Dois projetos não apresentam diferença entre a capacidade atual e a futura; 34 empreendimentos estão na listagem há mais de um ano
Em maio, o NovaCana publicou uma reportagem sobre as 17 usinas que estão em construção, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP).
A agência também detalha que, das 359 usinas de etanol autorizadas no momento, 47 estão em processo de ampliação da sua capacidade de produção de etanol – seja de anidro ou de hidratado. Os dados foram coletados em 31 de maio.
No levantamento anterior feito pelo NovaCana, em março de 2022, 50 unidades estavam em obras. Destas, 16 saíram da relação – sendo que 12 efetivaram as expansões e quatro, não – e outras 34 permanecem. Com isso, 13 novos empreendimentos passaram a elencar a lista desde março do ano passado.
A relação, entretanto, não é livre de problemas. Duas usinas, por exemplo, constam com volumes idênticos aos já autorizados, tanto de anidro quanto de hidratado, não apresentando um incremento.
De todo modo, juntas, as unidades devem acrescentar um volume de 2,42 milhões de litros de anidro e outros 11,06 milhões de litros de hidratado ao dia à capacidade nacional. Com isso, no total, o potencial produtivo adicional é de até 13,48 milhões de litros diários do biocombustível.
Na versão completa e exclusiva para assinantes do NovaCana, você confere a listagem completa das usinas em ampliação – de anidro e hidratado –, além de gráficos interativos sobre o volume atual, o possível incremento, o percentual de aumento e outros detalhes.
Em maio, o NovaCana publicou uma reportagem sobre as 17 usinas que estão em construção, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP).
A agência também detalha que, das 359 usinas de etanol autorizadas no momento, 47 estão em processo de ampliação da sua capacidade de produção de etanol – seja de anidro ou de hidratado. Os dados foram coletados em 31 de maio.
No levantamento anterior feito pelo NovaCana, em março de 2022, 50 unidades estavam em obras. Destas, 16 saíram da relação – sendo que 12 efetivaram as expansões e quatro, não – e outras 34 permanecem. Com isso, 13 novos empreendimentos passaram a elencar a lista desde março do ano passado.
A relação, entretanto, não é livre de problemas. Duas usinas, por exemplo, constam com volumes idênticos aos já autorizados, tanto de anidro quanto de hidratado, não apresentando um incremento.
De todo modo, juntas, as unidades devem acrescentar um volume de 2,42 milhões de litros de anidro e outros 11,06 milhões de litros de hidratado ao dia à capacidade nacional. Com isso, no total, o potencial produtivo adicional é de até 13,48 milhões de litros diários do biocombustível.
As maiores ampliações
A usina com a maior intenção de crescimento é a unidade da Inpasa em Sinop (MT). Com o incremento, ela passaria a ter a possibilidade de produzir mais 1,3 milhão de litros de etanol anidro e 1,3 milhão de litros de hidratado ao dia.
Assim, se o aumento se efetivar, a capacidade máxima chegaria a até 4,3 milhões de litros diários de cada tipo etanol, com a usina se concretizando como a de maior potencial produtivo nas duas modalidades. A matéria-prima utilizada pela empresa é o milho.
A expansão da Inpasa já havia possibilitado um desconto de 75% no imposto de renda por um período de dez anos, de 2022 a 2031, relativo aos ganhos com etanol de milho, farinha de milho (DDGS), óleo de milho e energia elétrica na unidade. Além disso, a companhia inaugurou recentemente 50 vagões para transporte de mais de 1 bilhão de litros de etanol ao ano.
Já a Santa Maria, localizada em Medeiros Neto (BA), tem a segunda maior previsão de incremento. A perspectiva é que a unidade aumente a capacidade em 700 mil litros de hidratado e 90 mil litros de anidro ao dia.
Atualmente, a empresa – que também está investindo na fabricação de açúcar e na cogeração – pode produzir até 360 mil litros diários de anidro e 500 mil litros diários de hidratado.
A terceira colocada é a Anicuns, do grupo Farias, localizada em Anicuns (GO). A empresa, que está em recuperação judicial, atualmente pode produzir 150 mil litros diários de anidro e 450 de hidratado.
Com o incremento projetado, ela deve atingir 230 mil litros do primeiro e 1,05 milhão do segundo. No total, 680 mil litros diários seriam adicionados à capacidade produtiva da empresa. Também integram o grupo Farias outras duas usinas em Goiás, uma no Rio Grande do Norte e uma no Acre.
A unidade da Jalles localizada em Goianésia (GO) deve aumentar sua produção em 400 mil litros de etanol anidro e 260 mil litros de etanol hidratado ao dia, elencando a quarta maior ampliação da lista. Atualmente, a usina pode produzir até 400 mil litros do primeiro – dobrando, portanto, sua capacidade – e 600 mil litros do segundo.
Já o quinto maior incremento é da usina Pereira Barreto, localizada na cidade paulista homônima e pertencente à Santa Adélia. A usina pode fabricar até 1,25 milhão de litros de etanol anidro ao dia e não deve alterar este volume. No caso do hidratado, o potencial atual é de 1,45 milhão de litros diários; com o aumento esperado de 550 mil litros, ele deve chegar a até 2 milhões de litros ao dia.
Além disso, a Jaboticabal, situada em município paulista homônimo e também parte do grupo Santa Adélia, deve ampliar sua capacidade de produção de biocombustível em 150 mil litros diários de hidratado, atingindo 850 mil litros. A unidade não fabrica anidro em suas instalações.
