Entre 2010 e 2019, perdas líquidas da sucroenergética somaram R$ 1,88 bilhão; leilão da unidade São Luiz está agendado para este mês
Em recuperação judicial desde setembro de 2017, a Abengoa Bioenergia vem enfrentando dificuldades com suas operações e seus credores. No ano passado, a sucroenergética chegou a ser acusada de crime de favorecimento; meses depois, apresentou um novo plano de recuperação e, em poucos dias, conseguiu a aprovação do documento.
Um dos aspectos previstos no novo plano é o leilão da unidade São Luiz, em Pirassununga (SP). O certame precisou ser adiado devido a dificuldades causadas pela pandemia de coronavírus, entretanto, a justiça já definiu uma nova data: 17 de agosto.
Segundo o edital do leilão, os interessados têm até as 11h do dia para apresentar suas propostas com valores a partir de R$ 385 milhões. As ofertas serão disponibilizadas aos credores a partir das 14h e eles terão 15 dias para deliberar sobre as condições de venda da usina e chegar a uma decisão.
A justiça também determinou que, caso não haja uma proposta vencedora, a Abengoa deverá realizar, pelo menos, mais dois leilões para a usina São Luiz dentro de um ano. Caso a unidade não seja vendida após o fim deste prazo, a companhia terá 30 dias para homologar um novo plano de recuperação judicial.
Além da unidade São Luiz, a Abengoa também controla a usina São João, localizada em São João da Boa Vista (SP).
No texto completo (exclusivo para assinantes), leia sobre o desempenho financeiro da companhia em 2019.
- Resultado líquido da companhia
- Evolução do endividamento
- Relação entre receitas e custos
- Histórico de resultados dos últimos 11 anos
Em recuperação judicial desde setembro de 2017, a Abengoa Bioenergia vem enfrentando dificuldades com suas operações e seus credores. No ano passado, a sucroenergética chegou a ser acusada de crime de favorecimento; meses depois, apresentou um novo plano de recuperação e, em poucos dias, conseguiu a aprovação do documento.
Um dos aspectos previstos no novo plano é o leilão da unidade São Luiz, em Pirassununga (SP). O certame precisou ser adiado devido a dificuldades causadas pela pandemia de coronavírus, entretanto, a justiça já definiu uma nova data: 17 de agosto.
Segundo o edital do leilão, os interessados têm até as 11h do dia para apresentar suas propostas com valores a partir de R$ 385 milhões. As ofertas serão disponibilizadas aos credores a partir das 14h e eles terão 15 dias para deliberar sobre as condições de venda da usina e chegar a uma decisão.
A justiça também determinou que, caso não haja uma proposta vencedora, a Abengoa deverá realizar, pelo menos, mais dois leilões para a usina São Luiz dentro de um ano. Caso a unidade não seja vendida após o fim deste prazo, a companhia terá 30 dias para homologar um novo plano de recuperação judicial.
Além da unidade São Luiz, a Abengoa também controla a usina São João, localizada em São João da Boa Vista (SP).
Uma década de prejuízos
De acordo com o balanço financeiro referente ao período de janeiro a dezembro de 2019, a Abengoa reportou um novo prejuízo. As perdas líquidas do ano passado chegaram a R$ 240,79 milhões, 15,7% a mais que os R$ 208,15 milhões contabilizados em 2018.
Este é o décimo resultado negativo consecutivo da empresa, que não registra lucro desde os R$ 32,01 vistos em 2009. No acumulado de 2010 a 2019, as perdas da Abengoa somaram R$ 1,88 bilhão.

Além disso, o grupo – que controla duas usinas em São Paulo – também registrou um aumento em sua dívida. Em 31 de dezembro de 2019, o endividamento com empréstimos e financiamentos chegou a R$ 1,02 bilhão, o que representa um crescimento de 5,6% ante a posição registrada um ano antes.
O valor também é o mais alto já registrado pela sucroenergética, superando a marca de R$ 1,01 bilhão vista ao final de 2015. Foi naquele ano, aliás, que todos os débitos da empresa com empréstimos e financiamentos passaram a ser contabilizados como tendo vencimento em curto prazo, ou seja, dentro de 12 meses.

Desempenho operacional
O resultado negativo visto em 2019 se dá desde a fase operacional das usinas, com os custos de produção superando o valor obtido com a venda dos produtos.
Segundo a companhia, a receita líquida de 2019 foi de R$ 617,81 milhões. Ainda que este montante represente um crescimento de 7,7% ante os R$ 573,60 milhões registrados um ano antes, eles ficaram abaixo do custo de R$ 659,59 milhões.
Estes custos, aliás, aumentaram 22,3% na comparação com os R$ 539,29 milhões contabilizados em 2018.

Desta forma, a Abengoa voltou a apresentar prejuízo bruto. Por mais que a empresa tenha considerado uma valorização de R$ 23,85 milhões em seu ativo biológico (cana em pé), o resultado foi negativo em R$ 17,93 milhões.

A sucroenergética já havia registrado perdas nesta fase em 2015, 2016 e 2017. Ainda assim, em 2018, houve um lucro bruto de R$ 47,71 milhões.
Renata Bossle – NovaCana