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Adecoagro investe R$ 225,7 milhões para expandir produção de biometano no MS

Multinacional sucroenergética vai quintuplicar sua produção do biogás e espera substituir 10 milhões de litros de diesel ao final do projeto


AgFeed - Publicado: 11 Jul 2024 - 15:48 | Atualizado: 12 Jul 2024 - 08:14
Adecoagro investe R$ 225,7 milhões para expandir produção de biometano no MS

Cerca de 130 equipamentos, incluindo veículos leves, caminhões, tratores e motobombas, utilizam biometano com as tecnologias mais recentes disponíveis

A Adecoagro, multinacional sucroenergética que atua no Brasil, na Argentina e no Uruguai, está dando passos para reduzir seus custos de produção e emissões de carbono com uma solução “caseira”.

A empresa anunciou nesta quinta-feira, 11, que investirá R$ 225,7 milhões para quintuplicar sua produção de biometano na usina Ivinhema, no Mato Grosso do Sul. O anúncio foi feito durante um evento sediado na própria planta e contou com a presença do governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel.

A unidade ganhará mais dois novos biodigestores, que, juntos, terão a capacidade de fornecer, por dia, até 30 mil metros cúbicos nominais do gás, produzido a partir de vinhaça (resíduo da produção de etanol). A previsão é de concluir o projeto em 2027.

“Isso vai nos permitir substituir aproximadamente 8 milhões de litros de diesel por ano na frota da empresa, sem contar os 2 milhões de litros já compensados pelo biodigestor atual, totalizando 10 milhões de litros de diesel que deixarão de ser consumidos”, pontuou a empresa, em comunicado oficial.

Hoje, cerca de 130 equipamentos, que incluem veículos leves, caminhões, tratores e motobombas utilizam biometano feito pela empresa.

A Adecoagro é uma empresa com sede em Luxemburgo, mas atua no Brasil desde 2004. Atualmente, produz açúcar, etanol e energia elétrica a partir de três unidades industriais, uma em Minas Gerais e outras no Mato Grosso do Sul. A capacidade total de moagem é de 14,2 milhões de toneladas de cana por safra.

A expansão anunciada está programada para iniciar no segundo semestre de 2024, em uma área de 20 mil metros quadrados da usina. Atualmente, 5% da vinhaça da Adecoagro é destinada à produção de biogás, percentual que deve aumentar para 20% após a conclusão da expansão.

A Adecoagro começou a se aventurar no mundo do biogás em 2010. Em 2018, o primeiro biodigestor entrou em funcionamento, em uma parceria com a empresa mineira Methanum. Três anos depois, a companhia se tornou a primeira usina do Brasil a emitir Certificados de Gás Natural Renovável, conhecidos como GAS-REC.

A previsão é que a substituição parcial do diesel pelo biometano produzido pela empresa gere uma economia de R$ 50 milhões para a empresa, considerando o preço atual do diesel. Além disso, a companhia espera deixar de emitir cerca de 26 mil toneladas de CO2 por ano.

“O biogás extraído da vinhaça é integrado à nossa produção de etanol, açúcar e energia, permite diversas aplicações. A prioridade será abastecer nossa frota de maneira crescente”, afirmou o vice-presidente de açúcar, etanol e energia da Adecoagro no Brasil, Renato Pereira.

Hoje, a principal linha de negócio da empresa é o etanol. Em entrevista recente ao AgFeed, Pereira afirmou que a tendência era aumentar a produção do biocombustível nos próximos trimestres. Nos três primeiros meses deste ano, a cana esmagada pela Adecoagro produziu 51% de etanol e 49% de açúcar.

O cenário para o açúcar mudou em relação ao ano passado, com os preços caindo nas últimas semanas. A empresa fixou o preço de 57% da sua produção.

Em 2023, a receita bruta da empresa alcançou US$ 1,4 bilhão, recorde histórico e alta de 6,7% ante 2022. A companhia registrou um lucro líquido de US$ 226,7 milhões, mais que o dobro do que no ano anterior.

O CFO da Adecoagro, Emilio Gnecco, crê que a dinâmica para o etanol está mais promissora. “Em abril, os preços do etanol subiram 30% em relação ao menor patamar deste ano”, contou ao AgFeed em maio.

Gustavo Lustosa