Empresas de açúcar e etanol listadas entre as 400 maiores do agronegócio pela Exame registraram resultados piores que os vistos em 2018
Tudo é questão de perspectiva; uma avaliação dos resultados financeiros das empresas, por exemplo, pode ser feita por diferentes ângulos e sob a luz de diversos critérios. Se, no levantamento da Valor 1000, os resultados foram um pouco mais favoráveis às sucroenergéticas em 2019, isso não ocorreu na Melhores e Maiores.
Do ponto de vista da edição anual da revista Exame, o cenário ficou mais desfavorável para as companhias de açúcar e etanol em 2019 no comparativo com o ano anterior. A publicação, que considera os dados de mais de 3 mil empresas para selecionar as melhores e maiores do país, elencou 72 companhias do setor sucroenergético, dez a menos que em 2018 e a menor participação desde 2011.
O levantamento feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) reuniu os resultados financeiros das mil empresas do país com as maiores receitas líquidas. Além disso, a publicação traz outros compilados específicos, como as 400 maiores do agronegócio – dentre as quais estão as sucroenergéticas e produtoras de cana-de-açúcar. Vale destacar que nem todas as companhias do setor mencionadas se encontram entre as mil maiores.
Não foi só a quantidade de sucroenergéticas que diminuiu entre as duas últimas análises. Conforme o compilado feito pelo NovaCana, o faturamento total do grupo sofreu uma retração de 12,55%, passando de US$ 23,76 milhões para US$ 20,77 milhões. Com isso, a venda líquida média ficou em US$ 288,54 mil, ante os US$ 289,65 mil de 2018 – redução de somente 0,32% por conta da quantidade menor de empresas entre os dois anos.
No quesito lucro líquido ajustado, o baque foi mais evidente. Em 2018, o ganho médio das empresas foi de US$ 8,69 milhões, enquanto ele caiu 95,75% em 2019, para US$ 369 mil. Somado, o lucro foi de US$ 25 milhões na publicação mais recente ante os US$ 660,9 milhões do ano anterior.
Das 67 empresas que tiveram dados de lucro ou prejuízo líquido divulgados, 21 sofreram perdas de US$ 200 mil a US$ 289,5 milhões e 46 tiveram ganhos de US$ 900 mil a US$ 106,3 milhões.
Confira, na versão completa:
- Ranking das companhias com as maiores vendas líquidas de 2019
- Análise da evolução de indicadores financeiros do setor de 2009 a 2019
- Evolução das dez maiores empresas sucroenergéticas, considerando vendas, lucro líquido e taxa de endividamento
Tudo é questão de perspectiva; uma avaliação dos resultados financeiros das empresas, por exemplo, pode ser feita por diferentes ângulos e sob a luz de diversos critérios. Se, no levantamento da Valor 1000, os resultados foram um pouco mais favoráveis às sucroenergéticas em 2019, isso não ocorreu na Melhores e Maiores.
Do ponto de vista da edição anual da revista Exame, o cenário ficou mais desfavorável para as companhias de açúcar e etanol em 2019 no comparativo com o ano anterior. A publicação, que considera os dados de mais de 3 mil empresas para selecionar as melhores e maiores do país, elencou 72 companhias do setor sucroenergético, dez a menos que em 2018 e a menor participação desde 2011.
O levantamento feito em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) reuniu os resultados financeiros das mil empresas do país com as maiores receitas líquidas. Além disso, a publicação traz outros compilados específicos, como as 400 maiores do agronegócio – dentre as quais estão as sucroenergéticas e produtoras de cana-de-açúcar. Vale destacar que nem todas as companhias do setor mencionadas se encontram entre as mil maiores.
Não foi só a quantidade de sucroenergéticas que diminuiu entre as duas últimas análises. Conforme o compilado feito pelo NovaCana, o faturamento total do grupo sofreu uma retração de 12,55%, passando de US$ 23,76 milhões para US$ 20,77 milhões. Com isso, a venda líquida média ficou em US$ 288,54 mil, ante os US$ 289,65 mil de 2018 – redução de somente 0,32% por conta da quantidade menor de empresas entre os dois anos.

