Média das perdas foi de US$ 43,63 milhões, 17,7% acima de um ano antes; soma cresceu 3%
Fechar um ano fiscal no vermelho é ruim para qualquer empresa, mas é especialmente maléfico quando vem na esteira de resultados negativos anteriores. Infelizmente, essa é a situação de algumas companhias do setor sucroenergético que acumulam sequências de prejuízos.
A publicação Melhores e Maiores, da Exame, apresentou 72 sucroenergéticas na lista das 400 maiores companhias do agronegócio em 2019, dez a menos do que um ano antes, sendo as vendas líquidas o critério de classificação. A relação inclui usinas, grupos, tradings, cooperativas e produtoras de cana-de-açúcar.
Do total, 21 empresas apresentaram prejuízos em seus resultados líquidos ajustados, 46 reportaram lucro e cinco não tiveram o dado divulgado. Com isso, há três empresas a menos na lista das perdas ante 2018, quando eram 24. O movimento é natural, já que menos sucroenergéticas aparecem na lista completa.
Apesar do menor número de companhias, as perdas foram um pouco maiores entre os dois anos: se, em 2018, a soma dos prejuízos líquidos foi de US$ 889,6 milhões, no levantamento mais recente ela atingiu US$ 916,3 milhões, ampliação de 3%.
Considerando o prejuízo médio, 2019 teve o terceiro resultado mais alto desde o início da série histórica, em 2009. O valor ficou em US$ 43,63 milhões, crescimento de 17,7% no comparativo com os US$ 37,07 milhões de 2018.
O levantamento, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), reuniu os resultados financeiros das mil empresas do país com as maiores receitas líquidas. Além disso, a publicação traz outros compilados específicos, como o das 400 maiores do agronegócio, dentre as quais estão as sucroenergéticas e produtoras de cana-de-açúcar. Assim, nem todas as companhias do setor mencionadas se encontram entre as mil maiores.
Confira, na versão completa (restrita para assinantes), gráficos e informações sobre:
- Prejuízos médio e total do setor em 2019
- Maiores prejuízos por grupo em 2019
- Ranking das maiores perdas do setor em 2019
- Evolução do perdas das cinco empresas com maiores prejuízos (por unidade e por grupo)
Fechar um ano fiscal no vermelho é ruim para qualquer empresa, mas é especialmente maléfico quando vem na esteira de resultados negativos anteriores. Infelizmente, essa é a situação de algumas companhias do setor sucroenergético que acumulam sequências de prejuízos.
A publicação Melhores e Maiores, da Exame, apresentou 72 sucroenergéticas na lista das 400 maiores companhias do agronegócio em 2019, dez a menos do que um ano antes, sendo as vendas líquidas o critério de classificação. A relação inclui usinas, grupos, tradings, cooperativas e produtoras de cana-de-açúcar.
Do total, 21 empresas apresentaram prejuízos em seus resultados líquidos ajustados, 46 reportaram lucro e cinco não tiveram o dado divulgado. Com isso, há três empresas a menos na lista das perdas ante 2018, quando eram 24. O movimento é natural, já que menos sucroenergéticas aparecem na lista completa.
Apesar do menor número de companhias, as perdas foram um pouco maiores entre os dois anos: se, em 2018, a soma dos prejuízos líquidos foi de US$ 889,6 milhões, no levantamento mais recente ela atingiu US$ 916,3 milhões, uma ampliação de 3%.
Por outro lado, levando em conta os 11 anos analisados desde o início da série histórica do levantamento, em 2009, a soma dos prejuízos em 2019 ficou abaixo de seis deles. Em 2015, ocorreu o pior resultado, US$ 1,95 bilhão. Na outra ponta, as empresas tiveram os menores prejuízos em 2011, totalizando US$ 243 milhões.

Já considerando o prejuízo médio, 2019 teve o terceiro resultado mais alto desde o início da série histórica. O valor ficou em US$ 43,63 milhões, crescimento de 17,7% no comparativo com os US$ 37,07 milhões de 2018.
O levantamento, realizado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), reuniu os resultados financeiros das mil empresas do país com as maiores receitas líquidas. Além disso, a publicação traz outros compilados específicos, como o das 400 maiores do agronegócio, dentre as quais estão as sucroenergéticas e produtoras de cana-de-açúcar. Assim, nem todas as companhias do setor mencionadas se encontram entre as mil maiores.
Os maiores prejuízos do setor
Em relação aos grupos, a Biosev reportou o maior prejuízo pelo segundo ano consecutivo, atingindo US$ 465,8 milhões em 2019. Ainda assim, houve uma pequena retração no comparativo com 2018, de 1,1%, quando as perdas foram de US$ 471,2 milhões.
Já no caso da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), representada no levantamento da Exame por cinco empresas, o prejuízo foi de US$ 275,6 milhões. A empresa sofreu uma virada considerável, já que em 2018 havia reportado lucro de US$ 281,4 milhões.
O terceiro maior prejuízo foi o da Tereos Açúcar e Energia: US$ 82,2 milhões. Assim como a Atvos, em 2018, a companhia havia reportado lucro de US$ 24,6 milhões. O resultado positivo anterior foi uma exceção em seu histórico de números no vermelho, assim como o ganho de US$ 14,7 milhões em 2010.
Em seguida, os grupos São Domingos e Delta Sucroenergia tiveram perdas de US$ 28,6 milhões e US$ 18,1 milhões, respectivamente.
Vale destacar que estes resultados correspondem à soma dos valores das empresas elencadas pela Exame entre as 400 maiores do agronegócio brasileiro, não correspondendo necessariamente ao total das companhias que compõem os grupos.

No ranking de desempenho individual das 21 sucroenergéticas com prejuízo em 2019, a Biosev, do grupo de mesmo nome, foi a que reportou a maior perda, US$ 289,5 milhões, um prejuízo 10,81% menor do que em 2018. Naquele ano, as perdas foram de US$ 324,6 milhões e a empresa também ficou na dianteira do ranking.
Em seguida, a Biosev Bioenergia, que havia ficado em terceiro lugar em 2018, sofreu a segunda maior perda no levantamento mais recente. Em 2019, o prejuízo de US$ 176,3 milhões ficou 20,26% acima dos US$ 146,6 milhões vistos um ano antes.
A Brenco, do grupo Atvos, teve prejuízo de US$ 136,7 milhões. Em 2018, em contrapartida, ela havia reportado lucro de US$ 159,2 milhões, ficando em primeiro lugar no ranking das maiores e mais lucrativas empresas do setor sucroenergético.
Na sequência, a Cruz Alta, do grupo Tereos, teve perdas de US$ 82,2 milhões em 2019, resultado 434,15% abaixo d o lucro de US$ 24,6 milhões de 2018, quando a companhia ocupava a 19ª colocação no ranking de resultados líquidos positivos. A variação percentual entre os dois anos foi a mais elevada dentre as 21 empresas com prejuízo.
Outras duas usinas da Atvos, a Conquista do Pontal e a Rio Claro, ocuparam as quinta e sexta colocações, com prejuízos de US$ 63,7 milhões e US$ 34,6 milhões, respectivamente. Um ano antes, ambas tinham lucrado.

Mesmo mantendo resultados no vermelho, algumas empresas reduziram seu prejuízo. Entre elas está a Bioenergética Vale do Paracatu, do grupo Bevap Bioenergia, que passou de US$ 12,7 milhões para US$ 500 mil no comparativo entre os dois anos. Nos seis anos em que apareceu da listagem da Exame, desde o início da série histórica, todos seus resultados registrados foram negativos.
Já a Clementina, pertencente ao Clealco, reduziu suas perdas em 91,34%, passando do prejuízo de US$ 146,7 milhões para US$ 12,7 milhões. Com isso, a companhia saiu da segunda colocação para a 11ª . Ainda assim, esta é a sua terceira perda consecutiva.
Por sua vez, a Cevasa, do grupo de mesmo nome, teve as perdas reduzidas em 79,82%, de US$ 21,8 milhões em 2018 para US$ 4,4 milhões em 2019, saindo da oitava para a 15ª colocação.
Além disso, algumas empresas saíram do ranking de prejuízos. A Santa Adélia passou de uma perda de US$ 5,1 milhões em 2018 para um lucro de US$ 17,8 milhões em 2019. Já a Caeté, do grupo Carlos Lyra, reverteu o prejuízo de US$ 29,4 milhões para um ganho de US$ 5,6 milhões no mesmo comparativo. Outras companhias que migraram de resultados negativos para positivos foram: Alvorada (Araporã Bioenergia), Colombo, Bela Vista (Bazan) e Ferrari.
Biosev sofre com perdas acumuladas
Desde o início da série histórica, em 2009, a empresa Biosev só registrou ganhos em 2011, sendo que, em 2010, o dado não foi divulgado. Em 2018, ela atingiu sua segunda pior perda, US$ 324,6 milhões, resultado que foi seguido de certa recuperação, chegando ao prejuízo de US$ 289,5 milhões em 2019.
Já a Biosev Bioenergia, segunda maior perda do setor no período, teve um prejuízo de US$ 176,3 milhões, 20,26% acima de um ano antes e o pior resultado da sua série histórica. A companhia só reportou ganhos em 2012, de US$ 15,7 milhões, e em 2015, de US$ 15,6 milhões.

Com isso, as duas empresas do grupo Biosev trazidas no levantamento da Exame acumularam resultados negativos de US$ 465,8 milhões, 1,1% abaixo de um ano antes. Em 2014, as perdas chegaram a US$ 531,1 milhões, o recorde da série histórica. O saldo somente foi positivo em 2011, com um lucro de US$ 125,5 milhões; na ocasião, apenas a companhia Biosev constava no levantamento.
Em consonância com os dados, os resultados do grupo na temporada 2019/20 também mostram perdas. No acumulado de nove meses do ano civil de 2019, a Biosev reportou um prejuízo de R$ 1,55 bilhão. Uma temporada antes, ele havia sido de US$ 1,2 bilhão.
De acordo com a companhia, a desvalorização do real impactou fortemente sua dívida em dólar. Além disso, mesmo com uma moagem estável, a empresa não teria conseguido elevar sua geração de caixa devido a investimentos feitos nos últimos anos.
Por outro lado, o cenário vem sendo mais favorável em resultados mais recentes. Com a valorização do preço internacional do açúcar, a Biosev registrou lucro nos primeiros nove meses de 2020/21, com R$ 485,3 milhões. A produção recorde de açúcar e os bons preços da commodity sinalizam resultados operacionais ainda melhores para 2021/22, afirmam os executivos da companhia.
Vale destacar que a Biosev está sendo vendida para a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell. A negociação, anunciada em 8 de fevereiro, envolve uma combinação entre troca de ações e o pagamento de R$ 3,6 bilhões para refinanciamento da dívida da Biosev.
Atvos vai do lucro ao prejuízo
Já no caso da Atvos, cinco empresas do grupo apareceram no levantamento. A que teve o pior resultado foi a Brenco, com um prejuízo de US$ 136,7 milhões em contraste com o lucro de US$ 159,2 milhões de 2018. O resultado positivo, entretanto, havia sido uma exceção: em todos os outros anos desde o início da série histórica, a companhia tinha registrado perdas, sendo a mais elevada em 2015, US$ 163,9 milhões.
Em seguida, a Conquista do Pontal teve a quinta maior perda do setor e registrou um prejuízo de US$ 63,7 milhões. A empresa havia reportado lucros em 2014, de US$ 81,2 milhões, e em 2018, de US$ 20,6 milhões.
A sexta maior perda na listagem foi a da Rio Claro, que também decaiu do lucro para o prejuízo entre os dois últimos anos. No levantamento mais recente, foram US$ 34,6 milhões negativos.
Já a Santa Luzia e a Eldorado, oitava e décima no ranking de prejuízo das sucroenergéticas, tiveram resultados negativos de US$ 24,1 milhões e US$ 16,5 milhões, respectivamente. A primeira reduziu as perdas em 13,3%, enquanto a segunda aumentou em 55,7%.
Com isso, as empresas do grupo elencadas pela publicação acumularam perdas de US$ 275,6 milhões contra o lucro de US$ 281,4 milhões em 2018. O único outro ano em que a Atvos reportou lucro foi em 2014, com US$ 217 milhões, quando a Alcídia também constava na listagem da Exame.

Considerando a safra 2019/20, a Atvos registrou perdas de R$ 1,49 milhão, em linha com um ano antes, e dívidas de R$ 11,76 bilhões versus R$ 10,36 bilhões de 2018/19.
A situação da empresa não vem sendo favorável nos últimos tempos, para além dos números. Em recuperação judicial desde maio de 2019, a companhia passou para o controle do fundo Lone Star no começo deste ano, embora a disputa com o grupo Odebrecht ainda esteja em andamento.
Tereos tem seu segundo pior resultado
Na publicação da Exame, o grupo Tereos Açúcar e Energia é representado apenas pela usina Cruz Alta, que acumulou a quarta maior perda individual na análise: US$ 82,2 milhões. Em 2018, o grupo reportou ganhos de US$ 24,7 milhões – na ocasião, as empresas São José e Andrade também foram listadas entre as maiores do agronegócio nacional.
O resultado mais recente é o segundo pior da série histórica: ele fica atrás apenas de 2016, quando a Tereos atingiu perdas de US$ 87,7 milhões.

Considerando o grupo como um todo, foi divulgado um prejuízo de R$ 121 milhões na safra 2019/20, 69,83% abaixo dos R$ 401 milhões também negativos de uma temporada antes. O valor foi apresentado em junho de 2020, no Diário Oficial de São Paulo.
A Tereos finalizou 2019/20 com uma moagem de 19,4 milhões de toneladas de cana, sendo 18,9 milhões moídas no Brasil e 400 mil, em Moçambique, por meio da subsidiária Companhia de Sena. O volume ficou 8% acima do registrado um ano antes.
São Domingos tem prejuízo recorde
A São Domingos sofreu o maior prejuízo desde o início da série histórica, com resultado de US$ 28,6 milhões, 153,1% acima das perdas de US$ 11,3 milhões vistas um ano antes. Com isso, a companhia ficou em sétimo lugar no ranking de maiores perdas do setor em 2019.

Além disso, o indicador de endividamento geral da companhia aumentou de 80,8% para 95,8% entre 2018 e 2019.
O dado é a soma do passivo circulante – dívidas e obrigações de curto prazo – com as do passivo não circulante em relação ao ativo total ajustado. Assim, ele representa a parcela de recursos financiados por terceiros na operação da empresa e é considerado um bom indicador de risco do negócio.
Entretanto, o resultado líquido negativo destoa do reportado ao final da safra 2019/20, conforme publicado pela São Domingos no Diário Oficial de São Paulo em julho de 2020. A companhia registrou um lucro de R$ 5,46 milhões no ciclo encerrado em março do ano passado, o melhor desempenho desde 2016/17 e uma virada ante o prejuízo recorde ocorrido em 2018/19.
Ainda assim, a variação cambial pesou negativamente no resultado da empresa em R$ 7,10 milhões. Este fator influencia no levamento da Exame, uma vez que considera os dados em dólares.
Delta cai após três anos com lucro
A Delta Sucroenergia vinha de uma sequência de três lucros, porém reportou prejuízo de US$ 18,1 milhões em 2019. No ano anterior, os ganhos haviam sido de US$ 56,6 milhões.
A empresa só passou a ter o dado de lucro divulgado em 2014. Portanto, no período de seis anos, reportou perdas apenas no levantamento mais recente e em 2015.

De acordo com o publicado no Diário Oficial de Minas Gerais em junho de 2020, a Delta teve um prejuízo de R$ 49,33 milhões na safra 2019/20. O resultado foi 48,61% menor que as perdas de R$ 95,99 milhões contabilizadas ao final da temporada 2018/19.
Metodologia da análise
A avaliação da Exame referente a 2019 foi feita com mais de 3 mil empresas brasileiras e os maiores grupos privados do país, sob a coordenação da Fipecafi. Os dados correspondem às demonstrações contábeis publicadas em Diário Oficial até 30 de junho de 2020 e aos resultados das companhias limitadas que os mandaram para análise e responderam a questionários.
Além disso, a revista também considerou empresas de porte significativo e conhecidas no mercado que não divulgam seus resultados, porém tiveram o faturamento estimado por analistas.
Segundo a publicação, foram priorizadas as demonstrações que consideraram os efeitos da inflação. Também foram tomados como base resultados individuais e não consolidados a fim de medir o desempenho por companhia.
Ainda de acordo com a Exame, o objetivo é que nenhuma empresa saia prejudicada na avaliação, além de padronizar os números para o caso daquelas que fecham o balanço antes ou depois da maioria. Os valores são divulgados em dólares.
Conforme a publicação, para as comparações feitas com o desempenho nos anos anteriores, foram efetuados ajustes dos valores para eliminar distorções causadas pela inflação ou oscilações do câmbio.
Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida não é a mais recomendada, pois considera o ano civil de 2019 e não o ano fiscal das companhias, geralmente contabilizado de abril a março. Desta forma, os valores divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.
Outra questão é que a lista não agrupa o balanço dos grupos, permitindo uma separação entre as unidades e as empresas vinculadas.
NovaCana DATA
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana