Indústria

GranBio faz parceria com empresa italiana para licenciamento da tecnologia de E2G

Acordo envolveu pagamento de US$ 15 milhões à companhia brasileira pelo sublicenciamento


novaCana.com - 03 ago 2020 - 12:13

A GranBio, empresa que controla uma usina de etanol celulósico em operação desde setembro de 2014, anunciou nesta segunda-feira (3) uma aliança estratégica com uma subsidiária da gigante italiana Maire Tecnimont – que atua na indústria de processamento de recursos naturais –, a NextChem. O objetivo é o licenciamento de sua tecnologia patenteada para a produção de etanol de segunda geração (E2G).

De acordo com a GranBio, a parceria deve viabilizar a comercialização da tecnologia globalmente, combinando os conhecimentos da brasileira em biomassa com a inteligência de engenharia da italiana NextChem. A empresa atua no campo da química verde, desenvolvendo e comercializando tecnologias para a transição energética, a fim de produzir produtos químicos provenientes de fontes não-fósseis.

A tecnologia desenvolvida pela GranBio para produzir E2G já é usada na usina do grupo, localizada em São Miguel dos Campos (AL). Segundo a companhia, foram investidos U$ 220 milhões na construção da planta. Atualmente, a empresa tem capacidade para produzir cerca de 30 milhões de litros de E2G por ano, um volume que é exportado aos mercados americano e europeu.

Ao longo dos últimos anos, a GranBio acumulou prejuízos e frequentemente opta por paralisar a produção de etanol em benefício da geração de energia elétrica. Porém, o CEO da GranBio, Paulo Nigro, afirmou que a empresa teve números positivos em 2019. Em entrevista ao novaCana realizada em março, ele comentou sobre as frentes de negócios da GranBio e a série de parcerias da empresa.

A parceria com a italiana, que tem capital aberto na Bolsa de Milão, também é um caminho para a GranBio atrair novos investidores. A companhia irá realizar oferta pública inicial de ações (IPO) na B3 até o final deste ano. Segundo a empresa, a expectativa é levantar R$ 1,5 bilhão.

Parceria promissora

Com a nova negociação, a NextChem se torna sublicenciadora exclusiva da tecnologia da GranBio. Conforme noticiado pelo Valor Econômico, o acordo envolveu um pagamento de US$ 15 milhões à companhia brasileira.

Ainda de acordo com a reportagem, os royalties a serem pagos pelos clientes serão proporcionais aos ganhos de produtividade que forem superiores à meta de produção estabelecida. Neste caso, os valores também serão compartilhados entre as duas empresas.

Segundo o executivo da GranBio informou ao Valor, já há clientes potenciais em grupos escandinavos, russos e estadunidenses. Essas empresas teriam interesse em investir na área para começar a trabalhar com energias renováveis, mas estavam esperando por uma solução mais certeira.

Ainda de acordo com o CEO, a expectativa é realizar ao menos dois licenciamentos nos próximos 12 meses. Cada biorrefinaria deverá necessitar um investimento de entre US$ 15 milhões e US$ 25 milhões, dependendo da matéria-prima e da complexidade da cadeia e terá capacidade produtiva de 50 milhões de litros por ano.

O investimento é bem menor do que os realizados até agora para a construção de usinas de etanol celulósico.

Conforme a reportagem do Valor, a parceira Maire Tecnimont tem 50 empresas presente em 45 países, incluindo nações que incluíram o uso do etanol celulósico em seus compromissos no Acordo de Paris.

Entre os mercados mais promissores para este biocombustível estão União Europeia, China, Índia e Brasil. Com a abrangência do grupo italiano, a GranBio espera alcançar um terço do mercado potencial de etanol de segunda geração, estimado em 30 bilhões de litros até 2035, disse Nigro ao Valor.

“A União Europeia, por exemplo, determinou recentemente políticas que promoverão a construção de dezenas de usinas de combustível de segunda geração até 2030”, completa.

Segundo a companhia, a tecnologia desenvolvida pela GranBio é um modelo flexível para utilização de diversas matérias-primas na produção de E2G, o que permite o uso de quase todos os tipos de resíduos agrícolas, como palha de cana-de-açúcar e de milho e até sobras de madeira, como eucalipto. “Em outras palavras, além de termos um produto final totalmente sustentável, conseguimos aproveitar ao máximo os insumos, recuperando, inclusive, áreas degradadas”, expõe Nigro.

Por sua vez, o CEO da NextChem e da Maire Tecnimont, Pierroberto Folgiero, reforça que a tecnologia pode ser implantada globalmente, pois utiliza matérias-primas amplamente disponíveis e que não interferem no setor de alimentos. “Com nossa experiência no setor químico e petroquímico, estamos confiantes em oferecer uma solução vencedora”, finaliza.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico


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