Açúcar: Mercado

Mercado de açúcar demanda resposta rápida das usinas e foco na exportação


novaCana.com - 12 nov 2020 - 08:52

Os altos e baixos do setor sucroenergético ensinaram às usinas a importância da flexibilidade e da agilidade em alternar suas produções entre o açúcar e o etanol. Após dois anos com o renovável remunerando mais do que a commodity, o cenário de 2020 virou a mesa, fazendo com que as sucroenergéticas concentrassem suas forças no adoçante.

O chefe de trading da Sucden do Brasil, Luiz Silvestre, destaca que o Brasil conseguiu, por esforço dos produtores, colocar-se como um “regulador do mercado mundial de açúcar”. Nos últimos dois anos, ele relata, o país reduziu sua produção em 20 milhões de toneladas e, em 2020, conseguiu acrescentar entre 10 e 11 milhões. “A versatilidade é espetacular”, destaca.

A declaração foi dada em 29 de outubro, durante a 20ª Conferência Internacional Datagro. Na oportunidade, a gerente comercial da USJ Açúcar e Álcool, Luciana Portellinha, reforçou esta visão.

“A virada que fizemos no mix [de produção] foi uma das mais significativas que já vimos. No dia a dia das usinas, cada quilo de ATR a mais foi sendo capturado para a produção de açúcar”, relata, referindo-se à safra atual. A gerente comercial reforça que a temporada favorável e o índice de açúcar total recuperável (ATR) elevado foram beneficiados pela ausência de chuvas.

“Digamos que saímos de um mix de 34% [de direcionamento da matéria-prima para o açúcar] para um de 47%. O preço justificou qualquer esforço”, completa.

Com a virada do mercado internacional para a commodity, a produção brasileira ficou voltada para a exportação. “Como tínhamos demanda, os embarques foram feitos de forma até mesmo adiantada, então o faturamento e fluxo de caixa estavam em dia”, detalha Portellinha. “Quem pôde deixou de vender o etanol, que estava com preço bastante pressionado”.

Olhando adiante, Portellinha acredita que 2021 provavelmente seguirá bastante firme para o açúcar em termos de preço, de forma que o Brasil continuará a priorizar a commodity. “Já temos muito açúcar vendido, ‘hedgiado’, o que traz um conforto”, argumenta.

O diretor de vendas, marketing e logística da Tereos, Gustavo Segantini compartilha da perspectiva da gerente. Para ele, a não ser que o preço do petróleo suba ou o preço do açúcar em Nova York caia muito, a próxima safra seguirá maximizando a produção da commodity, aproveitando-se de uma dinâmica de exportação parecida com a deste ano.

“A demanda global já está pressionando e, por isso, estamos vendo essa recuperação do preço de Nova York”, afirma. “A demanda está maior que a oferta para o curto prazo. Só não vemos uma reação maior para o longo prazo, pois ninguém quer apostar na incerteza por enquanto”.

A gerente comercial da USJ complementa que a temporada 2021/22 deve envolver uma moagem de cana-de-açúcar um pouco menor, mas com fixação recorde de preços do adoçante. Segundo ela, o preço do etanol precisa subir consideravelmente para que a arbitragem de preço passe a favorecer o biocombustível. “É difícil imaginar uma safra que não seja tão açucareira e voltada para a exportação como a que estamos tendo”, considera.

Quanto ao tipo de açúcar, Portellinha visualiza uma participação elevada do branco. Ainda que a produção não seja necessariamente tão alta quanto a que está sendo registrada nesta safra, o volume deve se manter bastante firme, de acordo com ela.

Por sua vez, o diretor comercial do Grupo EQM, Paulo Julio de Mello Filho, espera uma próxima temporada para o Norte-Nordeste com perfil parecido com a do Centro-Sul. “Talvez o etanol recupere um pouco de espaço no mix, mas certamente não será significativo. Acho que a tendência de exportar e travar preço vai continuar”, completa.

Na versão exclusiva para assinantes, confira as perspectivas para a indústria brasileira em relação ao açúcar, descritos por Segantini, Portellinha e Mello Filho.


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