Gráficos exclusivos elaborados pelo NovaCana apresentam resultados financeiros, industriais e agrícolas – trimestre a trimestre – nas últimas cinco safras. Moagem, mix de produção, vendas e receitas estão entre os indicadores
A safra 2018/19 não foi uma das melhores para grande parte do setor sucroenergético. A falta de renovação dos canaviais impactou na moagem e na quantidade de açúcar total recuperável (ATR). Por sua vez, as flutuações nos preços de açúcar e etanol influenciaram nos lucros das companhias. Ainda assim, na visão da São Martinho, a temporada foi acima da média.
Os resultados da companhia referentes à última safra foram divulgados em junho e, ao colocá-los em perspectiva junto às cinco temporadas passadas, o cenário é positivo. Em 2017/18, a São Martinho fechou a safra com lucro líquido 73,2% maior que a anterior, mas a expectativa para a temporada seguinte era baixista. À época, o grupo previa processar 7,4% a menos de cana-de-açúcar devido ao clima seco no início do ano e a uma maior renovação do plantio.
No fim das contas, a previsão praticamente se concretizou, pois a moagem da companhia em 2018/19 foi 7,92% menor que a da temporada anterior – 20,45 milhões de toneladas ante 22,21 milhões em 2017/18.
Mesmo com essa redução, o resultado da moagem é o segundo maior dos últimos cinco anos. O mesmo acontece com o lucro líquido do grupo que, apesar de ter sido 36,1% menor que o de 2017/18 – R$ 314,05 milhões contra R$ 491,71 milhões –, é o segundo maior no período analisado.
O CEO da São Martinho, Fábio Venturelli, em entrevista ao Valor Econômico, ressalva que a safra 2017/18 foi de recordes para a companhia. Desta forma, mesmo com a queda observada em 2018/19, este é o segundo melhor resultado da empresa – e em um ano em que a safra da companhia foi prejudicada pelo clima. “Dado o cenário de seca monstruosa, acho que foi um resultado excepcional”, aponta.
Para mostrar este desempenho, trimestre a trimestre e total, o NovaCana compilou 50 gráficos exclusivos com os resultados financeiros, industriais e agrícolas da São Martinho, trazendo números das últimas cinco safras.
- Produtividade
- Produção de etanol
- Produção de açúcar
- ATR
- Mix
- Nível de mecanização
- Diferenças no teor de açúcar ao longo do ano
- Cogeração: energia vendida, receita e preço médio
- Etanol: volume vendido, receita e preço médio
- Açúcar: volume vendido, receita e preço médio
- Receita operacional e relação entre receita e custos
- Composição das vendas
- Destino da produção ao longo da safra: mercado externo e interno
- Impacto da variação cambial nos resultados da São Martinho
- Evolução e desempenho financeiros
- Evolução do Ebitda
- Evolução da dívida líquida
A safra 2018/19 não foi uma das melhores para grande parte do setor sucroenergético. A falta de renovação dos canaviais impactou na moagem e na quantidade de açúcar total recuperável (ATR). Por sua vez, as flutuações nos preços de açúcar e etanol influenciaram nos lucros das companhias. Ainda assim, na visão da São Martinho, a temporada foi acima da média.
Os resultados da companhia referentes à última safra foram divulgados em junho e, ao colocá-los em perspectiva junto às cinco temporadas passadas, o cenário é positivo. Em 2017/18, a São Martinho fechou a safra com lucro líquido 73,2% maior que a anterior, mas a expectativa para a temporada seguinte era baixista. À época, o grupo previa processar 7,4% a menos de cana-de-açúcar devido ao clima seco no início do ano e a uma maior renovação do plantio.
No fim das contas, a previsão praticamente se concretizou, pois a moagem da companhia em 2018/19 foi 7,92% menor que a da temporada anterior – 20,45 milhões de toneladas ante 22,21 milhões em 2017/18.
Mesmo com essa redução, o resultado da moagem é o segundo maior dos últimos cinco anos. O mesmo acontece com o lucro líquido do grupo que, apesar de ter sido 36,1% menor que o de 2017/18 – R$ 314,05 milhões contra R$ 491,71 milhões –, é o segundo maior no período analisado.
O CEO da São Martinho, Fábio Venturelli, em entrevista ao Valor Econômico, ressalva que a safra 2017/18 foi de recordes para a companhia. Desta forma, mesmo com a queda observada em 2018/19, este é o segundo melhor resultado da empresa – e em um ano em que a safra da companhia foi prejudicada pelo clima. “Dado o cenário de seca monstruosa, acho que foi um resultado excepcional”, aponta.
Indicadores agrícolas
A moagem da São Martinho em 2018/19 foi menor que no ano anterior, conforme o previsto pela companhia no início da temporada – a principal justificativa é a maior renovação do plantio. Isso também teve reflexo no rendimento do canavial, que chegou ao menor patamar das últimas cinco safras, com 74,21 toneladas por hectare, 6,7% inferior a 2017/18.
Por outro lado, a qualidade da cana foi a maior do período analisado, chegando a um ATR médio de 142,19 kg/t – 1,7% acima dos 139,8 kg/t de 2017/18. O destaque ficou com o segundo trimestre da safra, quando os canaviais chegaram a 153,1 kg/t, o maior valor dos últimos cinco anos.
Em relação aos produtos da cana-de-açúcar, a companhia seguiu a tendência do mercado, de acordo com as variações nos preços observadas em 2018/19. Assim, a produção de etanol foi a maior dos últimos cinco anos, chegando a 1,10 bilhão de litros (+15,1%), enquanto a do açúcar foi a menor, não chegando a 1 milhão de toneladas (-29,5%).
Para isso entre 64% e 66% da matéria-prima foi direcionada para a produção de etanol, número acima de todas as outras safras e semelhante à média do Centro-Sul, que apresentou um mix de produção de 64,8% para o etanol no período.