Em junho do ano passado, a Santa Adélia obteve um financiamento de US$ 50 milhões (cerca de R$ 250 milhões) junto à Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, e ao Rabobank. O empréstimo foi destinado ao programa de investimentos do grupo, que previa ampliar a produção de etanol e renovar 24,1 mil hectares de lavouras de cana-de-açúcar.
Somando o volume de ampliação de ambos os tipos de etanol, seis usinas devem realizar um incremento entre 400 e 500 mil litros; outras seis entre 300 e 400 mil litros; oito entre 200 e 400 mil litros; 12 entre 100 e 200 mil litros; e cinco em até 100 mil litros.
Além disso, existem usinas que reduzirão a suas capacidades produtivas de anidro, mas aumentarão a de hidratado. A Nova Londrina, da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, deixará de produzir 120 mil litros diários de anidro enquanto ampliará o hidratado em 110 mil litros – com isso, ficará com um “saldo negativo” de 10 mil litros.
Já a Tietê, da Proterra Investments Partners, situada em Paraíso (SP), deverá parar a sua fabricação de anidro, de 330 mil litros, e subir a de hidratado em 215 mil litros; o saldo ficaria 115 mil litros abaixo do potencial produtivo atual
Por fim, a Bonfim, da Raízen, em Guariba (SP), ampliará o hidratado em 400 mil litros diários e reduzirá o anidro pela metade, em 550 mil litros, ficando 150 mil litros aquém do potencial instalado no momento.
Ao mesmo tempo, outras quatro unidades da Raízen estão na lista: Univalem, em Valparaíso (SP); Passatempo, em Rio Brilhante (MS); Vale do Rosário, em Morro Agudo (SP); e Rio Brilhante, também no município sul-mato-grossense homônimo. Juntas, elas devem expandir a produção diária de etanol, tanto anidro quanto hidratado, em até 1,14 milhões de litros diários.
Anidro e hidratado
Das unidades que estão ampliando a sua capacidade de hidratado, onze devem passar a produzir volumes acima de 1 milhão de litros ao dia – destas, seis já fabricam acima deste montante.
Conforme os dados da ANP, a usina com o maior incremento percentual é a Manto Azul, da Destilaria Manto Azul, localizada em Primavera do Leste (MT), com 400%; por outro lado, esta é a planta com menor volume diário, somente 60 mil litros. A matéria-prima utilizada pela usina é o milho. Além dela, outras dez unidades devem fazer incrementos acima de 100%.
Por sua vez, as usinas Sinop (Inpasa), Bonfim (Raízen) e Pereira Barreto (Santa Adélia) são as que devem atingir as maiores capacidades diárias de hidratado dentre os empreendimentos em ampliação: 4,3 milhões, 2,02 milhões e 2 milhões de litros, respectivamente.
Já no caso do anidro, 18 unidades estão planejando expansões. Sinop (Inpasa), Vale do Rosário (Raízen) e Jalles Matriz (Jalles) devem atingir capacidades de até 4,3 milhões, 840 mil e 800 mil litros, respectivamente.
Os maiores incrementos percentuais devem vir da Univalem (Raízen), de 125%; da Jalles Matriz (Jalles), de 100%; e da Cooperval (Cooperval Cooperativa Agroindustrial Vale do Ivaí), também de 100%.
Já Nova Londrina (Melhoramentos), Taboão (Baldin Bioenergia) e Tietê (Proterra Investments Partners) devem deixar de produzir etanol anidro. Outras duas usinas irão reduzir a fabricação desta modalidade: Rio Brilhante e Bonfim, ambas da Raízen.
Ampliações em números
Conforme informações da ANP, três ampliações deveriam ter sido finalizadas em março deste ano. Duas, por sua vez, deverão ser concluídas em 2024.
Além disso, cinco unidades estão com o status “aguardando atualização de cronograma” e 34 constam como concluídas e com solicitação de autorização em análise. Outras duas têm o mesmo aviso, porém não apresentam diferença entre a produção atual e o total ampliado, um possível erro nos dados a agência. Para completar, uma não possui dados.
Das empresas em ampliação, 38 produzem etanol a partir da cana-de-açúcar, quatro a partir do milho e três são flex, utilizando ambas as matérias-primas.
Em relação à localização, 19 delas estão em em São Paulo, cinco em Mato Grosso, quatro em Alagoas, três no Paraná, duas em Pernambuco, duas em Mato Grosso do Sul, duas em Goiás e duas na Bahia. Além disso, os estados Espírito Santo, Minas Gerais, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Sergipe possuem uma unidade cada em ampliação.

Considerando as usinas em construção, as em ampliação e as que já operam, o potencial produtivo brasileiro pode atingir 413,69 milhões de litros diários – um incremento de 4,8%. Deste volume, 270,27 milhões seriam de hidratado (+5,6%) e os outros 143,43 milhões de anidro (+3,2%).
Porém é preciso olhar estes números com cautela: por vezes, alguns empreendimentos permanecem por anos na listagem; além disso, outros não tem mais o interesse em construir ou ampliar e seguem na relação.
Atualmente, as unidades em ampliação podem fabricar até 30 milhões de litros de hidratado ao dia; com as expansões, elas podem chegar a até 41,06 milhões de litros, alta de 36,9%. No caso do anidro, o crescimento projetado é de 13%. Assim, considerando os dois tipos de etanóis, a alta pode ser de 27,7%.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana