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Mesmo com moagem recorde, Tereos tem prejuízo de R$ 41 milhões em 2020/21

Produtividade da companhia no Brasil chegou a 86 toneladas por hectare, 10% acima da média do Centro-Sul

NovaCana 7 min de leitura

A francesa Tereos não experimentou bons resultados na última safra, registrando um prejuízo de 133 milhões de euros (cerca de R$ 826 milhões), principalmente devido a perdas não recorrentes. Entretanto, enquanto a Europa teve problemas com pragas nas plantações de beterraba e condições climáticas adversas, o Brasil contou com uma safra de cana-de-açúcar recorde, assim como um aumento nos preços do açúcar, colocando a commodity em uma posição ainda mais competitiva.

A Tereos Açúcar e Energia do Brasil, subsidiária do grupo francês Tereos, divulgou no Diário Oficial de São Paulo seus números da safra 2020/21. O grupo, que conta com sete usinas localizadas no noroeste de São Paulo, registrou prejuízo líquido de R$ 41 milhões. Apesar das perdas, houve uma melhora de 66,1% ante a temporada anterior, que fechou com uma retração de R$ 121 milhões.

Segundo a Tereos, o mix de produção adotado no Brasil foi 62% voltado ao açúcar, com produção total de 1,9 milhão de toneladas da commodity, um crescimento de 10% em relação à safra passada. Também foram produzidos 738 milhões de litros de etanol, 13% a mais ante o período anterior. Por fim, a empresa ainda exportou mais de mil megawatts-hora de energia proveniente da queima do bagaço da cana.

No documento divulgado, a Tereos afirma que havia uma perspectiva positiva no começo da safra 2020/21 e que, mesmo com a pandemia de coronavírus, a companhia adaptou suas operações para manter todas as plantas em pleno funcionamento. Desta forma, foram processadas mais de 20,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento de 10% em relação ao ciclo anterior, de 19 milhões.

No texto completo (exclusivo para assinantes), saiba mais sobre as perspectivas da Tereos e seus resultados no Brasil, incluindo receita com vendas, custos, lucro operacional, Ebitda ajustado e endividamento.

A francesa Tereos não experimentou bons resultados na última safra, registrando um prejuízo de 133 milhões de euros (cerca de R$ 826 milhões), principalmente devido a perdas não recorrentes. Entretanto, enquanto a Europa teve problemas com pragas nas plantações de beterraba e condições climáticas adversas, o Brasil contou com uma safra de cana-de-açúcar recorde, assim como um aumento nos preços do açúcar, colocando a commodity em uma posição ainda mais competitiva.

A Tereos Açúcar e Energia do Brasil, subsidiária do grupo francês Tereos, divulgou no Diário Oficial de São Paulo seus números da safra 2020/21. O grupo, que conta com sete usinas localizadas no noroeste de São Paulo, registrou prejuízo líquido de R$ 41 milhões. Apesar das perdas, houve uma melhora de 66,1% ante a temporada anterior, que fechou com uma retração de R$ 121 milhões.

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Segundo a Tereos, o mix de produção adotado no Brasil foi 62% voltado ao açúcar, com produção total de 1,9 milhão de toneladas da commodity, um crescimento de 10% em relação à safra passada. Também foram produzidos 738 milhões de litros de etanol, 13% a mais ante o período anterior. Por fim, a empresa ainda exportou mais de mil megawatts-hora de energia proveniente da queima do bagaço da cana.

No documento divulgado, a Tereos afirma que havia uma perspectiva positiva no começo da safra 2020/21 e que, mesmo com a pandemia de coronavírus, a companhia adaptou suas operações para manter todas as plantas em pleno funcionamento. Desta forma, foram processadas mais de 20,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um aumento de 10% em relação ao ciclo anterior, de 19 milhões.

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Além disso, a companhia teve um recorde histórico de moagem diária, com 120,3 mil toneladas de cana. Também foi registrado um aumento de 17% do açúcar total recuperável (ATR), que ficou em 3,1 milhões de toneladas.

Em média, a produtividade da companhia foi de 86 toneladas por hectare, um crescimento de 6% comparado ao ano passado e 10% acima da média produzida pelo Centro-Sul que, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), foi de 77,9 t/ha.

Desempenho operacional

Em relação ao seu desempenho operacional, a Tereos relatou um aumentou de 114,9% no lucro bruto, com R$ 593 milhões ante aos R$ 276 milhões vistos na safra anterior.

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A receita líquida de vendas da companhia em 2020/21 foi de R$ 4,43 bilhões, uma elevação de 37,7% em relação à safra passada. Por sua vez, os custos subiram menos, 27,3%, fechando em 3,16 bilhões.

Com isso, a relação entre receitas e custos caiu 5,8 pontos percentuais, com os gastos representando o equivalente a 71,4% dos ganhos. Este é o melhor resultado da Tereos desde os 72,5% vistos em 2016/17.

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Outro indicador do desempenho operacional da empresa, o Ebitda ajustado (que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, além de considerar especificidades do negócio) teve um aumento de 58%, totalizando R$ 1,16 bilhão ante os R$ 735 milhões da safra 2019/20.

Da mesma forma, a margem Ebitda teve um aumento de três pontos percentuais entre os dois últimos ciclos, fechando em 26%.

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Perfil das dívidas

No momento do encerramento da safra 2020/21, a Tereos contabilizava R$ 3,52 bilhões em dívidas líquidas, uma queda de 2% em relação à 31 de março 2020. A empresa afirmou em relatório que os valores refletem principalmente a desvalorização de 9,6% do real frente ao dólar.

“A companhia possui 47% do endividamento exposto ao dólar e, considerando a taxa de câmbio em março de 2020, a dívida líquida da Tereos teria uma redução de R$ 161 milhões, totalizando R$ 3,36 bilhões”, completa o documento.

Por sua vez, a dívida bruta da companhia com empréstimos e financiamentos subiu 2,8% no comparativo, chegando a R$ 5,76 bilhões ao fim de 2020/21. Deste montante, R$ 1,42 bilhão correspondem a débitos com vencimento em até um ano – queda de 19,5% na posição anual – enquanto R$ 4,34 bilhões são referentes ao endividamento de médio e longo prazo, alta anual de 13,1%.

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Já os investimentos da empresa diminuíram 15%, ficando em R$ 707 milhões em 2020/21 ante R$ 831 milhões da safra anterior. Segundo o documento, “os investimentos e mudanças gerenciais resultaram em aumento progressivo de nossa performance industrial”.

Novas perspectivas

Em relatório divulgado à imprensa, o presidente da direção executiva do grupo Tereos na França, Philippe de Raynal, afirmou que apesar dos resultados da safra 2020/21 para toda a empresa ainda existe “uma grande margem de progresso”: “Com nosso plano estratégico, a orientação é clara no sentido da geração de valor, da rentabilidade das atividades e no controle da dívida”.

A matriz internacional definiu um plano estratégico para 2024 visando otimizar sua rentabilidade e reduzir as dívidas da companhia. Um de seus principais pontos de ação está nas atividades relacionadas ao açúcar e combustíveis renováveis na subsidiária brasileira.

Algumas das metas do plano estratégico são: margem Ebit (lucro antes de impostos e juros) de 5%; gerar fluxo de caixa positivo; e reduzir a dívida do grupo para menos de 2 bilhões de euros.

No Brasil, os acionistas da empresa já aprovaram a emissão de debêntures incentivadas no valor de R$ 480 milhões, investimento que será destinado para a produção de cana-de-açúcar. Além disso, o grupo captou mais de R$ 1 bilhão em financiamentos verdes na safra 2020/21, atrelando quatro metas de desenvolvimento sustentável ao longo de cinco anos de contrato.

Segundo a companhia, o valor será investido na construção de unidades para produção de biogás. Isto faz parte dos planos da companhia desde outubro do ano passado, quando a Tereos recebeu aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para estudar a viabilidade do projeto.

Giully Regina – NovaCana

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