No quesito lucro líquido ajustado, o baque foi mais evidente. Em 2018, o ganho médio das empresas foi de US$ 8,69 milhões, enquanto ele caiu 95,75% em 2019, para US$ 369 mil. Somado, o lucro foi de US$ 25 milhões na publicação mais recente ante os US$ 660,9 milhões do ano anterior.
Das 67 empresas que tiveram dados de lucro ou prejuízo líquido divulgados, 21 sofreram perdas de US$ 200 mil a US$ 289,5 milhões e 46 tiveram ganhos de US$ 900 mil a US$ 106,3 milhões.
Pódio bilionário se mantém
As três primeiras colocações no ranking das empresas com as maiores vendas líquidas, todas acima de R$ 1 bilhão, são as mesmas desde 2014: a Copersucar Cooperativa detém o primeiro lugar desde o início da série histórica, em 2009; a Copersucar ocupa a segunda posição; e a Raízen Energia vem em terceiro.
A campeã no quesito faturou US$ 2,91 bilhões em 2019, 9,24% abaixo do desempenho anterior, de US$ 3,21 bilhões. Mas a queda não foi suficiente para tirá-la da dianteira; dentre as 400 maiores do agronegócio, a companhia também teve bom desempenho, ficando na 14ª colocação.
Em seguida, a Copersucar teve ampliação de 7,1% no seu resultado, passando de US$ 2,02 bilhões para US$ 2,17 bilhões. Por outro lado, uma retração de 4,4% foi registrada pela Raízen Energia, que teve vendas líquidas de US$ 1,8 bilhão em 2019 contra US$ 1,9 bilhão em 2018. A queda, entretanto, não foi suficiente para a empresa perder sua posição no ranking.
Já a quarta colocação foi ocupada pela São Martinho, que estava no sexto lugar um ano antes. A melhoria se deu por um aumento de 25,9% no faturamento – a segunda variação percentual mais elevada dentre as 50 maiores companhias do setor –, que foi de US$ 851,50 milhões em 2019.
Por sua vez, a Biosev permaneceu na quinta colocação, com faturamento de US$ 846,4 milhões (+20,7%), e a Biosev Bioenergia caiu da quarta para a sexta posição, com uma redução de 28,50% em seus ganhos, para US$ 713,40 milhões. Já a Coruripe, do grupo Tércio Wanderley, e a Cruz Alta, do Tereos Açúcar e Energia, inverteram a sétimas e a oitava colocações entre os dois anos.
Em 2019, as vendas líquidas da Coruripe foram de US$ 522,1 milhões e as da Cruz Alta, de US$ 476 milhões. Ambas as empresas tiveram redução no faturamento, de 12,6% e 23,8%, respectivamente.
Considerando o ranking das 50 companhias com maior receita líquida, as que mais ganharam posições entre um ano e outro foram a Rio Claro, da Atvos (antiga Odebrecht Agroindustrial), e a Quatá, da Zilor. No caso da Rio Claro, a companhia ascendeu 17 colocações, com uma receita líquida de US$ 153,4 milhões (+19,3%). Já a Quatá ampliou seus ganhos em 42,5% – o maior aumento percentual de receita líquida entre os dois anos –, para US$ 239 milhões, e subiu 16 posições.
Três companhias ganharam 12 colocações: a Jussara, do grupo Melhoramentos (+9,04%), a São Francisco (+11,3%) e a Agroterenas (+1,2%). Já a que mais perdeu posições, sete, foi a Clementina, do grupo Clealco, que também teve a maior redução percentual entre os dois anos, de 30,9%.
Ainda considerando o grupo de 50 empresas, houve certa estabilidade no ranqueamento. Nove delas mantiveram a mesma posição de 2018, cinco perderam uma colocação e outras três ganharam uma. Do total, 19 tiveram variações percentuais de receita inferiores a 5%, seja para mais ou para menos, entre os dois anos.

Para a elaboração dos rankings e a realização do comparativo, o NovaCana recalculou os dados históricos das empresas com base no percentual de crescimento de vendas divulgado pela publicação mais recente.
As maiores com resultados piores
Ainda de olho nas 50 maiores empresas no quesito do faturamento líquido, a média ficou em US$ 381,98 milhões – o menor valor desde 2012 e o quinto menor da série histórica, iniciada em 2009.
Em relação a 2018, quando o resultado foi de US$ 417,47 milhões, a redução foi de 8,5%. Ainda assim, o valor ficou acima da média dos 11 anos analisados, que foi de US$ 376,1 milhões.
As receitas líquidas das empresas são calculadas pela diferença aritmética entre as vendas brutas, deduzidas das devoluções e abatimentos, e os impostos sobre elas.

Os resultados mais desfavoráveis também se refletem no prejuízo líquido ajustado médio dos grupos. O valor é apurado depois de considerados os efeitos da inflação nas demonstrações contábeis.
Conforme a publicação mais recente, as sucroenergéticas sofreram uma perda de US$ 2,57 milhões em 2019, o pior resultado desde 2015. Em 2018, as 50 maiores empresas do setor obtiveram o lucro de US$ 13 milhões.
Apesar do número no vermelho, as empresas já viram dias piores: em 2015, o prejuízo médio foi de US$ 26,22 milhões e, em 2009, de US$ 21,06 milhões. Por outro lado, em 2011 e 2017, as 50 maiores sucroenergéticas lucraram acima de US$ 21 milhões.
Entre altos e baixos, a média dos 11 anos analisados é um ganho de US$ 230 mil, e o resultado de 2019 ficou abaixo disto.

Já a taxa média de endividamento geral do grupo ficou em 71,13% no levantamento mais recente, ante os 69,68% de 2018. Considerando a média dos últimos 11 anos, de 71,84%, o resultado mais recente ficou menos de um ponto percentual abaixo.
O indicador é a soma do passivo circulante, ou seja, as dívidas e obrigações de curto prazo com as do passivo não circulante. O resultado é dado em porcentagem, em relação ao ativo total ajustado, e representa a parcela de recursos financiados por terceiros na operação da empresa. Com isso, este é um bom indicador de risco do negócio.

O aumento no resultado pode representar um maior endividamento por parte das sucroenergéticas que têm as maiores vendas líquidas.
A publicação Valor 1000, que também compila anualmente as maiores empresas do país a partir da receita líquida, deixou igualmente claro o aumento das dívidas. O chamado endividamento oneroso (gastos mensais e obrigatórios com encargos financeiros, o que abrange taxas e juros, além de itens como debêntures, empréstimos e financiamentos) cresceu 32,9% entre 2018 e 2019.
Guardada as devidas proporções de diferenças de amostragem e metodologias dos levantamentos, fica evidente a ampliação dos valores devidos entre as maiores sucroenergéticas.
Os dez melhores resultados
Apesar de algumas pequenas trocas de colocação, a relação das dez empresas com as maiores vendas líquidas permanece quase a mesma que a vista em 2018 – a única modificação foi a saída da Usaçúcar, do grupo Santa Terezinha, em 2019. Com isso, a Brenco, do grupo Atvos, entrou para as dez maiores, tendo subido da 12ª para a nona colocação.
A relativa manutenção da lista reforça certa consolidação dos resultados no setor e o reforço das mesmas companhias entre as grandes, ao menos no que diz respeito às vendas líquidas.
Dentre as dez maiores, seis apresentaram lucro em 2019 e quatro, prejuízo. A menor taxa de endividamento foi a da Alto Alegre, de 58,1%, e a maior foi a da Biosev Bioenergia, superando os 100%.

Metodologia da análise
A avaliação da Exame referente a 2019 foi feita com mais de 3 mil empresas brasileiras e os maiores grupo privados do país, sob a coordenação da Fipecafi. Os dados correspondem às demonstrações contábeis publicadas em Diário Oficial até 30 de junho de 2020 e às companhias limitadas que mandaram seus resultados para análise e responderam aos questionários. Além disso, a revista também considerou empresas de porte significativo e bem conhecidas no mercado que não divulgam os seus resultados, porém tiveram o faturamento estimado por analistas.
Segundo a publicação, foram priorizadas as demonstrações que consideraram os efeitos da inflação em suas demonstrações. Também foram tomados como base os resultados individuais e não consolidados, a fim de medir o desempenho por companhia. Ainda de acordo com a revista, o objetivo é que nenhuma empresa saia prejudicada na avaliação, além de padronizar os números para o caso daquelas que fecham o balanço antes ou depois da maioria. Os valores são divulgados em dólares.
As comparações feitas com o desempenho nos anos anteriores não foram prejudicadas porque foram efetuados ajustes dos valores para eliminar distorções causadas pela inflação ou oscilações do câmbio, conforme a publicação.
Dentre os critérios de seleção estão ser uma das mil maiores empresas privadas ou estatais, com vendas líquidas anuais superiores a US$ 140 milhões.
Para o setor sucroenergético, a metodologia escolhida não é a mais recomendada, pois considera o ano civil de 2019 e não o ano fiscal das companhias, geralmente contabilizado de abril a março. Desta forma, os valores divulgados no ranking não necessariamente correspondem à situação da companhia em uma safra completa.
Outra questão é que a lista não agrupa o balanço dos grupos, permitindo uma separação entre as unidades e as empresas vinculadas.
NovaCana DATA
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana