de destino.
Já a Enerfo adquiriu 251,12 mil toneladas da Biosev e a Alvean, 199,45 mil. A primeira enviou para quatro países e a segunda, para seis. No total, a sucroenergética negociou com 17 diferentes tradings e seu açúcar foi direcionado para 24 países.
As nações que receberam os maiores volumes produzidos pela Biosev foram China e Bangladesh, com 333,32 mil e 181,14 mil toneladas de açúcar, respectivamente.
A quarta colocada no ranking de exportação foi a Cofco, que enviou 1,44 milhão de toneladas em 72 embarques pelo porto de Santos, por meio de 16 tradings e para 15 diferentes países.
Assim como no caso da Biosev, a Louis Dreyfus foi a principal compradora do açúcar da Cofco, totalizando 328,3 mil toneladas para 11 diferentes destinos. Os volumes foram individualmente menores do que 50 mil toneladas.
Já a Wilmar adquiriu 302,87 mil toneladas que foram despachadas para seis países. Ela também foi a maior compradora do açúcar da São Martinho, a quinta maior exportadora, totalizando 419,63 mil toneladas. Os principais destinos foram China e Índia.
Um volume de 290,37 mil toneladas foi comprado da São Martinho pela Sucden, que destinou o produto para sete diferentes nações. No total, 19 tradings adquiriram o produto da empresa, enviando para 18 países.
Todos os embarques da São Martinho foram por Santos, totalizando 114 despachos e 1,38 milhão de toneladas.
Rotas e destinos
Usualmente, as principais rotas de saída do açúcar nacional são Santos (SP), Paranaguá (PR), Maceió (AL), Recife (PE) e Suape (PE). Devido ao aumento exponencial nas exportações, os portos de São Sebastião (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN) também apareceram com volumes despachados, ainda que menores.
Conforme a gerente comercial da USJ Açúcar e Álcool, Luciana Portellinha, durante a 20ª Conferência Internacional Datagro, os preços internacionais do açúcar foram favoráveis à exportação, incluindo envios fora de época. “Como tínhamos demanda, os embarques foram feitos de forma até mesmo adiantada, então o faturamento e fluxo de caixa estavam em dia”, detalhou.
Pelo porto santista, saíram 20,87 milhões de toneladas ao longo de 2020, ou 76,28% do total, por meio de 95 diferentes empresas. O montante é 66,9% superior aos 12,5 milhões de toneladas de 2019. Já por Paranaguá, a quantidade aumentou 80,28%, passando de 2,68 milhões para 4,82 milhões de toneladas entre os dois anos. Este volume correspondeu a 17,63% do total.
Ainda com quantia acima de 1 milhão de toneladas esteve o porto de Maceió, responsável por 1,12 milhão de toneladas de açúcar, 30,94% acima do que em 2019.
Pelos portos de Recife, Suape e São Sebastião foram enviados volumes de 225,36 mil, 143,63 mil e 140,69 mil toneladas, respectivamente. Já os portos fluminense e potiguar, juntos, foram responsáveis por 32,57 mil toneladas de açúcar.

Por meio destes portos, o açúcar brasileiro viajou para 57 diferentes nações.
A China foi a principal recebedora, com 4,6 milhões de toneladas. Em 2019, o país asiático ocupou o sexto lugar, enquanto o principal destino havia sido a Argélia – que, em 2020, ficou em segundo lugar, com 2,4 milhões de toneladas.
Em seguida, Bangladesh obteve 2,1 milhões de toneladas do açúcar brasileiro e manteve a colocação do ano anterior. Outros oito países receberam quantidades entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas: Índia, Nigéria, Malásia, Arábia Saudita, Indonésia, Iraque, Marrocos e Emirados Árabes.
Vale destacar que, em 2019, 6,37 milhões de toneladas não tiveram destino informado, o que prejudica as comparações entre os dois anos.
NovaCana DATA
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana



