Açúcar: Mercado

Cargill negocia venda da participação na trading de açúcar Alvean

Copersucar confirmou interesse em assumir integralmente controle da Alvean, formada em 2014 pelas companhias; acordo pode sair ainda neste bimestre, diz analista


Globo Rural - 14 jan 2021 - 08:30 - Última atualização em: 15 jan 2021 - 16:53

A Copersucar confirmou nesta quarta-feira, 13, que está em negociação com a Cargill para assumir integralmente o controle da Alvean, joint venture formada em 2014 pelas duas companhias para originação e comercialização de açúcar.

Segundo comunicado da empresa brasileira, a venda da participação da Cargill está em discussão e será anunciada assim que concluída.

“A Alvean continua líder nos mercados globais de açúcar e não há mudanças em sua estrutura ou na forma como atende seus clientes. Os dois acionistas discutem um acordo em que a Copersucar se tornará a única proprietária, adquirindo as ações da Cargill na Alvean. Assim que o acordo for concluído, nós comunicaremos de maneira apropriada”, afirmou a Copersucar em nota.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Mauricio Muruci, as negociações entre as duas empresas estão avançadas e devem ser concluídas já nos próximos meses.

“Pelo que se sabe, nos últimos anos, o açúcar tem impactado negativamente os balanços financeiros da Cargill e agora eles estão aproveitando que os preços estão relativamente recuperados para liquidar sua posição com algum nível de valorização dos seus ativos”, explica Muruci.

Cotada acima de 0,15 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, a commodity chegou a ser negociado abaixo de 0,10 centavos de dólar por libra em 2020, voltando a se recuperar a partir de maio.

“Nos últimos anos a média tem sido de US$ 0,12 a US$ 0,13, quando muito US$ 0,14/libra. E nesses últimos meses foi pra US$ 0,15, testando US$ 0,16, o que é nível de recuperação muito grande em função das médias dos últimos anos”, lembra o analista.

A valorização do açúcar em Nova York impacta diretamente no valor dos ativos da Alvean e, consequentemente, no valor de venda da participação da Cargill na joint venture.

“O açúcar, comparado com outras commodities que a Cargill faz o processamento, como proteínas e carnes, tem uma rentabilidade extremamente baixa, beirando o custo de produção”, pontua Muruci. “Agora o preço se recuperou e eles estão aproveitando esse momento para se desfazer de um ativo que estava com margens muito baixas em relação aos demais ativos da própria Cargill”.

Fundada em 2008, a Copersucar é atualmente a maior empresa brasileira no setor de açúcar e etanol, reunindo 43 usinas sócias e cerca de 50 unidades não sócias. A Cargill, por sua vez, trabalha desde 1865 no setor agroalimentar, com atuação em 67 países.

Cleyton Vilarino


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