Indicadores de vendas
A receita das vendas de açúcar da São Martinho em 2018/19 foi uma das mais baixas dos últimos cinco anos, o que é um reflexo tanto dos preços da commodity quanto da sua menor produção – e, consequentemente, do menor volume de vendas. No acumulado da safra, o produto rendeu uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão.
Ainda assim, o preço médio por tonelada vendida só foi menor do que em 2016/17 e 2017/18, quando o açúcar teve melhores condições de venda. No primeiro trimestre de 2018/19, o valor era de R$ 1.145,5/t, caindo para R$ 1.049/t no quarto trimestre.
Já em relação ao etanol, a receita com as vendas superou todos os anos anteriores em todos os trimestres – inclusive na entressafra que, de acordo com o Valor Econômico, atrapalhou a estratégia do grupo de concentrar as vendas nesta época com a queda dos preços do renovável. Assim, o indicador teve um aumento de 27,8% entre as duas últimas temporadas, atingindo R$ 2 bilhões.
O volume de etanol vendido – 1,47 bilhão de litros ao longo da temporada – também foi o maior das últimas cinco safras, em todos os trimestres e, assim como na média deles, concentrou-se no mercado interno.
E em relação à receita líquida total da venda de energia elétrica, a diferença entre as duas últimas safras foi de apenas +0,9%, mesmo que a produção tenha sido um pouco menor na mesma comparação (-9,2%).
A receita total das vendas da São Martinho em 2018/19 ficou em R$ 3,38 bilhões, 6,63% a menos do que na safra anterior. Sua composição é majoritariamente do etanol, com 59,4% – a maior das últimas quatro safras –, seguida da gasolina, com 32,8% – a menor do mesmo período.
Porém, a safra 2018/19 da São Martinho foi uma das que teve os custos mais altos dos produtos vendidos em relação à receita líquida. A média da relação entre eles na temporada foi de 72,56%, enquanto em 2017/18 ficou em 63,9%.






Indicadores financeiros
Em quase todos os trimestres, o desempenho financeiro da São Martinho ficou abaixo do da temporada anterior, chegando ao menor resultado final. As despesas, por outro lado, estiveram um pouco menores, o que resultou no segundo melhor lucro líquido dos últimos anos.
Já o Ebitda (lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia foi o maior das últimas cinco safras, chegando a R$ 1,7 bilhões. Porém, quando ajustado, esse valor cai para R$ 1,64 bilhão e fica 15,7% abaixo do da temporada anterior.
Em relação à dívida líquida, a São Martinho teve uma redução de 2,5% no fim da safra, ficando em R$ 2,4 bilhões. Desta forma, a relação entre ela e o Ebitda, que indica sua alavancagem, ficou em 1,46 vez, aumento de 15,6% na comparação com o ano anterior.
De acordo com uma análise do Rabobank, este nível é considerado aceitável e indica que a companhia tem suas contas sob controle.









Rafaella Coury – NovaCana