Em 2020/21, companhia teve lucro 45,1% superior ao ciclo anterior, atingindo R$ 927,12 milhões
Por mais que 2020/21 tenha sido uma temporada desafiadora devido à seca e à pandemia de coronavírus, a São Martinho reportou bons resultados – inclusive, ainda mais favoráveis do que na temporada anterior. A companhia, que controla quatro usinas, sendo três em São Paulo e uma em Goiás, teve um lucro de R$ 927,12 milhões no período encerrado em março, 45,1% acima dos R$ 639,01 milhões vistos no encerramento do ciclo anterior.
Os números foram, em grande parte, reflexo de um preço elevado para o açúcar e da recuperação do mercado interno de etanol ao final da temporada. “Mesmo diante dos desafios que se mostraram, conseguimos um ano com recorde de resultados operacionais e financeiros”, detalha a empresa em relatório financeiro divulgado no último dia 21.
Somente no quarto trimestre da safra, o resultado foi um lucro de R$ 207,36 milhões, representando um aumento de 45,4% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.
Com os bons resultados, a empresa propôs a distribuição de R$ 420 milhões entre os acionistas – o valor ainda precisa ser ratificado em assembleia no próximo mês. Em novembro do ano passado, a companhia já havia aprovado o pagamento de juros sob capital próprio no valor de R$ 120 milhões.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana disponibiliza 52 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela própria companhia. A partir deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
O levantamento está disponível para assinantes do NovaCana que poderão acompanhar:
- Moagem acumulada e por trimestre
- Mix de produção
- ATR total e em relação à moagem
- Produtividade dos canaviais
- Etanol: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: produção, volume vendido, receita e preço médio
- Cogeração: produção, receita e preço médio
- Destino da produção ao longo da safra – mercado externo e interno
- Estoques de etanol e açúcar: por volume e por valor de mercado
- Evolução financeira
- Indicadores de resultado em relação à moagem
- Lucro líquido e bruto
- Receita operacional
- Composição das vendas
- Relação entre receitas e custos
- Impacto da variação cambial
- Perfil das dívidas
- Alavancagem
Por mais que 2020/21 tenha sido uma temporada desafiadora devido à seca e à pandemia de coronavírus, a São Martinho reportou bons resultados – inclusive, ainda mais favoráveis do que na temporada anterior. A companhia, que controla quatro usinas, sendo três em São Paulo e uma em Goiás, teve um lucro de R$ 927,12 milhões no período encerrado em março, 45,1% acima dos R$ 639,01 milhões vistos no encerramento do ciclo anterior.
Os números foram, em grande parte, reflexo de um preço elevado para o açúcar e da recuperação do mercado interno de etanol ao final da temporada. “Mesmo diante dos desafios que se mostraram, conseguimos um ano com recorde de resultados operacionais e financeiros”, detalha a empresa em relatório financeiro divulgado no último dia 21.
Somente no quarto trimestre da safra, o resultado foi um lucro de R$ 207,36 milhões, representando um aumento de 45,4% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.
Com os bons resultados, a empresa propôs a distribuição de R$ 420 milhões entre os acionistas – o valor ainda precisa ser ratificado em assembleia no próximo mês. Em novembro do ano passado, a companhia já havia aprovado o pagamento de juros sob capital próprio no valor de R$ 120 milhões.
Para uma melhor compreensão dos números da São Martinho, o NovaCana disponibiliza 52 gráficos exclusivos, elaborados a partir dos dados divulgados pela própria companhia. A partir deles, os resultados financeiros, industriais e agrícolas do trimestre e da temporada podem ser vistos em contexto, na comparação com as últimas cinco safras.
Resultados financeiros
Abrindo caminho para o resultado líquido positivo, o desempenho financeiro da São Martinho se manteve no azul no acumulado de safra.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do grupo ficou em R$ 568,23 milhões no último trimestre da temporada 2020/21 – neste caso, houve uma redução safra a safra de 1,9%. Conforme o relatório, a retração foi especialmente motivada pela queda no volume de açúcar e etanol comercializado entre janeiro e março de 2021.
Entretanto, no acumulado anual, o cenário foi favorável, com o indicador atingindo R$ 2,19 bilhões; 17,8% acima do reportado ao fim de 2019/20, de R$ 1,86 bilhão. Segundo a São Martinho, o incremento ocorreu pelo crescimento nas vendas de açúcar a preços mais altos, além de um pequeno aumento no preço médio do etanol. Outros segmentos, como a comercialização de levedura e de CBios, também contribuíram para o resultado.
A empresa informa que houve uma redução do Ebitda ajustado em relação ao Ebitda contábil em R$ 77 milhões no quarto trimestre da temporada por conta de pagamento de arrendamentos que deixaram de ser contabilizados no custo caixa e passaram a ser considerados como amortização do direito de uso. Com isso, no acumulado da safra, a redução do Ebitda ajustado foi de R$ 312,8 milhões, de acordo com o relatório.
Outra redução foi de R$ 45,2 milhões no custo contábil (sem efeito no fluxo de caixa) no último trimestre da safra, por conta da marcação a valor de mercado dos ativos biológicos. No acumulado, a diminuição foi de R$ 65 milhões. Também houve um reajuste devido à variação cambial das dívidas.
Em relação à moagem total da temporada, o desempenho da São Martinho foi equivalente a um Ebitda ajustado de R$ 97 por tonelada. Quando são contabilizadas as depreciações e amortizações – transformando o Ebitda em Ebit – o indicador passa a ser de R$ 45/t. Na safra anterior, a companhia obteve R$ 82/t e R$ 35/t, respectivamente.
Já o Ebit de caixa ajustado da companhia foi de R$ 273,86 milhões nos últimos três meses do ciclo, uma retração anual de 1,4%. No acumulado dos 12 meses, por outro lado, houve um aumento de 28,9% resultando e um Ebit de R$ 1,02 bilhão.





Vendas por produto
A São Martinho obteve uma receita líquida com vendas de R$ 4,32 bilhões no encerramento de 2020/21, representando um crescimento anual de 16,7%. Este montante se dividiu quase igualmente entre mercado interno e externo, sendo o primeiro responsável por ganhos de R$ 2,14 bilhões e o segundo, de R$ 2,18 bilhões.
Em relação às vendas domésticas, as receitas reduziram 3,7% no comparativo com um ano antes. No resultado trimestral, a queda anual foi de 15,9% com ganhos de R$ 607,72 milhões no quarto trimestre de 2020/21.
As receitas via mercado internacional seguiram a direção oposta, já que o acumulado da safra teve aumento de 47,7% no comparativo com um ano antes. Trimestralmente, a ampliação foi de 29,7% com as ganhos somando R$ 549,32 milhões entre janeiro e março de 2021.
No total – incluindo mercados interno e externo – o açúcar rendeu R$ 1,94 bilhão para a São Martinho em 2020/21, aumento de 56,1% no comparativo com o ciclo anterior. Segundo a empresa, o maior volume de vendas, decorrente do mix mais açucareiro ao longo da temporada, e preços mais altos motivaram o crescimento.
O valor foi obtido por meio da venda de 1,45 milhão de toneladas de açúcar. Com isso, a tonelada do adoçante foi comercializada pela São Martinho, em média, a R$ 1.333. O volume vendido cresceu em 33,9% safra a safra; já o preço médio subiu 16,6%.
Em relação ao último trimestre da temporada, o aumento na receita foi de 16,9%, totalizando R$ 542,27 milhões. A maior parte do valor veio das vendas internacionais.
Levando em conta os cenários de preço para a commodity ao longo de 2020 e no início de 2021, bem com o mix de produção mais voltado para o etanol em 2021/22, a empresa informou que já tem 97% – cerca de 939,2 mil toneladas – da sua produção de açúcar com preços fixados, em média, a R$ 1.634 por tonelada.
Já para temporada 2022/23, conforme adianta a empresa, as fixações já totalizam 343,1 mil toneladas de açúcar, representando 38% da cana própria, a um preço de R$ 1.773/t. “Em março de 2021, tínhamos aproximadamente 51 mil toneladas de açúcar em estoque, as quais deverão ser revertidas em caixa ao longo da safra 2021/22”, completa o relatório.
No caso da receita líquida advinda do etanol, o cenário é o oposto do que ocorreu com o adoçante, já que a maior parcela foi comercializada no mercado interno.
No total, o biocombustível movimentou R$ 2,03 bilhões, retração de 5,4% no comparativo ano a ano, com a comercialização de 1,02 bilhão de litros a um preço médio de R$ 1.999,3/m³. O valor unitário, aliás, subiu 3% entre o final da temporada 2019/20 e a 2020/21, porém a quantidade comercializada caiu 8,1%, impactando no resultado.
Nos últimos três meses do ciclo, a receita obtida com o renovável foi de R$ 567,68 milhões, também com redução de 13,2% no comparativo com o mesmo período de 2019/20.
De acordo com a companhia, até março desse ano, a São Martinho acumulava 84 milhões de litros de etanol em estoque, que deverão ser vendidos ao longo da atual temporada em que a empresa considera que terá “um cenário de preços bastante favorável para conversão de caixa”.
A energia elétrica, por outro lado, foi o produto – dentre os três principais vendidos pela empresa – que passou tanto por redução em produção quanto de ganhos no acumulado do ciclo. Com ela, a São Martinho somou R$ 200,28 milhões aos seus resultados, diminuição anual 8,3%. Foram vendidos 961,15 MWh no período, queda anual de 1,2%, com preço médio de comercialização de R$ 208,37/MWh, diminuição de 7,2%.
No último trimestre da temporada, o rendimento com cogeração aumentou em 1,4%, para R$ 11,3 milhões.
Levedura, negócios imobiliários, CBios e uma categoria chamada “outros” também somaram valores menores aos ganhos da São Martinho. Juntos, eles resultaram em R$ 151,38 milhões no acumulado do ciclo e em R$ 35,77 milhões no trimestre.
Durante a temporada 2020/21, a sucroenergética vendeu 832 mil créditos de descarbonização a preço médio líquido de R$ 32,7. Além disso, a empresa detém 408,6 mil CBios que ainda não foram comercializados.





Indicadores de desempenho
De maneira geral, a receita do grupo cresceu entre as duas últimas temporadas. Considerando o efeito de hedge accounting, de modo a mensurar os resultados pelo chamado valor justo, elas foram de R$ 4,3 bilhões, um incremento de 16,5% no comparativo com os R$ 3,69 bilhões de uma temporada antes. Já no comparativo entre os últimos trimestres das temporadas, houve apenas um breve aumento de 0,62%.
Já os custos com os produtos vendidos da São Martinho foram de R$ 2,75 bilhões; um aumento de 9,29% em relação aos R$ 2,51 bilhões ao final de 2019/20.
Com isso, a relação de ambos os indicadores – importante para a análise dos resultados financeiros e operacionais da empresa – foi de 63,9%: uma melhoria nas margens. Isso significa que a empresa ganhou mais do que gastou, inclusive, superando os resultados das temporadas 2019/20 e 2018/19, que foram de 68% e 74%, respectivamente.
Desta maneira, o lucro bruto da São Martinho ficou em R$ 1,55 bilhão em 2020/21, 32% acima do R$ 1,18 bilhão de um ano antes.
Os ganhos em receita, conforme a São Martinho, deram-se especialmente pelo aumento do preço e do volume de venda açúcar, ampliação do preço do etanol, comercialização dos CBios e crescimento da quantidade de venda de levedura e melhores preços.
Já as despesas aumentaram majoritariamente por conta do aumento do valor pago pela cana-de-açúcar de terceiros (estabelecido pelo Consecana) e do maior volume de comercialização em ATR.
Em relação ao resultado financeiro, a companhia teve uma melhoria de performance devido à menor variação cambial das dívidas em moeda estrangeira e à redução das despesas financeiras, motivada por uma gestão de endividamento realizada pela São Martinho, fator que também fez decair o custo da dívida.
No acumulado da safra, as receitas financeiras foram de R$ 63,28 milhões, retração anual de 45,9%. Já as despesas caíram 5,54%, para R$ 392,91 milhões. As variações monetárias e cambiais líquidas tiveram um impacto negativo de R$ 14,87 milhões, uma redução de 58,6% no comparativo com o final da temporada anterior, quando o montante impactou o resultado da São Martinho em R$ 35,89 milhões. Além disso, enquanto os derivativos foram negativos em R$ 117,29 milhões ao fim do ciclo 2019/20, em 2020/21, eles foram positivos em R$ 2,39 milhões.



Perfil da dívida e investimentos
No comparativo entre o Ebitda acumulado de 12 meses e a posição da dívida líquida da São Martinho ao final da safra, a liquidez da companhia ficou em 1,24 vez, uma queda de 20% ante o resultado de 1,55 vez obtido um ano antes. Quanto mais baixo o valor, melhor é o desempenho da companhia.
