Dificuldades na safra europeia e despesas relacionadas à pandemia de covid-19 impactaram resultados
Com 48 unidades industriais e operando em 18 países, a gigante açucareira francesa Tereos reportou perdas na temporada 2020/21, encerrada em março. O prejuízo foi de 133 milhões de euros (equivalente a cerca de R$ 826 milhões), especialmente motivado por perdas de 76 milhões de euros referentes à depreciação de ativos, ou seja, perdas não recorrentes.
O resultado também representou uma virada ante o lucro do ciclo anterior, que foi de 24 milhões de euros.
A receita líquida da companhia totalizou 4,31 bilhões de euros no encerramento da temporada, uma redução de 3,9% no comparativo com 2019/20, quando o resultado foi de 4,5 bilhões de euros. Os principais motivos para a retração anual, conforme divulgado pela Tereos, foram a desvalorização de 37% do real em relação ao euro; a queda do volume produzido devido à safra de beterraba ruim na Europa; e a redução da comercialização de açúcar e etanol.
Apesar disso, a companhia se beneficiou do aumento mundial dos preços do açúcar e do álcool, da safra brasileira recorde e do crescimento no volume de produtos de amido e derivados.
Considerando apenas o quarto trimestre do ciclo, de janeiro a março de 2021, a receita líquida foi de 1,11 bilhão de euros, representando diminuição de 11,16% no comparativo com o período anterior, quando ela foi de 1,25 bilhão de euros.
Além disso, o resultado financeiro consolidado da empresa teve uma despesa de 128 milhões de euros em 2020/21, uma melhoria de 17,4% em relação aos gastos de 155 milhões de euros de um ano antes, por conta do impacto do câmbio favorável e da diminuição dos custos financeiros.
Confira, na versão completa, mais detalhes sobre o desempenho da Tereos e seu novo plano estratégico para 2024.
Com 48 unidades industriais e operando em 18 países a gigante açucareira francesa Tereos reportou perdas na temporada 2020/21, encerrada em março. O prejuízo foi de 133 milhões de euros (equivalente a cerca de R$ 826 milhões), especialmente motivado por perdas de 76 milhões de euros referentes à depreciação de ativos, ou seja, perdas não recorrentes.
O resultado também representou uma virada ante o lucro do ciclo anterior, que foi de 24 milhões de euros.
A receita líquida da companhia totalizou 4,31 bilhões de euros no encerramento da temporada, uma redução de 3,9% no comparativo com 2019/20, quando o resultado foi de 4,5 bilhões de euros. Os principais motivos para a retração anual, conforme divulgado pela Tereos, foram a desvalorização de 37% do real em relação ao euro; a queda do volume produzido devido à safra de beterraba ruim na Europa; e a redução da comercialização de açúcar e etanol.
Apesar disso, a companhia se beneficiou do aumento mundial dos preços do açúcar e do álcool, da safra brasileira recorde e do crescimento no volume de produtos de amido e derivados.
Considerando apenas o quarto trimestre do ciclo, de janeiro a março de 2021, a receita líquida foi de 1,11 bilhão de euros, representando diminuição de 11,16% no comparativo com o período anterior, quando ela foi de 1,25 bilhão de euros.
Além disso, o resultado financeiro consolidado da empresa teve uma despesa de 128 milhões de euros em 2020/21, uma melhoria de 17,4% em relação aos gastos de 155 milhões de euros de um ano antes, por conta do impacto do câmbio favorável e da diminuição dos custos financeiros.
Melhora no desempenho operacional
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da Tereos foi favorável no período. O resultado de 465 milhões de euros ficou 10,7% acima dos 420 bilhões de euros de um ano antes. Além da recuperação do preço do açúcar europeu e da melhoria no preço mundial tanto do adoçante quanto do etanol, outra contribuição foi a evolução da eficiência operacional de todas as divisões da Tereos.
Ainda assim, além dos impactos negativos de desvalorização do real e da queda no volume das vendas europeias o Ebitda ajustado foi prejudicado por gastos de 65 milhões de euros nos chamados “itens excepcionais”.
O montante incluiu despesas de 40 milhões de euros vinculados à crise sanitária da covid-19. Também se somaram outros 25 milhões de euros de postergações do quarto trimestre de 2020/21 ao primeiro semestre de 2021/22, relacionadas “ao tratamento contábil aplicado à baixa utilização de capacidade das usinas de processamento de beterraba do grupo”, conforme detalha a Tereos.
No quarto trimestre de 2020/21, o Ebitda ajustado da companhia atingiu 92 milhões de euros, uma redução de 50,8% no comparativo com os 187 milhões de euros do mesmo período de 2019/20.
Conforme a Tereos, o grupo prevê atingir o objetivo comunicado anteriormente, com um Ebitda entre 600 e 700 milhões de euros, mas com um atraso de dois trimestres, ou seja, no final de setembro de 2022, em uma base de 12 meses acumulados.
Este atraso se deve especialmente pela perspectiva de curto prazo. A Tereos espera estagnação nos resultados operacionais durante o primeiro semestre de 2021/22, devido especialmente à quebra na safra da beterraba na Europa e às consequências da estratégia europeia de comércio do amido implementada em 2020.
Assim, a retomada do crescimento dos resultados operacionais deve ocorrer no segundo semestre de 2021/22, ou seja, entre outubro e março; quando a empresa deve atingir o Ebitda prometido.
Fluxo de caixa ajuda na dívida
A Tereos apresentou uma retração de 24 milhões de euros em sua dívida financeira líquida até 31 de março de 2021, saindo de 2,55 bilhões de euros para 2,53 bilhões no comparativo anual. A dívida líquida ajustada (que excetua estoques imediatamente comercializáveis) ficou em 2,19 bilhões de euros.
A redução se deu, em especial, por conta do fluxo de caixa positivo em 65 milhões de euros, de acordo com a Tereos. Ele foi resultante do “excelente desempenho operacional das atividades no Brasil e um aumento do controle de gastos com investimentos e despesas gerais, desde a chegada da nova equipe de gestão em dezembro de 2020, em um cenário de recuperação de preços do açúcar e de uma mudança favorável na taxa de câmbio”.
Conforme o relatório, a moagem da safra brasileira terminou em meados de novembro, com um volume recorde de 20,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, além de uma maior produtividade no comparativo com o ano anterior. “O grupo alcançou bons níveis de produtividade agrícola e industrial graças aos planos de desempenho e investimentos realizados durante os últimos anos”, destaca.
Esse cenário positivo compensou os efeitos desfavoráveis do vírus da beterraba amarela sobre a produtividade da matéria-prima na França, bem como o desempenho negativo da divisão de amido, adoçantes e renováveis, “demonstrando a resiliência do grupo em um ano difícil”, segundo afirma a Tereos.
Já a alavancagem do grupo atingiu 5,5 vezes ao final de março de 2021. Apesar do indicador não estar em um patamar considerado positivo, ele apresenta redução ante um ano antes, quando era de 6,1 vezes.
Novos planos
Conforme o presidente da direção executiva da Tereos, Philippe de Raynal, a Tereos “virou a página” em sua estratégia de volume e de crescimento externo. “Os resultados de 2020/21 mostram que o grupo não está plenamente adaptado ao período pós-cotas. Existe uma grande margem de progresso. Com o nosso plano estratégico, a orientação é clara no sentido da geração de valor, da rentabilidade das atividades e do controle da dívida”, afirma, referindo-se ao fim das cotas de produção de açúcar na Europa.
Para isso, um plano estratégico para 2024 foi definido pela empresa com o objetivo de melhorar a rentabilidade de suas atividades e reduzir sua dívida. “Essas iniciativas permitirão que a Tereos recupere margem de manobra e reforce sua capacidade de superar os períodos de baixa de ciclo inerentes às atividades ligadas ao açúcar, garantindo assim a sustentabilidade do grupo e a otimização do valor da produção de seus cooperados acionistas”, declara a empresa.
No curto prazo, a Tereos se concentrará na excelência comercial e na organizacional das suas operações, antes de prosseguir com iniciativas de médio prazo visando a excelência industrial e a redução da dívida financeira.
Até 2024, o objetivo é ter uma margem Ebit de 5%, geração recorrente de fluxo de caixa positivo, dívida líquida inferior a 2 bilhões de euros e alavancagem da dívida inferior a 3 vezes.
“Como parte do plano estratégico 2021-2024, o grupo pretende ser um protagonista na superação dos desafios climáticos, energéticos e alimentares”, detalha, reforçando sua política de descarbonização e investindo ativamente em projetos destinados à redução do uso de combustíveis fósseis.
Outro objetivo da Tereos é fortalecer suas atividades na produção de energia a partir da biomassa.
Dentro da área de responsabilidade social empresarial (RSE), o grupo já alcançou alguns resultados em 2020/21 como o fato de 62% das suas matérias-primas serem avaliadas ou certificadas como sustentáveis, 55% da energia consumida nas usinas ser gerada a partir de fontes renováveis e 86% das instalações industriais da Tereos terem sido certificadas no ISO/FSSC 22000 ou ISO 9001.
Operações financeiras
A Tereos destacou as principais operações financeiras que fez no período encerrado em março de 2021. Em junho de 2020, realizou um financiamento de 105 milhões de dólares, com vencimento de cinco anos; no mês seguinte, fez um empréstimo de 230 milhões de dólares garantido em 80% pelo governo francês, com vencimento de até cinco anos, a critério da Tereos.
Além disso, em outubro do ano passado, fez a emissão de 300 milhões de euros em bonds seniores, com vencimento de cinco anos e também a renovação da linha de crédito revolving da Tereos SCA, por meio da obtenção de um empréstimo sustentável de 200 milhões de euros.
Além disso, após o encerramento do ciclo 2020/21, a companhia ainda emitiu bonds por um valor nominal de 125 milhões de euros, que vencem em 2025, a uma taxa efetiva até o vencimento (yield to maturity) de 5,79%.
“O sucesso desta emissão, com uma redução significativa na taxa efetiva e no contexto da incerteza ligada à crise da covid-19, confirma o acesso que o Grupo Tereos tem ao mercado de bonds e demonstra a confiança dos investidores nas prioridades apresentadas pela nova gestão: redução da dívida, fluxo de caixa positivo e recuperação da lucratividade operacional”, destaca a empresa.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana