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Rentabilidade dos produtos sucroenergéticos caiu em 2021/22, mas segue positiva

Análise do Pecege aponta que setor de açúcar e etanol registrou menor produtividade da década em 2021/22 – mas menor oferta ajudou a manter preços elevados

NovaCana 13 min de leitura

O Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) divulgou no último dia 14, uma análise completa da safra 2021/22 e também suas perspectivas para a próxima temporada, prevista para começar em 1º de abril.

De acordo com o documento, esta foi a menor moagem da década, registrando também uma produtividade inferior e redução da área colhida, com a cana perdendo espaço para outras culturas. A entidade prevê que, até 31 de março, serão colhidas 525 milhões de toneladas, uma queda de 13,3% ante o ciclo anterior.

Para completar, os custos de produção também bateram recordes na safra, chegando a ficar acima da inflação. O Pecege destaca os aumentos do diesel, insumos agrícolas e industriais, mão-de-obra e o preço da matéria-prima. Entretanto, as usinas ainda conseguiram manter uma margem de lucro, afinal os produtos também tiveram acréscimos no preço de venda.

Além disso, de acordo com os dados do instituto, usinas com maior porcentagem de cana própria se beneficiaram com geração de caixa no ciclo, uma vez que a matéria-prima vinda de terceiros teve grandes aumentos.

O relatório é assinado pelo gestor de projetos do Pecege, Haroldo Torres, e os analistas, Beatriz Ferreira e Peterson Arias Santos, e utilizou como base números da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). Para os dados da safra 2021/22 foram considerados o acumulado até janeiro deste ano.

A amostra contou com 39 grupos econômicos, que representavam 80 unidades agroindustriais, localizadas em oito estados do Centro-Sul. Juntas, as usinas analisadas pelo Pecege processaram 192 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que seria equivalente a 37,1% da moagem total dos estados.

Para a análise, a entidade considerou todas as variáveis do ciclo 2021/22, como a alta dos preços dos produtos, e também os custos de produção, que foram pressionados principalmente devido à falta de insumos no mercado, os problemas meteorológicos do ano e a taxa de câmbio desvalorizada.

Confira no texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, o nível de produtividade da safra 2021/22, as perspectivas do Pecege para a próxima temporada e uma análise sobre o RenovaBio e a cogeração de energia.

O Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) divulgou no último dia 14, uma análise completa da safra 2021/22 e também suas perspectivas para a próxima temporada, prevista para começar em 1º de abril.

De acordo com o documento, esta foi a menor moagem da década, registrando também uma produtividade inferior e redução da área colhida, com a cana perdendo espaço para outras culturas. A entidade prevê que, até 31 de março, serão colhidas 525 milhões de toneladas, uma queda de 13,3% ante o ciclo anterior.

Para completar, os custos de produção também bateram recordes na safra, chegando a ficar acima da inflação. O Pecege destaca os aumentos do diesel, insumos agrícolas e industriais, mão-de-obra e o preço da matéria-prima. Entretanto, as usinas ainda conseguiram manter uma margem de lucro, afinal os produtos também tiveram acréscimos no preço de venda.

Além disso, de acordo com os dados do instituto, usinas com maior porcentagem de cana própria se beneficiaram com geração de caixa no ciclo, uma vez que a matéria-prima vinda de terceiros teve grandes aumentos.

O relatório é assinado pelo gestor de projetos do Pecege, Haroldo Torres, e os analistas, Beatriz Ferreira e Peterson Arias Santos, e utilizou como base números da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). Para os dados da safra 2021/22 foram considerados o acumulado até janeiro deste ano.

A amostra contou com 39 grupos econômicos, que representavam 80 unidades agroindustriais, localizadas em oito estados do Centro-Sul. Juntas, as usinas analisadas pelo Pecege processaram 192 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que seria equivalente a 37,1% da moagem total dos estados.

Para a análise, a entidade considerou todas as variáveis do ciclo 2021/22, como a alta dos preços dos produtos, e também os custos de produção, que foram pressionados principalmente devido à falta de insumos no mercado, os problemas meteorológicos do ano e a taxa de câmbio desvalorizada.

Menor produtividade da década

O instituto destaca dois grandes momentos que levaram a uma queda na moagem em 2021/22: a diminuição na produtividade agrícola, que ocorreu devido às secas e a geadas do último ano; e a redução da área colhida, com a cana perdendo espaço para outras culturas como milho e soja.

Dentro deste contexto, o Pecege afirma que o Centro-Sul deve encerrar a safra em 31 de março com processamento de 525 milhões de toneladas, queda de 13,3% ante o ciclo anterior.

pecege custo canaviais 150222

Em relação à qualidade da matéria-prima, medida em quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada, a retração foi menor, de apenas 1,5%. Já a produtividade agrícola, vista em toneladas por hectare, caiu 10,3%.

“Obteve-se uma produção de 9,76 toneladas de ATR por hectare, na média da região, resultando em uma redução de 12% ante a safra anterior”, relata a entidade, unindo os dois indicadores.

Com estes números, o Pecege conclui que a temporada 2021/22, marcada por eventos climáticos adversos, resultou no menor nível de produtividade das últimas dez safras.

Custos de produção em alta

O Pecege afirma que, com a expressiva queda na produção de ATR, o custo das usinas também foi pressionado. O relatório destaca ainda: a elevação dos preços do diesel, que impacta o custo das operações; os valores de insumos agrícolas, em especial fertilizantes, que subiram em 2021; o custo de mão-de-obra; e o preço da matéria-prima.

Entre as duas últimas safras, conforme os números apresentados, o gasto com tratos culturais da cana soca subiu mais de 35%, chegando a R$ 43,17 por tonelada. Com isso, o custo de produção total cresceu 37% – foram gastos R$ 154,80/t, contra R$ 113,08/t na temporada anterior.

Segundo o instituto, esta elevação foi superior à inflação acumulada de 2021, mensurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 10,06%. “[O cenário] evidencia que o custo de produção de cana-de-açúcar aumentou mais, proporcionalmente, que o nível geral de preços da economia brasileira”, afirma.

pecege custo producao 150222

O preço acumulado do ATR em janeiro de 2022 foi de R$ 1,1957 por quilo, de acordo com dados do Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP). O valor representa um aumento de 53,6% entre safras.

Isso também impactou o custo de arrendamento de terras, que chegou a R$ 30,76/t na temporada 2021/22. Da mesma forma, a alta do açúcar e do etanol elevou o preço da matéria-prima na região, atingindo o maior valor dos últimos dez ciclos, com R$ 170,4/t.

Já o custo com a cana própria, ainda segundo o Consecana, foi de R$ 154,8/t, enquanto o preço pela matéria de terceiros foi 10% maior, chegando a R$ 170,4/t.

O relatório do Pecege destaca que essas altas reverteram uma tendência dos últimos dez anos, fazendo com que as usinas com maior participação de cana própria se beneficiassem com geração de caixa.

Rentabilidade do açúcar e do etanol

O Pecege acredita que, com menor oferta de matéria-prima, a produção de açúcar deverá sofrer uma redução de 16,2% no Centro-Sul no comparativo entre safras, totalizando 32 milhões de toneladas em 2021/22.

Assim, com uma menor oferta do adoçante brasileiro, o valor dos futuros negociados em Nova York aumentou. Os contratos mais ativos atingiram uma média, entre abril e dezembro de 2021, de R$ 2.266,29/t, elevação de 45,1% ante os R$ 1.561,95/t do mesmo período da safra anterior.

O relatório pondera que, como a safra 2020/21 começou em um momento mais delicado da pandemia de covid-19, as médias de preços desta temporada foram afetadas pelas cotações iniciais mais baixas.

Já a produção total do biocombustível deve cair 8,7% de acordo com o instituto. Ainda assim, a produção de etanol anidro aumentou 13,7% entre as safras, considerando a recuperação da mobilidade urbana e o aumento do prêmio do anidro frente ao hidratado na safra 2021/22.

Segundo o Pecege, o preço do etanol foi favorecido pela política de precificação da gasolina adotada pela Petrobras, que segue parâmetros internacionais e teve grandes aumentos com por conta da desvalorização do real brasileiro frente ao dólar.

Além disso, as usinas priorizaram a produção de açúcar, em razão dos contratos já firmados, e de etanol anidro. Desta forma, a oferta do biocombustível hidratado foi reduzida, pressionando também os seus valores finais. Para completar, a variação cambial também aumentou os custos de produção tanto do etanol quanto do açúcar.

Segundo o Pecege, a margem econômica do hidratado em 2021/22 foi de 20,2%, um crescimento de sete pontos percentuais ante a safra anterior, representando um ganho acima do seu custo de produção. O anidro, especificamente, teve uma margem de 29,6%. “[Esta foi] a maior elevação percentual de rentabilidade dos produtos finais, refletindo o aumento do prêmio sobre o etanol hidratado”, afirma.

A alta demanda por anidro, somada ao preço final do hidratado – que estava acima do limite estabelecido de 70%, quando é considerado economicamente vantajoso ante a gasolina – fez o etanol ganhar espaço no mix de produção das usinas. Conforme a Unica, a safra 2021/22 deve ser encerrada com 44,87% da produção destinada ao adoçante, queda de 1,2 ponto percentual no comparativo com a última temporada.

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Ainda assim, a inflação dos custos impactou as usinas brasileiras, como explica o Pecege. O açúcar VHP, destinado à exportação, teve um custo médio de R$ 1.661,79/t, um aumento de 40,6% sobre a temporada anterior e equivalente a 14,09 centavos de dólar por libra-peso.

O preço médio de exportação da commodity, por sua vez, cresceu 32,1%, resultando em uma margem de 22,1%, redução de quatro pontos percentuais ante a safra anterior.

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Neste cenário, o custo agrícola correspondeu a cerca de 72% do gasto total para a produção de açúcar. Os 28% restantes seriam divididos entre o custo industrial e as despesas administrativas, de venda e gerais (SG&A na sigla em inglês).

A análise do Pecege completa que o açúcar branco foi o produto com a melhor margem de renda, 36,2%. Com uma baixa disponibilidade do produto, contratos pré-fixados e preço do etanol mais atrativo, a oferta do adoçante no mercado doméstico diminuiu, permitindo que seus preços fossem superiores aos custos de produção.

RenovaBio em 2021/22

Em relação ao RenovaBio, o Pecege aponta que, mesmo com uma queda de 8,7% na oferta de etanol, foram disponibilizados cerca de 34,9 milhões de créditos em 2021, volume superior à meta de aposentadoria das distribuidoras, de 24,86 milhões de CBios.

Devido à alta oferta, os preços dos créditos em 2021 ficaram abaixo da média vista no ano anterior. Da mesma forma, as distribuidoras adquiriram menos CBios, o que pressionou as cotações a partir do segundo semestre.

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Conforme o Pecege, o preço médio bruto de comercialização dos créditos de carbono foi de R$ 39,31, o que seria equivalente a R$ 46,04/m³ de etanol. Com as deduções tributárias e custos operacionais, o instituto conclui que o lucro líquido médio para as usinas foi de R$ 26,18 por CBio.

A entidade aponta que o maior peso no cálculo de lucro dos CBios é das deduções tributárias. Os custos operacionais, como processo de escrituração e custódia, representaram 6,3% da receita bruta média do ano. “Desta forma, pode-se inferir que os custos operacionais são marginais ante à tributação incidente sobre a receita bruta”, conclui.

Cogeração de eletricidade

No caso da geração de bioeletricidade pelas usinas, o Pecege aponta dois momentos importantes na safra 2021/22: a retomada do uso de energia em níveis pré-pandêmicos e um período de estiagem que reduziu o volume dos reservatórios usados pelas hidrelétricas.

Desta forma, o preço de liquidação de diferenças (PLD), usado para calcular a precificação da energia comercializada pelas usinas, atingiu um teto de R$ 583,88/MWh entre julho e agosto. O recuo aconteceu em outubro, com a retomada das chuvas, quando o PLD caiu para R$ 66,67/MWh.

Com a queda da moagem, os custos fixos com cogeração de energia elétrica tiveram um acréscimo de cerca de 14% durante a temporada. De acordo com o Pecege, alguns grupos até mesmo aumentaram a compra de biomassa de terceiros, como bagaço e cavaco de madeira, além de expandirem o recolhimento de palha no campo.

Ainda assim, a elevação do preço superou os maiores custos. “[Isso] implicou em ganho de rentabilidade na atividade de comercialização de energia elétrica pelo setor sucroenergético”, afirma a entidade.

De acordo com o Pecege, a comercialização de energia se tornou um ativo importante para as usinas. Com isso, novos projetos surgiram pelo país, em especial ligados à biodigestão de vinhaça e torta de filtro para a produção de biogás.

Perspectivas para a safra 2022/23

Considerando a quebra da safra 2021/22, o Pecege acredita que a próxima temporada será um período de normalização para as lavouras, uma vez que o clima melhorou a partir do mês de outubro do ano passado. A perspectiva está em linha com o mais recentemente levantamento do NovaCana sobre a safra 2022/23, publicado no começo de fevereiro.

Porém, a entidade destaca que essa retomada será limitada, uma vez que os canaviais estão atrasados no desenvolvimento – resultado de secas, queimadas e outros problemas comuns do campo, como doenças, pragas e ervas daninhas.

O Pecege espera que sejam colhidas 550 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ciclo 2022/23, um montante distante das 605 milhões de toneladas da safra 2020/21, mas que representaria aumento de 4,8% na oferta da matéria-prima no Centro-Sul.

Além disso, o instituto relata que as usinas estão fazendo investimentos para a recuperação dos canaviais. Com melhores remunerações na venda de açúcar e etanol, os pesquisadores acreditam que se tornou possível aplicar mais capital em novas tecnologias e variedades de cana.

Em relação aos custos, o Pecege espera uma relativa melhora, mas ainda considera que os fortes aumentos de preços de insumos agrícolas e industriais podem sobrepor os ganhos e resultar em novos aumentos nos custos de produção. Em especial, o documento cita diesel, defensivos agrícolas e insumos químicos.

Com esse encarecimento de produção, a margem econômica do setor deve se manter mais estreita no próximo ciclo. E, neste contexto, o instituto acredita que o foco do setor continuará sendo o controle de gastos. O objetivo seria tentar melhorar, ao mesmo tempo, a eficiência operacional e aumento da produtividade.

“Em suma, a combinação dos elevados preços do petróleo com a desvalorização da moeda local, em um mercado competitivo, deve manter os valores de etanol elevados”, informa o Pecege.

Além disso, o relatório destaca que eventuais medidas que possam ser adotadas para conter o preço da gasolina deverão ser um fator de risco para a safra 2022/23 e poderão impactar negativamente o preço do biocombustível.

Giully Regina – NovaCana

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