Em 31 de março de 2021, a São Martinho tinha dívidas líquidas de R$ 2,7 bilhões, 6,2% menor do que os R$ 2,88 bilhões do período anterior. Conforme os resultados demonstrados, a diminuição foi motivada especialmente pela maior geração de fluxo de caixa operacional ao decorrer da temporada 2020/21. A dívida bruta da companhia, até março, era de R$ 4,06 bilhões, porém a São Martinho também dispunha de R$ 2,7 bilhões em caixa.
Do total da dívida bruta da empresa, a maior parte – 63% – está precificado em reais e o restante, em dólares. Já quanto ao prazo de quitação dos débitos, R$ 3,38 bilhões, ou 83%, são de dívidas que vencem em longo prazo, enquanto os outros 17%, ou R$ 686,14 milhões, devem ser pagos em até 12 meses.


A companhia ainda relata que realizou um investimento em manutenção de R$ 465,7 milhões no período de entressafra, crescimento anual de 7,5%. No acumulado de 12 meses, os valores destinados a este fim foram de R$ 1,26 bilhão, ampliação anual de 11%. De acordo com a São Martinho, os aumentos refletem a variação cambial no preço de insumos importados e um maior período de entressafra durante o ciclo 2020/21.
Já os investimentos em melhoria operacional – que englobam equipamentos agrícolas, industriais, e reposições, além de investimento de âmbito legal e ambiental –, somaram R$ 53,2 milhões no trimestre (+76,5%) e R$ 120 milhões no acumulado da safra (-8,9%).
Por fim, os investimentos em expansão totalizaram R$ 81,6 milhões no quarto trimestre (+139%) e R$ 127,2 milhões considerando a safra completa (+5,9%). Dentro desse valor, os principais destinos foram a otimização da colheita e dos tratos culturais, o projeto de etanol de milho, a modernização das caldeiras da usina Boa Vista e a produção de etanol da unidade Santa Cruz.
Para o ciclo corrente, a São Martinho espera despender R$ 1,3 bilhão em manutenções. Além disso, há gastos com outros projetos já anunciados pela companhia, como o de cogeração da usina São Martinho e o de produção de etanol de milho interligada à usina Boa Vista, que deverão custar cerca de R$ 650 milhões à empresa.
Outros R$ 100 milhões devem ser usados para implementação de tecnologias, como migração de sistemas e aumento da eficiência agroindustrial.
Moagem e produção
A safra 2020/21 da São Martinho teve uma moagem de 22,52 milhões de toneladas, uma pequena redução de 0,5% no comparativo entre temporadas. Segundo a companhia, a retração ocorreu por conta do clima mais seco observado no período. Não houve moagem no último trimestre, uma vez que se trata do período de entressafra.
Do total esmagado, a maior parte – 15,81 milhões de toneladas – foi de matéria-prima própria, representando um breve aumento anual de 0,4%. Já as outras 6,7 milhões de toneladas foram de cana de terceiros, retração anual de 2,7%.
A partir de um mix produtivo que destinou 47% da cana para o açúcar, dez pontos percentuais acima do visto na temporada 2019/20, foram produzidas 1,48 milhão de toneladas da commodity. O crescimento anual foi de 34,1%, uma vez que a fabricação havia sido de 1,1 milhão em 2019/20.
Já o etanol totalizou uma produção de 1,02 bilhão de litros na temporada encerrado em março de 2021 – retração anual de 13,13% ante os 1,17 bilhão fabricados anteriormente.





Indicadores agrícolas e industriais
O clima seco que impactou a temporada encerrada em março também deve ter consequências no ciclo vigente. “A forte estiagem presente no país vem afetando momentaneamente a produtividade de nossos canaviais”, afirma a São Martinho. Conforme o relatório, a companhia espera moer 20,52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2021/22, queda atual de 8,9%.
Já o ATR médio deve ficar em linha com o resultado de 2020/21, de 145,7 quilogramas por toneladas. A projeção é de um aumento de apenas 0,2% no indicador, para 146 kg/t. Ainda assim, o resultado da temporada encerrada em março demostrou um crescimento de 4,52% no ATR médio da São Martinho em comparação com 2019/20.
Em relação ao mix de produção para 2021/22, a sucroenergética espera que 58% da matéria-prima seja direcionada para o etanol e 42% para o açúcar. A produção da commodity deve atingir 1,2 milhão de toneladas (-18,7%) e a de etanol, 1,01 bilhão de litros (-0,5%). Já a geração de energia estimada pela companhia deve ser de 833 MWh (-5,3%).





Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Com reportagem adicional de Renata Bossle