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GranBio Investimentos registra primeiro lucro de sua história em 2019

Companhia, que opera com a produção de etanol celulósico desde 2014, acumulou prejuízos por cinco anos consecutivos

NovaCana 8 min de leitura

Às vésperas de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a GranBio Investimentos registrou o primeiro resultado líquido positivo desde sua inauguração. A companhia de etanol de segunda geração (E2G) – que tem se voltado para o licenciamento de tecnologias e a produção de nanocelulose – teve um lucro consolidado de R$ 78,57 milhões em 2019.

Nos cinco anos anteriores, a empresa acumulou mais de R$ 380 milhões em prejuízos, resultados que eram justificados pela dificuldade de atuar com uma tecnologia pouco estabelecida.

Logo nos primeiros meses de 2019, porém, a GranBio concluiu a aquisição da American Process Inc e de algumas empresas afiliadas, como a Avapco LLC e a API Intellectual Properties Holdings. A transação – que incluiu biorrefinarias em Michigan e na Geórgia, além de um centro de P&D na Geórgia – também envolveu um portfólio de propriedade intelectual com mais de 200 patentes, entre concedidas e pendentes.

“O exercício de 2019 foi marcado pela consolidação dos ativos de propriedade intelectual desenvolvidos ao longo de sete anos pela GranBio e suas subsidiárias”, afirma a administração da companhia, em sua divulgação de resultados.

Desta forma, segundo a empresa, a GranBio se “credencia mundialmente” como licenciadora de tecnologias de fronteira na conversão de biomassa para biocombustíveis celulósicos, bioquímicos e nanocelulose com pegada de carbono neutra.

Mesmo com um bom resultado, conforme números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Bioflex – planta de E2G da GranBio, localizada em São Miguel dos Campos (AL) – registrou uma produção de apenas 1,66 milhões de litros em 2019. Este valor foi ultrapassado, porém, nos dois primeiros meses de 2020, quando foram fabricados 2,59 milhões de litros.

Saiba mais sobre os resultados financeiros e operacionais da GranBio Investimentos no texto completo (exclusivo para assinantes):

- Histórico de resultados
- Lucro líquido x prejuízo bruto
- Impacto das novas aquisições
- Novas parcerias
- Resultados operacionais
- Perfil da dívida
- Negociações recentes com bancos e credores

Às vésperas de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a GranBio Investimentos registrou o primeiro resultado líquido positivo desde sua inauguração. A companhia de etanol de segunda geração (E2G) – que tem se voltado para o licenciamento de tecnologias e a produção de nanocelulose – teve um lucro consolidado de R$ 78,57 milhões em 2019.

Nos cinco anos anteriores, a empresa acumulou mais de R$ 380 milhões em prejuízos, resultados que eram justificados pela dificuldade de atuar com uma tecnologia pouco estabelecida.

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No ano passado, o então CEO da companhia, Bernardo Gradin, explicou que a GranBio é mantida pelo controlador enquanto a operação não se torna lucrativa. “Os credores têm demonstrado confiança e algumas dívidas foram perfiladas para a melhor projeção de ‘ramp up’ [aumento na produção] da planta e de receita com venda de licenças futuras de tecnologia”, relatou.

Logo nos primeiros meses de 2019, a GranBio concluiu a aquisição da American Process Inc e de algumas empresas afiliadas, como a Avapco LLC e a API Intellectual Properties Holdings. A transação – que incluiu biorrefinarias em Michigan e na Geórgia, além de um centro de P&D na Geórgia – também envolveu um portfólio de propriedade intelectual com mais de 200 patentes, entre concedidas e pendentes.

“O exercício de 2019 foi marcado pela consolidação dos ativos de propriedade intelectual desenvolvidos ao longo de sete anos pela GranBio e suas subsidiárias”, afirma a administração da companhia, em sua divulgação de resultados. O documento segue: “[Isto] representa um marco na estratégia da GranBio de se tornar uma empresa de conhecimento, líder em biotecnologia industrial e capaz de entregar soluções de baixo carbono a partir do uso de biomassa que reverterão o impacto humano no clima”.

Desta forma, segundo a empresa, a GranBio se “credencia mundialmente” como licenciadora de tecnologias de fronteira na conversão de biomassa para biocombustíveis celulósicos, bioquímicos e nanocelulose com pegada de carbono neutra. “Demos mais um passo para nos tornarmos viabilizadores de novas cadeias produtivas em escala comercial rumo à descarbonização industrial e dos transportes”, comemora.

Sob o comando de Paulo Nigro desde o começo de 2020, a GranBio anunciou parcerias com a indiana Birla Carbon e com a italiana NextChem. No primeiro caso, a companhia fará o fornecimento de um composto de nanocelulose para a indústria de pneus e de borracha, enquanto, no segundo, fechou o licenciamento de sua tecnologia patenteada para a produção de etanol de E2G.

