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Abengoa Bioenergia tem lucro de R$ 24,69 milhões em 2022, queda anual de 96,6%

Após 11 prejuízos, este é o segundo ano consecutivo em que a empresa registra resultado líquido positivo

NovaCana 5 min de leitura

Em recuperação judicial desde 2017, a Abengoa Bioenergia parece estar no caminho de colocar suas operações nos eixos. A sucroenergética, que atualmente controla apenas uma unidade em São João da Boa Vista (SP), registrou seu segundo lucro consecutivo.

No período de janeiro a dezembro de 2022, a companhia teve um resultado líquido positivo de R$ 24,69 milhões. Embora o número represente uma retração de 96,6% em comparação com os R$ 716,24 milhões observados em 2021, o valor não está tão fortemente vinculado à contabilização de um deságio previsto no plano de recuperação judicial.

Ou seja, caso o deságio de R$ 1,09 bilhão visto em 2021 fosse desconsiderado, a Abengoa teria tido um prejuízo de R$ 373,4 milhões. No balanço financeiro mais recente, por sua vez, o impacto é de R$ 12,46 milhões, de modo que a companhia continuaria tendo lucro líquido de R$ 12,23 milhões.

Entre 2010 e 2020, por outro lado, a Abengoa registrou apenas prejuízos, somando perdas de R$ 2,01 bilhões.

Os valores atualizados foram publicados pela Abengoa Bioenergia no Diário Oficial de São Paulo.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, mais detalhes sobre os resultados financeiros da Abengoa e seu processo de recuperação judicial. Leia também sobre:

- Resultado líquido da companhia
- Relação entre receitas e custos
- Evolução do endividamento
- Histórico de resultados

Em recuperação judicial desde 2017, a Abengoa Bioenergia parece estar no caminho de colocar suas operações nos eixos. A sucroenergética, que atualmente controla apenas uma unidade em São João da Boa Vista (SP), registrou seu segundo lucro consecutivo.

No período de janeiro a dezembro de 2022, a companhia teve um resultado líquido positivo de R$ 24,69 milhões. Embora o número represente uma retração de 96,6% em comparação com os R$ 716,24 milhões observados em 2021, o valor não está tão fortemente vinculado à contabilização de um deságio previsto no plano de recuperação judicial.

Ou seja, caso o deságio de R$ 1,09 bilhão visto em 2021 fosse desconsiderado, a Abengoa teria tido um prejuízo de R$ 373,4 milhões. No balanço financeiro mais recente, por sua vez, o impacto é de R$ 12,46 milhões, de modo que a companhia continuaria tendo lucro líquido de R$ 12,23 milhões.

Entre 2010 e 2020, por outro lado, a Abengoa registrou apenas prejuízos, somando perdas de R$ 2,01 bilhões.

abengoa 2022 resultado 050523

Os valores atualizados foram publicados pela Abengoa Bioenergia no Diário Oficial de São Paulo.

Assim como já havia feito um ano antes, a companhia declarou que suas dívidas com empréstimos e financiamentos com vencimento acima de 12 meses somavam apenas R$ 1 milhão em 31 de dezembro de 2022. Os débitos comprometidos no curto prazo, por sua vez, estão zerados.

Entre 2015 e 2020, por sua vez, a sucroenergética registrou dívidas de curto prazo próximas de R$ 1 bilhão.

abengoa 2022 divida 050523

O NovaCana entrou em contato com a Abengoa para obter mais informações sobre o desempenho da companhia em 2022, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Melhora no desempenho operacional

O caráter mais saudável dos números da companhia é perceptível em seu resultado bruto, que teve um aumento de 116,6% na comparação anual. Em 2022, este valor chegou a R$ 76,7 milhões, ante R$ 35,42 milhões no período anterior.

Isso foi possível porque, conforme os resultados divulgados, os custos dos produtos vendidos da Abengoa Bioenergia representaram o equivalente a 82,1% da receita operacional.

abengoa 2022 lucro bruto 050523

Em 2022, a receita da companhia somou R$ 429,13 milhões, alta de 21,9% em relação aos R$ 351,93 milhões do ano que o antecedeu.

No período, seus custos também subiram, mas menos, em 11,3%. Neste caso, as despesas passaram de R$ 316,51 milhões em 2021 para R$ 352,43 milhões no balanço financeiro mais recente.

abengoa 2022 receitas custos 050523

Recuperação judicial e venda de usina

Acompanhando a crise vivida pela matriz espanhola, a Abengoa entrou com um pedido de recuperação judicial para suas filiais no Brasil em 2017. Segundo a companhia, o momento econômico e político que o país enfrentava na época foi um dos fatores que contribuíram para a dificuldade financeira.

Em 2019, um novo plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores. O documento incluía a utilização de precatórios do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) para o pagamento de credores, assim como o leilão judicial da usina São Luiz.

A unidade foi comprada pela Vale do Verdão por R$ 385 milhões. O montante foi dividido em R$ 65 milhões no ano da aquisição e o restante em 16 parcelas de R$ 20 milhões, a serem corrigidas pelo Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC).

Em janeiro de 2020, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, que as companhias Vale do Verdão e Ferrari Agroindústria – que havia feito uma proposta de compra anteriormente – adquirissem os ativos referentes à usina e à unidade de cogeração.

Desta forma, apenas a usina em São João da Boa Vista (SP) permanece sob controle da Abengoa.

Renata Bossle – NovaCana
Com reportagem de Giully Regina

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