Companhia, que recentemente anunciou a aquisição da Biosev, ultrapassou a marca de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moídas em 2020/21
Em meio a uma pandemia e a um quadro de estiagem, a temporada 2020/21 deve entrar para a história de muitas sucroenergéticas como um período difícil que demandou uma série de importantes decisões estratégicas. Para a Raízen Energia, a safra será ainda mais marcante: no começo de fevereiro, a companhia anunciou a aquisição de nove usinas da Biosev, o que deve “turbinar” seus números daqui para frente.
Além disso, os dados de 2020/21 por si só também chamam atenção. Nos primeiros três trimestres da safra, a Raízen registrou uma moagem de 61,43 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 3% acima das 59,62 milhões de toneladas vistas no mesmo período do ano passado. O resultado supera a moagem total de 2017/18 da companhia, 61,22 milhões, mas ainda fica abaixo do recorde de 62,71 milhões de toneladas visto em 2015/16.
Financeiramente, o desempenho durante a temporada também foi destaque. Em sua divulgação de resultados, a holding Cosan comentou o maior volume de açúcar vendido e os melhores preços obtidos pela sucroenergética. Como resultado, a Raízen teve um Ebitda ajustado de R$ 1,55 bilhão no terceiro trimestre da safra, acumulando R$ 2,86 bilhões na safra.
Este resultado operacional é referente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização com a dedução de itens que as empresas julgam inadequados para medir seus desempenhos.
Para uma melhor compreensão dos números da Raízen Energia, o NovaCana disponibiliza 35 gráficos exclusivos elaborados a partir dos dados divulgados pela Cosan. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
As informações que fazem parte do levantamento, restrito para assinantes, incluem:
- Evolução financeira
- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR
- Produtividade
- Origem da cana
- Nível de mecanização
- Etanol e açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- Estoques de etanol e açúcar por volume e por valor de mercado
- Destino da produção ao longo da safra: mercado externo e interno
- Receita operacional
- Composição das vendas
Em meio a uma pandemia e a um quadro de estiagem, a temporada 2020/21 deve entrar para a história de muitas sucroenergéticas como um período difícil que demandou uma série de importantes decisões estratégicas. Para a Raízen Energia, a safra será ainda mais marcante: no começo de fevereiro, a companhia anunciou a aquisição de nove usinas da Biosev, o que deve “turbinar” seus números daqui para frente.
Além disso, os dados de 2020/21 por si só também chamam atenção. Nos primeiros três trimestres da safra, a Raízen registrou uma moagem de 61,43 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 3% acima das 59,62 milhões de toneladas vistas no mesmo período do ano passado. O resultado supera a moagem total de 2017/18 da companhia, 61,22 milhões, mas ainda fica abaixo do recorde de 62,71 milhões de toneladas visto em 2015/16.
Financeiramente, o desempenho durante a temporada também foi destaque. Em sua divulgação de resultados, a holding Cosan comentou o maior volume de açúcar vendido e os melhores preços obtidos pela sucroenergética. Como resultado, a Raízen teve um Ebitda ajustado de R$ 1,55 bilhão no terceiro trimestre da safra, acumulando R$ 2,86 bilhões na safra.
Este resultado operacional é referente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização com a dedução de itens que as empresas julgam inadequados para medir seus desempenhos.
Para uma melhor compreensão dos números da Raízen Energia, o NovaCana disponibiliza 35 gráficos exclusivos elaborados a partir dos dados divulgados pela Cosan. Assim, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
Moagem e produção
Assim como a maior parte das sucroenergéticas com atuação no Centro-Sul, a Raízen apresentou uma moagem acelerada em 2020/21, proporcionada pelo tempo seco, e não é esperada a contabilização de volumes significativos de cana-de-açúcar no quarto trimestre. Com isso, sua temporada se encerra com a produção de 61,43 milhões de toneladas.
Nos nove primeiros meses da atual safra, a companhia produziu 2,46 bilhões de litros de etanol, sendo 1,47 bilhão de hidratado e 985,7 milhões de anidro. Mesmo com a queda no consumo observada desde março, estes valores representam crescimento de 1,3%, 0,9% e 1,9%, respectivamente, no volume produzido.
Mesmo com este aumento, houve uma clara preferência pela fabricação de açúcar, para a qual foi direcionada 53% da matéria-prima, ante 49% em 2019/20. Desta forma, a produção aumentou 14,8% em comparação com o mesmo período da temporada anterior, chegando a 4,35 milhões de toneladas do adoçante, sendo 2,92 milhões do produto bruto (+25,5%), destinado para exportação, e 1,43 milhão do refinado (+2,1%).
Especificamente no terceiro trimestre da safra, a produção de etanol foi de 576 milhões de litros (-2,2%), dividida entre 231,8 milhões de anidro (-8,7%) e 344,6 milhões de hidratado (+2,8%). Já o volume de açúcar foi de 810,4 mil toneladas (+2,5%), com 528,8 mil de bruto (+5,2%) e 282 mil de refinado (-2,4%).





Indicadores agrícolas e industriais
De acordo com o relatório disponibilizado pela Raízen, a maior moagem em 2020/21 aconteceu em função do aumento de produtividade agrícola que, por sua vez, seria resultado dos investimentos que vêm sendo realizados nos canaviais.
A partir dos números divulgados, o NovaCana calculou que a companhia registrou um rendimento médio de 72,59 t/ha. O resultado é 2,7% superior às 70,66 t/ha registradas na safra anterior, mas está mais de 18 t/ha abaixo do recorde da companhia: as 89,3 t/ha obtidas em 2015/16.
Além disso, combinando este indicador com o aumento na concentração de açúcar total recuperável (ATR) na cana, a companhia atingiu a média de 10,2 toneladas de ATR por hectare, um crescimento de 5,8% na comparação anual.




Resultados financeiros
No terceiro trimestre de 2020/21, a Raízen obteve um novo recorde de receita operacional líquida, R$ 10,35 bilhões. O valor é 30,5% superior ao visto no mesmo período da safra anterior e ultrapassa em 15,1% o maior resultado registrado até então, os R$ 8,99 bilhões obtidos no quarto trimestre de 2019/20.
Outro resultado recorde no período foi o Ebitda de R$ 1,93 bilhão, 137,9% superior aos R$ 813,3 milhões contabilizados de outubro a dezembro de 2019.
No acumulado da temporada, a receita operacional chega a R$ 22,67 bilhões, crescimento anual de 4,4%. Já o Ebitda foi de R$ 3,93 bilhões – um aumento de 59,5%. De acordo com a Cosan, esta elevação foi possível devido à maior venda de açúcar, aos melhores preços do adoçante e ao crescimento nas vendas de etanol.
Ainda segundo a holding, o Ebitda ajustado específico do açúcar foi de R$ 806 milhões no trimestre. “Os ganhos de eficiência em custos capturados nos processos agroindustriais contribuíram para a redução nos gastos e aumento da rentabilidade”, complementa a Raízen em relatório próprio.
Já o Ebitda ajustado das operações com etanol e energia elétrica foi de R$ 751 milhões. Neste caso, o resultado poderia ter sido melhor, de acordo com a companhia, mas houve uma redução no volume e nos preços para a comercialização de energia. No total, o Ebitda ajustado foi de R$ 1,55 bilhão, uma elevação anual de 52,1%.
Por sua vez, o lucro líquido da Raízen foi de R$ 385,9 milhões no trimestre. O valor compensa os prejuízos dos seis meses anteriores e leva a um resultado positivo de R$ 258,7 milhões no acumulado da temporada 2020/21. No mesmo período do ano passado, a companhia registrava um prejuízo de R$ 196,4 milhões.


Vendas por produto e por mercado
A receita trimestral de R$ 10,35 bilhões obtida pela Raízen foi formada por R$ 4,41 bilhões com vendas de açúcar (+341%), R$ 4,16 bilhões com vendas de etanol (+42,4%) e R$ 589,9 milhões com vendas de energia elétrica (-48,1%). Para a conta fechar, no entanto, foi preciso considerar também os R$ 1,2 bilhão obtidos com “outros produtos e serviços”.
Esta última categoria, aliás, rendeu R$ 4,41 bilhões no acumulado da safra – queda de 46,9% ante 2019/20. Segundo a Cosan, ela é composta pela importação de derivados de petróleo e outros produtos e serviços. “Pela natureza da operação, [estes produtos e serviços] podem impactar de forma relevante a receita e o custo, de acordo com as oportunidades de mercado, mas geram impacto limitado no lucro bruto”, argumenta.
Em relação ao etanol, a receita obtida com sua venda teve um aumento de 10,7% no acumulado da safra, chegando a R$ 8,7 bilhões – sendo R$ 3,55 bilhões obtidos no mercado doméstico (-21%) e R$ 5,15 bilhões por meio de exportações (+52,9%). Em volume, a comercialização foi de 3,43 bilhões de litros (-8,6%), com 1,84 bilhão no mercado brasileiro (-23,2%) e 1,59 bilhão no exterior (+17,1%).
“O preço médio de venda do biocombustível foi de R$ 2.352/m³ no trimestre, superior ao preço Esalq [que acompanha os valores no mercado doméstico] do período, alavancado pela exportação de etanóis especiais e pelos preços protegidos frente à gasolina no mercado internacional”, detalha a Raízen.
Mesmo com as exportações de etanol aquecidas, o grande destaque é o mercado de açúcar. De abril a dezembro de 2020, a companhia ampliou 162,5% a quantia vendida, alcançando 5,3 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, a receita subiu 238,7%, para R$ 7,94 bilhões.
Em seu relatório, a Raízen atribui este crescimento a três fatores principais: maior disponibilidade do produto, causada pelo aumento na moagem e o maior ATR; estratégia de ampliação da atuação da companhia na cadeia de açúcar; e melhores preços.
Por fim, o único produto sucroenergético a apresentar decréscimo na comparação anual foi a cogeração de eletricidade. No acumulado da safra, a Raízen comercializou 13,88 GWh (-38,1%), obtendo uma receita de R$ 1,61 bilhão (-49,5%). “O cenário menos favorável para os preços no mercado à vista no trimestre desincentivou também a compra de bagaço de cana de terceiros para aumentar a cogeração de bioenergia”, complementa a empresa.





Posição de estoques
Considerando o momento da temporada, a posição dos estoques da Raízen ganha relevância porque determina o limite de negociações para a entressafra. Em 31 de dezembro, a companhia armazenava um total de 1,43 milhão de toneladas de açúcar e 1,24 bilhão de litros de etanol – em relação a um ano antes, isto representa crescimentos de 6,4% e 15,7%, respectivamente.
Além disso, segundo a Cosan, o preço médio do açúcar armazenado subiu 5,4% em relação ao período anterior, para R$ 1.040,2/t. Já o valor do etanol caiu 0,6% no mesmo comparativo, para R$ 1.731,5/m³.


NovaCana DATA
Renata Bossle – NovaCana