Desempenho operacional

Mesmo com um bom resultado em 2019, conforme números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Bioflex – planta de E2G da GranBio, localizada em São Miguel dos Campos (AL) – registrou uma produção de apenas 1,66 milhões de litros no ano. O valor foi ultrapassado, porém, nos dois primeiros meses de 2020, quando foram fabricados 2,59 milhões de litros.

Para completar, apesar do lucro líquido registrado em 2019, o ano passado foi de prejuízo bruto para a GranBio Investimentos. Segundo os números divulgados pela companhia, os custos de produção ultrapassaram as receitas com produtos vendidos e serviços prestados em R$ 28,16 milhões.

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Entre janeiro e dezembro, as receitas da GranBio Investimentos somaram R$ 33,54 milhões – alta de 38,3% em relação ao resultado de 2018. Ao mesmo tempo, os custos dos produtos vendidos subiram 220% na mesma comparação, chegando a R$ 61,69 milhões.

De acordo com a companhia, este aumento nas despesas foi decorrente da contabilização do custo operacional das controladas indiretas – American Process Energy Recovery, Inc. e Avapco –, sendo decorrente da prestação de serviços de tratamento de águas e eliminação de resíduos.

Além disso, também houve um aumento nos custos referentes à usina BioFlex. A companhia manteve sua receita relativamente estável com o arrendamento da estrutura de cogeração da unidade, mas ampliou a revenda de palha de cana-de-açúcar. O etanol celulósico produzido, por sua vez, foi comercializado no mercado interno.

Desta forma, enquanto os custos representavam o equivalente a 79,5% das receitas em 2018, este índice subiu para 184% em 2019.

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De acordo com os números apresentados, o que impediu que a GranBio Investimentos registrasse um novo prejuízo foi o crescimento de suas receitas operacionais, que subiram de R$ 37,9 milhões em 2018 para R$ 213,47 milhões em 2019.

A maior parte deste valor se deve às companhias adquiridas em 2019 com a aquisição da American Process Inc. “A administração acredita que a maior parte da receita gerada pelas entidades é devida à tecnologia existente nessas empresas”, declara a GranBio, que complementa: “Na estimativa do valor justo da tecnologia das empresas, o método de RFR foi empregado. Este método pressupõe que, em vez de pagar por uma propriedade, uma empresa estaria disposta a pagar para explorar os benefícios relacionados a essa classe de ativos”.

Além disso, foram contabilizados US$ 25 milhões recebidos pela Gran LLC e pela Bioflex por conta de processos movidos contra as empresas Beta Renewables e Biochemtex em abril de 2016. “O ressarcimento se deu em função dos prejuízos causados na planta industrial”, justifica.

Por fim, também entrou na conta o arrendamento de uma planta industrial em Thomaston, na Geórgia, no valor de R$ 4,49 milhões.

Perfil das dívidas e renegociações

De acordo com as demonstrações financeiras da GranBio Investimentos, os empréstimos e financiamentos da companhia somavam R$ 622,59 milhões em 31 de dezembro de 2019. Este montante é composto por financiamentos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além de debêntures emitidas pela companhia.

Apesar deste endividamento ter subido 4,9% ante o valor registrado um ano antes, a posição dos débitos com vencimento dentro de 12 meses cresceu 66,6% no período, alcançando R$ 245,65 milhões. Os R$ 376,94 milhões restantes correspondem a dívidas de médio e longo prazos e, neste caso, houve uma queda de 15,5% em relação à posição de 31 de dezembro de 2018.

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Conforme a GranBio, desde a apuração destes valores, o cenário de endividamento da empresa já mudou. Em 06 de abril, a GranBio e a BioFlex assinaram um memorando de entendimentos com o Itaú Unibanco referente às debêntures não conversíveis em ações emitidas pela BioFlex, com alterações nas garantias.

Um mês depois, o Banco do Nordeste do Brasil concedeu a suspensão temporária de pagamento das parcelas do principal da dívida e dos juros até janeiro de 2021 em três contratos.

Já em 15 de julho 2020, as duas empresas fizeram um aditivo ao contrato de financiamento junto ao BNDES. Por meio disto, foi possível alterar os juros remuneratórios de alguns dos empréstimos realizados, além de realizar uma suspensão temporária de pagamento de parcelas do principal da dívida e dos juros de parte dos débitos.

Por fim, em agosto, a GranBio firmou um contrato de R$ 15 milhões com um grupo de investidores. O objetivo é financiar o processo de estruturação da oferta pública de ações a ser realizada pela companhia. Este contrato envolveu o fornecimento de uma garantia via alienação fiduciária da produção de etanol celulósico da safra 2020/21 até o limite de 120% do valor do empréstimo.

Renata Bossle – NovaCana

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